Beatriz Moreira

Beatriz Moreira

Representante - Cúpula dos Povos e Movimento dos Atingidos por Barragens

Últimos Discursos

24 de mar, 15:02

COMISSÃO DA AMAZÔNIA E DOS POVOS ORIGINÁRIOS E TRADICIONAIS

Transcrição automática

Bom, eu queria iniciar saudando a mesa em nome da deputada Juliana Cardoso e agradecer pelas contribuições dos companheiros que me antecederam, né? Eu sou a Betriz Moreira, sou militares do Movimento dos Atingidos por Barragens aqui em Belém, na capital do Pará, e também sou secretária operativa da Cúpula dos Povos. E gostaria de primeiro saludar também pela escolha do tema, é importante que a gente reflita, claro, sobre os aspectos de avanço institucionais mesmo no âmbito da UNFCCC, sobre o que foi a COP30, o que ela representou aqui em Belém, mas também trazer ao foco os movimentos sociais de base, as organizações da sociedade civil que compuseram esse momento construindo o que foi o que a gente chama de Cúpula dos Povos. A Cúpula dos Povos, como eu imagino que muitos aqui estejam familiarizados, ele é um processo histórico, ele não se inicia em Belém na COP30, mas é um processo que se inicia em 1992, ali quando a gente tem a Cúpula da Terra, 92 em que as organizações da sociedade civil promoveram o primeiro Fórum Global. Foi ali que se iniciou essa iniciativa de se construir espaços autônomos e paralelos a grandes conferências e fóruns multilaterais de tomada de decisão. E ao passar do tempo, nós tivemos a realização de várias Cúpulas dos Povos. E lá em 2023, aqui em Belém, quando a gente recebe... a quarta conferência, a quarta cúpula dos presidentes da OTCA, da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, os movimentos sociais que fizeram parte dos diálogos amazônicos, sejam eles brasileiros e internacionais, que são dos países que contemplam a Pana Amazônia, Chegaram ao consenso de que seria preciso construir uma cúpula dos povos rumo à COP30. Naquele momento, a gente estava rumo a Dubai, que é uma cidade que recebeu A COP28 também era uma cidade de um país cujo o regime não era democrático, então a gente vinha de uma série de reuniões que eram realizadas em ambientes que não se podia, não se permitia com tanta facilidade a manifestação. E em muitos desses casos, a manifestação das comunidades e das organizações da sociedade civil eram feitas do lado de dentro. Então a última grande marcha que a gente tem antes de Belém e Glasgow, E desde então tivemos uma sequência de três COPES sem a participação da sociedade civil nas ruas. É... Então, naquele momento, durante a reunião em 2003, foi estabelecido um grupo operacional que dali se desdobrou numa comissão política, que representou mais de 1.100 organizações que vieram a construir a Cúpula dos Povos. Construir um processo dessa magnitude nunca foi uma tarefa fácil. Sempre impôs para nós, desse campo unitário, do campo progressista, um desafio, então. Ainda que nós estivéssemos num governo... democrático um governo que apoiou as manifestações que nós construímos aqui em Belém, ainda assim a conjuntura internacional não nos era favorável. Então é uma cúpula dos povos que surge ali nesse anseio de construção que vem É... considerar Todas aquelas movimentações que vêm desde as organizações que historicamente influenciam e buscam influenciar os textos da negociação, então a gente está falando de gente que negocia textbook mesmo, e estamos falando também de movimento de base, movimento social, sindicato, pescadores quilombolas, indígenas, atingidos por barragens, movimentos sem terra. Então nós temos uma diferença de abordagens e de como que a gente... contempla esse tema que é da justiça climática. Então, a Cúpula dos Povos determinou como ferramenta metodológica e política de criação de convergência, justamente os eixos de convergência. Nós tínhamos seis eixos de convergência que contemplavam temas que, para nós, traziam consenso. Então, desde territórios, maratórios vivos, a gente passou por feminismo popular, passamos por democracia, solidariedade internacional, que são grandes temas que eram não só transversais entre si, mas que também... garantiam a construção de unidade na diversidade. Então aqui em Belém, Nós construímos uma agenda muito... completa, complexa, que iniciou no dia 12 de novembro e encerrou no dia 16, de uma série de debates que aconteceram aqui, grandes plenárias, atividades enlaçadas que aconteceram em paralelo e, claro, como já foi mencionado pelas colegas anteriormente, uma barquiata. A barquiata foi simbólica ao reunir, claro, mais de 200 embarcações com participantes de vários países na Baía do Guajará, que é a principal baía aqui da capital de Belém. Então, nós iniciamos ela com uma demonstração pública de força da mobilização popular, que saúda os nossos rios, que saúda a Amazônia e não poderia ter iniciado de outra forma. Passamos, então, por uma série de atividades lá concentradas na Universidade Federal do Pará, E finalizamos com uma marcha dos povos que... Conforme já foi mencionado, teve mais de 70 mil pessoas que participaram. Essa metodologia dos eixos de convergência, ela foi importante porque nós nos vimos numa situação em que Ao construir a discussão sobre a cúpula dos povos dos territórios para cima, Porque antes mesmo da realização da cúpula aqui em Belém, nós tínhamos atividades sendo promovidas nos territórios em preparação. Havia uma preparação internacional, inclusive, para a conferência que nós tivemos aqui, nós percebemos que o que se estava propondo ia inclusive além do que era proposto na agenda da COP30. Então a gente tinha essa complexidade de um evento autônomo e paralelo que suscitava discussões além da agenda proposta. Então a partir dessa construção em torno dos eixos, nós saímos com uma declaração política muito forte. Uma declaração política que foi capaz inclusive de nomear quem são os responsáveis e causadores da crise climática que nós vivenciamos. E foi também nesse processo que nós tivemos a capacidade de observar os limites que existem do atual modelo de construção de multilateralismo e de denunciar também as falsas soluções. Então... O que nós conseguimos construir aqui em Belém é considerado, foi avaliado por nós como uma convergência de fato, né? Que foi construída com muita maturidade política e pautada do internacionalismo popular. Falando um pouco sobre os saldos e as conquistas desse nosso processo construído aqui em Belém, eu ressalto alguns números. Nós tivemos mais de 30 mil participantes reunidos na Universidade Federal do Pará de mais de 80 países. que representavam, eram representativos de todos os continentes do mundo. Nessa delegação, nessas delegações que compunham a Cúpula dos Povos, nós tínhamos tanto adultos como crianças. Então, nós tivemos também, em paralelo à Cúpula dos Povos, inserida na Cúpula dos Povos, uma cúpula das infâncias que saiu com uma declaração própria, que também foi lida no último dia de Cúpula dos Povos, na presença inclusive do presidente da COPPA, André Corrêa do Lago, da ministra Sônia Guajajara, do ministro Guilherme Boulos e da ministra Marina Silva. É... A nossa marcha foi histórica, nós conseguimos reunir diversos setores da sociedade civil, graças à coordenação produtiva que foi construída no âmbito das instâncias da Cúpula dos Povos e em articulação também com atores locais e do governo federal. Para além disso, nós também tivemos um grande avanço organizativo pautado em políticas públicas brasileiras, que foi a construção da nossa Cozinha Solidária. Cozinha Solidária é essa que alimentou cerca de 7 mil pessoas, da Púpula dos Povos todos os dias, do dia 12 ao dia 16, com três refeições. Comida saudável, comida agroecológica e que vinha dos territórios da Amazônia. Além disso, outro ponto alto da Cúpula dos Povos que foi organizada aqui em Belém foi justamente a gestão de resíduos. Nós fomos capazes de gerenciar de forma sustentável mais de 10 toneladas de resíduo sólido, que garantiu para nós a premiação do Prêmio Lixo Zero. Obrigado. Para além dessas conquistas, outro ponto de avaliação nossa, enquanto cúpula dos povos, foi justamente a nossa interação com o espaço oficial das Nações Unidas. De novo, mas vamos conversar. Obrigada, deputada. Enquanto o processo da sociedade... civil organizada, que ocorria paralelamente e autonomamente à COP30, nós também desenvolvemos um mecanismo de incidência que a gente chamou de Inside-Outside Strategy. que era a nossa estratégia de incidência dentro e fora. Então, ao longo da primeira semana, que nós trabalhamos com as organizações que estavam do lado de dentro, mas ainda assim compunham toda a coordenação da Cúpula dos Povos, é que eles reverberariam nos espaços oficiais aquilo que estava sendo discutido no espaço de fora. E na segunda semana, era a semana de intencionalidade. Então, onde a gente concentrou a maior parte das atividades e garantimos o credenciamento das pessoas para que participassem desse momento histórico. Então, na segunda semana, o ponto alto dessa segunda semana foi justamente a realização da Plenária dos Povos. co-presidente junto com as Constituições das Nações Unidas, da ONFCCC. Então, foi um espaço construído politicamente com muita antecedência, com as organizações que fazem esse trabalho do lado de dentro, e que foi possível, apesar das diferenças políticas de se construir um processo como esse, gerar essa coesão a ponto de a gente construir uma em parceria, co-presidir a plenária dos povos. Em relação a próximos passos, nas últimas semanas, especialmente nos dias 2 a 4 de março, a Comissão Política da Cúpula dos Povos se reuniu em Brasília para o momento de avaliação. do que foi o processo e de tomada de decisão sobre o futuro. Em primeiro lugar, nós entendemos que cumprimos o objetivo, que foi a construção da Cúpula dos Povos em Belém, e que as estruturas organizativas desse espaço serão dissolvidas à medida que nós finalizarmos todo o processo de sistematização, que foi a construção dessa cúpula dos povos como era. Nós entendemos que, a partir de agora, o nosso encontro, esse saldo organizativo, o encontro de organizações que, a princípio, não teriam a oportunidade de se conhecer e colaborar, se não fosse a cúpula dos povos, deve permanecer na luta concreta em cada um dos territórios, entendendo os territórios, como essa trincheira da luta internacional. Um outro objetivo que nós definimos, uma outra definição que saiu dessa reunião, é que nós vamos acompanhar o processo de Santa Marta, já estamos acompanhando o processo de Santa Marta, especialmente a construção da Cúpula dos Povos, que vai acontecer no dia 24 ao dia 28 de abril. E nós já iniciamos também uma transição com a Turquia, especialmente com os movimentos grassroots, movimentos de base que estão construindo a cúpula dos povos de lá. E por fim, nós entendemos a responsabilidade histórica desse momento, que é de reforçar as nossas ações de solidariedade internacional, especialmente... Em relação ao povo cubano Então esses foram os resultados que nós tivemos enquanto cúpula dos povos E gostaria de agradecer mais uma vez pelo convite e espaço

Ir para evento