
Oi gente, a todos e a todas, é um prazer gigantesco estar aqui com vocês nesta noite. Cumprimento a mesa na figura da deputada Dandara. mas também a todas as autoridades presentes representantes da sociedade civil e todas as pessoas que ajudam a construir esse diálogo inclusive as professoras que falaram anteriormente a mim a minha fala ela parte de três lugares primeiramente do lugar de juventudes porque afinal sou uma pessoa jovem e tenho me formado nos movimentos de juventude segundo ela parte do lugar de professor de educação básica e do chão da escola tem um lugar de diálogo especialmente com essas novas juventudes em terceiro lugar enquanto um jovem ativista ambiental ativista que estão nos movimentos climáticos, lutando para adiar a queda do céu, fazendo referência ao grande Davi Kopenawa Yanomami. Hoje, eu gostaria de trazer algumas reflexões que conectam esses quatro eixos que são propostos por essa audiência pública, juventude, diversidade, saúde mental e comunidade tradicional, que é a questão, e aí a professora Maria Páscoa mas que é a questão da ansiedade climática, eco-ansiedade, eco-culpa, luto ecológico, preocupação biosférica, solastalgia e vários outros nomes que a literatura tem dado para esse tópico. das redes sociais, das pressões acadêmicas e como isso afeta a saúde mental das nossas juventudes, são todos temas muito importantes e reais, e cabe também uma camada adicional e crescente nisso, que é o medo do futuro diante da crise climática. Enquanto professor de educação básica e ativista ambiental, e uma pessoa que tem tido essas conversas com o minhas juventudes com os meus pares e também com os meus alunos posso afirmar que isso é cada vez mais crescente A ansiedade climática, essa preocupação com o futuro, ela não é uma doença isolada. Ela é uma resposta emocional... legítima a uma ameaça muito real, apesar de ainda termos quem negue a crise do clima. Mas, interessante, um estudo da Lancet de 2015, em 2021, mostrou que jovens ao redor do mundo, inclusive no Brasil, estão lidando com esse sentimento de angústia, impotência, medo e até um luto antecipado ao pensar o planeta que irão herdar. De acordo com esse estudo, 75% dos jovens entrevistados acham o futuro assustador, outros 83% acham que as pessoas não estão mais cuidando do planeta, afirmam que se sentem traídos pelos seus governos ou seus governantes. E aí algumas perguntas ficam no ar. Vai haver água. vai haver trabalho, vai haver segurança, vale a pena sonhar com o futuro, vai haver cerrado, e aí sei que a deputada Dandara tem essa pauta assim como eu, vai haver legislação ambiental, deputada. Essa semana mesmo essa casa votou a urgência de um projeto que coloca empecilho nas ações de monitoramento ambiental, como tem feito nos últimos anos, né? assim essa ansiedade ela não surge do nada ela nasce de eventos com Retos. de secas prolongadas, de enchentes, de queimadas, da perda da biodiversidade, da insegurança alimentar, que é decorrente de todas essas questões também. Ela nasce do acidente, da tragédia, na verdade, do crime de Brumadinho, das enchentes de Porto Alegre, das ruas de Goiânia, minhas... que toda chuva a gente tem desastres acontecendo, alagamentos, pessoas morrem, são carregadas pela enchente, e no nosso contexto brasileiro, claro, e aí tanto a professora Maria de Páscoa, a professora Maria Helena e a professora Maria das Graças falam muito bem sobre isso, no contexto brasileiro, esses desastres ganham contornos ainda mais complexos, quando atravessa as desigualdades sociais e as desigualdades raciais, país. Então, por isso é importante a gente dizer que esse tema, que é novo... ainda nos estudos da psicologia, nos estudos climáticos, é importante dizer que a ansiedade climática não afeta todos da mesma forma. As aumentos periféricas, por exemplo, que é de um lugar de onde eu venho, sente primeiro os impactos da mudança climática. São os bairros mais vulneráveis que sofrem com as enchentes, com a falta de saneamento, com o calor extremo, São essas as juventudes que estão na linha de frente de um colapso ambiental que já começou há muito tempo, de uma crise ambiental que já começou há muito tempo e que é, vejam só, resultado de um colapso ambiental. de uma crise civilizatória, né? Por isso a gente está falando tanto dos aspectos sociais de tudo isso. Quando a gente fala sobre diversidade, um outro tópico na qual essa audiência se propõe a discutir, a gente precisa reconhecer que jovens negros, indígenas, quilombolas, LGBTQIA+, enfrentam não apenas os impactos ambientais, mas também esse peso histórico dessa exclusão. E para esses grupos... para nós e eu me enquadrando enquanto uma pessoa LGBT, a ansiedade climática se soma a outras formas de sofrimento psíquico, né? Criando uma sobrecarga emocional, que muitas vezes vai passar despercebida pelas políticas públicas. A gente está, portanto, diante de um desafio que é simultaneamente ambiental, social... e psicológico. Qual é o papel do poder público diante disso? Reconhecer, primeiro, ansiedade climática precisa ser nomeada, precisa ser compreendida, incorporada nas políticas de saúde mental, não se trata necessariamente de patologizar juventudes, mas de oferecer um lugar de escuta, de acolhimento, de ferramenta para lidar com esse sofrimento, integrar as políticas, né, as três professoras que falaram antes de mim falam sobre a transversalidade das políticas públicas, e como a gente não pode tratar a saúde mental ou até mesmo as saúdes voltadas para juventudes isoladas do contexto de crise climática, então a gente precisa de ações intersetoriais que conectem saúde, educação, meio ambiente, direitos humanos, juventudes, Legenda por Sônia Ruberti mas criar espaços para participação juvenil, para participação da juventude. Enquanto juventude, digo, a gente não quer apenas ser ouvido, a gente quer ser protagonista. A gente precisa estar incluído nos processos decisórios para fortalecer esse senso de pertencimento que reduz e reduzir a sensação de impotência, que é um dos principais gatilhos, inclusive, para essa questão da ansiedade climática. E, por fim, acho que é preciso, na verdade, tenho certeza que é preciso agir com urgência. Não podemos pedir para que os jovens tenham esperança se as nossas ações não acompanham o nosso discurso. Saúde mental está diretamente relacionada ao futuro. sem compromisso real com a redução dos impactos climáticos, sem compromisso com a redução do desmatamento, com a destruição, com o colapso dos nossos biomas, qualquer política de cuidado será ineficiente. E apesar de toda angústia, as juventudes têm mostrado uma capacidade impressionante de mobilização, criatividade e resistência. Os nossos movimentos sociais, coletivos ambientais, iniciativas comunitárias, muitos jovens estão transformando isso em ação. Eu aproveito esse espaço, honrar e parabenizar essas juventudes que estão fazendo isso, porque a ansiedade tende a paralisar quando nós estamos sozinhos. Mas ela se transforma numa força quando ela é compartilhada e canalizada coletivamente. Precisamos, então, criar condições para que essas transformações aconteçam de fatos. Significa também construir narrativas que não sejam apenas da catástrofe, como muitos existem, em utilizar um discurso catastrofista para falar sobre todos esses eventos, mas construir narrativas de possibilidade, de criação de outros futuros possíveis. E não se trata de negar a crise climática, mas de afirmar que ainda há caminhos, e a gente está aqui exatamente porque a gente acredita nesse caminho, a gente acredita no poder transformador das políticas públicas efetivas, e que esses caminhos passam por justiça social, pela valorização da diversidade, pelos respeitos às comunidades, tradicionais e originárias. Então, cuidar da saúde mental da juventude é, necessariamente, cuidar do futuro do planeta. E cuidar do futuro do planeta é também cuidar da saúde mental. Isso se retroalimenta, né? Então, esses são aspectos importantes a gente precisa pensar. Se quisermos construir políticas públicas eficazes, precisamos olhar para essa conexão com seriedade, sensibilidade e compromisso. E aí, como o meu tempo acaba agora, eu só queria aproveitar essa fala tão importante da professora Maria de Páscoa, da professora Maria Helena e Maria das Graças sobre essa questão de essa narrativa diretamente dos territórios, para falar que essa casa abriu essa semana, inclusive, uma pesquisa sobre o Acordo de Escazu, que é o primeiro acordo da América Latina e do Caribe que fala sobre proteção, inclusive, dos ativistas ambientais. que estarem a favor do Acordo de Escazu porque ele é muito importante e o Brasil precisa ratificar o Acordo de Escazu porque ele também tá relacionado com tudo que isso que a gente tá falando a gente quer ter o direito de defender a nossa saúde mental e mais de defender também os nossos ecossistemas do nosso meio ambiente sem ser ameaçados e sem a possibilidade de sermos mortos lá nos territórios muitíssimo obrigado é obrigado
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