Laina Crisóstomo Souza de Queiroz

Laina Crisóstomo Souza de Queiroz

Fundadora da Organização TAMOJUNTAS

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08 de abr, 12:52

PLENÁRIO

Transcrição automática

Você ainda, né? Então, ainda não é tarde, quando rolar o almoço, a gente dá boa tarde. aprendi assim na minha terra Primeiro, eu sou Laina Crisóstomo, eu sou uma mulher preta, uma mulher lésbica, uma mulher de candomblé, uma mulher gorda que carrega 63 tatuagens no meu corpo. Sou fundadora de uma organização chamada Tamo Juntas, que atende mulheres em situação de violência já há quase dez anos, a gente completa dez anos esse ano. atendendo essas mulheres de forma extremamente diversa, Começamos com o enfrentamento à perspectiva da violência doméstica familiar com Lei Maria da Penha. E a gente foi avançando no caminho, porque a violência de gênero também avança e se remodela, se reinventa, assim como o racismo e todas as opressões. Então, hoje, a gente também atua como assistente de acusação em casos de feminicídio, Então, a gente tem feito esse processo dessa advocacia, mas também dessa atuação multidisciplinar, não só na Bahia, mas em outros estados do Brasil. Sou a ex-vereadora de Salvador, numa mandata coletiva chamada Pretas por Salvador, pelo PSOL. Estou aqui fazendo essa fala representando o pessoal mas, acima de tudo, representando tantas mulheres que fazem a luta todos os dias, seja na advocacia, seja na militância do movimento social, E aí eu acho que a gente precisa todos os dias lembrar a importância de fazer esse movimento. E aí eu quero começar a minha fala Pedindo licença às minhas mais velhas, né? Maria do Rosário e a Sandra Lee. Lidze, que foi prefeita, a única mulher prefeita na cidade de Salvador, que dizem que é a capital das mulheres, mas que a gente, depois dela, nunca mais teve uma prefeita. É importante que a gente faça memória e que a gente faça féminagem com essas mulheres que tanto nos ensinam a abrir caminhos, quebrar correntes e ocupar esses espaços. E aí eu quero começar a minha fala... trazendo algumas reflexões sobre algo que é muito fundamental, que é pensar que feminismo não é o contrário de machismo. Parece muito óbvio dizer isso todos os dias, mas todos os dias, especialmente com a aprovação da PL da Misoginia, eles tentam dizer que a gente quer prender e matar homens. Ao contrário, nós somos mortas todos os dias. Então, entender que feminismo não é o contrário de machismo, é entender que feminismo é luta, é militância, é articulação, mas é, acima de tudo, luta por direitos humanos para todas as pessoas. As mulheres pretas lutam para que os seus filhos, jovens negros, não sejam assassinados. E isso não é apenas luta para mulheres. As mães lutam por mais qualidade de vida, por saúde. Então, lutar por feminismo é lutar por uma lógica que é de coletividade e de agrupamento. Então, quando a gente pensa no feminismo, a gente pensa: "Misericórdia, acabou o tempo!" Quando a gente pensa em feminismo, a gente pensa em luta e em resistência. E aí eu quero trazer algo... do patriarcado. Tá, tô vendo aqui. O patriarcado, ele é fundamentado numa lógica que é a lógica da monogamia, do capitalismo, mas acima de tudo, desses símbolos, né? Que é a festa de 15 anos, da menina de 15 anos que é apresentada à sociedade para arranjar um marido. é o casamento, né, que é o pai, um homem, que conduz a filha para outro homem e que a gente, todos os dias, precisa quebrar essa lógica. Quando a gente fala de feminicídio, a gente está falando de um problema que é estrutural, não é um problema que nasce agora. As violências, elas podem terminar no feminicídio, mas elas acontecem cotidianamente. E aí, quando a gente fala de feminicídio, a gente precisa pensar em quais feminicídios a gente está falando. Porque a lei hoje enumera dois tipos de feminicídio em específico, né? A perspectiva da violação, quando a gente fala de lei Maria da Penha, mas também fala sobre a condição de ser mulher. E hoje, no Brasil, a gente tem crimes de feminicídio que não são pautados efetivamente com políticas públicas, que é o caso do feminicídio político que recentemente a gente teve uma decisão maravilhosa, no caso de Marielle, Mas ainda é muito pouco. E também outros crimes como o lesbocídio, que é o crime de feminicídio contra mulheres lésbicas. E também o trânsito feminicídio, que não é ainda... expectativa da lei para que a gente consiga efetivar com jurisprudência, com legislação, mas acima de tudo com luta. E aí, para fechar minha fala, quando eu penso em feminicídio, para a gente fazer esse enfrentamento, a gente precisa pensar três eixos principais. O social, que é o que a gente faz todos os dias, a militância, a ocupação da rua, a busca por dados e garantias, mas também a ocupação dos espaços da academia com pesquisas, Quando a gente pensa, a perspectiva legislativa é a ocupação dos espaços de poder. Nós tivemos nessa casa, na Comissão de Feminicídio, praticamente só mulheres deputadas. Foram poucos os homens deputados que vieram aqui para ouvir especialistas que têm atuado todos os dias na área. E isso mostra qual é o desinteresse do machismo e do patriarcado para fazer esse enfrentamento. E por fim, jurídico. Porque a gente precisa ter a garantia do protocolo de julgamento na perspectiva de gênero funcionando. A gente precisa de uma atuação na perspectiva jurídica que seja feminista e que seja acolhedora. E aí, para fechar, eu quero deixar um encaminhamento para essa casa. Que eu quero... casa que todos os dias Faz o debate da Lei Maria da Penha. Precisa pensar que a Lei Maria da Penha é a terceira melhor lei do mundo no enfrentamento à violência contra a mulher. A gente não precisa que essa lei tenha pendura e calhos. A gente precisa... deputadas, de uma aprovação de uma lei geral de violência de gênero contra meninas e mulheres, nessa casa e nesse país, para que a gente consiga verdadeiramente se sentir segura num lugar que todos os dias nos mata e nos silencia. É isso, obrigada, estamos juntas. Obrigado.

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