
Boa noite, vocês me escutam? Eu falo hoje como advogada e representante da Operação Amazônia Nativa, OPAM, uma organização indigenista que atua na defesa dos direitos dos povos indígenas dos estados de Mato Grosso e da Amazônia. Mas as vozes que realmente importam são dos povos e das comunidades representadas aqui hoje. e especialmente dos povos com os quais a OPAM atua em parceria. e que nós estamos juntos aqui hoje, os povos Tapayuna, Chavante, Kayabi... e que deram seu testemunho aqui hoje. Esses povos, eles não são apenas sobreviventes, eles são testemunhas vivas. do que aconteceram nas suas comunidades no período da ditadura militar. no Brasil, que representam essa engrenagem de extermínio. E durante a ditadura militar, esses povos sofreram horrores indizíveis. As suas comunidades foram envenenadas, foram utilizadas como mão de obra escrava, foram E... envenenados por arsênico no açúcar, carne de anta envenenada, foram transferidos dos seus territórios. Até hoje, o povo tapaiú na luta para voltar para o seu território. no noroeste do estado de Mato Grosso. O povo Xavante, da terra indígena de Maró de Sede, apesar de ter tido seu território demarcado, encontrou um território absolutamente devastado. Embora a FUNAI fale que já fez a sua parte, demarcando o seu território. O povo caiabi até hoje luta pela demarcação do território indígena de Batelão. E não houve ainda sequer o reconhecimento disso. Então, a gente não pode falar de uma justiça de transição no Brasil que não reconheça, primeiro, os horrores que foram perpetrados contra os povos indígenas, que não reconheça a demarcação também dos seus territórios. Se a gente está aqui hoje... Se esses povos estão aqui hoje falando de demarcação de territórios, dos horrores que eles sofreram durante a ditadura militar, é porque não está tudo bem. Porque essas reparações, elas não foram ainda... É... Não foram dadas a eles... tanto de pedidos de desculpas, tanto de reparações a nível financeiro, tanto a nível moral, essas reparações psicológicas que não vão voltar. Então, é preciso que o Estado brasileiro reconheça todos os horrores que foram cometidos como forma de justiça, como forma de reconhecimento de todos os horrores que foram cometidos que esses povos, de fato, possam... ser reconhecidos como vítimas da ditadura e a sua contribuição também. Né e todo esse papel de de contribuição, né? De... de povos originários do país. tanto do período da colonização, mas até hoje, como vítimas. desse período absolutamente horroroso, que se perpetua até hoje, possa, por fim, esse reconhecimento acontecer, por meio da criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade. Então... que esse... esse momento aqui possa representar de forma digna para esses povos, um momento de escuta. E que bom que a gente tenha esse momento acontecendo durante o campamento Terra Livre, durante Abril Indiz, que a gente possa ter outros momentos para que esses povos, essas comunidades possam falar, ter vozes. para falar o que aconteceu. durante esse período tão horrendo da nossa história. Obrigada.
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