
Bom dia a todas as pessoas presentes. Eu... Quero... Cumprimentar a todos, em nome do deputado Raymond. e também da nossa deputada Alice Portugal, e já agradeço o convite. É uma honra poder estar nesse espaço e falar em nome do meu povo. E... Até porque, antes de ser ouvidora geral, eu cheguei a esse espaço impulsionada pela força e pela coletividade do meu povo. E falar sobre direitos humanos é reafirmar o compromisso com a vida. Obrigado. Mas quando eu digo isso, eu não me refiro a qualquer vida. Eu me refiro à vida... que resiste à fome, ao despejo, à bala, ao preconceito, ao silenciamento. Eu me refiro à vida que se nega a ser marginalizada pelas estruturas do Estado e da sociedade. Eu gostaria de fazer, desculpa, fazer minha autodescrição, sou uma mulher indígena. de pele clara, cabelos longos Estou usando um cocara azul, uma blusa azul e brincos de penas coloridas. com braceletes também coloridos. E como mulher indígena, Eu me tornei defensora dos direitos humanos. porque carrego em mim a memória dos meus ancestrais, e o peso da luta coletiva do meu povo, que me trouxe até esse espaço. E é por isso que eu reafirmo que direitos humanos... Não são favores. são garantia mínima de justiça e equidade. Falar de direitos humanos E aí é defender o acesso à saúde, à educação, ao território. a dignidade, a liberdade religiosa. e ao bem viver. Enquanto ouvidora geral da defensoria pública, eu não poderia chegar nesse espaço e sair... sem dizer que, infelizmente, o nosso país Os direitos humanos ainda têm cor. Tem gênero. e tem território. É escandaloso dizer isso. Mas, em pleno século XXI... corpos indígenas e negros. ainda estão sendo violados. Comunidades indígenas inteiras estão sendo dizimadas. Obrigado. Infelizmente, jovens negros periféricos. Não tem perspectiva de futuro. E é por isso que o nosso compromisso deve ser radical. Precisamos de forma... é radical transformar essa sociedade. Obrigado. Obrigado. Eu gostaria de dizer que direitos humanos sem participação popular, Não é direitos humanos. Precisamos ser ouvidos. E a nossa missão, enquanto ouvidores... É transformar escuta em ação. É dor em denúncia. E denúncia em mudança. A defesa dos direitos humanos começa na escutativa. Passa pelo enfrentamento institucional, as desigualdades... E termina... Ou melhor... renova na luta coletiva de uma sociedade mais justa. E é por isso que eu reforço a fala da minha colega Sirlene Assis, quando ela pede o fortalecimento das defensorias. E eu vou ainda mais longe. Também peço aqui o fortalecimento da criação das ouvidorias. Onde ainda não existe, das defensorias que ainda não têm defensorias. Infelizmente, o nosso Estado ainda tem oito defensorias públicas no nosso país. Ainda tem oito defensorias públicas que não possuem ouvidorias. E é de suma importância o papel da ouvidoria para se ouvir a população, para se fazer ponte entre a sociedade civil e a defensoria pública, fortalecendo essa instituição de justiça que cuida da minoria, vulnerabilizada no nosso país. Então, é um clamor que eu faço e, especificamente na Bahia, eu não poderia deixar de falar sobre o meu povo pataxó. que vive enfrentando neste momento o meu território e se encontra em guerra. Eu sou uma liderança do território como a Xetibá. Território esse que foi demarcado durante a COP30 e que a violência só aumentou após a demarcação. porque foi demarcado, mas o processo continua parado. É preciso haver desintrusão, é preciso que o nosso território seja devolvido ao nosso povo. Só que, ao invés disso, o nosso povo está sendo criminalizado, está sendo considerado invasores. E nós não somos invasores, nós só apenas estamos querendo o que é nosso por direito, direito ancestral, porque somos herdeiros dessa terra. Tchau. nosso território é sagrado, banhado pelo sangue dos nossos irmãos. E nós não vamos abrir mão de nenhum centímetro. Vamos continuar na luta pela demarcação, pela garantia do território Comexé-Tibá e pela demarcação dos demais territórios indígenas do Brasil. Obrigada. Obrigado.
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