
Bom dia a todos. Bom dia. Na verdade... Eu queria começar aqui falando em nome dos quilombolas do Estado de Minas Gerais. É triste quando nós estamos falando... E quando nós estamos em representação... E essa representação, ela leva de verdade O sentimento das pessoas. Nós hoje estamos falando, no norte de Minas Gerais, de mais de... mil comunidades, mil territórios quilombolas, à margem do Rio São Francisco, que é mais alarmante, senhores deputados. a quem representa aqui a essas comunidades, é que nós, que lá falta tudo. principalmente quando nós estamos nas margens do Rio São Francisco, com território com 400, 500 famílias, e a energia não chega. E quando ela chega, ela chega num ponto único. No século XXI, aonde nós temos hoje 100% da coisa... via internet, aí o pessoal quer que as comunidades tradicionais, que os quilombos consigam estudar sem ter internet. É muito engraçado, para quem não conhece os territórios quilombola, quando você chega de manhã... Você tem fila Nos pontos onde tem o poço de água, lá também tem a tomada de ligar os telefones. Porque a internet chegou, porque a internet chega com uma plaquinha solar desse tamanho. Então a internet chega. Mas a energia não chega, então o cidadão não consegue carregar sequer o celular. E isso, no norte de Minas Gerais, isso em todas as comunidades criombolas, hoje nós temos um consórcio que tem 19 municípios. Não tem um município desse... Um município. que tem sequer A universalização que você me fala. Então, eu gostaria muito que a CEMIG respondesse... aos povos tradicionais de Minas Gerais. que respondesse simplesmente por quê? É tão fácil dizer universalizou. Universalizou pra quem? Eu estou desde 2003 que eu estou dentro dos territórios. Estou desde 2003. Eu fui vereador por dois mandatos... Eu acompanho o processo inteiramente. Essa semana nós viajamos 6 mil quilômetros com a Sinapi. para que a gente pudesse levar o Ministério de Promoção da Igualdade Racial para entender qual é a demanda que nós estamos falando. Então, é importante que nessa audiência pública que se coloque que nós estamos defendendo, não é apenas só energia solar, nós estamos defendendo a vida de pessoas que amam seus territórios. Nós temos que parar de exportar os nossos jovens, porque nós não temos condições mínimas de mantê-los no nosso território. E essa responsabilidade, ela é de todos nós. Ela é desse amigo, Ela é do governo de Minas Gerais, ela é do governo brasileiro, mas infelizmente a SEMIG não tem isso como ponto. Outra coisa mais triste ainda, a Semig hoje no Norte de Minas Gerais, ela só atende pela internet. Só que essa amiga está esquecendo que ela não colocou luz para as pessoas que estão lá no território quilombola acessar a internet. Como que eu vou fazer o meu pedido de luz se eu não tenho a luz? A CEMIG esqueceu que nos territórios que estão abandonados por ela durante todo esse processo, a maioria das pessoas não sabem ler. Como que eu vou ter acesso à internet se eu não sei ler? Eu estou falando... Não é de uma coisa que qualquer um sair daqui hoje, que for em qualquer comunidade. Nós conseguimos colocar o programa Minha Casa Minha Vida, mas o cidadão não está morando porque não tem energia. E há mais de 15 anos atrás, a CEMIG emitiu um protocolo entregando a essa família o direito de construir essa casa na propriedade dele. Tem uma outra questão muito interessante, que é a questão que eles falam do segundo ponto. A minha família é composta por nove filhos do meu pai. Meu pai deixou para nós, na território quilombola da Palmeirinha, um terreno com 10 hectares. No sistema brasileiro, para mim ter direito a um documento de terra, eu tenho que ter 3 hectares. Como que eu vou fazer essa divisão? Como eu e meus irmãos vamos viver todo mundo com um único ponto? Porque eu não consigo fazer a divisão do território do meu pai. Eu não consigo dividir lá pra mim colocar cada um de nós, então nós vamos continuar morando junto todo mundo. Pra concluir. Então, o que eu queria era que realmente, quando se pensasse nessas resoluções, quando se pensasse nesse processo, também pensasse nessas pessoas. Olhasse para os territórios quilombolas como verdadeiros moradores e proprietários daqueles terrenos, indiferente de terem documento ou não. Quando reconhece as nossas comunidades, se diz que o território é coletivo... E que se eu moro em um território coletivo, eu não tenho o direito de ter escritura. Então tem algumas coisas que na própria lei, que nós votamos, que nós acreditamos que estamos votando para favorecer o nosso povo, nós tiramos o direito de quem não tem direito. Porque quando eu tiro o direito de quem tem direito, É satisfatório. Mas quando eu tiro o direito de quem não tem direito, isso nos deixa cada dia mais tristes. Nossos territórios, cada dia, sofre mais, porque a informação, ela chega na minha filha, Mas ela não chega com a condição da minha filha permanecer lá onde ela está. Muito obrigado.
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