
Obrigado, senhor Luiz. Eu queria cumprimentar rapidamente, a gente está com o tempo apertado, mas eu queria cumprimentar o deputado federal, Felipe. Essa iniciativa é extremamente importante aqui para o Brasil. Essa semana eu estou muito feliz porque semana passada nós tivemos uma audiência pública no Senado Federal, liderado pela senadora Damares, onde ela trouxe o tema empregabilidade de pessoas autistas e a gente pôde ter um debate muito rico também. Parabenizar o Lions aqui na figura do Messias e do Francisco pela ação. E para nós aqui da Especial Externa é muito importante esse espaço, porque efetivamente a gente acha que dá para melhorar. A gente acha que dá para melhorar e a gente acha que a inclusão das pessoas autistas nas suas diferentes esferas da nossa sociedade, vão fazer o nosso país muito melhor. Eu não tenho dúvida disso. E falar rapidamente da nossa experiência com relação à empregabilidade. Eu trabalho... Qual? inclusão de pessoas com deficiência há um certo tempo. Eu me formei em 1995. Então, Vini, já tem mais de 30 anos que eu atuo nessa área, sou psicólogo de formação, atualmente eu sou CEO da Especialista Eno Brasil. A Especialister é um negócio social, é uma organização social de origem dinamarquesa, Está presente em 26 países... e viemos para o Brasil em 2015. É... Mas eu queria falar o porquê nasceu a Especialisté, e pensando no... que dá para melhorar as coisas. Nós fomos fundados em 2004 por um dinamarquês chamado Torquio, e sua esposa, Anete. E esse casal tem um filho autista, E eles sempre ficaram muito incomodados assim, e tinham sempre um questionamento assim: O que vai ser do futuro do meu filho quando a gente não estiver? Será que ele vai conseguir entrar no mercado de trabalho? né então será uma angústia na a gente escutou várias histórias parecidas aqui é de organizações depois a A Carla vai falar um pouco aqui também. E, a partir dessa angústia, Tórquio era diretor de tecnologia numa empresa na Dinamarca. E... Ele observava características do seu filho, dificuldades de comunicação, de interação, alguns comportamentos diferentes. Mas ele também começava a observar em seu filho características que ele falava assim, opa, Isso é diferente. Então, certa vez, eles foram para uma viagem de férias à Europa... Torky e sua esposa e Lars, e voltaram depois dessa viagem de férias, E depois de 20 dias que eles tinham voltado dessa viagem de férias, o seu filho pegou um papel, E fez um desenho como se fosse uma torre com 150 caixas, e dentro dessas caixas tinham números de letras. Eram 500 números de letras. Ele fez um desenho e Tóricio ficou incomodado com aquilo. Mas o que é isso? E... ele não entende o que era aquele desenho. E isso é mais sinceramente, uma coisa da minha época, antigamente a gente não tinha o Waze, a gente tinha o guia rodoviário, então você pegava o guia, onde está aquela rua? E você manuseava aquele guia. E aí, Torkio descobriu no carro dele, um guia rodoviário, e com um índice de mapas da Europa. E aí ele comparou com os desenhos, ele reproduziu o índice de mapa da Europa, com 500 números de letras, de memória, com sete anos de idade. E aí, Tórico falou: "Mas peraí, meu filho, com todas essas dificuldades Tem uma memória como essa... E aí ele começa a se questionar: "Mas por que a sociedade olha pro que falta?" para as dificuldades... Por que a gente não coloca o foco no talento que as pessoas têm, do que elas podem trazer para a nossa sociedade de melhor. E aí E a gente acredita muito nisso. A gente sempre fala... dá importância também para algumas pessoas de processos de capacitação, de preparo para o mercado de trabalho, mas a gente fala isso para todas as pessoas, não só para as pessoas autistas. E aí, a partir dessa ótica, do foco no talento, que Tórkel criou a Especialisté. E pediu demissão da empresa que ele trabalhava, ficou sem dinheiro, hipotecou a casa dele e criou a organização. E, passados 20 anos, a gente está presente em 26 países. Hoje a nossa sede fica na Espanha. A gente já incluiu mais ou menos 10 mil pessoas autistas, autistas. no mundo dando suporte para as pessoas e para as empresas, para que elas consigam fazer, ou consigam trabalhar com acessibilidade. Sem acessibilidade não existe inclusão, as pessoas não vão dar certo e elas tendem a ter sucesso, então é necessário a gente pensar nisso. Aqui no Brasil, nós temos mais ou menos mil pessoas trabalhando, que é especialista em dar suporte, com uma equipe de profissionais, E a gente tem várias histórias aí de talento. Eu queria contar uma história muito rápida aqui, em 2018. E... 15. A gente foi procurado por uma pessoa do Banco Itaú, A gente tem parceria com o Itaú, com o Bradesco, com o Goldmann Sarkis, várias B13, já fizemos a inclusão de várias pessoas, mas eu queria contar do Itaú, porque o Itaú, eu acho que é muito simbólico. Em 2015, a gente foi procurado por um... um pai chamado Raposo, o Raposo tem um filho autista, e Raposo falou o seguinte, falou: "Marcelo, a minha esposa descobriu um especialista fora do Brasil e ela atormentou minha cabeça para que eu ligasse para vocês, para fazer uma reunião com vocês, para entender o que vocês fazem". Porque assim, como assim pessoa autista pode trabalhar? Que história que é essa? Porque no mundo inconsciente, no mundo invisível, as pessoas autistas não podem trabalhar. Ou no mundo invisível, as pessoas autistas podem trabalhar em funções menores. e a gente precisa quebrar isso aí o raposo ligou Ele falou: "Vamos fazer uma reunião". Fizemos uma reunião. E a esposa... do raposo, a Bettina ficou muito feliz, etc, etc. E a Bettina veio a falecer depois de pouco tempo. Mas a gente brinca que ela é madrinha dessa experiência Nós começamos um projeto com o Banco Itaú, fazendo a inclusão de dois jovens que foram preparados por nós, nós preparamos os times, acompanhamos essa inclusão. É... Deu tão certo, o projeto foi crescendo. Um desses garotos que tinham... dificuldades importantes comportamentais e tinham dificuldades importantes Ele foi trabalhar na área de TI também, e ele com um jeito diferente dele, nós preparamos o time para recebê-lo, porque era necessário, né? As pessoas perguntavam para ele, vamos tomar um café? Eu falei assim, eu não gosto de café. Obrigado. Ok, ok. Então, eu não gosto de café. As pessoas têm uma tendência a serem sinceras e honestas. Isso não é defírito, isso é qualidade. Em determinado momento, ele estava com um grupo... que ele trabalhava E o chefe dele contou uma piada muito sem graça. E ninguém deu risada da piada. Aí ele olhou para todo mundo, pessoal, pessoal, vamos dar risada. O chefe está contando a piada. E aí, esse tipo de situação começa a trazer uma leveza, uma humanização das relações, que começa a fazer a diferença. E depois dessas primeiras duas experiências, a experiência foi para 10 pessoas, isso passou para 20, isso passou para 50. Hoje o Banco Itaú tem mais ou menos 600 pessoas autistas trabalhando, e que são acompanhadas por profissionais que dão esse suporte, preparam os times que vão receber esse profissional, dão acessibilidade. Mas o que o banco percebeu? Que isso... para além da questão de a gente pensar num projeto social, ele vê um valor do talento das pessoas. E é isso que a gente espera. Um dos rapazes que trabalhava nessa área, ele pegou um processo que demorava três horas para rodar um sistema, e ele, com a impaciência dele, com a forma de ver diferente, falou, não, três horas é muito tempo. O pessoal colocava o sistema para rodar três horas, ia fumar, e ele ficava assim, não, três horas é muito tempo. Bom, sintetizando, ele... Ele fez uma mudança no algoritmo lá, e o sistema de três horas passou para 15 minutos. E aí ele falou: "Seu Marcelo, acho que o lucro que eu toço foi de alguns milhões". Muito bom, exatamente. Por que ele conseguiu trazer esse resultado? Porque ele teve acessibilidade, as equipes foram preparadas, a gente desmistificou... preconceitos que existiam e você teve um acompanhamento. Então, eu só quis trazer o caso que eu vou chamar de Edu, mas a gente tem pessoas... eu conheci experiências de pessoas autistas, quando a gente fala de inclusão no mercado de trabalho, a gente foca muito nas pessoas nível 1 de suporte, algumas pessoas nível 2... Mas existe tecnologia social. O emprego apoiado é algo que a gente consegue proporcionar a inclusão de pessoas com dificuldades mais importantes, dificuldades e necessidades de suportes importantes, Em 2004, tive a oportunidade de conhecer uma experiência, nos Estados Unidos, em Maryland, onde tinha um rapaz nível 3 de suporte... porque a sua comunicação era não verbal. E ele trabalhava como repositor de mercadorias dentro de um supermercado. Trabalhava três horas por dia, três vezes na semana. E quando esse menino faltava no trabalho dele, a comunidade pergunta: "Bom, o que aconteceu com o John? Por que o John não está aqui?" "Ah, eu gosto tanto quando ele está aqui." Por quê? Essas questões... Eles trazem o melhor para a nossa sociedade. Eu tenho um lugar que... A pessoa pode trabalhar, ele tem o suporte e... E eu tenho muito orgulho de comprar um produto desse mercadinho, porque esse é um mercado diferente, um mercado que cabe em todas as pessoas. E a gente tem que pensar assim também, enquanto consumidor. Assim como a gente tem que pensar na política, Felipe, que a gente não pode olhar para os candidatos que agora vêm trazer o tema, que nunca... chegaram perto, a gente tem que olhar para as pessoas que efetivamente estão olhando para a causa, estão buscando alternativas para que a gente tenha uma sociedade melhor, que as coisas continuem melhorando, que a gente tenha mais empregos para pessoas... autistas e pessoas com deficiência como um todo. E, para fechar minha fala, a gente tem aí resultados dessas inclusões, onde as empresas trazem, assim, que ela teve um ganho de engajamento dos seus colaboradores. Então, as equipes que recebem profissionais com deficiência e neurodivergências, pessoas autistas, tendem a ter um grau de engajamento maior. O que isso significa? Elas têm mais orgulho da empresa que elas trabalham. A gente tem uma questão de produtividade. E lá na especialista, a gente mede a taxa de retenção depois de um ano que a pessoa está trabalhando. A gente tem uma taxa de retenção de 92% das pessoas autistas que estão trabalhando. Isso é uma taxa de retenção para quem trabalha com RH, Obrigado. Muito alta, muito alta. Então, para finalizar, estou feliz que nesse momento as coisas podem melhorar. Eu quero fazer um desafio aos clubes. Não combinei isso com ninguém. A gente tem 1.500 clubes aqui no Brasil, que são fantásticos. Se cada clube desse puder incentivar de alguma forma, a inclusão de uma pessoa autista e uma pessoa com deficiência, a gente está falando de 3 mil postos de trabalho. Então, eu acho que... pelo engajamento dos senhores aqui, eu acho que isso é super possível. E eu queria deixar essa mensagem. Focamos no talento, as pessoas precisam ter oportunidades, elas precisam ter oportunidades com acessibilidade. O Brasil é signatário. da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência na ONU, no seu artigo 27, a gente diz lá que o nosso país vai fornecer e vai proporcionar toda a acessibilidade para que as pessoas possam trabalhar. Então, isso tem peso de lei. A gente está falando do Advocacy Day, a gente está tentando trazer um viés aqui de coisa boa, mas a gente nunca pode esquecer... Que isso é um direito, as pessoas têm direito a um trabalho decente. Muito obrigado pela oportunidade, era essa experiência que eu queria trazer.
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