Oswaldo Ferreira Moura Brasil

Oswaldo Ferreira Moura Brasil

Presidente - Sociedade Brasileira de Oftalmologia

Últimos Discursos

16 de abr, 11:15

COMISSÃO DE SAÚDE

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Dentro da minha tela conseguem ver? Obrigado. Está só um pouco baixo o seu áudio. Bom dia a todos. Agora tá ok. Inicialmente, eu gostaria de parabenizar a senhora deputada e oftalmologista doutora Carla Dickson e a toda a Comissão de Saúde da Câmara por essa iniciativa tão importante Essa audiência que, como já foi mostrado nas apresentações anteriores, é tão importante para todos nós em nome da sociedade brasileira de oftalmologia agradecer o convite para a nossa participação. A SBO... ela foi fundada em 1922 Vai completar agora em setembro 104 anos. e ela foi fundada como uma sociedade científica. que ainda é. uma sociedade que se dedica à educação médica continuada, ao aperfeiçoamento e à pesquisa, tendo, inclusive, o seu período um episódio próprio que a revista brasileira de oftalmologia publicada ininterruptamente desde 1942 E nós acreditamos que o conhecimento científico, que o melhor preparo dos oftalmologistas, vai atingir o objetivo final, que é o melhor atendimento aos pacientes e a melhora do tratamento de todas essas doenças específicas. que estão sendo faladas e que a gente vai falar um pouquinho também, que é a retinopatia diabética, que eu acho que foi o foco dessa reunião de hoje. Eu queria primeiro apresentar os dados da Organização Mundial da Saúde, Segundo a OMS, em torno de 2 bilhões de pessoas no mundo tem algum grau de deficiência visual. Em países de baixa renda, estima-se que duas de cada três pessoas que precisam de óculos não tenham acesso a eles. o Brasil a gente sabe um país muito grande com muitas diferenças. Então, a gente pode pensar que talvez no Brasil isso possa acontecer também. e que globalmente Uma em cada duas pessoas que necessitam de cirurgia de catarata também não têm acesso à cirurgia. E o custo dessa perda de produtividade pela deficiência visual é muito alto. É um custo de bilhões de dólares no mundo todo. E apesar da perda visual poder ocorrer em todas as idades, ela é mais frequente nos idosos. por motivos Lógicos relacionados à idade também, como a gente vai mostrando. No Brasil, em torno de 3,4% dos brasileiros, mais ou menos 7 milhões de pessoas, são deficientes visuais, segundo dados do IBGE. de 2019 Quase um em cada dez brasileiros idosos são deficientes visuais. ao torno de 500 mil brasileiros já são irreversivelmente cegos. Então são dados realmente muito alarmantes. E quais são as principais causas de cegueira? refração, catarata, glaucoma, como o professor Roberto Vessani já mostrou muito bem, degeneração macular da idade e retinopatia diabética. E é sempre importante lembrar que essas duas principais causas de cegueira, refração e catarata, elas são reversíveis. refração com a prescrição de óculos de lentes corretivas, e a catarata através da cirurgia. E é nesse momento que a gente tem que sempre lembrar a dificuldade de acesso, como foi muito bem colocada, não só pela deputada, como também pela presidente Maria Auxiliadora, como é importante os pacientes poderem chegar ao acesso. mas eu vou focar um pouquinho mais numa causa evitável, porém que pode causar cegueira irreversível, que é a retinopatia diabética. A gente hoje vive no mundo uma epidemia de retinopatia diabética, o diabetes. ele é uma doença que tem dados que vem aumentando a cada ano, e da mesma forma a retinopatia, que é a complicação ocular que a gente tem da doença, do diabetes. Ela é a principal causa de cegueira nas pessoas em idade produtiva. Então pessoas, não que as outras idades não sejam importantes, mas são pessoas que estão no momento de produzir na vida e o impacto disso para a sociedade acaba sendo muito grande quando essas pessoas param de enxergar. em torno de 30% dos diabéticos com 40 anos ou mais já tem algum grau de retinopatia e pode chegar até 12% dos casos, as retinopatias que já apresentam risco de perda visual, ou seja, os casos não proliferativos graves, ou os quadros proliferativos, ou os casos com edema macular diabético, que são as causas que levam à perda de visão profissional. na retinopatia diabética. E o principal que eu acho que a gente tem que focar é na prevenção da retinopatia diabética, logicamente dieta, estilo de vida, controle glicêmico e metabólico, mas também a avaliação oftalmológica periódica. a detecção precoce é fundamental para que a gente consiga detectar os casos nos momentos iniciais e com isso promover o tratamento adequado e evitar a perda visual. Obrigado. Com isso, eu queria botar alguns mitos que às vezes se falam e que a gente tem que desmentir ou tentar esclarecer a verdade. para que a gente possa levar os pacientes a ter um melhor tratamento. O primeiro deles é que se o paciente está enxergando bem, não tem problema. Isso não é verdade. A maioria dos casos de etinopatia diabética é assintomática. na sua fase inicial as pessoas realmente não sentem nada e mesmo à medida que ela vai progredindo muitas vezes vai progredindo com poucos sintomas E quando você tem baixa divisão, muitas vezes já se perdeu a janela ideal de tratamento. Esse paciente já podia ter começado antes a se tratar com resultado melhor. Outro mito é que quem controla a glicose não tem retinopatia. Isso também não é totalmente verdade. A gente sabe, logicamente, que o controle da glicose é fundamental. E controlar a glicose, assim como ter uma dieta saudável e um estilo de vida que inclui exercício físico, controle de peso, ele diminui o desenvolvimento de retinopatia e ele também atrasa a progressão da retinopatia. Mas mesmo controlando a glicose, o acompanhamento oftalmológico é necessário. E o terceiro mito é que a gente só deve encaminhar o paciente para tratamento quando ele já está grave. A gente sabe que monitorização e tratamento precoce, eles estão associados a melhor resultado visual e também a uma economia financeira substancial. E a gente sabe que a gente consegue tratar, mesmo nos casos que já estão com retinopatia, prevenir a perda de visão com os tratamentos disponíveis, como eu vou colocar posteriormente, em torno de 90% dos casos. Agora, um dado mais alarmante que eu acho é que, dependendo da avaliação, mas vamos dizer, pelo menos metade dos pacientes quando são diagnosticados com diabetes, não recebem exame com pupila dilatada, especialmente aquele feito pelo oftalmologista. Isso é o pior, porque muitos pacientes, às vezes, quando têm diagnóstico de diabetes, eles já têm algum grau de etinopatia e, às vezes, não se dá o valor necessário a isso e não dá para o oftalmologista a oportunidade de instituir o tratamento no melhor momento para o paciente. O tratamento tem vários pilares, várias formas de a gente tratar, antiegiogênicos, corticoide, laser e tratamento cirúrgico. Eu não vou me prolongar em nenhum deles, mas o que a gente sabe, e isso vale para todos eles, é que quanto mais tempo a gente demora para começar a tratar, maior vai ser o custo do tratamento no final das contas e o resultado visual, ele pode ficar comprometido. Tchau. Queria agradecer mais uma vez a oportunidade de participar. Obrigado.

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