Julio Pedrassoli

Julio Pedrassoli

Coordenador de Áreas Urbanizadas do Mapbiomas - Mapbiomas

Últimos Discursos

19 de mai, 14:29

COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Transcrição automática

Obrigado, senhor. Aceito o convite. Eu que agradeço, imagino que vocês já estejam vendo a minha tela, então, agradecer a primeira comissão de meio ambiente de desenvolvimento da Câmara, ao deputado Neutro Tato também pelo convite, aos colegas aí que estão na mesa, não posso cumprimentá-los pessoalmente, mas é um prazer estar aqui. E eu venho falar em nome do MapBiomas, então vou abordar um pouco dos dados, de como a urbanização é concentrada e é um fator importante nesse bioma brasileiro, que é a Mata Atlântica, a partir dos dados que a gente produziu no MapBiomas, na coleção 10. Tanto do ponto de vista do protagonismo, também com algumas questões de vulnerabilidade concentrada nesse bioma, né? Vou tentar ser, ficar nos 10 minutos também. Mas antes, para quem não conhece o MapBiomas, bem rapidinho, o MapBiomas, então, é essa rede que mapeia os biomas brasileiros, mapeia o uso e a ocupação da terra do que a gente faz, e ele começou porque a gente precisa entender o que está acontecendo com as transições, né? O que era floresta, ele vira pasto, o que vira cidade, etc., porque é isso que responde, é com isso que a gente consegue entender como que a gente está emitindo, por exemplo, gases para a atmosfera de efeito estufa, que é bom e com aquecimento e etc então por isso que a gente precisa criar esses mapas porque para essa transição entre entre as claras para entender essa transição entre as classes de uso e ocupação da terra a gente consegue calcular e consegue estimar o que está acontecendo com o território brasileiro em termos de contribuição para as mudanças climáticas tomar uma surge disso e ele na verdade é um monte de gente né uma rede Então a gente tem participação de universidades, tem participação do terceiro setor, como a própria Ações Mata Atlântica, que está aí. E a gente tem participação de empresas de tecnologia, que também ajuda a gente a produzir. Então basicamente a gente é uma rede que produz mapas de uso e ocupação da terra no Brasil. e a gente produz uma série histórica, a gente consegue contar a história de cada pedacinho do território brasileiro ao longo do tempo, e a gente é apoiado por uma série de financiadores e outros apoiadores ao longo desses 10 anos de existência do MAP Biomas, que começou lá em 2015, então nós estamos comemorando o nosso décimo ano agora. Então, bem rapidamente, o propósito do MAP Biomas como um todo é esse, de revelar essa transformação do território brasileiro, com ciência, com precisão, agilidade, para a gente entender as mudanças sobre o território brasileiro nesses últimos 40, 41 anos que a gente está olhando agora. Então a gente faz os mapas, a gente trabalha em rede, a gente usa bastante computação em nuvem, aprendizado por máquina, inteligência artificial, e a gente consegue produzir esse conhecimento. E a gente faz isso para todos os biomas brasileiros, não só para a Mata Atlântica, mas para a Amazônia, para a Caatinga, Cerrado, Pancopantanal. E além de fazer esse mapeamento para todos os biomas brasileiros, tem algumas coisas que elas acontecem em qualquer bioma. exemplo a pastagem está presente em todos os biomas inclusive na Mata Atlântica de cultura as zonas costeiras e mineração inclusive as áreas urbanas que algo que tá mais concentrado na Mata Atlântica mas está presente em todos os biomas brasileiros e é isso que eu trabalho junto ao mapa e biomas do mapeamento bom A partir dos dados, o que a gente consegue entender é o que está acontecendo com cada uma dessas classes de desocupação da terra. Então, no caso das cidades brasileiras, a gente olha nesses dados que a gente produz, por Brasil todo, lá em 1985, a gente tinha 1,8 milhão de hectares de cidades, áreas urbanizadas no Brasil, a gente chega agora em 2024 com 4,55. 4,55 milhões de hectares, é um aumento de duas vezes e meia a área urbanizada no Brasil em quatro décadas. É claro que nos diferentes biomas isso não acontece de forma igual, se a gente olha aqui como está o Pantanal, Pampa, Amazônia e a Mata Atlântica, aqui no finalzinho na direita, a gente vai ver que a Mata Atlântica é de longe aquela que concentra a maior parte das áreas urbanizadas no Brasil. O Cerrado e a Caatinga foram os que proporcionalmente mais cresceram nessas últimas quatro décadas, da área urbanizada no Brasil. Além disso, um processo muito importante no Brasil é o de metropolização. Então a gente ainda tem uma concentração muito grande do crescimento urbano nessas últimas quatro décadas, nas regiões metropolitanas. E, novamente, existe uma relação espacial muito forte entre a Mata Atlântica e a a presença das regiões metropolitanas brasileiras. A maior parte das regiões metropolitanas brasileiras, que é onde se concentrou também a maior parte do crescimento urbano, estão na Mata Atlântica. A Mata Atlântica é onde a gente tem a maior área urbanizada, a gente tem a maior quantidade de metrópoles, é onde a gente ainda vê a concentração do crescimento urbano. Então, comparando em números brutos, a Mata Atlântica é de longe aquela que tem o maior crescimento, a maior área total, desde 1985 até hoje, de cidades, áreas urbanizadas no Brasil. Então, a gente tem um aumento nesses últimos 40 anos dentro do Bioma Mata Atlântica, de mais de 133%. Então, proporcionalmente, ela não é o que cresce mais, porque já tem muito, mas em números brutos, ainda é um crescimento muito expressivo, e ainda é o que tem maior quantidade. E além desse crescimento geral, a gente também observa um crescimento da informalidade muito grande, assim como a maior parte da cidade formal, que se concentra na Mata Atlântica, as grandes metrópoles, como São Paulo, Rio, Belo Horizonte, também uma grande parcela do que a gente chama de favelas mas cresce e se concentra ainda nessas regiões que estão dentro do bioma Mata Atlântica né então para ter uma ideia enquanto a gente teve o crescimento de área urbanizada no Brasil de 85 a 224 de duas vezes e meia as favelas e comunidades urbanas a gente calcula que elas cresceram 275 vezes ou se elas estão crescendo de forma mais acelerada do que a do que a urbanização em geral e uma grande parte disso ainda se concentra na Mata Atlântica, a gente sai de 30 mil hectares de favelas na Mata Atlântica em 85 e chega a 70 mil hectares, um hectare no campo de futebol, como o Luiz Fernando falou mais ou menos, de áreas ocupadas desse tipo na Mata Atlântica, então a gente tem que essa urbanização, ela tem essa formalidade e informalidade, crescendo de forma diferente, o crescimento informal se acelera um pouco mais, e além disso a gente tem esse crescimento também em regiões que a gente chama suscetíveis. Então a gente pode pensar em deslizamentos, alagamentos, enchentes, coisas desse tipo, e um fator importante para deslizamento é quando a gente olha a ocupação de costas, a gente chama de altas declividades esse tipo de terreno, terrenos que são muito íngres. Então a gente vê que no Brasil como um todo, também o crescimento de ocupação urbana de equilibridade são aqueles que são bem inclinados tem maior chance de acontecer alguma coisa no evento extremo aumentaram bastante de 14 mil hectares para quase 45 mil hectares nesses últimos 40 anos né e a maior parte disso também não deu uma mata-atlântica como exemplo o que a gente viu recentemente da tragédia ali em Juiz de Fora né em que a gente tem uma grande parcela da cidade que terreno e esse tipo de coisa. Então, é uma cidade relativamente pequena, está na Mata Atlântica, mas é a terceira com maior área de urbanização em terrenos acima de 30%, por exemplo. É um exemplo muito forte de como essa urbanização vem se dando. Então, essa expansão no Brasil como um todo, quando a gente olha, é muito grande e na Mata Atlântica ela é ainda mais expressiva. desse tipo de declividade né pela cidade dentro do bioma Mata Atlântica não tem um aumento eu acho muito expressivo no Mata Atlântica supera os 200 por cento né desse tipo de ocupação então é um crescimento mais forte do que a organização fora dessas áreas né mas é expressivo em termos proporcionados né Além disso quando a gente olha para outros dados como por exemplo a ocorrência de desastres né Olhando lá os dados que a gente tem no Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, 80% de todas as ocorrências que a gente tem registrado lá, elas estão registradas no Biomata Atlântica. E isso, obviamente, tem uma conexão muito forte com mudanças climáticas, porque com o aumento da frequência e intensidade dos eventos estrangeiros, extremos esses números tendem a aumentar e a gente percebe que a urbanização da Mata Atlântica está conectada também com registro de desastre em maior intensidade, que é uma área urbana muito grande, obviamente. então além disso né para a gente tentar fazer uma conexão mais forte a Mata Atlântica é o mesmo tempo que uma mais organizado é o bioma que a gente tem dessa urbanizada onde a gente tem uma concentração de eventos extremos com registros de ocorrências né e a gente tem ao mesmo tempo uma mudança do processo de ocupação que obviamente a Mata Atlântica já perdeu uma grande parte maior parte da sua vegetação nativa e é o bioma onde as cidades proporcionalmente quando elas crescem, ocupam mais áreas naturais. do que outras regiões, né? Então, a gente tem um crescimento muito grande de áreas naturais no Brasil como um todo, mas na Mata Atlântica isso ficou muito evidente nesses últimos 40 anos. Então, no Brasil como um todo, a maior parte das áreas urbanizadas não vem de áreas naturais atualmente, nos últimos 40 anos, elas vêm do que a gente chama de agropecuária, pastagem, esse tipo de coisa que, ao longo do tempo, foi desmatado, virou pastagem, virou cidade depois. Mas uma proporção considerável, especialmente na Mata Atlântica, 680 mil hectares de urbanização nesses últimos 40 anos, que sim, eles foram ocupados de forma direta. em áreas naturais. Então... 25%, além disso, quando a gente pensa na expansão urbana, também tem uma relação muito grande com a água, com a segurança hídrica no Brasil atualmente. Então, se a gente olha no total do Brasil, do que cresceu no Brasil de área urbanizada nos últimos 40 anos, 25% desse total, eles foram em áreas do que a gente chama de segurança hídrica crítica, que é mapeado pela Agência Nacional das Águas. Então, a gente compara o mapa de segurança hídrica e vê quanto cresceu de urbanização, 25% foram em áreas muito críticas dessas regiões. um exemplo muito grande em São Paulo por exemplo na região da Bílis e Guarapiranga que a gente olhando pegando os dados do Marco Pilmas fazendo um cálculo rápido que a gente tem uma organização no entorno ali da Bílis que aumentou de 9 mil hectares e 85 para 20 mil hectares em 2024 ao passo em que a água ali a superfície de água das duas empresas teve uma diminuição no mesmo período de 7 por cento você tem especialmente na Mata Atlântica esse aumento expressivo da organização e com uma algumas outras uma diminuição da superfície de água. Então, é claro que essas dimensões, elas se apartem dos dados do mapa e biomas, mas elas podem se conectar com muitas outras, né? Quando a gente pensa nessa ocupação de áreas de mananciais, nessa ocupação de áreas de risco a deslizamento, etc., a gente consegue correlacionar esse tipo de ocupação com favelas, por exemplo, então são áreas majoritariamente ocupadas com populações com maiores graus de vulnerabilidade, população negra, populações mais pobres, né? A gente tem uma expansão urbana no Brasil muito forte nos últimos 40 anos, ainda que ela venha estacionando, ainda cresce, duas vezes e meia. O epicentro disso está na Mata Atlântica, então a Mata Atlântica hoje abriga 70% da população brasileira e a maior parte das eras urbanizadas, mas ainda restam apenas 24% da sua floresta original. Uma grande concentração de ocupação em áreas de alta declividade e de risco, mas obviamente a gente também pode pensar, a partir dos dados, algumas soluções. Então eu vou trazer apenas um exemplo aqui de um minutinho, exemplo de uma ONG chamada Fórmigas de Imbaúba, que atua aqui em São Paulo e que tem apoio do MapBiomas para levantar os dados na escolha das escolas que eles fazem isso. Basicamente, eles vão a escolas públicas e junto com os alunos eles selecionam áreas na cidade de São Paulo e plantam o que eles chamam de mini florestas, com vegetação nativa da Mata Atlântica, para recuperar esses fragmentos florestais importantes dentro da cidade de São Paulo. esse tipo de plantio, né, com espécies nativas, e eles estão fazendo isso, mais de 50 escolas já receberam essas mini florestas plantadas junto com os alunos dentro da cidade de São Paulo e vai expandir para outras cidades do Brasil. Bom, para terminar, para quem quiser ter mais acesso aos dados, nem detalhes, existe a plataforma do MAPDAMAS, é só acessar, dentro dela vocês vão encontrar, inclusive, os dados detalhados de tudo isso que eu extraí daqui sobre as áreas urbanizadas no Brasil e na Mata Atlântica, que são informadas sobre a expansão urbana dentro da Mata Atlântica. Agradeço novamente.

Ir para evento