
O Diretor da Associação de Armazenamentos de Energia - ABSAE destaca a necessidade de o sistema elétrico nacional buscar o equilíbrio entre segurança energética e redução de custos por meio da diversificação de fontes. Enfatiza que o Brasil possui capacidade industrial e tecnológica para alcançar soberania no setor, exigindo um planejamento estratégico de longo prazo, similar ao modelo adotado pela China. Ressalta a importância de investimentos em tecnologias de armazenamento de energia e a necessidade de o Brasil integrar-se ao mercado global para aproveitar avanços tecnológicos e garantir a sustentabilidade do fornecimento de energia nas próximas décadas.
Muito obrigado, deputado. Uma boa tarde. Eu queria só o passador e a apresentação, por gentileza, na tela. Assim que possível. Mas, enquanto isso, eu queria fazer uma consideração. Quando nós pensamos, deputado, aqui meu cumprimento a todos da mesa, quando nós pensamos no título dessa audiência... o custo dos combustíveis e a vulnerabilidade Vulnerabilidade significa pensar um risco. Pensar um risco é pensar o planejamento. E aqui eu queria trazer a ideia da antifragilidade, aquela ideia do Nissan Taleb, de que não basta você fazer de conta de que o risco é menor do que ele é, você tem que pensar como ganhar quando aquele evento futuro incerto, mas de ocorrência... Certa? vai ocorrer. Então, uma crise do petróleo vai ocorrer. Nós estamos vivendo uma, vivemos quatro nos últimos cinco anos e vamos viver outras. E o Brasil, eu queria fazer essa colocação aqui até mais pessoal, o Brasil tem aproveitado essa crise nesse momento, tem sido antifrágil, tem aproveitado um aumento de recursos. para diminuir o peso dessa crise sobre a população com as medidas do diesel, as medidas no gás. Mas a gente pode alavancar essa nossa antifragilidade, alavancando a nossa potencialidade, como vários dos colegas falaram, nas nossas outras fontes de energia Então, se somos exportadores de petróleo, Isso é mais um motivo para nós sermos menos dependentes desse petróleo. O Leandro Cacheta da ANEL, ele trouxe um viés da nossa fragilidade no setor elétrico, que é a conta de consumo de combustível ali dentro da CDE. Mas nós temos três grandes exposições de risco ao preço do petróleo. E por que nós usamos o petróleo? Para reduzir a exposição a outros riscos. Nós temos o risco hidrológico, Nós precisamos de termoelétricas para a base. Nós temos o risco da variabilidade intradiária... do sol e do vento, nós temos Ali também uma aplicação de óleo e derivados, óleo, gás e derivados. Como nós pudermos complementar a nossa matriz para trazer outros elos que dividam esses riscos de maneira que a gente... como sociedade ganhe quando eles se apresentem, é o nosso desafio. Então, apresentando aqui um pouco a ABSAI, nós somos a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento, então não somos uma associação de fabricantes, pura e simplesmente. Temos fabricantes nacionais e estrangeiros, temos 75 associados hoje, empresas de geração de energia de diversas matizes, incluindo aqui uma Petrobras, a Greco, o Tecnogera, empresas que investem em soluções também com óleo e gás, mas também com soluções de armazenamento, inclusive armazenamento hidráulico, como a Axia, como a EMA, a EAURIN e outros parceiros aqui. Então, a gente acredita muito, deputado, na neutralidade tecnológica para o avanço do setor. Nós temos que passar a ter uma contratação por requisitos. Para nós contratarmos por requisitos, nós precisamos pagar por requisitos também. Então, nós precisamos ter uma visão de setor elétrico que promova essa transição energética a partir da neutralidade. o que é o armazenamento de energia, de uma maneira muito bobinha, muito simplificada. Obrigado. nós produzimos quantidades abundantes e crescentes de energia eólica e solar. A energia solar foi a fonte de energia que teve a maior queda de preço nos últimos 15 anos da história da humanidade. Ela chegou a preços ridículos. E é por isso que a gente tem hoje um excesso de tamanho, porque isso avança de forma rápida. Mas aí é um ponto onde nós somos frágeis ao invés de gente frágeis. cai o preço de um ativo que nós usamos para gerar energia e nós passamos a ter um problema, ao invés de transformar isso em uma solução. Então a bateria vem para que você complemente isso e transforme em uma solução. Por que aqui eu estou falando da bateria? Porque a bateria é absolutamente modular. O armazenamento, por exemplo, hidráulico, ele é fundamental. mas ele exige um planejamento de médio e longo prazo para você construir uma grande usina num ponto adequado com a topologia adequada. E aí você tem que fazer a análise do impacto ambiental para fazer isso de forma correta, e o Brasil sabe fazer isso de forma correta. Mas a bateria pode estar aqui. Embaixo dessa mesa. A bateria pode estar aqui atendendo esse prédio, pode estar atendendo a minha casa, pode estar no meu carro. E essa modularidade permite que ela seja implantada de forma muito rápida. E a bateria pode estar lá e já está naquela família ribeirinha no Pará. E a gente precisa que ela tenha uma bateria de qualidade para que essa energia migre do dia para a noite. eu vou só pular um slide aqui Fala aí sobre volatilidade. Então, a gente está trazendo quatro exemplos dos últimos seis anos, onde tivemos fortes choques de preço do petróleo. Covid. Guerra da Ucrânia. Agora o conflito no Oriente Médio, que pelo jeito vai se alongar. e como isso afeta o setor elétrico. Afeta por três caminhos diretos. A conta de consumo de combustíveis, que atende essencialmente os sistemas isolados, que é a terceira maior parcela da nossa conta de desenvolvimento energético. mais de 20% da CDE, a NEO trouxe esse dado mais cedo. Mas ela afeta também nas termoelétricas que são acionadas para atendimento da ponta. ou para atendimento de momentos de escassez hídrica. E aí é uma discussão, deputado, não sei se a vossa excelência teve a oportunidade de acompanhar. O setor elétrico está discutindo qual é o nosso nível de aceitação de risco no funcionamento do nosso modelo e da nossa modelagem do setor elétrico. Se a gente aceita um risco de chuva... menor a gente aciona mais termoelétrica se a gente aceita um risco um pouco maior, simplificando muito a gente aciona menos termoelétrico Isso tem tudo a ver, deputado, com quando a gente vê a bandeira vermelha ou a bandeira amarela na tarifa de energia. é o quanto a gente está tendo de acionamento de termoelétricas de mil, mil e quinhentos reais o custo unitário do megawatt-hora, o quanto isso impacta. E aí a gente faz um adiantamento para as distribuidoras desse valor para que essa conta não seja paga com juros no ano seguinte. Então, Será que todo momento de qualquer risco hidrológico A gente vai só ter essa resposta? a gente tem que ter outros. A gente tem que ter uma resposta de investir mais em hidrelétricas, para a gente estar menos suscetível a isso. E a gente tem que ter uma resposta que passa... pelo armazenamento em baterias. E aqui entrando na CCC, dado que aqui a gente está falando também de povos originários, a gente está falando também de meio ambiente, a gente está falando também de Amazônia. a CCC ela é caríssima para atender menos de 1% da população e atender, com perdão da expressão, mal. A população tem pouco acesso ainda a essa energia. E a gente já tem exemplos claros e concretos e operacionais que a gente pode, incluindo soluções de armazenamento com sistemas de energia fotovoltaica, reduzir drasticamente esse custo. E eu trago aqui um exemplo muito concreto do último leilão dos sistemas isolados. Aqui esse gráfico tem algumas informações, eu vou focar do Brasil depois para o mundo. no canto aqui embaixo, resultado do último leilão de sistemas isolados. O governo fez uma tentativa muito interessante, ele disse, olha... 20% da solução, 20% da energia... tem que vir de fontes renováveis. Um lote foi adjudicado para uma empresa que trouxe o mínimo, trouxe só os 23%. essa empresa vai receber 2729 reais por megawatt hora de energia que ela injetar Um lote foi adjudicado para uma empresa com 80% de energia renovável. o custo caiu para ainda altos R$ 1.593. Oi. Então a gente vê que isso é uma economia muito prática, é uma economia muito direta. E uma dificuldade que se teve na formulação desse leilão levou que hoje tudo isso ainda esteja em discussão. Mas para mostrar que isso não é uma casuística, é uma coisa geral. Esse gráfico principal é um estudo da IRENA, Agência Internacional de Energia Renovável, que diz o seguinte: em alguns países do mundo, com boa insolação, e ela própria destaca o exemplo do Brasil, você já pode ter energia 24 por 7 com solar mais baterias. a preços extremamente competitivos. Então, a Irena projeta para esse ano no Brasil, isso aí seria para uma usina, se eu não me engano, no Rio Grande do Norte, então ela pega um ponto exato de insolação. algo da ordem de R$ 326,00/mWh, que é mais barato do que qualquer usina termoelétrica. É mais caro que qualquer usina hidrelétrica e é mais caro que qualquer usina eólica e solar. Mas é energia 24 por 7. E não vai faltar sol, não tem evento climático que faça faltar sol no Rio Grande do Norte. Obrigado. E isso com uma tendência de chegar a 44 dólares por megawatt-hora em 2030 porque baterias e painéis solares continuam com queda de preço Então, a gente tem que estar, obviamente, caminhando para aumentar a nossa exposição a baterias e painéis solares e reduzir a nossa exposição a petróleo. E aqui trazendo mais um caso concreto, já em Teferno, Amazonas, onde você está tendo a convivência dessas fontes. Você tinha ali uma produção de geração a diesel. colocou painéis solares e BES e com isso você reduziu em 130 mil litros o consumo de diesel só naquela unidade. sem qualquer perda de confiabilidade, com plena confiabilidade e com redução de emissões. E aqui vem o próximo passo que a gente tem que dar. É... O programa Luz para Todos. tem aí 24 anos de execução, ele avançou muito, o Brasil chegou muito próximo da universalização. A gente estima em torno de 280 mil famílias a universalizar. Esse número sempre vai ser... É... variável, não tem jeito, ele nunca vai ser zero, ele vai tender, mas nunca vai ser zero. Mas nós estamos avançando e o governo já editou um decreto nesse ano falando sobre isso. para passar da energia mínima para a energia viável para a atuação econômica e soberania econômica daquelas famílias. Então nós... quando começamos o Luz para Todos, está aqui esse senhor na imagem aqui do lado, ele tem ali uma bateria de 13... quilowatt hora dentro daquela caixinha azul com dois painéis solares. Essa bateria é para que a família dele tenha o mínimo do acesso à iluminação, tenha uma geladeira. Inicialmente, essa geladeira era 12 volts, era um problema danado. Mas, com a queda do preço, hoje a gente consegue colocar uma bateria de lítio muito mais durável, muito mais segura, que vai atender não esse senhor, mas essa comunidade, essa escola aqui do lado, e você vai ter uma atividade econômica naquela região. E a gente tem dezenas de projetos que já estão à plena execução. de diversas empresas, inclusive brasileiras, da UCB, da WEG, da Moura, também com tecnologia mais ou menos importada, com diversos atores participando. levando energia limpa e barata para essas comunidades. Essa foto da direita, não está clara, mas tem o link da reportagem, é uma escola em Belém do Pará, Obrigado. Em que a prefeitura contratou, deputado, baterias e painéis solares, simplesmente vendo o custo que ela ia pagar de energia. Essa escola tem gerador dízele. simplesmente com o que ela vai deixar de pagar de diesel Em quatro anos a prefeitura paga. o painel e a bateria dessa escola. Então, não precisa nem ser do ponto de vista ambiental. Basta ser do ponto de vista econômico. Mas se você somar, como o colega do WWF trouxe, os impactos socioambientais, o crédito de carbono e quanto você tem ali de melhoria de qualidade de vida, a conta explode. E aí E isso também, como eu disse, pode ser feito sem a gente focar só em política pública direta. Isso aqui são casos reais no Pará e no Amazonas, em que unidades econômicas frigoríficos, empreendimentos de diversas naturezas, hotéis já estão utilizando sistemas como esse simplesmente para reduzir o seu custo e a sua exposição ao diesel. Eu sou de Belém e eu adoro voltar em Belém e ir naqueles restaurantes nas ilhas de Belém. Obrigado. E me dá uma dó danada que você está num lugar lindo. com um cheiro perpétuo, perpétuo de óleo. então você tá ali comendo o peixe sentido aquele cheiro de óleo que você não precisaria mais estar sentindo. E aquele restaurante não tem também uma energia confiável para se transformar num hotel, para atrair dólares, para gerar riqueza para a sociedade brasileira. e para aquela comunidade se fixar naquele território. E o armazenamento está aqui para isso. Caminhando para a nossa conclusão. O que a gente precisa fazer agora? A gente precisa reduzir a carga tributária do armazenamento. O armazenamento no Brasil é tributado como um uísque. o imposto de importação é de 20% O IPI é alto... o IPI é de 9,6%, o ICMS é alto, isso vai começar a melhorar com a reforma tributária, mas não se satisfaz. Precisamos incluir de modo definitivo no planejamento energético Então o governo fez uma medida muito corajosa de fazer o primeiro leilão de baterias, anunciado na semana passada. Mas foi uma luta que não precisava ter sido. A gente ter dois leilões térmicos, dois leilões de baterias, a gente não precisava ter sido, daqui a pouco a gente tem que fazer um leilão para armazenamento hidráulico e a gente vai fazer leilão por leilão. tecnologia por tecnologia. A gente tem que superar esse modelo. Esse modelo não é viável, qualquer governo vai ser criticado até o último dia do resultado do primeiro leilão e do segundo leilão. E ele não vai acertar em nenhum dos dois, porque o derrotado de um vai reclamar do outro. A gente precisa caminhar para um modelo com mais neutralidade tecnológica. Para a gente ter neutralidade tecnológica, pode ser no leilão ou no planejamento, mas a gente precisa ter clareza de por que se contrata cada coisa. a partir de dados submetidos à consulta pública. E feito isso, a gente precisa acelerar o investimento. e eu destaco a Amazônia porque o Brasil Pode, inclusive, se destacar do ponto de vista fabril para o armazenamento na Amazônia, porque você tem que tropicalizar, você tem que adaptar para a nossa realidade. É isso, acho que a gente precisa, acima de tudo... parar de enfrentar os riscos como um momento de derrota. A gente precisa enfrentá-los como... E se o painel baixar o preço? Que bom! terem mais energia barata. E se instalarem de mais bateria, que bom, vou ter um preço flat da energia ao longo do dia inteiro. E se o preço do petróleo subir? Que bom, estarei ganhando divisas com a exportação, porque eu reduzi o meu consumo interno no Brasil. Então a gente tem que se submeter... se expor ao risco para ser vitorioso no risco porque ele virá. Obrigado.
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