
O Coordenador Geral do MapBiomas analisa os desafios energéticos e a expansão de data centers, apontando o espaço como futura solução para a produção de energia. Discute ainda a alocação de terras para agricultura, a abundância de recursos solares e a viabilidade limitada dos biocombustíveis como substitutos globais do petróleo.
Obrigado pelo convite, está aqui. Vamos direto ao assunto. Bom, entendo que o projeto de lei trata da transição como um todo, mas hoje a gente vai... vou focar aqui no combustível fóssil, embora... Mas... É, mas agora eu vou... Mergulhei aqui na... nessa história, pensando um pouquinho como Acho que a parte do uso da terra é... Vale uma discussão depois específica. Acho que a gente já está bastante avançado nesse caminho, mas queria pegar essa história do combustível fóssil. Eu vou fazer uma ideia de como que a gente pode resolver... qual é o tamanho do problema e como resolver ele globalmente e depois porque que isso como que isso rebate no Brasil e como que a gente poderia transformar isso, que é um desafio global, numa grande oportunidade para o Brasil. Combustíveis fósseis representam, como já falou aqui, cerca de 75% a 80% das emissões globais. Só que os combustíveis, embotem esse nome, a gente se refere a combustíveis fósseis, em outros lugares se fala hidrocarbonetos, de outras maneiras de se referir, ele tem dois grandes usos. Então tem o uso na forma de energia, seja eletricidade, transporte, calor industrial. que é uma parte e a outra parte é ele serve de matéria-prima para produzir uma série de componentes dos quais a gente é mais ou menos dependente. Então, a gente pode estar aqui, fertilizante, plástico, solvente, tinta, resina, fibras, lubrificantes e assim por diante. É... Então, esse é o grande tema. Então, para resolver o problema... a gente tem que resolver ao mesmo tempo o problema da energia e o problema desses outros produtos. E... com um diferencial interessante que é o seguinte: E... Se hoje você... retirasse o petróleo da... né da do... enfim, do cenário global, provavelmente a gente sentiria mais diretamente e objetivamente, na petroquímica do que na próprio setor de energia. Porque no setor de energia tem outras... outras possibilidades. já muito bem exploradas, e no setor da petroquímica, quase nada. Por exemplo, os plásticos e polímeros, praticamente 100% dos plásticos e polímeros hoje são feitos com derivados do petróleo. Então, eu vou... interessadas os dois lados. Do primeiro lado, que é o lado da parte energética, se a gente considerar os três principais combustíveis fósseis, o gás, o carvão e o petróleo, O carvão, basicamente, é o uso energético. Existe um pouquinho do uso, 5% dele é usado para a parte de fertilizantes, mas, basicamente, carvão se usa para... parte de energia. Dois terços do carvão no mundo é para gerar eletricidade, queima para gerar eletricidade. E uma outra parte dele é usado para... na indústria, principalmente para... Siderudia, para reduzir o ferro e transformar em aço. E é usado também dentro do cimento. Também a mesma coisa para você tirar... Bastante carbono para você... Ah... gerar bastante energia com pressão para pegar o cal, né, CaCO3 e transformar ele em calcário. Ele vai pegar o calcário e transformar em cal. para você produzir o cimento. E... No caso do gás... é 40% eletricidade, então também é bastante o uso para eletricidade e ele é muito usado na indústria. para os processos da indústria, mas principalmente para a geração de energia, energia térmica e tal. A maior parte do uso para fertilizantes é com gás também. Toma. para produzir fortinos antinitrogenados. É interessante porque o próprio... combustível fóssil, ele não tem muito nitrogênio. É que você usa o combustível fóssil para poder gerar uma reação química que tira o nitrogênio que está no ar, 78% do ar. Aqui é nitrogênio. E a gente tem que pegar um jeito de catar esse nitrogênio para transformar ele no fertilizante, né? Então, você usa o hidrogênio, que é o hidrocarbano, tem muito hidrogênio, com muita pressão e temperatura, você capta o hidrogênio do ar e você gera o que a gente tem como fritizante nitrogenado. E, por fim, o petróleo. O petróleo é muito diferente do gás e do carvão, porque no petróleo só 5% usa a energia elétrica. Praticamente a gente não usa petróleo para energia elétrica. O petróleo, a grande uso do petróleo é para combustíveis. para rodar o transporte, combustível para motores em geral, os 2 bilhões de motores que foram citados aqui. Então 55% é usado para isso. Uma parte importante e uma outra parte importante é a parte que é usada para petroquímica, para os diversos produtos, os solventes, os químicos todos e tal. Então, E... Eu diria que para a gente resolver o tema da energia, então eu não estou entrando na petroquímica, mas o tema da energia... A gente tem quatro coisas a fazer no mundo. A primeira é eletrificar o máximo que der. Mas, poxa, você acabou de falar que... que usa o gás e usa o carvão para produzir energia elétrica, e está falando que é para eletrificar, não vai consumir mais carvão. É verdade. Mas a forma mais fácil de você gerar energia na forma renovável é na forma de eletricidade. Porque você pega a energia do sol, converte direto para eletricidade, você pega a energia dos ventos, converte direto para eletricidade, e mesmo se você quiser gerar com biomassa, você também pode convertê-la para eletricidade, em vez de usar a biomassa para... produzir um combustível, na verdade. Então, eletricidade é o jeito mais fácil de a gente gerar energia e é o jeito mais fácil de distribuir a energia. E por isso que eletricidade é um negócio muito legal de ser utilizado. Em geral, os motores são mais eficientes, a forma de transmissão tem menos perda, então, a cidade tem tudo de bom nisso. Primeira coisa, a gente tem que eletrificar, eletrificar, eletrificar. Para ter uma ideia do tamanho do desafio, 80% da matriz energética global... é na forma de energia térmica e queima de combustíveis fósseis. E só 20% vem de eletrificação. Então, o nosso negócio é fazer uma grande mudança para a gente ter muito mais eletricidade. É... Essa eletricidade tem que ser produzida de forma renovável, sem que a gente tenha mais emissões, aí é solar, eólica, hidrelétrica... Bom, tem toda a discussão sobre a questão nuclear. porque aí tem outras questões envolvidas, mas Também poderia ser uma... uma opção aqui. Depois a gente tem um outro desafio, que é o terceiro desafio, que é a rede de transmissão. Porque como o tema da eletricidade é você gerar eletricidade, distribuí-la o mais rápido possível, para onde for para ser utilizado, né? O meu pai brinca que... Para engenhar elétrico, né? E ele fala... a gente fala essa coisa de eletrificar, veículo e que tem que... mas não tem lugar para carregar, ele fala assim, poxa vida, Tomada tem em qualquer lugar, né? Uma tomada você vai achar em qualquer lugar. O difícil é você construir uma estrutura que tem que botar lá o combustível, não sei o que e tal. Então, É algo que provavelmente vai ser resolvido mais fácil, você eletrificar vai ser uma coisa relativamente fácil de a gente fazer. Mas a gente tem o problema de transmitir a energia a longas distâncias com baixa perda. E... O desafio disso não é você fazer as ligações que a gente tem internas. O Brasil é um país que tem Acho que as duas maiores linhas de transmissão do mundo de alta voltagem estão no Brasil, uma delas é a do Madeira que sai lá de Rondônia para... Para equipar... Pra São Paulo, né? com 4 mil... 4 mil quilômetros. Só que tem uma perda de 15% da energia, é perdida nesse transporte. Então, se você puder fazer a longa distância, por exemplo, se a gente conseguir chegar... a transmitir a 6.000, 7.000 km a energia com uma perda abaixo de 10%, já vale a pena a gente fazer uma linha de transmissão, por exemplo, ligando a a América Latina, as Américas com a África, por exemplo. Então, com isso você consegue transmitir a energia, quando você gera energia solar de um lado, transmite para o outro lado, você gera energia do outro lado, Parece uma coisa meio maluca assim, mas é... totalmente factível, né? 1990 foi a primeira vez que passou uma fibra ótica no mundo, cruzando de Nova York até Até a... até Holanda primeiro cabo que foi passado, né? Hoje a gente tem mais de 2 milhões de quilômetros de cabos passando pelo mundo. Essa é uma estrutura que vai ser feita e tal, basta a gente conseguir resolver o plano tecnológico para isso. E obviamente as baterias, é um outro tema, É super importante. o desenvolvimento das baterias que está sendo super acelerada. E a quarta revolução para a energia em curso, é o hidrogênio. E o hidrogênio é porque... Para vários processos na indústria que você precisa do combustível fósforo, notadamente o carvão, por conta da alta concentração energética e que ele permite você fazer energia com muita pressão, sem ele esfarelar, Se eu botar um carvão vegetal, por exemplo, O problema de fazer o aço com o carvão vegetal em vários tipos de aciaria, é que a pressão é tão forte que esfarela o carvão, então não tem pressão suficiente para tirar o... É... o oxigênio, né? do Ali do ferro para transformar ele em aço. Então... Então a gente tem que produzir muito hidrogênio, porque o hidrogênio tem bastante força, pressão e tal. E aí isso vai ser usado para gás, para fertilizante, para navegação, para aviação e assim por diante. Então, o que é hidrogênio verde? É você usar energia renovável, para fazer hidrólise e tirar, separar, pegar o H2O, tirar oxigênio e separar, Hidrogênio, é basicamente isso que eu vou fazer. Só que... O problema é que custa muito caro você... fazer a parte da energia. Então, se a gente resolve a energia barata, energia renovável barata, que nós já estamos nesse espaço, é como que produz, transforma isso, converte isso o mais rápido possível, é o preço mais barato possível, converte esse hidrogênio. Então, beleza. Acabou o tempo, né? Mas tudo bem. Só para terminar aqui, tipo, aí, então isso aqui tudo foi energia. Vamos resolver o ponto de energia. Agora a gente tem que resolver o problema da petroquímica, que é o negócio dos materiais que estão ali. Certo? Como é que a gente enfrenta isso? Então, a maior parte da indústria petroquímica, ela termina em polímeros. O volume vai virar polímero, plástico. Todos os tipos que a gente pode imaginar. Então, e uma outra parte importante, fertilizante. polímero, plástico e fertilizante. Para a parte dos fertilizantes, fiz um levantamento aqui, são 200 milhões de toneladas de ureia por ano. que o mundo produz para poder virar aí fertilizante. Então, como é que eu posso ir lá com fertilizante? Tem duas coisas. A primeira, eu reduzi o quanto eu consumo de fertilizantes. A questão básica para fertilizantes chama-se fixação biológica de nitrogênio, é algo que foi inventado e inclusive desenvolvido no Brasil. Tem uma empresa aí que ganhou um prêmio em relação a isso, que não deveria ter ganhado, porque quem desenvolveu foi a Embrapa. Então, o pai desse negócio no Brasil. Ele é um tema mais ou menos resolvido, de forma geral, para as leguminosas... que é a soja, feijão, essas coisas, Então isso a gente já faz, praticamente toda a soja no Brasil hoje é plantada usando, por exemplo, fixação biológica de nitrogênio, em que é basicamente a planta inoculada com micro-organismos que captam o nitrogênio direto do ar, e você não precisa levar o fertilizante para lá. Então essa é uma forma. Mas isso não é suficiente por quê? Porque a maior parte dos cultivos no mundo não são... E... não são É... Leguminosas são gramíneas. né Que é? Arroz... milho, cana, pasto, tudo isso é gramínea. E para as gramíneas, embora exista um mecanismo para você fazer a eficação biológica do introgênio, ela ainda não é eficiente e nem... custo suficiente para que ela pudesse resolver o problema. Então, a gente continua tendo que usar muito nitrogênio. Então, Uma parte poderia ser resolvida assim, mas mesmo que a gente tivesse que resolver o problema do nitrogênio, com biomassa, ou seja, se produziria o nitrogênio a partir da biomassa e não a partir do combustível fósseo, a gente precisaria de mais ou menos 3 toneladas de biomassa para cada tonelada de ureia que você vai produzir. Então, se eu tenho... 200 milhões de toneladas, eu precisava ter alguma coisa aí como 600 milhões de toneladas de biomassa disponível para isso. Suponha que isso fosse cana. Porque cana a gente sabe fazer conta, porque a gente tem bastante experiência com cana. Se isso fosse cana, a gente precisaria entre 35 a 40 milhões de toneladas... de hectares por ano. plantados com cana. Vamos dizer que seja 35, porque eu até dei uma exagerada aqui no número. Então, isso significa... é que Eu precisaria ter plantado isso para poder gerar... o que eu preciso de biomassa para poder gerar os fertilizantes para ser usados nas outras culturas. Quanto que isso representa de área? Porque 35 milhões de toneladas é uma pancada de alho, certo? O mundo hoje tem plantado 25 milhões de hectares de cana. 10 está no Brasil. O Brasil tem 10, tem 25 no mundo e já tem 25. Então, As áreas agrícolas do mundo é 1,5 bilhões de hectares, né? Então, não é um número estranho, é um número totalmente factível de a gente fazer. Demorou muito tempo para fazer, mas dá para fazer. Para o hidrogênio E... ah para você poder gerar os polímeros, aí são mais 400 milhões de toneladas por ano. que a gente precisa que a gente tem de produção de plástico. A gente produz 400 milhões de toneladas de plástico. para a gente gerar plástico com biomassa, a gente sabe fazer já isso, o Brasil já faz plástico com biomassa, os bioplásticos e tal, a gente precisaria de outras 3 toneladas por por... Como é que fala? Por tonelada de plástico. Então, aí, mais 1,2 bilhões de toneladas de biomassa. Mais uns 30, 40 milhões de hectares que estão aí. Novos fora, a gente vai precisar de alguma coisa como 60 milhões de hectares, cultivados de produção de biomassa para poder lidar com essa parte da... da petroquímica. Para o caso dos fertilizantes... tem uma solução que seria a gente produzir muito hidrogênio, o hidrogênio verde faz aquele mesmo processo que eu falei de captar o nitrogênio da atmosfera. Mas eu precisaria gerar muito nitrogênio verde, para isso eu precisaria gerar muita energia elétrica. Quanto? É 2.000 terawatts. por ano. precisam gerar 2 mil terawatts, eu consigo converter e gerar todo aquele nitrogênio que eu preciso para gerar toda a uréia que eu preciso. Aí para dar uma ideia disso, Nós estamos falando, isso vai dar... e É 7% de toda a geração de energia elétrica hoje do mundo. Então parece bastante coisa, né? Mas o mundo cresce por ano. a geração de energia elétrica cresce cerca de 3% ao ano. Então, O que você precisaria é... Dois anos do crescimento de energia elétrica do mundo, para você produzir toda a energia que você precisa para... produziu o equivalente de fertilizantes. Estou dando um pouco de número para dizer o seguinte, não é nada absurdo para ser feito. Agora, o que significa para o Brasil? Aí vou terminar com isso. Significa o Brasil o seguinte: o Brasil hoje ele é um dos países dentre as grandes economias do mundo, que seria, do ponto de vista da sua operação, funcionamento do país, menos dependentes do petróleo. A nossa dependência do petróleo está muito localizada no transporte de carga. O transporte de passageiros a gente consegue fazer ela com etanol, de outras maneiras de fazer. O transporte de carga é que é o nosso grande gargalo, está no transporte de carga. Um pouquinho de siderurgia e cimento também, mas o principal é o transporte de carga. Mas a gente tem uma enorme dependência econômica, é o nosso principal produto de exportação hoje e tal. Então... Como é que seria... essa posição do Brasil nessa transição. Eu acho que o Brasil, como ele é um país que tem enorme possibilidade de produção de biomassa, Obrigado. seria o seguinte: a gente abraçar de vez a eletrificação. Esse negócio de carro movido a combustível líquido, ele não vai ter muito espaço no futuro, porque se todo mundo vai transitar para o elétrico, vai sobrar a gente com uma jabuticaba aqui produzindo um carro que faz... e ele é tão pouco menos eficiente, vai ser muito mais barato produzir um carro, então, eu diria assim, tem que abraçar a eletrificação de um lado, e pegar toda essa biomassa que a gente produz, hoje a gente produz para gerar combustível, a gente usa essa biomassa, para substituir a petroquímica, que é o que vai ser demandado no mundo. Então, se eu fosse pensar a estratégia, como é que o Brasil desenha uma estratégia? A nossa estratégia tem que ser: nós vamos aos poucos derivando rapidamente para a eletrificação, para se livrar do combustível fóssil, e a gente vai substituindo a petroquímica, que ninguém vai ter a substituição, a gente vai substituir a petroquímica. E, literalmente, é... Marina Newton. É o seguinte: Você pega a biomassa... e você transforma ela no que a gente chama "bionáfta". que é como se fosse um óleo que você vai entrar na mesma indústria, você vai pegar a mesma refinaria que está lá, Você tira o tubo que está entrando o petróleo e você mete um tubo entrando o Bionáfta. Pronto, começa a produzir todos os produtos que você precisa lá do outro lado, tá certo? Essa, eu acho que é a coisa mais estratégica para o Brasil fazer. Porque o Brasil pode resolver um problema do mundo, ajudar a resolver um problema do mundo, que é o que faremos com os produtos, não com os combustíveis, mas com os produtos que a gente precisa da bioquímica. E a gente tem, aí sim, é isso que eu diria. O que seria o investimento da Petrobras? O que deveria ser o investimento, talvez, do nosso colega que estava aqui antes, que é do setor de secretário de petróleo, né? Poderia ser secretário de petroquímica, uma coisa parecida, tipo, dos produtos da petroquímica. Daí, ele podia enxergar isso e fazer essa ótica. Como é que nós vamos ser... o país que vai solucionar... Essa transição para onde ninguém está olhando, que é o da petroquímica. E a gente pode fazer isso com biomassa, o Brasil tem 250 milhões de hectares morados, que são usados para agricultura e pecuária. Tem muita área de pecuária que poderia ser destinada para isso, e que poderia ser realocada de forma a gente produzir grandes quantidades de biomassa, converter ela no nafta, e exportar esse nafta como sendo aquilo que vai entrar... enfim, nas refinarias aí, mundo afora. para produzir os produtos que precisam ser produzidos. Obrigado.
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