
Participante agradece convite e destaca importância de espiritualidade em ciências sociais e política. Menciona Hamilton Dias Assunção e seu desejo de enviar músicas sobre meio ambiente ao Ministério. Falou sobre democratização de informação e valorização do Dia 18 de Maio na luta antimanicomial. Sua esperança é expandir a luta antimanicomial e eliminar hospitais de custódia e financiamento público para comunidades terapêuticas.
Agradecer a oportunidade de poder estar aqui com vocês nesse seminário. A fala da da Cláudia, do professor Paulo Amarante. Em alguns pontos tocaram em algumas coisas que eu gostaria de poder dizer aqui. Eu preparei uma apresentação, eu acho que estou aguardando por ela. Bom, então, eu sou, eu falo aqui, na condição de uma pessoa usuária da Rapes, não tão no momento porque no CAPS de Curitiba, eu recebi alta recentemente pela segunda vez por não adesão ao tratamento medicamentoso. Eu acredito que essa questão é já desafio também, dessa mesa que é sobre os desafios da desinstitucionalização no Brasil. Eu sou socióloga, militante da luto antimanicomial, até dois mil e dezenove, até dois mil, em dois mil e dezenove eu fui apresentado ao movimento da luta antimanicomial pelos próprios usuários, pacientes, clientes do Instituto Municipal Luiz da Silveira, Na ocasião em que eu fui buscar e pude ser atendida por tempo no museu de imagens do inconsciente. A minha entrada como pesquisadora, no campo da saúde mental, e como militante que vem me tornando, ela se deu a partir da minha condição própria de da minha própria condição de pessoa em sofrimento psíquico. Eu desde então pude organizar duas conferências livres o ano passado. Uma pra participar da etapa nacional da conferência de saúde, e outra pra participar da etapa nacional da conferência nacional de saúde mental. Ambas, eu pude estar presente, acompanhada de várias pessoas e muitos usuários que a gente conseguiu convite do Conselho Nacional da Saúde, pra poder estar em Brasília representando a a conferência de usuários, da rede de atenção psicossocial do SUS, uma conferência nacional. Eu eu diria que eu fiquei pensando muito sobre o que trazer pra gente pensar sobre desafios, né? Eu citei três itens, eu poderia acrescentar mais dois, eu vou dizêlos apesar de não estar escrito, né? É o, obrigada, é o reconhecimento e valorização dos artistas da loucura né, se a luta antimanicomial, se a lei da reforma psiquiátrica, tem proporcionado buscado o fim do hospício, e no lugar dele, equipamentos substitutivos, com arte, com cultura, com direito à cidade e se disso tudo daí está surgindo muitos artistas né já já existem consolidados reconhecidos e autodeclarados, muitos usuários no Brasil, que se apresentam como artistas. Então, eu diria que desafio desse processo mais finalizar, mais final né, desse momento mais final do da desinstitucionalização é o reconhecimento e a valorização dos artista, dos ditos artistas da loucura, artistas da luta antimanicomial, artistas da saúde mental. Eu pude realizar uma pesquisa que eu defendi no curso de ciências sociais da Universidade Federal do Paraná em dezembro de dois mil e vinte e que buscou saber como insurge da loucura o artista. Mas logo a minha preocupação junto com vinte e uma pessoas artistas usuários do Rio de Janeiro. A preocupação foi, tá e daí? O que eu faço com isso né? Sou artista, né? Eles são artistas, mas o que eles fazem com isso como tocou pouco nessa questão é o professor Paulo Amarante. A outra questão é a ampliação da participação direta, né, direta, dos usuários da RAPIS, no controle social do SUS. É importante, é necessário que haja investimento de encorajamento, de incentivar, de incentivo, de encorajamento, de democratização das informações, da dos, de inclusão digital, porque por exemplo, se usuários da da como a gente pode falar em conferências livres por exemplo que aconteceram ano passado no formato online, também no formato online, se as pessoas no Brasil não são não são incluídas digitalmente, quem dirá os usuários. Então é muito importante a gente lutar pra que os usuários possam ocupar espaços de participação política, possam ocupar os conselhos de saúde, os conselhos locais, as conferências, as assembleias dentro dos carpes, que isso que que essa participação social e política dos usuários seja efetiva e seja direta, que não haja necessidade de tantas outras pessoas representar os usuários, que eles possam o que eu também possa, e que a gente possa falar em primeira pessoa a respeito daquilo que a gente, do modo como a gente se sente dentro de serviço público de saúde mental, e daquilo que a gente acredita ser necessário construir para consolidar e reafirmar uma política pública nacional de saúde mental. E, claro, terceiro item, a garantia do direito à atenção psicossocial em liberdade e emancipadora, que ela não seja no espaço de tutela, que ela não, que essa emancipação, protagonismo, a independência, a autonomia dos usuários seja algo a a ser conquistado, porque não está conquistado ainda. Quero dizer com esses três itens que, estamos lutando pelo fim dos manicômios, pelo fim das internações de longa permanência, pela existência de centros de convivência, arte, cultura e economia solidária que não existem em todos os né, centro de convivência financiado pelo SUS. No Brasil são seis ou sete estados brasileiros que possuem centros de convivência. Quando usuário recebe alta no CAPES, o 0 centro de convivência, com alta ou sem alta aliás sendo atendido ou não no CAPES, o centro de convivência é de é de importância muito grande pros usuários e pra sociedade como todo, pra redução de estigmas, como espaço de convivência, como espaço de de de socialização. Eu eu queria acrescentar aqui também, a questão que o professor citou né sobre a sobrevivência da psiquiatria, como que a gente pode pensar os segmentos por exemplo os olhos da ratos quando a própria ratos não consegue acolher todo mundo que busca a própria RAPIS, é sabido que os CAPES, os centros de atenção psicossocial do SUS, eles acabam acolhendo pra ser atendido lá dentro pessoas que eles consideram estarem em sofrimento psíquico grave, por exemplo casos de esquizofrenia, casos de bipolaridade, pessoas que passam por experiências de sofrimento psíquico, que não condizem com essas duas condições, muitas vezes sequer conseguem ser atendidas, ser serem atendidas no CAPS. É preciso ampliar AAA rede, pra que unidades de acolhimento possam abrigar pessoas que estão em situação de rua por exemplo. Residências terapêuticas precisam ser ampliadas pra que as pessoas que estão conseguindo deixar o hospital, deixar aquela longa internação psiquiátrica, ter espaço pra ficar digno de moradia quando não não encontraemse nenhum outro lugar, a não ser nos anos e décadas, que não dignos né que eles puderam sobreviver. Pode passar o slide então por gentileza? Eu eu queria deixar aqui bem rapidamente sobre isso, e que eu fui buscar informações pra que eu quis participar, foi imenso os desafios e os impedimentos, porque eu consegui chegar na etapa estadual da conferência de saúde mental do Paraná, e nela pude junto com outros colegas aprovar uma moção com muita dificuldade porque simplesmente não viu sentido numa moção de pesar e solidariedade em defesa da participação ampliada dos usuários da ratos no controle social do SUS. A minha militância é mais forte na na na questão do controle social de participação política de chamar, de convocar os usuários, se deu quando eu percebi no Paraná a inexistência de pessoas usuárias participando das conferências de saúde mental. E isso se reproduziu por todas as duas conferências livres que eu pude organizar, e por toda a participação da conferência de saúde e na de saúde mental em Brasília. Muitas pessoas ocupam o 0 segmento de usuários sem ser eles próprios usuários. E isso e isso diz muito pra quem ocupa esse lugar, e isso diz muito a respeito do porque os usuários não ficam nem sabendo que existe conferências. Então acho que isso é uma questão que a gente precisa avançar e que e que aliás, que possa acontecer a sexta conferência nacional de saúde mental daqui quatro anos e não daqui dez anos, nem daqui doze anos, que é o que tem acontecido nas últimas conferências de saúde mental. Pode passar por gentileza. Aqui, eu queria tomar a liberdade de ler trechinho de dos colegas usuários do Rio de Janeiro que participou, o Joci Pereira, o nome daí porque eles permitem que eu apresente o nome deles, ele é usuário do Rio de Janeiro, passou com a gente no grupo do WhatsApp de de março até dezembro construindo as duas conferência livres, teve desejo enorme de ir pra pra etapa nacional e não conseguiu, não conseguiu forças, apoio emocional, apoio psicossocial, ele não conseguiu sair do Rio de Janeiro pra chegar até Brasília, e deem outro usuário de São Paulo, então é necessário que os centros de atenção psicossocial, que há rapes, que o ministério da saúde, que o conselho nacional de saúde, que o que a luta antimanicomial possa construir maneiras de de de fazer com que os usuários sintamse seguros e e vejam sentido em participar desses espaços. Eu vou tomar a liberdade de ler muito rapidamente aqui, Jocir escreveu, vamos, nos ajude a ver uma forma de conviver com esse mundo cheio de drogas e não usar. Ajude a ajude ver farrapo humano virar cidadão, ajude, ninguém é culpado. O mundo não mais me quer, não sirvo pra mais nada. É aí que se vai pro tudo ou nada e acaba morto, preso, ou em hospital totalmente falido. Aí eu não sei se ele quis dizer ele falido ou o hospital a ambos né? Naquela vida sem utilidade alguma, era adicto que queria ter mais uma oportunidade de vida e não têlo. Como saber o porquê? Só se sabe que uma vida se foi. Isso foi escrito num grupo de WhatsApp, inúmeros relatos de usuários do Brasil inteiro, no lugar de conseguir organizar e fazer uma proposta, o que eles conseguiam era eram pedir socorro, relatar experiências de desrespeito, de maus tratos dentro dos CAPS do Brasil, basicamente todos, a as nossas duas conferências livres alcançaram vinte e três estados brasileiros. Então, é é muito gritante e muito ouvir os usuários porque tem a parte maravilhosa dos avanços que o CAPES que a própria consegue alcançar, que os os dispositivos, as atividades artísticas culturais de saúde mental, da luta antimanicomial belíssimas conseguem alcançar, mas elas são ainda muito diminutas, são muito pequenas, prende a multidão de usuários que nem sabe que toda essa discussão, toda essa luta existe ainda, pode passar por gentileza Só pra concluir você por aí dois minutos? Está acabando meu tempo, aqui essa essa moção que eu falei aprovada no Paraná, ela foi lida publicamente em vários lugares do Brasil, no interior do Ceará, no Sobral, em Sobral, foi o primeiro lugar, onde onde dentro de CAPS essa moção foi lida e eles foram os primeiros a me ajudar a iniciar a construção de uma conferência livre, eu queria deixar isso registrado, pode passar por gentileza. Agora só vou comentar muito brevemente. Aqui é aqui são do duas do duas artes produzidas por usuários, a primeira do Eduardo Marciano do Rio de Janeiro, a segunda que tem a ver com a segunda conferência livre, ela foi uma uma arte produzida coletivamente no próprio grupo que a gente já tinha conseguido construir, e aqui a imagem do presidente do conselho nacional de Saúde Fernando Pigato podendo podendo entregar cartaz da nossa primeira conferência a nível pro Lula, e eu espero e eu não só como muitos usuários espero que que que o 0 as nossas diretrizes EAE propostas aprovadas tanto na décima sexta de saúde como na quinta nacional de saúde mental, assim como todas as diretrizes e propostas aprovadas vindas do estado e de todos os estados do Brasil, possam vingar na prática com ações concretas, objetivas, e que melhore a a nossa condição, tanto da de todos os segmentos da saúde mental, pode passar por favor. Aqui eu queria mostrar essa essa essa serviços transparência, pra evitar que haja negligência em todas as áreas, desde os serviços de limpeza até a direção, foi uma proposta eleita pelo Hamilton, que todo mundo do Rio de Janeiro, e muitas pessoas do Brasil e fora do Brasil conhece, integrante da banda Harmonia enlouquece, ele foi é dele essa proposta e pra ela ser aprovada com ressalvas, a gente teve que fazer uma luta muito grande pra que ela não fosse eliminada porque simplesmente acharam absurdo uma proposta pedir fiscalização e ética, com transparência no serviço público brasileiro, de saúde mental. Pode passar por gentileza. Aqui eu eu trouxe duas imagens pra mostrar o senhor Adebalco Ferreira, que participou grandemente das duas conferências e pode estar na quinta em Brasília, ele é do Rio Grande do Norte, aqui a Grace de Rondônia, foram os próprios usuários que saíram às ruas em alguns estados brasileiros pra pedir participação dos usuários pras conferências livres. E eu queria também deixar isso registrado, pode passar por favor. Aqui foi em Curitiba, também teve a leitura pública da moção por CAPES que era o que eu era atendida, aqui é o Valdecir, o usuário que também saiu às ruas pra pedir, pra pra divulgar a nossa conferência livre do que foi sem apoio institucional, sem apoio, sem apoio de recursos financeiros, ela foi feita a partir da ideia que eu tive de organizar EEE de chamar as pessoas a e convidando, convidando, convidando pra participar, então chegou uma hora que a gente precisava alcançar cinquenta uma pessoas no dia da conferência apesar de termos feito inúmeros encontros, dos quais o professor Paulo Amarante pode estar presente, assim como Leo Pinho, a Cris Lopes, a própria Anelide Almeida também, fizemos muitos encontros que estão disponíveis no youtube com muitas vozes e receios, e e desejos e aspirações, e relatos de experiências, é de dos próprios usuários de muitos lugares do Brasil, pode passar por favor. Se puder ir concluindo viu? Concluouse, Dois minutinhos, por fim, nesse dezoito de maio, em Curitiba, em fevereiro desse ano eu tive a ideia de tentar organizar encontros de luta antimanifomial em Curitiba, e podemos organizar três presencialmente na cidade de Curitiba com a ajuda fundamental do Hamilton que saiu do Rio de Janeiro, foi pra Curitiba, sem recurso nenhum, ficou hospedado na minha casa, EEE não podemos ter condições de renovar os demais integrantes da banda, mas ele foi e me ajudou a fazer, fizemos encontro latino americano e pretendemos dar sequência nesses encontros online pra pra reunir experiências vindas não só do Brasil mas de outros países vizinhos nossos, núcleo periférico é espaço no centro de Curitiba que abriga pessoas em situação de rua e pessoas egressos do sistema prisional, nos acolheu por encontro de anti manicomiel também, numa cidade onde dezoito de maio não é sabido muito amplamente sequer pelos trabalhadores da saúde, e tampouco pelos trabalhadores de saúde mental. Pode passar, só faltam mais dois e eu concluo. Aqui é só pra informar anteriorzinho por gentileza. Bom, esse daqui foi encontro que a gente pode realizar na universidade federal do Paraná, inclusive o Hamilton e a Neli, a própria secretaria estadual de saúde do Paraná esteve presente, aqui são as nossas grandes pautas né, a a questão do apoio pros artistas e a são aqui finaliza, uma uma imagem no no núcleo periférico, considerando que o Hamilton foi sem os, infelizmente sem os integrantes da banda mas que a gente sonha em dia poder receber em Curitiba, toda toda a banda Harmonia, foi possível eu eu buscar músicos instrumentistas em Curitiba que pudesse aceitar conhecer a banda, conhecer as músicas e tocar com Hamilton, e isso foi, isso foi uma lindeza em vários aspectos, e aqui ao lado Júlio César, Júlio César Pereira, ele é uma pessoa que está em situação de rua, ele é uma das pessoas que frequentam o lucro periférico, ele é artista, usuário da RAPIS, e eu diria pra finalizar que definitivamente eu não tenho mesmo como uma vez já me foi cobrado que coletivo, que a associação de usuários que eu fazia parte, isso ainda ainda era dois mil e vinte, dois mil e vinte e eu nem sabia que existia coletivos muito menos pra ser parte de eu diria que hoje em dia eu tenho custado, não sei se construir coletivo quem sabe dia, mas eu tenho feito uma luta muito intensa com pessoas que têm me ajudado nisso, Hamilton de Jesus, Karina Leal do nascimento do interior de Santa Catarina, Júlio César agora, Vini Vini da Vini da Caixa, uma, pode passar a próxima por favor, Vini da da Caixa de São Paulo, são pessoas usuárias que não sabem ainda que existe o dezoito de maio, mas que estão sendo chamada, que tão aceitando a, aceitando o chamado de o chamado de entrar pra essa luta, e e eu acho que é isso, temos no Brasil já coletivos e associações de usuários, familiares e trabalhadores da saúde mental, da luta antimanicomial, mas isso precisa ser ampliado pra isso incluir muita gente, existe muitas centenas, milhares de usuários que não sabem ainda disso tudo, e então eu agradeço muito por estar aqui, ainda que eu esteja em construção né, e como a minha li lembrou do Guimarães Rosa, eu também tinha me lembrado, eu eu queria dizer que trechinho também do mesmo, do mesmo, do mesmo conto né, que a Nail citou do Guimarães, que é ninguém é doido ou então todos né, ninguém é doido ou então todos, sensação, e aqui os agradecimentos a quando a gente completou ano de emoção, que é os agradecimento e eu e eu e ele se reafirma aqui hoje, é assim que eu gostaria de finalizar minha fala, desculpa assim que eu com certeza eu ultrapassei meu tempo, mas esses a, essa maneira como eu fiz agradecimento a ano pra, fevereiro, desculpa, outubro do ano passado, isso ainda é assim mesmo que eu desejo seguir agradecendo, então os agradecimentos são intensos, se misturam com as angústias, a pressa e a impotência. Busca ajuda, insiste, corre rápido e paralisa, retoma porque sabemos, estamos fazendo história. Somos vários, cada num canto desse Brasil que chora, queima, mata, ama e morre de fome, de dor, de descaso público e social, seletividade até na luta antimanicomial né? É isso, é é muita emoção de lidar, essa imagem é uma é é uma imagem, que que mescla duas artes do Rio de Janeiro, Adilson Tiano, como todo mundo conhece no Rio de Janeiro, grande artista, e do próprio Eduardo Marciano ambos do Rio, aos quais inclusive eu sou extremamente grata. É isso, muito obrigada, muito obrigada.
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