
Olá, de todos. É um prazer, é uma satisfação poder estar participando desse seminário. Cumprimentar o deputado Arnaldo pelo gentil convite, o embaixador André Corrêa do Lago também, pelo brilhante trabalho. Falar depois do Gonçalo é sempre um pouco desafiador, porque além de falar muito bem, ele cobre muita coisa. Eu vou buscar abordar um pouquinho aqui para vocês a questão da inovação tecnológica na produção de biocombustíveis. aqui ficar falando de tecnologia, de inovação, não é dar aula para ninguém. E eu ousei, embaixador, construir essa apresentação quase que na forma muito rudimentar de um próprio mapa do caminho, daquilo que a gente acredita que seria uma forma de desenvolver os biocombustíveis no Brasil. Eu tenho um passador que eu consigo passar? Passar? A ideia é apresentar um pouco de qual seria esse mapa do caminho. Opa! Bom, a primeira mensagem que eu queria trazer aqui é que quando a gente discute biocombustíveis, ou quando a gente discute biocombustíveis avançados, sustentabilidade, a gente precisa colocar que essa é uma discussão, deputado, que vai além da energia. A gente está tratando aqui de uma agenda de desenvolvimento nacional. Porque quando, embaixador, a gente desenvolve novos biocombustíveis, quando a gente produz biocombustíveis, quando a gente utiliza biocombustíveis, a gente está falando de desenvolvimento agrícola, a gente está falando de aumento da competitividade industrial, e médios produtores, e a gente está falando também de descarbonização. Portanto, esse mapa do caminho não é somente para gerar uma nova fonte de energia, ele é também uma forma de se desenvolver um projeto de nação. E eu acho que a rota mais curta para a produção e utilização de biocombustíveis, ela, portanto, não vai ser exatamente linear. Ela vai exigir uma visão integrada que vai conectar de uma maneira muito coesa campo, indústria e também mercado. Eu acredito que se a gente, de fato, quer... quadruplicar a produção de biocombustíveis, a gente precisa ter essa visão integrada. E o Brasil parte, obviamente, de uma posição muito vantajosa. O deputado Lupião comentou que, direto ou indiretamente, tudo vem do agro. E é verdade. O Brasil tem biomassa, o Brasil tem ciência. A gente tem, se a gente pudesse colocar aí numa balança, de uma maneira muito equilibrada, a base produtiva que permite a gente fazer novas expansões na produção de biocombustíveis, agenda. Então, a gente precisa transformar uma vantagem natural, aproveitar a vantagem construída para que a gente possa ter uma vantagem competitiva. Então, tendo a agricultura robusta que a gente tem, empujante que a gente tem, tendo uma rede robusta de pesquisa, com a Embrapa, as universidades, a professora Glaucia está aqui, e também, frente às oportunidades que a gente tem, visando a questão de descarbonização, o Brasil tem uma condição ímpar de tocar essa agenda. muito desse assunto. Então, no meu modesto mapa do caminho aqui, eu estruturei dessa forma. Se a gente colocasse o mapa do caminho para desenvolvimento de biocombustíveis, eu focaria em alguns eixos que são, em alguma medida, entrelaçados. Um primeiro eixo, que é um eixo do campo, de desenvolvimento da agricultura. Um segundo eixo, que é um eixo da indústria ou de biorrefinaria, que vai utilizar esse produto para a geração desses biocombustíveis. Um terceiro eixo, muito importante, que é um eixo de métricas, O deputado Hollenberg não adianta só a gente dizer que algo é sustentável, a gente precisa mostrar que aquilo de fato é sustentável. E, por fim, um eixo que permita a inovação, a adoção. Então, o ganho real vai vir, embaixador André, dessa integração. Não adianta só a gente avançar em um desses eixos e deixar algum outro para trás. A gente precisa desse olhar integrado. E, obviamente, quando a gente pensa nesse primeiro item do campo, deputado Arnaldo, a gente precisa pensar que, sem matéria-prima competitiva, resiliente, sustentável, não há, em alguma medida, combustível, biocombustível sustentável. Então, a gente precisa avançar no aumento de produtividade das atuais lavouras que dão a base para os biocombustíveis, aumentar a produtividade vertical, ou seja, produzir mais biomassa por unidade diária, por unidade de tempo, mas produzir isso de uma maneira mais sustentável, com menor pegada de carbono. E, para isso, a gente tem que desenvolver e usar tecnologias, como a gente já tem feito, aumento de qualidade, a gente precisa produzir melhor dentro dessa área. E que bom que a gente tem uma agricultura baseada em ciência e que a gente pode continuar avançando dentro dessa medida. Agora, a gente não pode também só pensar em aumentar essa produtividade. A diversificação é importante para poder promover maior resiliência e inclusão socioprodutiva. Diversificar matérias-primas não é dispersar esforço, muito pelo contrário, é reduzir risco climático, é reduzir risco de mercado. soluções regionais, soluções que sejam adaptadas às diferentes condições do Brasil e de promover inclusão sócio-produtiva. A inclusão sócio-produtiva tem que estar na base desse desenvolvimento desde o início desse desenho tecnológico. E a gente tem muitas possibilidades de diversificar essas matérias-primas, incorporando novos cultivos para a produção de biocombustíveis, permitindo, portanto, que a gente aumente a produção de biocombustíveis E a gente precisa também, não somente ter novas espécies, produzir mais, mas produzir de forma sustentável. Então, desenvolver biocombustível passa por desenvolver uma agricultura de baixo carbono. E a gente faz isso utilizando técnicas de manejo conservacionista, ou seja, como a gente pode ser mais eficiente no uso de recursos, utilizando tecnologia de agricultura de precisão para que a gente possa ter decisões orientadas por dados, automação e também monitoramento digital, de toda essa produção. Quando a gente consegue usar genética avançada, tecnologias que permitam a diversificação, e práticas de agricultura sustentável, a gente permite com que aquele primeiro eixo do mapa do caminho que eu proponho aqui, que ele avance e dê a base para o desenvolvimento dos biocombustíveis. O segundo eixo aqui, ele parte por uma modernização dos nossos parques agroindustriais. Tradicionalmente, a gente sempre falou em usinas de produção de biocombustíveis. Eu acho que a gente precisa, tem uma oportunidade aqui, deputado, de migrar dessa lógica de uma única matéria-prima para um único produto, para uma lógica de um novo modelo de biorefinaria integrada. Ou seja, em vez de a gente medir litros de determinado combustível produzido por tonelada, que a gente meça valor agregado por tonelada, no sentido em que novos modelos de biorefinaria vão permitir que a gente processe aumento de produtividade e produzir múltiplos produtos, múltiplos biocombustíveis. É engraçado que quando a gente fala em biocombustível, normalmente a gente fala de etanol e de biodiesel, mais recentemente biogás, biometano, mas a gente tem expandido, a gente tem falado de diesel verde, de gasolina verde, de HVO, de SAF, de hidrogênio, chegando até E-Fuse. Essa agenda de biocombustíveis vai avançar na medida que a gente conseguir produzir múltiplos biocombustíveis que dêem sustentação econômica para esse modelo. materiais de origem renovável, químicos de origem renovável. Isso aqui, embaixador, tem a possibilidade de a gente promover uma nova industrialização no país, em que a gente tenha biosubstitutos na entrada, ou seja, substituindo a fonte de matéria-prima para aquele processo, e tenha biosubstitutos na saída para vários tipos de produtos. Então, esse desenvolvimento de biorrefinarias vai permitir flexibilidade industrial, de biomassa. E, obviamente, aqui a gente precisa também acoplar outros conceitos da parte de ciência, de pesquisa. Biotecnologia industrial é um dos cernes dessa nova biorefinaria, ou seja, investir em novos insumos, novos micro-organismos, novas enzimas, novas rotas fermentativas, como que a gente combina rotas bioquímicas com rotas termoquímicas, isso tudo vai dar essa flexibilidade, vai precisa garantir que isso ocorra em escala e que tenha repetibilidade. Não adianta só a gente ser capaz de fazer isso em escala de bancada se a gente não conseguir fazer em escala real ali. Isso também vai ser aprimorado no sentido que a gente conecta o bio com o digital. A gente costuma dizer que o futuro é bio e, muito mais que isso, o futuro é, muito provavelmente, biodigital. Então, a automação e a, eles não passam mais a ser incrementos, da competição. Oi. Fazer controle em tempo real, otimização de rendimento, previsão de falha, redução de OPEX... benefícios para essa parte da aplicação digital. Entrando, isso vai ajudar a desenvolver o segundo eixo. O terceiro eixo, a gente precisa tratar a ciência como uma ciência da comprovação, pensando que métricas de sustentabilidade é uma espécie de uma infraestrutura da transição. Não basta ser sustentável, é preciso comprovar isso com ciência, isso que vai dar entrada em novos mercados. Então, essas métricas vão se fortalecer, sustentar novas políticas públicas e vão dar também credibilidade internacional Para isso, deputado, precisamos, obviamente, pensar em como a gente tropicaliza, se esse é um termo adequado, essas métricas. Muitas vezes, alguns desses modelos de carbono, outros, eles impõem algumas estimativas imprecisas, principalmente por não considerar a realidade da situação. a agricultura brasileira. Então, a gente corre o risco de usar métricas sem adaptação e acabar subestimando vantagens ambientais que o Brasil tem. Então, algumas soluções, investir em análise de ciclo de vida, usando a abordagem de berço ao túmulo, que o deputado tem defendido, novos inventários nacionais, ou seja, produzir métricas em que a gente consiga efetivamente demonstrar Então, não somente exportar biocombustível, exportar tecnologia, mas exportar também metodologias, métricas de certificação. Isso vai ser importante porque são essas métricas, deputado, que vão ajudar a conectar a ciência com a regulação, com o mercado. Essas métricas traduzem desempenho técnico em uma linguagem que é mais acessível para o legislador, para o agente financeiro. Rastreadibilidade, certificação, programas de elegibilidade, negociações, todos vão depender, em grande medida, dessas métricas. E, por fim, acho que o Gonçalo falou isso, algumas outras pessoas falaram, a gente tem que vencer no Brasil... esse abismo aqui, que muitas vezes separa a pesquisa acadêmica da adoção industrial. O Brasil gera muito boas ideias, mas a gente enfrenta gargalos bastante significativos na conversão dessa boa ideia, dessa boa pesquisa em tecnologia adotada. Quando a gente pega rankings de pesquisa, propriamente dito, o Brasil figura relativamente bem. Quando a gente pega rankings de inovação, o Brasil já não tem uma posição tão boa. Então, não basta ter uma boa ideia, a gente precisa transformar essa boa ideia em uma boa tecnologia e uma boa tecnologia em um bom negócio. em algumas estratégias que promovam essa conexão entre pesquisa, capital, hubs de inovação, fomento de deep techs, corporate venture, ambientes de validação, estimular parcerias entre o segmento privado e também instituições de ciência e tecnologia. Essas bases vão criar uma ponte para permitir que aquelas boas ideias sejam, então, práticas adotadas na indústria. Isso vai dar base para aquele quarto eixo do meu mapa do caminho. E aqui o papel de uma instituição como a Embrapa Agroenergia, o orgulho de dirigir, é justamente atuar na pesquisa, na inovação e nos fundamentos, para reduzir risco tecnológico e para suportar competitividade. A gente atua desenvolvendo ciência, a gente atua suportando políticas públicas e a gente atua em parceria com o setor privado para promover a adoção dessas novas tecnologias. Então, a gente faz esse elo, nosso papel é encurtar essas distâncias entre ciência, regulação e também mercado. Então, para resumir, porque eu já estorei meu tempo, a gente precisa... olhar política pública, previsibilidade, estabilidade regulatória. Eu acho que o combustível do futuro foi um marco muito relevante nesse sentido. Pensar estratégias de financiamento orientadas à inovação para a gente poder fazer aquela ponte. Coordenação entre vários atores é importante. E o Gonçalo frisou isso na questão da importância da educação, e eu também friso. Acho que a formação de pessoas e infraestruturas de teste é absolutamente essencial. Essa figura resume o meu mapa do caminho, a minha rota integrada, embaixador, várias camadas: campo produtivo e resiliente, bio-refinarias inteligentes, métricas robustas, inovação conectada à adoção. Essa, para mim, é a rota mais curta para o desenvolvimento dos biocombustíveis. Se a gente conseguir fazer alguma coisa dentro dessas camadas, a gente consegue avançar no nosso objetivo. E, por fim, só uma frase que eu acho muito importante: inovação em biocombustíveis não é apenas uma agenda setorial. É uma estratégia de desenvolvimento nacional e, portanto, tem que congregar todo mundo. Por isso, eu parabenizo pela criação da coalizão, que dá justamente essa dimensão de desenvolvimento nacional, de agenda estratégica. E a Embrapa, a Graenergia, a Embrapa está pronta para continuar contribuindo sempre com essa agenda. Obrigado e desculpa pelo tempo.
Biocombustíveis podem reduzir emissões de CO2 com práticas sustentáveis. Indústria sucroalcooleira brasileira ampliará produção, atendendo meta de descarbonização e demanda interna e externa. Planejamento e tecnologia aumentam produtividade setor agrícola, garantindo matérias-primas suficientes.
Chefe-Geral da Embrapa Agroenergia discute produção de hidrogênio renovável com baixo CO2. Custo de produção depende da fonte de energia elétrica e matéria-prima. Processos de biorefinaria podem aumentar rentabilidade com produção de vários produtos. Custos de hidrogênio podem diminuir com escala e matérias-primas baratas. Precisa-se de estabilidade e investimentos para tornar viável produção a baixo custo.
Agradeço a oportunidade de debater sobre hidrogênio sustentável e biocombustíveis. Destaco a importância dessas agendas na busca por sustentabilidade e descarbonização. O hidrogênio pode atender a demanda energética e ser insumo industrial significativo, com potencial de geração de receitas para o Brasil. A produção de hidrogênio a partir de biomassa, como biometano e etanol, pode suprir parte da demanda global. A conexão entre hidrogênio e produção de fertilizantes é crucial, visto que o Brasil depende de insumos importados. Reforço a necessidade de legislações que explorem diferentes rotas de produção de hidrogênio, aproveitando as vantagens do país. A Embrapa está comprometida em desenvolver tecnologias para impulsionar esse setor. Encerro reiterando que a agenda de hidrogênio verde está alinhada à de biocombustíveis, representando uma vantagem para o Brasil.
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