Vera Marques

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FIOCRUZ - FIOCRUZ

Últimos Discursos

26 de nov, 19:28

REUNIÃO CONJUNTA

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Bom, hoje a gente fez assim 1 exibição especialíssima em reconhecimento da importância do evento e do trabalho e da iniciativa que o observatório tem feito, né? O o documentário ele vai ser efetivamente lançado em fevereiro, e provavelmente lá mesmo na na Fiocruz né, eles estão todas convidadas, e ele segue por 1 distribuição muito ampla, ele vai pra streaming, ele vai pra tv aberta, ele vai correr amostras de de curtametragem, mediumetragem, né, que no caso dele é medi metragem, né? Então ele vai participar dessas, desse, desse circuito também, né, porque a intenção é exatamente essa, né, conscientizar sobre o problema, levantar a discussão, né. Eu acho que quanta coisa boa veio, né, de todas as falas, não só, né, do meu trabalho, mas de todas e quantas coisas bacanas também vieram, né. Então é isso, tem esse esse esse desejo, né, de provocar o debate, a conscientização e gerar a transformação social. Ele vai então ter 1 distribuição bem ampla, ele ganhou tradução pro inglês, pro pro espanhol, a legendagem em português e todo o pacote de acessibilidade para que de fato ele ganhe capilaridade e contribua com essa discussão. Obrigada Vera.

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26 de nov, 17:39

REUNIÃO CONJUNTA

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A mente, agradeço o convite, a oportunidade. Cumprimento as minhas colegas de mesa, é muito bom compartilhar esse momento com vocês e com vocês também né, trabalho que a gente fez com, que tem amor também, né, que tem amor, que nos machuca, né, dói escutar certas coisas mas também nos inspira, né, então, feliz de compartilhar. Essa é 1 pesquisa que está em curso na escola nacional de saúde pública que é a humanidade da Fiocruz. Estamos no entrando no terceiro ano de pesquisa, começamos ela acompanhando as campanhas eleitorais do ano de 2022, né, imaginando que tínhamos e que tivemos né, cenário de muita polarização, e de muitos discursos de ódio, muita violência e começamos acompanhando algumas campanhas, por mídia social e por, empresas jornalísticas né material jornalísticos. Acompanhamos fomos vendo identificando práticas de violência nesses meios e buscando entender pouco dessas dinâmicas que envolvem né? Em seguida, né, são várias etapas de pesquisa, 1 1 segunda etapa, a gente fez 1 revisão bibliográfica, em nível mundial, né, buscando identificar pesquisas que como o nosso trabalho estivessem trabalhando com violência política de gênero, né? Revisamos aí, toda a literatura até o ano de 2022, e localizamos né segundo os critérios né que a gente utilizou, 30 e estudos apenas no mundo, né então é tema aí a ser muito explorado né? 30 e estudos, grande maioria na América Latina e protagonismo aí do Brasil, né? E são dados assim da literatura acadêmica que converge com o próprio engajamento desse dessa região no planeta nessa discussão né a gente tem normativas a importantes em curso dos anos de 2000 pra cá e aí essas pesquisas né e aí no campo da saúde coletiva nós nos colocamos como 1 1 pesquisa inovadora original, a saúde coletiva ela tem tradição em estudos sobre violência contra as mulheres, né, muitas contribuições, mas olhando especificamente esse espaço da política então a gente tem essa essa originalidade né isso até 2022 porque hoje eu fiquei muito contente, de ver o trabalho que o observatório está realizando, os produtos lindos, enfim eu acho que a gente vai poder dialogar muito e juntar forças mesmo né? Então, feito essa cumprida essa etapa partimos então para as entrevistas né? E procuramos convidar, candidatas e parlamentares que já tivessem sofrido violência política de gênero. Esse era critério central, né? Mas também com muito cuidado em em constituir aí grupo, 1 amostra né, que fosse plural. Fosse plural no sentido do de gênero cis transgeneridade, de orientação sexual, de raça, de região geográfica do país, de cargo, enfim, vários requisitos AE0 aspecto partidário, esse, esse foi o mais delicado, né porque 2022, enfrentamento no no cenário política muito tenso né? E a pesquisa ela não tem, não quer ter e procurou trabalhar pra que não tenha, viés político, né, não é disso né, pesquisa não é nem da esquerda nem da direita, e essa pesquisa fala das mulheres, né? Então a gente convidou várias, mulheres, parlamentares, candidatas da direita, da centrodireita, várias. Infelizmente a gente só conseguiu o aceite de 1 mulher da direita, a nossa única mulher, né? Mas houve esforço e 1 preocupação gigantesca nesse sentido né de não, não haver nenhum tipo de viés né. Bom, responder então ao nosso convite, 11 parlamentares que sofreram violência política de gênero e que nos trazem aí panorama muito interessante são mulheres de diferentes lugares de fala, né? E aí a fala delas é muito potente, porque nos traz elementos diversos sobre esse fenômeno da violência política de gênero né? Não sei se eu posso ir entrando muito, posso? Não vai tocar lá não. Então assim elementos muito, fortes né? Entrevistálas foi muitas vezes levar soco no estômago. Até hoje a gente assiste e dói por dentro, né? Ao mesmo tempo são falas profundamente inspiradoras né? São falas de mulheres potentes, que honram ancestralidade, que honram as mulheres que vêm antes, que às vezes antecederam, e que estão comprometidas com as mulheres de hoje e com o futuro e com as próximas gerações de construção de 1 outra sociedade. Então é muito inspirador, né? O aspecto dos efeitos na na saúde, são contundentes né? Na nossa revisão bibliográfica a gente já tinha encontrado alguns indícios né de violência política de gênero, associada à depressão, à fobia, né medo em excesso, ansiedade, encontramos alguns poucos estudos já sinalizando. E as nossas entrevistadas trazem isso de 1 forma muito contundente, né? Porque afinal de contas né, o que elas nos informam é que essa é 1 violência que está dentro do sistema, e sim e perpassa as relações interpessoais também e não não é 1 violência pontual são né Verônica Costa fala né são anos de violências, anos de violências né. Professora Cecília Pinaio, querida, ela vai nos contar violen os efeitos da violência são cumulativos. Então, o que que é estar num lugar que é muito violento, está claro, está evidente, que é muito violento, por muito tempo, né? Então, o o os relatos de adoecimento são aterradores, né? Pedi muito que Naila tivesse aqui presente né ela pode falar muito bem disso né? E aí, a importância de discutir cuidar de saúde mental. Né? Olha aí o desafio, olha aí a urgência em se discutir esse tema, né? Como? Como, como lutar pela paridade, se estamos colocando né, elegendo nossas representantes pra lugar que é tão violento? Então o que que a gente faz pra que elas possam exercer a política nos representar, mas de 1 forma saudável, né? O OMS, a ONU estabeleceu, é direito humano fundamental. Então o que que a gente faz? Então a importância desse evento, e dessa discussão, acho que tem muito a ver com isso, né? E aí, o projeto entre entre entre nós, né? Entre nós, né, traz a perspectiva da de interseccionalidade pro atendimento isso é muito inovador, isso é muito importante também. Porque fica muito evidente né na análise das nossas, do conteúdo das entrevistas, e aí assim, é isso são muitos elementos pra gente trazer e eu vou fazer pequeno recorte disso, pra gente conversar. A questão da interseccionalidade é fundamental a perspectiva no atendimento e a perspectiva nas políticas públicas é fundamental, né? Complexificar essa essa violência política de gênero. Por quê? Porque ela vai ser atravessada por outros sistemas de opressão, marcadores sociais, de 1 forma contundente. E é preciso sensibilidade, é preciso entender como isso vai sendo articulado nas práticas de de violência né? Então, vou citar só alguns exemplos pra pra gente pensar essa sexualidade. Deixa eu desculpa a gente se eu só resolvi encontrar pouquinho pra eu não me perder. Por exemplo Dani Monteiro. Dani Monteiro é 1 parlamentar jovem, pro pra pra idade do né? Nayla também né? Nayla nos conta que ela é tratada como menina às vezes menina, né? Dani, Dani Montana nos contou, a preocupação que a equipe dela tem, o tempo todo naquilo que produz. Por quê? Erro de digitação, erro de digitação já é visto eu trouxe anotado porque as palavras delas são fantásticas assim. É visto erro de digitação já se torna algo característico de mandato de 1 jovem negra semianalfabetta. Percebem? Como gênero, classe, idade, raça estão aí tudo junto. Machucando, ferindo essa parlamentar? Né? Na ela também tem tem tem, enfim, história sobre isso né pode estar sinalizando. Carla Aires, Carla Aires, é 1 mulher lésbica, ela se assume como lésbica né, ela nos aponta, o não lugar de 1 mulher lésbica no parlamento. Não lugar, Por quê? Número muito significativo de mulheres na política ainda é, ainda tem relações com homens né, ou são filhos de de políticos ou são esposas. E Carla conta que muitas das negociações ocorrem entre seus colegas parlamentares e o marido e o pai, né? Não com a parlamentar. Então como fica o trabalho de 1 parlamentar que? Nem isso tem, é lugar da invisibilidade absoluta. Já tem recadinho aqui minuto, são 2 exemplos pra gente pensar isso, da interseccionalidade, da importância de termos ouvidorias, atendimento em psicologia, as comissões de de de ética e decoro parlamentar, atentas a essas implicações como esses marcadores, vão produzindo desigualdades, vão produzindo violências. Olha desculpa é isso. Muito obrigada professora Vera, da Fiocruz, acho que a questão da interseccionalidade vai ser trabalhar.

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26 de nov, 15:28

REUNIÃO CONJUNTA

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É 1 alegria imensa estar aqui presente nesse evento, ter participado, podido contribuir pra que me acontecesse. Me sinto muito honrada, então toda a minha gratidão, por esse momento. Esse é evento especialíssimo né, é impossível seguirmos com a luta pela equidade de gênero na política se não discutirmos e pensarmos em ações e buscarmos a efetivação de ações, que enfrentem a violência política de gênero, né? São 2 metas que precisamos ter que devem andar sempre juntas, né? Não é aceitável, que mulheres nas suas campanhas eleitorais, nos seus mandatos, no exercício dos seus mandatos, sofram cotidianamente violências. Por serem mulheres nesse espaço político, não é aceitável esse tipo de coisa. EAE cabe dizer né, que a violência que se destina a 1 mulher num parlamento, não é só a ela. A destinatária não é só a essa mulher, é a todas nós, né? É recado a todas nós que este não é lugar para nós mulheres, não é lugar pra pessoas negras, não é lugar pra pessoas com deficiência, então 1 violência ela é individual mas também é coletiva, então exige enfrentamento que seja coletivo. Eu ouvi de 1 das parlamentares que eu tive a honra de entrevistar e vocês vão assistir o documentário pouco mais tarde, que a política precisa ser feita com afeto, né? Eu acho que é isso mesmo né? A política precisa ser democrática verdadeiramente, né? Essa instituição ela nasce a partir da exclusão de diversos grupos sociais, essa exclusão permanece mas a gente precisa que isso chegue ao fim. A democracia precisa ser efetivamente construída, né, consolidada, né. Comprometida com a justiça social, comprometida com relações saudáveis. Relações saudáveis, precisamos de saúde nesse meio. Então saúde pras mulheres, que a política seja, construída, comprometida com a saúde das mulheres. Obrigada novamente, olha, bom evento pra todas nós. Obrigada.

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