Márcia Ribeiro

Márcia Ribeiro

Mapa do Acolhimento

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26 de nov, 16:52

REUNIÃO CONJUNTA

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Que me ouvem. Eu vou fazer 1 brevíssima autodescrição pra aquelas pessoas que não me veem. Eu sou 1 mulher negra, gorda, utilizo 1 blusa branca, colar dourado, brinco dourado também, 1 calça preta, e sapato preto também. E eu estou muito feliz de estar aqui hoje porque o que a gente está fazendo aqui hoje é histórico, nós estamos inserindo o cuidado de mulheres e o autocuidado de mulheres na pauta política brasileira, e disponibilizando material no site da Câmara dos Deputados do Brasil. Se isso não é grandioso pra todo mundo, se isso não soa grandioso, percebam que é grandiosíssimo. E eu acredito que os a nossa participação nesse processo vai estar inscrita na história do Brasil, né? Eu trabalho como analista jurídica no mapa do acolhimento, que é 1 organização do terceiro setor que atua em 3 vias, distintas, 1 via que atua em cooperação com os governos, então, fazendo formação com servidores públicos, fortalecendo organismos de política para as mulheres e outras atuações. Nós temos 1 frente de trabalho que atua com mobilização, então nós fortalecemos ativismo, e chamamos pessoas, mulheres, jovens e idosas e mais velhas e pessoas todas, pra atuar no ativismo, nos direitos pelas mulheres, e nós trabalhamos no oferecimento, na provisão de serviço jurídico e psicológico gratuito, para todas as mulheres maiores de 18 anos e que não têm condição de pagar por esse atendimento ao redor do Brasil. Então, qualquer pessoa no território nacional, qualquer mulher no território nacional, pode pedir ajuda jurídica ou psicológica através da plataforma do mapa do acolhimento. Quem ainda não conhece o mapa do acolhimento e está ouvindo falar agora pela primeira vez, pode conhecer melhor, digitando no Google o mapa do acolhimento já vai aparecer como o primeiro site, mas também pode digitar arroba mapa do acolhimento no Instagram, que vocês vão conseguir acessar toda essa nossa abordagem de trabalho lá. E como Ana Cláudia disse, pra mim é 1 1 alegria muito grande estar aqui porque o que a gente está fazendo aqui é pioneiro, eu sou advogada, sou mestre em direito e sou doutoranda em gênero direito em sexualidade então toda a minha trajetória permeia tudo isso que a gente trabalhou ao longo da produção desse material, e eu estou representando aqui essa organização, que é 1 organização que me orgulha muito de fazer parte. Então, por ser pesquisadora e por ser 1 ativista da temática, eu me empolgo muito ao falar dessa desse tema. E como eu já conheço esses espaço e todas as interrupções de tempo que nos atravessam, eu preparei 1 fala e vou fazer a leitura desse texto então, pra compartilhar com vocês, e aí logo depois eu falo pouco mais sobre a cartilha. E o que eu queria dizer pra vocês, é que ao longo do meu ativismo, eu e o MAPA DO Acolhimento, nós temos produzido e auxiliado na produção de muitos materiais e ferramentas didáticas para a promoção dos direitos das mulheres, e pro enfrentamento à violência de gênero. Mas hoje, é dia muito especial pra todas nós, do mapa do acolhimento, do observatório, do entre nós candidatas, porque nós nos sentimos especialmente honradas, e eu, de 1 forma muito particular me sinto especialmente honrada por estar aqui, porque hoje nós estamos aqui compartilhando com vocês o lançamento de material que foi construído há muitas mãos, e com muito carinho, como devem ser todas as produções coletivas que visam a dignidade de mulheres brasileiras. Esse material, ele é inovador, e ele se difere dos dos demais materiais que já foram produzidos anteriormente a respeito do enfrentamento à violência política de gênero e raça, porque é 1 ferramenta de cuidado e autocuidado em saúde mental para mulheres. A organização o mapa do acolhimento e o projeto entre nós candidatas, viraram 1 chave que é 1 chave muito importante, que é essa chave de compreender a relevância e de centralizar a saúde mental como elemento de suma importância pro enfrentamento à violência política de gênero e raça. Esse material foi elaborado a partir do reconhecimento da importância de tratar sobre os impactos da saúde na saúde mental de mulheres, que se propõe a participar da vida política. E quando eu digo mulheres que se dispõe a participar da vida política, diferentemente do que talvez tenha soado aqui, nós estamos falando de todas as pessoas, de todas as mulheres que decidem ativamente exercer suas prerrogativas da cidadania e reivindicam isso. Então nós estamos falando de mulheres da sociedade civil, em seus em seus bairros e suas comunidades. Nós estamos falando de candidatas e précandidatas, nós estamos falando de parlamentares, eleitoras, cidadãs, militantes, ativistas e defensoras dos direitos humanos também. Ao falar de mulheres, na política aqui nós estamos falando também das sindicalistas, das jornalistas, das servidoras públicas, e de todas as mulheres que possam ser alvo da violência enquanto participam da vida política. Nós entendemos que esses corpos, ao ao adentrarem nessas instâncias de poder, sejam elas quais forem, elas se deparam com os efeitos estruturais e estruturantes do patriarcado e do racismo, que moldam essas instituições, e que muitas vezes atuam como propulsoras da evasão dessas mulheres desses espaços como nós já dissemos aqui antes. Muitas vezes, as dinâmicas de violência sejam elas simbólicas ou concretas, nos abatem, e não e nós não conseguimos né no final das contas continuar atuando, nós não conseguimos continuar resistindo. Nós sabemos disso, nós vivemos isso, eu particularmente sei disso, e eu já vivi isso. Então, é diante desse cenário que nós, por fim, elaboramos esse material, que é 1 material que numa numa primeira parte vai abordar o conceito de violência de gênero, a partir do viés da interseccionalidade que é marcador muito importante pra nós, não só particularmente para cada mulher envolvida, mas também é marcador EAA teoria que orienta a prática feminista do mapa do acolhimento. Além de trazer tipos de de violência de gênero que são basilares e que inauguram também a legislação com perspectiva de gênero e seus desdobramentos nos mecanismos de proteção que contamos hoje pra enfrentar a violência de gênero e raça no âmbito político. Então é muito importante a gente entender, que quando a gente fala de violência de gênero, a gente está falando de 1 violência que é basilar inclusive desse sistema que faz com que a gente esteja aqui hoje falando e tentando enfrentar esse mesmo mecanismo. E é por isso que antes eu falei que é 1 violência que ela é estrutural, mas ela também é estruturante. Então como a gente pode hackear esse sistema né? É fazendo isso que a gente está fazendo aqui numa tarde de terçafeira, apresentando material que é material de cuidado e de autocuidado pra mulheres e aí nessa segunda parte, nós vamos apresentar e abordar quais são os impactos dessas formas de violências, os seus resultados no âmbito sociais e subjetivos, com foco na saúde mental de mulheres. Além disso a gente vai apresentar nesse mesmo material, os possíveis mecanismos que a gente tem de cuidado, autocuidado e algumas práticas que objetivam diminuir esses impactos. Seria muito utópico se eu viesse aqui falando que são estratégias que vão sanar esses impactos porque a gente sabe que a violência ela é fenômeno social e ela se transforma, ela não é estático, ela é fluida. Então nesse mesmo momento que nós estamos aqui articulando dinâmicas de cuidado, provavelmente as dinâmicas de violência já estão se reinventando pra tentar continuar abatendo e removendo mulheres e pessoas negras e outras pessoas diversas desses espaços políticos. Então o que a gente faz nesse material, é propor práticas que objetivam diminuir esses impactos, são práticas de cuidado que tentam garantir vida e vida digna pra nós mulheres e outras pessoas que tentem se envolver e que se identifiquem com o que nós estamos abordando nesse material. E é isso, ao longo dessa segunda parte, todas as pessoas que tiverem acesso e eu gostaria muito de convidar quem guardou esse marca página, retire ele da bolsa, pega o celular, mira aqui nesse QR Code, pra que vocês possam navegar enquanto eu estou falando e vocês entenderem que nós estamos trabalhando. Nós trabalhamos, e foi 1 preocupação que a gente teve, como a Ana Cláudia mencionou, numa dinâmica de design, que seja 1 1 dinâmica de design que é acolhedora, que quando você abrir esse material, você não vai falar assim ai meu Deus mais material gigante pra ler, estou cansada, a gente trabalhou o dia inteiro não quero mais. Pelo contrário, o que a gente desejou, eu não sei se a gente consegue rolar o material da Cartile, navegar. Pode dar 1 rolada aí por favor, Ana Cláudia, pra pra todo mundo ver. É material suave, a fonte é gostosa de ler, há espaçamento interessante entre a entre o conteúdo que está sendo trabalhado. Isso é muito bom, isso é convidativo no final das contas, as trilhas de aprendizado que a gente quer promover, elas também precisam ser cuidadosa com as pessoas que estão envolvidas nesse aprendizado. Então, é isso que eu quero garantir pra vocês que não é material denso, foi material produzido em 1 linguagem extremamente acessível pra que todas as pessoas interessadas possam compreender e ter acesso a essas estratégias de cuidado que, além, no final das contas, eu posso chamar de estratégias de cuidado, estratégias de autocuidado, estratégias de recuperação da autoconfiança, estratégias pra fortalecimento emocional, estratégias pra suporte e validação, e estratégias de fortalecimento de identidade, o que é muito importante, além de estratégias pra redução do isolamento. Todas essas todas essas abordagens que eu falei, conforme vocês forem rolando, lá no final vocês vão ver todas essas estratégias que são estratégias práticas e super viáveis, nada mirabolante, nada que vá exigir 1 transformação radical de vida, pelo contrário, o que a gente quer é poder fazer 1 ação contundente na vida de que todas as pessoas já vivem, né? E através disso a gente promoveu a diferença. Já ouviu o barulho do meu sinal? Essa é a cartilha que eu estou compartilhando com vocês. Convido a vocês, quem está de casa assistindo, talvez a gente possa colocar na descrição da transmissão pra acessar através do link e convido vocês a compartilharem também com as suas parceiras, com as suas companheiras e companheiros de luta também como a deputada disse, a gente utilizar essa voz deles pra promover o que a gente está falando nas nossas lutas e nas nossas intenções e reivindicações de direito. E é isso gente, muito obrigada pela escuta, muito obrigada pela presença de vocês e pelo interesse de vocês também nesse material. Boa tarde.

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