Nayla de Souza

Nayla de Souza

Vereadora de Vinhedo/SP

Últimos Discursos

26 de nov, 19:04

REUNIÃO CONJUNTA

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Tem questionamento mas tem resposta também então, eu só quero dizer dessa dessa questão do reconhecimento, eu tenho muita convicção hoje que eu sou 1 liderança política. E o povo fez isso esse reconhecimento, especialmente as mulheres que se veem reconhecidas, através do voto, a minha é o resultado da eleição foi isso, mas eu estou dizendo eu minha, não achando que é mérito meu isso, não é. Eu entendo que nós estamos, todas envolvidas numa rede caminhando e avançando. E isso é muito concreto, eu tenho convicção de que quando eu fui eleita em 2020 sendo a vereadora mais jovem do meu município, isso se repetiu em vários municípios porque estamos caminhando e avançando em rede. Então eu eu acredito muito e não é à toa também que agora a gente está aqui discutindo, fazendo o lançamento dessa cartilha, que fala sobre cuidado cuidar de saúde mental, cuidar das mulheres, no mesmo momento histórico de que 1 a política nacional de cuidados foi aprovada na Câmara, foi agora pro Senado, então estamos, nessa rede, enfrentando a resistência né de lugares que foram feitos a partir de privilégios né e de proteção entre eles. Obrigada. O colega disse que também.

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26 de nov, 17:54

REUNIÃO CONJUNTA

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Eu quero cumprimentar todas as pessoas, grupos, organizações, todas as mulheres especialmente presentes aqui, na pessoa da professora Vera Marques e quero agradecer a Fiocruz que viabilizou a minha vinda presencialmente pra estar aqui com vocês. Parabenizar pela organização desse evento tão importante. Bom, primeiro assim eu tenho que dizer que é muito emocionante, foi minha primeira vez assistindo também ao documentário e parece que passou mundo de anos assim, parece que foi em outra vida já me assistir falando porque estar na política e isso foi relatado né em alguns depoimentos é processo realmente muito profundo muito complexo parece que até o tempo ele passa de 1 forma diferente na nossa vida e eu vejo que talvez hoje que bom estou tendo essa oportunidade já me colocaria de 1 forma diferente em relação a essas experiências, a essa violência. Quando a gente se torna parlamentar, e eu vivi isso agora, né, nesse primeiro mandato, a gente é muito convidada, a gente mulher é muito convidada pra estar nos espaço pra falar de violência contra a mulher. E eu confesso que durante tempo eu fiquei muito incomodada com isso, porque a gente só recebe convite pra falar de violência contra a mulher. E, eu fiz 1 fala algumas 2 semanas na câmara, dizendo que eu nunca conheci a violência contra a mulher por meio de teoria, eu conheci a violência por experiência em todas as etapas da minha vida desde a infância e de diversas formas, assim como é pra maioria das mulheres, em algum momento da vida a gente conhece a violência sentindo a violência. E aí sempre ser convidada para falar da violência às vezes parece que aquela ferida fica sendo cutucada, e não é fácil falar disso. Mas, eu hoje também cheguei em algum em outro lugar, da importância principalmente, de falar da violência política de gênero. Eu penso até que essa minha meu incômodo era tanto de negação das violências que eu estava vivendo, porque ocupar a política é desafio enorme, a gente pra vencer 1 campanha, a gente passou por muita coisa pra vencer 1 campanha, e aí a hora que a gente chega, a gente tem que de novo enfrentar 1 batalha que não é 1 batalha pela pelo jogo político, pela disputa de ideias, pela pelos dissensos e consensos, pelos projetos que se quer pautar, é 1 batalha pra se defender, pra se proteger, então acho que eu vivi processo também de negação disso, de não eu não não aceito que eu vou ter que parar o que eu estou fazendo, que eu vou ter que parar o que eu vim fazer aqui pra ficar me defendendo. Então, em muitos momentos eu vivi violências que eu fui assim, engolindo não cedendo, não deixando de me posicionar, mas também não dando a devida visibilidade e atenção porque eu queria falar de planejamento urbano, porque eu queria falar do orçamento da minha cidade. E aí respondendo tanto à pergunta, quando eu abri hoje meu bloco de anotação pra me preparar aqui pra falar, eu abri bem numa página do do que eu falei na Câmara há dias atrás, que foi de 1 violência que eu sofri violência política de gênero na minha última semana de candidatura agora nas eleições dia primeiro de outubro, em que eu estava numa reunião de 1 comissão do Conselho de Cultura que foi conselho que só existe graças ao meu mandato, e nessa reunião diretor de cultura, foi grosseiro comigo em vários momentos até chegar ao ápice, quando a reunião finalizou, eu passei ao lado dele e ele gritou na frente das pessoas por 2 vezes, não vai se apaixonar por mim hein vereadora? E nesse momento eu estava passando ao lado dele, eu liguei o celular pra filmar, voltei e comecei a filmálo e pedi pra que ele ele não teve coragem de repetir exatamente o que ele falou mas ele me disse outras coisas. Ele me chamou de de parachoque de comunista, e 1 frase que está anotado aqui, que pra mim faz muito sentido de tudo que a gente está discutindo aqui hoje, é, você está se intrometendo. Aqui, não é pra você vir, você está se intrometendo, o conselho ele é do executivo, você é do legislativo, você não deveria estar aqui. E a questão não é que eu sou do legislativo, a questão é que eu sou mulher. E eles entendem quando nos veem, ainda que talvez não tenham nem coragem de dizer ou de elaborar, que a nossa presença é 1 intromissão. E essa frase ela é muito representativa, você estar se intrometendo. Então, eu eu quero dizer também disso da do do processo de negação, de enfrentar, de dar respostas A a Júlia, a psicóloga, ela falou aqui de 1 questão que às vezes é difícil da gente explicar que é o cálculo político. Eu vivi processo de violência política de gênero, o primeiro processo na minha campanha de 2020 foi após a campanha que veio de dentro do meu partido, como que eu ia falar que o partido que eu acabei de me eleger estava cometendo violência política comigo? Como que eu ia falar? Eu não tinha como dizer isso. E nesse caso que eu vivi agora no dia primeiro de outubro foi caso que eu divulguei nas redes sociais porque eu filmei e divulguei porque eu eu pensei que, não dá pra eu não mostrar pras pessoas, tudo aquilo que a gente enfrenta. Ao mesmo tempo no cálculo político eu sempre pensei que, eu não quero me tornar 1 imagem de 1 vítima. Eu não quero que as pessoas me enxerguem como vítima porque sendo mulher eu preciso provar 1 força, também porque já que somos sempre colocadas como frágeis, eu preciso mostrar que tem força. Então, esse cálculo político, ele exige de nós também 1 disposição mental de pensar estratégias o tempo inteiro. E existe 1 outra questão que vem incumbida nisso, que é o quanto isso nos impacta economicamente também, porque a gente também tem que desprender mais dinheiro, pros nossos cuidados, cuidados de saúde mental. E nos cuidados de se defender. Nesse caso, eu entrei com processo pela primeira vez de violência política de gênero. Processo custa, ele custa caro, e sai do meu bolso. Então, esse é mais fator, além de pensar amorosidade da justiça, o quanto que isso vai ficar me fazendo não esquecer né o que eu vivi, mas eu achei que era extremamente necessário fazer isso. Essa minha campanha agora para a reeleição, foi 1 campanha muito mais dura do que a minha primeira, porque como eu falei no documentário, minha primeira campanha, eu era vista como, está candidatando pela primeira vez, não tem chance, deixa ela lá, ninguém nem se importou. Foi só susto depois, e agora não né, já sabiam do potencial então durante a campanha, eu venci processo de cassação, que corria na justiça que queria caçar o meu mandato, e diversas violências, num dia em que colocaram aqueles incêndios que estavam acontecendo né no Brasil, também aconteceu na minha cidade, e justamente no momento em que estavam incendiando algumas áreas da minha cidade, divulgaram no WhatsApp 1 imagem minha, segurando cartaz que era bora escrito bora colocar fogo em vinhedo, algo que eu achei extremamente grave, e é grave porque a gente está todos os dias trabalhando pra provar competência, pra mostrar resultado acima da média, e aí vem 1 coisa tão baixa e violenta que pode destruir a sua imagem a sua reputação e todo o seu trabalho com muita facilidade. Enfim, me perdia pouco aqui no no que eu estava dizendo. Mas 1 das coisas que eu passei, nesse processo que foi bom, isso aconteceu essa último episódio de violência aconteceu no dia primeiro de outubro, a eleição era no dia 6, e eu vivi esse momento de extremo estresse, violência e aí, bom a minha campanha foi vitoriosa, mas semanas depois aconteceu recentemente 1 caminhada na minha cidade organizada por diversos órgãos, de da violência contra a mulher. E a primeira pessoa que eu encontrei foi o homem que me agrediu. E foi horrível né? É horrível porque como eu disse a gente passa por diversas violências ao longo da vida inteira, e eu não acho que a gente caleja, não acho que existe isso, a gente fica calejada contra a violência, a gente desenvolve estratégias pra lidar, mas cada vez que 1 violência se repete é como se abrisse assim campo mental que a gente relembra e revive tudo que já aconteceu na nossa vida. Então é isso, muito obrigada.

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