
Me linda, eu sou doutoranda em estudos feministas pela Universidade de Coimbra. O meu tema de pesquisa é a violência política, contra as parlamentares. Eu meu público são as deputadas estaduais e as deputadas federais. Está muito difícil acessar as deputadas federais pro campo. E mais entendo né, o momento é muito complicado, e falar desse lugar que é da dor, por mais que elas tenham elas né a gente escuta as deputadas falarem o tempo da violência, parar pra ser entrevistada e revisitar essa dor não é fácil então eu estou entendendo a minha dificuldade de acessar essas deputadas no momento tão conturbado dessa casa né onde o acirramento, com as diferenças têm sido tão grande. Mas aí eu quero trazer só algumas problematizações né de né de quão difícil é esse fenômeno que a gente está trazendo né? Algumas das que eu vi aí no no documentado também fizeram parte do meu campo como a Dani Monteiro. E eu entrevistei várias do nordeste e do sul mas à época das deputadas estaduais, como 1 das minhas hipóteses é que raça agrava os episódios como a LGBTfobia também agrava os episódios da violência né, todas são suscetíveis mas as mulheres negras e as mulheres LGBTs vão sofrer com mais evidência essa, essa esse fenômeno, na gestão na no no pleito passado eram só 14 deputadas estaduais que se autodeclaravam pretas. E eu fiz eu quis fazer recorte não da questão negra como fala o IBGE, né, porque isso é tão problemático no nosso país né que viveu esse mito da viveu ainda vive o mito da democracia racial né? E aí agora como a gente tem cota de financiamento pras pessoas negras, está colocando ponto nefrálgico que nós vamos ter que discutir o que que é raça nesse país, né? Que que é negro, que que é preto, que que é pardo, que que é branco, né? A gente fugiu disso o tempo todo e agora nós vamos ter que discutir porque ou vai pra algumas pessoas a gente vai olhar e falar, opa, fulano está fraudando a cota de raça, ou nós vamos ter que discutir o que que é raça né que que é nesse tal o que que é o classificar como pardo ou não né então é mais dizendo e outra coisa que do meu campo também que eu escutei muito, pras com as deputados estaduais a professora estava falando da dificuldade de de de entrevistar as mulheres da direita, com as deputadas estaduais eu eu tive sucesso muito legal. E aí elas vão trazer outro elemento da violência política que não é essa escancarada que as mulheres da esquerda sofrem, que as mulheres pretas sofrem, né, que é o escárnio Total desse lugar né vocês não pertence a esse lugar mais mais das mulheres da direita eu vi muita daquelas que eram mãe de algum político né é o lugar do não reconhecimento ela pode até chegar na casa ela pode até conseguir cargo mas ela consegue assim o que que falam para elas a esse mandato não é seu ou então né Elas ficam o tempo todo no mandato porque elas escutam assim ah essa é a fulana mãe do beltrano então ela não é a parlamentar ela não é dona do mandato e o de várias eu escutei esse lugar olha eu custei muito ser a parlamentar dona do meu mandato porque todo mundo que dizia não mas ela vai ganhar mas é o marido que vai que vai que vai mandar no mandato né ou de 1 parlamentar que me disse olha teve 1 vez que eu estava na no plenário do lado de deputado, e o telefone dele ele ele liga, pro meu marido, né, ele estava do meu lado, ao invés dele vir negociar o voto comigo, ele ligou para o meu marido e aí de repente o meu telefone toca era o meu marido falando olha fulana acabou de me ligar porque vocês estão de tal votação e é para você botar assim assim assado E ela fala olha que interessante o fulano está aqui do meu lado então por que que o fulano não fala né? Então como que são as nuances da violência política que as terminologias né, vamos ser muito difíceis de da gente enxergar como por exemplo da das das das parlamentares trans, né, que eu ouvi de 1 inclusive aí foi 1 outra deputada que me conta ela falou olha, é tão tão nojento esse lugar que nas rodinhas dos deputados o que eles querem saber se a fulana cortou o pinta ou não, quer dizer, no lugar da política os parlamentares estão preocupados onde que as trans estão colocando seus pintos né cortou no no cortou o que que fez então é muito sério e só para terminar eu queria só colocar outro dado e aí e para mim esse é muito complicado porque o seguinte várias sofrem violência política de várias formas mas na hora que ela vai procurar o registrar ela muitas vezes não está registrando ou sistema de Justiça não está registrando como ato de violência política A então eu sofri a 1 violência psicológica mas não fala que aquela violência psicológica ela é 1 violência psicológica no âmbito da política Então ela é 1 violência política Então como que a gente inclusive precisando passar por letramento E aí fazer isso no Parlamento no geral para que as deputadas comecem ao denunciar denunciar o seu fato nominando o seu o que que elas estão vivendo e até porque alguns assessores jurídicos de deputado 1 disse isso na minha entrevista que os advogados estão orientando para que não registre como violência política que é a questão da nossa companheira operadora falava eu não quero ser vítima eu não quero ser enxergada sobre com essa relação eu não quero dar elemento para que as pessoas falam mas se elas não é quantificado no sistema de justiça pra inclusive pra esses caras serem punidos ou não. Enfim, eu só quis problematizar mais tiquinho aí trazendo pouco da história do meu campo que também, não é fácil. Chorei muitas vezes inclusive como você disse.
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