Delton Aparecido Felipe

Delton Aparecido Felipe

Professor Doutor pela Universidade Estadual de Maringá; Coordenador da Área de Políticas e Ações Afirmativas da ABPN

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27 de nov, 16:44

CÂMARA DOS DEPUTADOS - OUTROS EVENTOS

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A todos e todas, espero que me escutem bem. Estão me escutando bem? Sim. Maravilha, muito obrigado. Quero complementar a a deputada Célia, assim como a todos e todas que compõem essa mesa né? Estou muito feliz de estar aqui, peço desculpa pelo pelo barulho, eu estou ouvindo, foi em Recife, nós estávamos num encontro nacional de de educação pra direitos humanos que nós também temos que pautar, ou seja, esse é mês extremamente intenso pra quem trabalha com as pautas que estamos trabalhando. Mas dito isso, eu acho extremamente importante termos 7 minutos como lembrou meu companheiro e pontuar alguns elementos fundamentais nesse momento. O primeiro que é aquele que a gente tem que lembrar que nós temos aí praticamente 20 anos da existência da lei 10639, né? Nós temos aí mais de 15 anos da lei 11645 e nós temos muita produção que vem nos falando e nos ensinando como tratar as questões étnicoraciais na educação e no currículo. 1 colega que falou antes de mim falou do movimento negro educador, né, e aí a gente pode entender que esse movimento negro, assim como o movimento dos povos indígenas, que vem de certa forma, pontuando formas que a gente pode construir política do bem viver e política do existir. Então, nesse sentido, toda quando eu estou numa mesa que busca falar de educação afrobrasileira indígena, pensando a lei 10639, e a 11645, tem 2 3 elementos que eu acho que é fundamental a gente lembrar, que são as aprendizagens que a gente já teve, nós tivemos ao longo desse processo. A primeira aprendizagem é lembrar que essas 2 leis modificaram a LDB a 93 94. Então, nós não estamos falando de leis que estão fora do arcabouço jurídico que discute a educação nacional, né. Nós estamos falando de leis que estão trabalhando com a educação nacional e é fundamental que os nossos professores e professores e todos os nossos legisladores lembrem de que o não cumprimento da lei 10619, o não cumprimento da lei 11645 é descumprimento da lei de diretrizes da educação nacional. Para além disso, eu gosto sempre de lembrar que a BNCC ela não eliminou essas leis, ela não tirou de fora essas leis. Então é preciso lembrar que nós temos 1 base legal para essa discussão. Outro elemento fundamental está muito no que já citado aqui, né, as diretrizes escrita pela professora Petronilha, a Beatriz Gonçalves e Silva, quando ela diz que trabalhar com educação para as relações étnicoraciais é problematizar os sentimentos de inferioridade e superioridade desenvolvido ao longo da história brasileira, ou seja, para além de bases legais essas leis elas nos fornecem aprendizagem históricas e essas aprendizagem histórica significa que para construirmos 1 educação antirracista, e aí nesse sentido quero louvar né e parabenizar a deputada Célia ao relatar como o racismo opera sob os corpos dos indígenas porque é preciso compreender que não existe 1 educação antirracista sem entendermos como o racismo funciona no Brasil, nas suas múltiplas formas e múltiplas maneira. Não existe antirracista você está afirmando que o racismo no Brasil ele é mais cordial do que o racismo nos Estados Unidos, racismo na África do Sul, é preciso compreender como esse racismo opera nas suas múltiplas formas. E esse racismo opera dentro dos livros didáticos, na seleção dos conteúdos, inclusive na presença daqueles que vão educar ou não. E aí nesse sentido eu gostaria de conversar inclusive com colega que falou anterior a mim e afirmar que ação afirmativa no ensino superior é fundamental para a construção de 1 educação antirracista na educação básica, afinal de contas temos profissionais negros e indígenas formados operacionalizando a educação, produzindo conhecimento que vem a partir do ensino superior, ou seja, não são 2 coisas atuais. O projeto de ação afirmativa precisa contemplar a educação básica ao ensino superior para que a gente consiga romper com esse racismo histórico que está aí. E aí nós não podemos esquecer que o terceiro elemento para ir para o meu finalizar cumprindo assim os meus 7 minutos é entender que mais do que pensar práticas pedagógicas que são fundamentais pra gente problematizar 1 educação antirracista, 1 educação para as relações antirraciais, nós precisamos também problematizar qual é a mentalidade que sustenta, né, sustenta o racismo no Brasil, ou seja, é possível que alguém queira muitas vezes organizar 1 prática pedagógica, mas essa prática pedagógica está sustentada ainda no racismo. Vide o 20 de novembro que ainda a gente tem experiências e práticas pedagógicas que coloca o Bombril na cabeça de crianças brancas para literalmente simular o cabelo negro, ou que nós aplicamos o rosto de crianças brancas para simular negros indígenas. Então é fundamental lembrar que nós estamos trabalhando com a mentalidade racista que precisa ser problematizada a todo momento. Então no plano nacional de educação ele precisa voltar do 0 do 0 e mais do que essas leis nós tínhamos já aqueles que propuseram essa discussão e aí eu estou pensando em Lilélia Gonzales, Abdias Nascimento e todos aqueles que propuseram essas leis. Sendo assim, mais 1 vez agradeço a escuta e o momento de fala, né, e agradeço a partilha por estar mais 1 vez me fortalecendo aqui com os colegas que estão pautando a educação antirracista. Muito obrigado a todos pelo momento de escuta, pelo momento de fala e sobretudo pelo momento de fortalecimento. Gratidão.

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