
Primeiramente eu queria agradecer né a oportunidade de estar aqui, e aí eu gostaria de deixar como considerações finais, a a urgência né e é de investimento na valorização das diferenças né? Muitos dos conflitos que acontecem nas escolas tem a ver com a dificuldade né que a gente tem no âmbito social da sociedade como todo de debater e vivenciar né 1 sociedade marcada pela pluralidade. Né? Então é muito importante esse investimento. Pra além disso né reforça a importância da gente tratar a violência como objeto de estudo e reflexão da escola para a escola junto com a escola né? Esse é instrumento fundamental né nesse sentido porque só assim a gente vai parar de naturalizar práticas de violência no cotidiano. E também né obviamente né se a gente quer investimento em política de valorização da diferença e de 1 valorização de pensar sobre né o que é essa violência que já habita a escola, 1 valorização da escola da docência né desse ambiente né da instituição escolar como todo então, acredito que nesse processo a gente vai construir políticas públicas que tenham a escola como objeto central e aquilo que ao entorno da escola como objeto central, né das suas problematizações então agradeço muito obrigada.
Certo, eu acho que Marina fez, obrigada Marina pelas considerações. Primeiro eu acho que no campo vou vou começar pela última parte que você falou, no campo da formação docente né? Primeiro a gente nós docentes né temos 1 certa ansiedade de resolução né e pensando às vezes muitas vezes que a formação talvez a formação inicial ela vai ser capaz da conta de tudo né mas que a formação inicial não vai ser capaz da conta de tudo mas né eu acredito que cada vez mais a formação ela tem olhado pra pensar a escola né e tentando integrar cada vez mais escola e universidade então eu acho que esse é ponto fundamental né que a gente consegue pensar em caminhos pra reduzir problemas ligados à violência na escola tem a ver com cada vez mais a universidade e a escola estarem em diálogo constante, né? E aí avançando pouco nesse sentido, né pensar também o como que a gente leva o estudante da licenciatura pra escola como que é feito esse contato né o que que a gente pode contribuir e aí fomentar também na universidade 1 reflexão sobre a escola, mas também trazendo a escola pra pensar junto com a universidade. Né? Acho que esse é ponto importante. E acho que o investimento em formação continuada é fundamental também nesse aspecto, porque a formação ela vai ser, ela é necessária porque existem questões que vão aparecer né no chão da escola, né e a gente precisa cada vez mais investir nesses processos. Das estratégias acho que a professora Thelma antes falou algo fundamental, que é esse investimento no no clima escolar mas na produção de 1 cultura escolar que abre espaço pro diálogo. Então eu acho que assim, quanto mais esses sujeitos né que participam da escola, eles têm a possibilidade né, de de falar né de interagir e aí né acredito né, que tanto questões transversalizadas porque elas trazem a potencialidade né de que dentro dos diferentes espaços da escola essa discussão ocorra né mas também de projetos integrados que ocorram dentro da escola né? Penso que não não apenas né que a gente pode não não precisa trabalhar apenas num único mecanismo mas diferentes mecanismos pra trabalhar essa discussão sobre a violência na escola. Passar a palavra pra professora Thelma. Professora
Boa tarde, estão todos me ouvindo? Boa noite né já? Estamos ouvindo. Certo. Só queria fazer 1 correção. Eu sou pós autora pela Universidade Federal de Juiz de Fora tá? Não sou professora da instituição, só pra deixar claro Agradeço. O meu corrigido. O meu slide está aparecendo? Sim. Sim, perfeito. Então, hoje eu vou complementar essa mesa, falando pouco sobre esse processo de judicialização dos conflitos escolares, e como que isso se relaciona com esse fenômeno da violência da escola. Né? A gente já falou aqui ao longo da mesa sobre violência na escola e sobre outras formas de violência, mas eu queria entrar pouco a fundo esse que é tema que a gente vem discutindo bastante no grupo de estudos sobre violência escolar que é o Geves da UERJ FFP coordenado pela professora Pâmela Esteves. Então 1 problemática importante aqui pra gente começar é situar né e eu vou tentar não me estender em coisas que já foram ditas, né mas que essa violência ela a escola ela é violência. Ou a escola está violenta né? Eu acho que essas são questões que a gente pode se perguntar né? No sentido de que já foram ditos sobre os ataques que aconteceram e vem acontecendo repetindo as escolas né? Eles são fenômeno novo, enquanto ataques que podem, que extrapolam lugar, mas a gente pode pensar que a violência ela está presente no universo escolar, então quando a gente fala de violência escolar a gente pode se tornar em pelo menos 3 tipos de violências, as violências na escola, as violências da escola e a violência à escola, aquela que é contra a escola. Então dentro desse conjunto de violências escolares e aí a Priscila falou pouco sobre a violência na escola, né, também, a gente pode pensar que violência na escola é tudo aquilo que é produzido, né, dentro do cotidiano escolar, né, de alguma forma a partir das relações escolares e aí entendendo que a escola ela não é 1 bolha ou nenhum objeto à parte da sociedade como todo, né, dentro da escola a gente vai ter conjunto de questões que habitam a sociedade e que vão participar da escola também. Então nesses processos de violência na escola a gente observa muitas vezes por exemplo situações que envolvem preconceitos, discriminações, intolerâncias religiosas, questões que envolvem racismo, enfim, 1 série desses preconceitos que já estão fora das da sociedade, na sociedade como todo perdão, e que dentro da escola eles vão explodir como fenômenos de violências na escola. Existe outro conjunto de violências escolares que são as violências da escola né, são aquelas violências que são produzidas pela instituição escolar e direcionada aos estudantes e funcionários, então eu posso pensar como 1 violência da escola quando a gente tem regras totalmente impositiva, sem diálogos com a humanidade, impostos de 1 forma vertical, eu posso pensar nisso quando a ação pra resolver 1 questão de indisciplina, é o grito, é 1 punição, sem diálogo, sem 1 1 discussão sobre o que está acontecendo né, e 1 violência à escola né, que são aquelas violetas que são produzidas contra a instituição escolar né, então que são processos onde a gente tem por exemplo a escola sendo depredada, a escola ser roubada, furtada, o prédio da escola ser destruído, mas não somente num campo material da escola. Eu posso pensar como 1 violência à escola também é processo onde professor é agredido, onde gestor da escola está sendo agredido dentro desse processo educativo né então tem algo que acontece e são múltiplas violências que ocorrem dentro da da escola que podem vir a ocorrer. E aí 1 questão importante é pra gente pensar como que a escola atua né nesses diferentes casos de violências. Então existem inúmeros caminhos que a escola pode vir a atuar. Num num ponto assim a gente já limpou aqui 3 3 tópicos né que representam essa atuação da escola. O primeiro é quando a escola acaba potencializando o conflito ou seja, quando a escola ela desenvolve concepções de justiça em que ela utiliza esse conflito pra discutir, então quando por exemplo a escola se depara com 1 situação de 1 violência que envolve por exemplo a questão racial, e a escola ao invés de pegar essa situação e guardar, a escola vai promover 1 grande discussão pra gente falar sobre racismo, entender o que que é racismo, que que implica ter 1 fala, 1 ação racista, discriminatória, qual é a problemática disso na sociedade então a escola vai potencializar esse conflito, né e pensar justiça junto com esses estudantes junto com a comunidade escolar. Outro ponto eu já meio que falei antes, mas tem a ver quando a escola ignora ou nega o conflito, quando a escola, vou continuar no mesmo exemplo, quando a escola numa situação de racismo ela ignora o que está sendo, o que está acontecendo, a escola acaba contribuindo pra construção de situações de injustiça, porque aqueles sujeitos que sofreram por exemplo o racismo ou que tiveram falas racistas, aquilo que não foi discutido, aquilo que não foi trabalhado aquilo vai ter passar como 1 injustiça e pode vir a se reproduzir, a se alimentar dentro daquele cotidiano escolar. E 1 outra forma né que a gente observa de atuação da escola né nesses casos de violência é através do mecanismo da judicialização, então quando a escola ao invés de tentar lidar com esse conflito, de tentar trabalhar com esse conflito, com essa violência que está acontecendo dentro dela, ela opta por procedimentalizar esse conflito né, e ela vai judicializar ele então a escola vai acionar o Conselho Tutelar, então ocorrem 1 série de processos onde a a instituição justiça ela vai ser convocada a resolver esse problema que a escola não está conseguindo resolver. E aí né, pra gente falar pouco sobre a potencialização do conflito que eu acho que é a aposta que a gente faz, não potencialização num sentido né de, visibilizar o conflito num sentido negativo, mas de escutar esse conflito né, entender o porquê que esse conflito está se desenvolvendo no espaço escolar, que que está acontecendo ali o que que tem por trás desse conflito né? Entender exatamente que tipo de processo está ocorrendo, e aí a partir desse momento, o conflito né esse caso específico ou pequenos casos né, eles tornam instrumento pedagógico, a escola passa a entender que ela precisa falar sobre violência né porque quando a gente não fala sobre violência, a violência ela fica posta no cotidiano pelo não dito, e aí eu tenho problema em relação a isso, que é quando a violência se torna algo naturalizado né quando a gente não reflete sobre algo tem problema diante disso, então quando a escola potencializa esse conflito, ela tem a possibilidade de transformar algo que seria apenas 1 questão num caminho reflexivo né, de transformar isso num objeto né, pra ser pensado coletivamente. Quando a gente fala da negação do conflito né, geralmente esse é o caminho mais recorrente né, e aí é muito comum né, a gente ouvir relatos né, isso aparece também nas pesquisas né de educação falando por exemplo de quando você entra na escola e vai conversar com os professores, com os gestores e aí é 1 ambiente muitas vezes tá, de negar o conflito falar não, a gente não tem esse tipo de problema aqui tudo acontece e daí quando a gente vai à prática observar o que acontece no cotidiano escolar, a gente observa que ainda tem assim né? Existem 1 série de questões que estão ali acontecendo, Isso acaba sendo pior alternativa porque ela gera ambiente de impunidade, ela gera ambiente de normalização da injustiça, de normalização da violência e isso permite em determinados níveis que a violência acabe escalando né dentro do ambiente escolar, porque se a gente não tem 1 discussão sobre né a violência que está acontecendo, ela tem potencial de ser escalonável enfim dela ou dela se repetir constantemente ou então dela crescer a ponto maior. E a judicialização desses conflitos né que a gente já falou que eu falei antes, ela vai demonstrar em em 1 instância também 1 dificuldade da instituição escolar de administrar esses conflitos né? O que leva a judicialização, é 1 situação extrema ou são pequenas questões que a escola não está conseguindo resolver, o que que significa judicializar, por que que a gente judicializa, hoje em dia a gente vive 1 cultura não só no canto educacional, mas na sociedade como todo de judicialização da nossa vida, então determinadas ações em que a gente não não vê o nosso direito garantido, resguardado, nós judicializamos esses processos, então mas né significa que a gente está tendo 1 dificuldade no procedimento aqui pedagógico de resolver esses problemas. E aí como que a gente traça esse caminho né da judicialização né? A gente está falando de 1 crise né do poder legislativo que acaba sendo a o principal motivo pra judicialização, então o enfraquecimento dessa ideia do que que é a norma, do que que é a lei e né AA0 discurso né da impunidade que cresce na sociedade e acaba se tornando motor também pra essa judicialização, mas também 1 descrença na ideia de que o estado consegue garantir né os direitos dos cidadãos e de todos esses cidadãos, né a judicialização dessas relações escolares ocorre também né, quando o poder judiciário se expande pra dentro do cotidiano escolar, e aí a gente tem que entender que isso não precisa ser necessariamente problema em si, mas se torna 1 questão quando a escola para de administrar os conflitos que estão dentro dela, e isso vai levar 1 série de intervenções nos conflitos escolares, que que que eu estou chamando atenção aqui, que que a gente nos chefes pensa sobre isso né, e tem lugar da escola enquanto caminho pedagógico que se perde desse processo né, da escola enquanto lugar de reflexão, de pensamento né, de diálogo sobre a violência ela perde algo nesse processo. Então a lógica judicial ela acaba funcionando dentro da da escola como caminho de manutenção da ordem, então ao invés de a gente se perguntar que ordem é essa que a gente está querendo manter dentro da escola, se esse é o melhor caminho para manutenção de 1 certa estabilidade das relações e aí a gente pode pensar em várias questões do que que são estabilidade das relações escolares que a gente está vivenciando dentro da escola, porque que a lógica da judicialização precisa ser o caminho de manutenção, né? E aí a gente ainda tem muito processo de pensar senso de justiça muito ligado na defesa de 1 lógica punitiva e culpabilística, então a a judicialização entra atrelada a esse processo também, né? E aí né acaba que a gente vai ter os caminhos pra resoluções de conflitos escolares cada vez mais baseados em instâncias como a ação do Conselho Tutelar, o Ministério Público, a justiça e a delegacia e pouco, em poucas vezes né a escola sendo convocada de novo a pensar né, isso é o que a gente tem observado em pesquisa. E aí 1 consequência dessa judicialização crescente dentro da educação né? Que é o recurso da judicialização dos conflitos ele vai reforçar lugar de desqualificação institucional escolar, né onde a escola ela acaba sendo destituída da sua autoridade provocando esvaziamento da potencialidade da autonomia que permeia a escola quando episódios e conflitos entre pares na escola se deslocam cada vez mais no campo pedagógico para jurídico, então a gente pode pensar por exemplo no fenômeno do bullying que acontece nas escolas e como que o bullying muitas vezes acaba sendo judicializado, e isso tem a ver com processos que são anteriores, então se antes eu falei sobre né, a escola aproveitar o conflito como potencialidade, quando que a escola vai judicializar? Quando ele vem de processo em que o conflito ele vem sendo ignorado, vem sendo naturalizado até ponto em que ele chega às vias judiciais, certo? E aí quais são alternativas possíveis que a gente pensa pra evitar esse excesso de judicialização né? É muito importante deixar claro né, que a judicialização em alguns casos ela é importante, mas a gente está eu estou falando aqui sobre o acesso né, então primeiro 1 aposta na justiça restaurativa né pra construção de 1 cultura de paz dentro do ambiente escolar então a gente tem que pensar em mecanismo de pensar o que que é a concepção de justiça que a gente está falando dentro do contexto escolar e como que a gente pode pensar numa cultura de paz, entendendo que existem vários conflitos dentro da sociedade, que existem várias questões sociais e que a escola não está a parte dela e construir 1 escola pautada por 1 concepção de justiça, 1 concepção de justiça que é também dialógica né, que permita o compartilhamento de ideias, mas que também permita a reflexão sobre as ideias e tem algo fundamental nisso, se a gente analisar muitas vezes muitos desses casos de violências que ocorrem na escola eles têm a ver também com a dificuldade que as instituições e os voluntários têm de lidar com a diferença, não só as instituições mas os sujeitos que integram as instituições como todo. Então, fechando nessa fala, infelizmente a escola ela ainda busca modelo retributivo que educa pela punição e recorre à lei como instrumento absoluto da verdade e da justiça, a diferença ela desafia a escola construindo e reconstruindo situações de conflitos que 1 vez desnecessariamente judicializadas são procedmentalizadas através de 1 lógica penal jogadora que ao invés de problematizar como os conflitos são produzidos se concentra apenas na legalidade das práticas que são regulamentadas, então, muitas vezes o que falta na escola é a produção do ambiente né de construção de diálogo, de discussão sobre os problemas que levam à violência, como por exemplo o racismo, como por exemplo as questões ligadas à LGBTfobia, como a intolerância religiosa e 1 série de outras questões que são palco e muitas vezes se estouram enquanto violência dentro da escola, isso ocorre porque existe 1 ausência de discussão e não é só por conta da escola a gente tem problemas curriculares relacionados à políticas, a gente tem enfrentamentos de discursos que entram na escola e 1 série de outras questões e tensões que fazem com que a escola não consiga discutir essas questões devidamente e acabe né e muitos casos judicializando problemas ignorando conflitos e não potencializando conflitos como a gente acredita. Certo? Obrigada gente.
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