Janecleia Sueli Maia

Janecleia Sueli Maia

Estudante - UNEB

Últimos Discursos

28 de nov, 16:33

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL

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Eu quero agradecer muito pelo espaço que foi me dado, e quero dizer que todas as pessoas que lutam pelos seus direitos pelos seus sonhos assim como eu luto pelos meus que nunca desistam, nunca desistam que não é a opinião do outro não é 1 ver o o ver do outro que vai dizer quem eu sou quem eu deixei de ser. Durante toda a minha vida eu me enxerguei e me enxergo como parda não apenas pela condição da pele, que eu acho que isso como os senhores todos falaram, isso é totalmente desconsiderado porque se nós somos altamente mestiços não tem por quê, eu me enquadrar em em essa ou aquela cor, isso é apenas rótulo que algumas sociedades criaram e tentam excluir a gente escola pública, sempre sobrevivi com o que os outros nos dão, nunca foi com a condição máxima de ter isso ou aquilo então eu me enxergo parda me enxergarei enquanto viver. E digo a todas as pessoas que assim como eu pensam dessa forma que lutem lutem pelos seus direitos faça como eu fiquei muito desesperada no dia que fui excluída após 12 anos de minha vida tentando lavando roupa fazendo serviço de de doméstica de tudo que nunca me envergonhei e nem vou me envergonhar e continuo fazendo porque tenho que complementar vim pra longe de minha cidade de minha família vivo aqui sobrevivo com auxílio moradia e recebo essa ajuda quando vou de férias à minha casa e fico trabalhando novamente como lavadeira, como passadeira e vou me orgulhar a vida inteira disso então eu digo para essas pessoas que assim como eu não tem condições financeiras mas que tem sonhos que aos olhos dos que podem né dos que têm a condição financeira que são mais afastados aos olhos deles que nós não podemos não ingressar em canto nenhum que acha que é a cota que vai nos deixar ali, não nós não somos não devemos ser desmerecidos por nada é o nosso mérito assim como eu entrei na universidade mesmo passando muito tempo vindo de de instituição pública a vida inteira, Eu agradeço muito muito por tudo, sou merecedora como todos os outros são e digo continuem lutem assim como eu estou lutando E muito obrigada a todos muito obrigada de coração que a minha história sirva de exemplo pra todos.

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28 de nov, 15:22

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL

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Sim eu, passei desde minha infância e toda a minha vida o meu sonho foi cursar medicina, porém minha família de baixa renda extrema baixa renda, sempre vivi com com o pouco do pouco, então não não tinha condições de cursar 1 faculdade, que fosse paga. Então passei a minha, não consegui passar ainda quantos quando jovem me casei muito jovem e fui trabalhar e então depois de certo tempo certo tempo voltei a estudar estudar em casa pra tentar medicina. Passei 12 anos de minha vida estudando, consegui passar pelo vestibular tradicional na Universidade Estadual da Bahia. Sou aluno sou regressa do ensino público minha vida inteira sou de família de baixa renda e sou baixa renda mãe avó também E quando passei, que eu prestei o vestibular em 2022, final de 2022, prestei o vestibular depois de 1 situação bastante difícil na minha vida que foi a perda de meu pai poucos meses depois eu fui fazer o vestibular, sem esperança nenhuma mas, consegui passar graças a Deus consegui passar e então vim fazer minha matrícula. Fui convocado pra fazer a matrícula como o doutor Reinaldo falou eu não tinha dinheiro nem pra vir entregar a documentação. Foi que arranjaram e eu vim entregar a documentação inteira entreguei a documentação toda, fiz a autodeclaração por documento que era exigido pela faculdade e o documento quem fornecia era a própria faculdade a UNEB. Fiz essas essa autodeclaração frente a 1 comissão de matrícula, passei por essa comissão eles avaliaram pegaram todos os meus documentos, com fiz a matrícula e fiquei aguardando 1 semana a resposta deles, se seria efetivada ou não a minha matrícula. Por conta da autodeclaração porque a cota que eu me encaixo é autodeclaração baixa renda e escola pública a vida inteira. E então entreguei tudo isso e fui embora voltei pra pra minha cidade e fiquei aguardando. 1 semana depois, recebi o resultado de que estava tudo legal tudo confirmado eu vim, efetivei minha matrícula e comecei a estudar, em março de 2023. Decorridos, ano e meio já estava no final do terceiro semestre, a faculdade montou 1 banca de heteroidentificação que não existia a faculdade tem mais de 40 anos nunca havia feito 1 banca de heteroidentificação, criou essa banca da noite para o dia, me convocaram, intimaram praticamente a comparecer a essa banca e eu fui muito nervosa não sabia o que estava acontecendo e fiquei frente a 5 pessoas em 1 sala bastante clara, e essas pessoas me colocaram de frente computador, me deram papel pra que eu segurasse assim, segurasse o papel dessa maneira assim, com os meus dados né minha matrícula e meu nome completo e eu dissesse eu Jane Cleia Sueli Maia Martins me autodeclaro preta da cor parda e eu disse não, eu não me autodeclarei preta moça, Eu me me autodeclaro parda porque é assim que eu me enxergo a vida inteira eu me declaro parda. Aí ela foi e disse não você não pode falar assim. Você tem que falar do jeito que está aí nesse papel, que tinha outro papel na frente. Aí eu fui e fiz do jeito que ela disse, eles gravaram tudo, e depois aí eu fui e disse moça mas por que que estão fazendo isso? Aí ela disse a gente não está aqui pra lhe dar explicações. Você só tem que passar pela banca nós só somos os avaliadores e pronto aí passei por essa banca e quando foi no final do dia do mesmo dia saiu o resultado contestando a minha autodeclaração dizendo que tinha sido anulada. Aí eu entrei com recurso fiquei muito desesperada nesse dia, entrei com recurso e 2 dias depois negaram o meu recurso. E pouquinho acho que 1 semana me expulsaram. Me expulsaram da faculdade eu soube porque amigo foi que virou pra mim e disse você sabia que você foi teve sua matrícula cancelada? Aí eu fiquei muito desesperada. Divulgaram no Diário Oficial o o pessoal jogou na internet, colocou que eu era 1 que tinha fraudado, enfim foi desespero geral. E aí eu fiquei fui expulsa da faculdade e fiquei sem ninguém pra ter ter como me defender que eu não tinha condições nenhuma tinha que aguardar pelo Ministério Público e foi aí que surgiu a ONG na minha vida graças a Deus. E o doutor Reinaldo fez a a minha defesa brilhantemente e me restaurou a faculdade. Graças a Deus eu voltei mas voltei numa condição assim bem debilitada porque ele nesse pouco tempo que eu fiquei fora e fiquei muito mal, minha cabeça ficou muito ruim eu não dormia não comia, perdi muito peso até hoje eu eu sofro muito qualquer coisa que vão me dizer eu fique toda me tremendo, acho que eu estou errada, que vão me expulsar novamente. Enfim foi abalo total na minha vida. E resumindo, eu não creio que seja justo o que se faz, O que o que se faz com a população autodeclarada. Porque não é, como todos os senhores falaram, não é 1 a cor o meu fenótipo que vai me definir. A minha vida inteira eu vivi sob condições muito precárias, minha vida inteira eu me enxerguei e me vejo como parda e não é outra pessoa que vai dizer qual é a minha condição. Então eu espero que o o meu o que eu passei e que ainda estou passando né porque não finalizou ainda o processo, que não não aconteça com outras pessoas porque é muito ruim muito ruim a pessoa se sente de lixo. É muito difícil. Até agora. Quando eu falo eu fico muito mal Perdão senhor Perdão que isso sirva de exemplo que outras pessoas assim como eu aos 50 e anos que eu estou hoje passar por 1 vergonha dessa ser chamada de de errada desonesta 1 coisa que eu nunca fui na minha vida. Que mais ninguém possa passar por isso que eu consiga me formar consiga trabalhar ajudar muita gente muitas pessoas que assim como eu não têm condições de fazer muito que eu possa ajudar a todos pra poder diminuir essa desigualdade da maneira que eu vou servir à sociedade. Muito obrigada a todos os senhores por me dar essa oportunidade de de falar e peço desculpas pela emoção porque isso me abala muito até hoje eu eu fico assim, todas as vezes que eu falo nisso eu fico muito nervosa porque eu fico pensando que a qualquer hora pode acontecer tudo novamente, e eu ser expulsa. Muito obrigada a todos vocês. A todos os senhores muito obrigada.

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28 de nov, 15:21

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL

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Boa tarde. Meu nome é Jane Cleia Sueli Maia Martins. 1 mulher parda. 50 e anos. Tenho cabelos longos, ondulados, pretos, e pele parda tem metro e 65 de altura, e estou vestindo 1 blusa preta. A minha história, é bastante longa mas eu vou tentar resumir nesses 7 minutos. Me ouvem?

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