
Bom dia a todos estão me ouvindo? O som? Estamos. Está ok som? Bom dia a todos que momento histórico. Eu fico feliz de poder estar vivendo esse momento. E vou iniciar com poema, 13 de maio. 13 de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão. Liberdade de asas quebradas como esse verso. Liberdade asa sem corpo, sufoca no ar se afoga no mar. 13 de maio, já dia 14, o y da encruzilhada. Seguir, banzar, voltar? Dia 13 de maio já dia 14, a resposta gritante, pedir, servir, calar. O que fomos de adubo, o que fomos de sola, o que fomos de burros cargueiros. O que fomos de resto, o que fomos de pasto, senzala, porão, chiqueime. Nem com pergaminho, nem pena de ninho, nem cofre de couro nem com lei de ouro, o que fomos de seiva de base de Atlas. E eu só pra ilustrar e iniciar minha fala com esse poema que foi escrito em 1969 por Oliveira Silveira, essa inquietação do 13 já estava gritando nele e foi então desenhada nesse poema, gritada nesse poema 13 de maio, 1 data que não tinha significado algum pra comunidade nele. Nele. Esse primeiro dia 20 feriado, é pra dignificar aqueles que vieram antes de nós, os que estão na labuta e principalmente pelos que virão. Esse solo foi encharcado com sangue negro, mas esse solo se tornou fértil. Agora, os frutos estão brotando. Que momento? Que momento histórico nós negros estamos vivendo? Porque ele cala em nós, ele cala em nossos corações. É 1 dívida que não tem peso. Mas nós estamos galgando os nossos objetivos através das cotas, Através da nossa cultura, participei semana passada do momento muito lindo proporcionado pela fundação Palmares através do meu amigo joão Jorge. Eu voltei do Quilombo renovada. E muito emocionada. Dá sentido a todas as nossas lutas. Quem vai no Quilombo de Palmares recebe banho de espiritualidade de ancestralidade. Que momento. Eu agradeço imensamente todas as homenagens que meu pai tem recebido, certamente ele está muito feliz com esse reconhecimento, e aliviado entre aspas, porque finalmente nosso ouvinte foi reconhecido nacionalmente. Ouvinte que é gaúcho. Tchê, muito obrigada. Obrigada.
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