
Bom dia a todos e todas. Quero saudar os parlamentares na mesa, o deputado Vicitinho, a deputada Reginete, a deputada Dandara e a vereadora eleita Júlia. Ela pessoa dos parlamentares eu saúdo a todos e todas. Eu elaborei, pequeno texto, eu não não compreendo tal como discurso, mas acredito que seja a altura do momento. E assim eu começo. Para enxergar o Brasil, de corpo inteiro, é preciso descer as raízes de sua terra. Revirar o solo onde o passado da escravidão finca às suas garras mais profundas. Não há como compreender este país sem enfrentar de frente esse período. Essa pedra fundadora das nossas desigualdades. Essa sombra que ainda nos cobre com sua violência e injustiça. A história tantas vezes silenciada, tantas vezes adulterada escorre pelos livros e pelos discursos, moldando a forma como vivemos, trabalhamos e sonhamos. Revisitar essa história não é tarefa de quem teme sujar as mãos. É preciso coragem pra rasgar o tecido das narrativas oficiais, que há tanto tempo servem pra justificar privilégios e perpetuar exclusões. Reconhecer que a escravidão foi o alicerce da política, da economia, da cultura deste país, é enfrentar o que se tenta apagar, que as desigualdades não são obra do acaso, mas de projeto que escolheu enriquecer uns à custa de muitos. Sem esse olhar, sem essa nitidez, continuaremos reféns dos mitos que mascaram as raízes do que somos. A justiça social nasce quando se desfazem as amarras que mantêm negros, pobres, presos ao mesmo chão de onde se arrancam suas sobrevivências. É preciso ir além do simbolismo, é fundamental construir políticas que igualem, que incluam, que deem substância ao que chamamos de democracia. Nesse sentido, a oficialização do 20 de novembro como feriado nacional é mais do que 1 data, é chamado. Celebrar zumbi, Dandara, os quilombolas e suas insurgências não é apenas recordar, é resistir. É desafiar o esquecimento que tentaram nos impor. Afirmar que a memória também é campo de batalha. Esse dia não veio como dádiva, mas como conquista. É fruto da luta incessante de homens, mulheres e sexo diversos, figuras como Mulher Gonzalez, Abdias, Beatriz Nascimento. E tantos outros. É fruto do do da luta de movimentos sociais como o movimento negro Unificado, como o Grupo Palmares e tantas outras organizações que cotidianamente constrói essa escola democrática que é o grande movimento negro brasileiro, e que ordem suas vozes e suas histórias. A abolição, quando vista sobre essa luz, revela outra face. Não foi presente das elites, foi tomada pelas mãos daqueles e daquelas que nunca aceitaram as correntes. Reconhecer isso é desmontar o pilar de mentiras que ainda sustenta o edifício da desigualdade. É essencial entender que na nossa história não é apenas sobre dor, mas também força, resiliência, compromisso. Força que sempre desafiou as estruturas, que sempre fez nascer esperanças mesmo nos lugares mais áridos. Sem memória, nós perdemos. Sem verdade, nos enganamos. Sem justiça, permanecemos presos às mesmas correntes, disfarçadas de novas formas. O dia da consciência negra nos pede mais do que celebração. Ela nos pede 1 reflexão sincera sobre o país que estamos construindo, e que ainda precisamos avançar. Ele nos lembra que não podemos fechar os olhos às lutas da população negra que são no fundo a luta de todos e todas nesse país. Cada de nós carrega em si a responsabilidade de mudar, questionar privilégios, apoiar políticas que promovam igualdade e buscar justiça. É isso que se espera de quem não aceita a inércia. Somente encarando o nosso passado sem medo, e nosso presente sem ilusões, poderemos abrir o caminho para futuro mais justo. E como a terra que se regenera após a queimada, sem a força coletiva que nos guiará na reconstrução de 1 nação, pode todos enfim possam florescer. Muito obrigado. Obrigada.
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