Guilherme de Almeida

Guilherme de Almeida

Presidente - Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas

Últimos Discursos

03 de dez, 12:24

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO

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Deputada, tenho que dizer que fiquei muito feliz com o que eu vi aqui, pelo engajamento que o governo tem demonstrado em relação não só à pauta da pessoa autista mas da pessoa com deficiência como todo, né? Enquanto o o Rubens lá certo né falava, foi de fato ver ali as provas acessíveis em libras também haviam as provas em em Braile 1 série de coisas né, então acho que é avanço muito importante, o Enem em si é avanço perto dos vestibulares que historicamente tínhamos e fora muito excludente, porque essa foi a finalidade da criação dos vestibulares, né? Excluir, não poder selecionar as pessoas a partir das suas capacidades, né? Como prever a Constituição Federal. Então fico muito feliz, ainda há coisas a se fazer né, da mesma forma que eu observei essas provas já com acessibilidade, os sites do governo né, não têm acessibilidade plena, eles têm no máximo se eu não me engano libras, né? E é necessário investimento maior em tecnologia, em acessibilidade virtual, em linguagem simples, né, pra que todas as pessoas possam ter acesso, especialmente em temas sensíveis do governo né e e autistas com pessoas com maiores desafios sejam cognitivos, intelectuais né, isso é muito importante. Também fico muito feliz com a fala do do do diretor da de PEC da Alexandre Macurunga né pelas realizações da da CECADI que renasceu nesse governo né, né, trazendo 1 série de ações contundentes no sentido de garantir a inclusão e o acesso à permanência e à terminalidade, É fundamental a gente pensar nos processos que garantem o acesso, estamos muito avançados quando nesse sentido, precisamos ainda ficar atentos quanto aos processos que garantem a permanência, né, e a criminalidade dos custos. De forma geral, termino por cumprimentar a deputada mais 1 vez, estou aqui encantado falando como educador, né, acho que poucas vezes a gente teve a oportunidade de debater com 1 pessoa tão preparada assim, então eu fico muito feliz que a senhora esteja conduzindo os trabalhos, e tanto eu como pessoa física quanto autistas do Brasil, seguimos à sua disposição, e à disposição dos demais órgãos aqui participantes. Parabéns. Muito obrigada.

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03 de dez, 11:08

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO

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A todos e a todas, é pra mim 1 honra estar aqui com vocês, especialmente ao convite da deputada Socorro Neri, que é 1 educadora, e eu acho que em nenhum momento, em outro momento que eu participei de audiência pública na Câmara, eu tive essa alegria de encontrar 1 educadora como eu, numa posição de liderança e conduzir trabalho tão importante e fundamental com a deputada conduz, né? Gostaria de me autodescrever, eu sou homem branco, de cabelos castanhos curtos, uso headphone, tenho olhos castanhos pequenos, nariz médio, boca pequena, bala por fazer, estou usando 1 camiseta cinza, e ao fundo há 1 parede branca com alguns trufãos. Nesse contexto, eu gostaria de iniciar, fiz 1 breve apresentação pra trazer pouquinho mais de clareza a a esse nosso encontro, eu vou pedir que seja habilitado aqui a possibilidade pra que eu compartilhe a tela, por favor, técnica? Sim, vá sim, sim. Vai aqui. Por favor. Tirei. Aparece pra vocês? Sim, sim. Então, eu propus no no âmbito da do da presente audiência né, 1 proposta de discussão em relação às estratégias de acessibilidade ao ENEM, aplicando o modelo biopsicossocial, que é 1 necessidade muito premente em relação às políticas públicas, e que a gente tem compreendido que muito embora haja todo arcabouço legal, no sentido de garantir que o modelo de psicossocial seja aplicado, ainda há 1 necessidade muito grande de garantir formação, né, aos diversos atores que vão fazer parte, do processo de melhoria do Enem, de aplicação da prova, de elaboração das provas essa abordagem, acho que é importante destacar que eu não trago na apresentação, mas o modelo social, o modelo social deficiência, no Brasil tem status constitucional, né? Então não é apenas 1 orientação, não se trata apenas de 1 indicação, mas tem força constitucional no nosso país então aqui estamos falando de direitos fundamentais, tá? Aqui, a gente trava breve, né, recorte né desses 636000 estudantes autistas no Brasil, lembro que falta ainda no Brasil dados mais concretos acerca desses sujeitos né, não temos dados globais acerca das pessoas autistas no nosso país, né? É 1 pesquisa que deveria ser feita pra que a gente pudesse mensurar e pudesse fazer políticas públicas pautadas em dados, mas ainda faltam falta essas do ponto de vista, de pesquisa né essa garantia de pesquisas, que vai garantir essa informação pra gerar as políticas públicas, mas os números que a gente tem pós são esses. A gente precisa entender né sobre as barreiras ambientais e sociais do Enem, desde o layout da prova, tempo limitado e ambientes sensoriais inadequados, né? Lembrando aqui que a questão sensorial, não é 1 condição diagnóstica do autismo, mas é 1 questão muito presente em pessoas autistas, né? Eu mesmo tenho hipersensibilidade auditiva, e olfativa, uso do auxilia muito pra que os lugares sociais, na universidade, na na vida comum e do supermercado, né? Não auxilia muito desses afazeres domésticos, a gente entende hoje, a partir de 1 fala da pesquisadora de que a tecnologia, as redes sociais, são recursos de acessibilidade muito importante para pessoas autistas, tendo em vista que nossos maiores desafios estão na questão da comunicação, da socialização, então a gente poder utilizar recursos tecnológicos acabam sendo decisivos, né, na forma como ocupamos os espaços sejam eles pedagógicos no mercado de trabalho, todos os espaços, né? E tem a questão social, né, falta de treinamento dos aplicadores e preconceitos implícitos, né? Como a gente sabe o autismo não é 1 deficiência visível, né? Então existe ali ainda né, 1 ideia de que muitas pessoas podem estar buscando 1 facilidade quando na verdade a gente busca igualdade através de ações afirmativas né, né? Ainda temos a as questões psicológicas como ansiedade exacerbada por condições de provas pouco inclusivas, né? E aí o nosso amigo Davi trouxe 1 questão que eu achava que estava superado essa questão das pegadinhas em provas né, que é é 1 1 forma, eu considero 1 trapaça pedagógica né, não há necessidade disso para que você verifique o conhecimento de determinado aluno né? Entendo sim que a educação deve sempre ser desafiadora, mas que educação não pode ser cruel, né? Isso é fundamental pra que a gente garanta ocupação em todos os espaços né? A gente pensar em redução de barreira através da utilização de material multimodal, né? Texto áudio suporte visual, né? Gráficos com descrições alternativas, o Davi estava narrando a dificuldade de compreensão de alguns gráficos né, com a gente pode pensar imagens de apoio, então aqui eu acho que cabe, a utilização de a a explicação de como funciona né o cérebro de 1 pessoa autista, de 1 forma muito singela né mas eu acho que acredito que muito didática. Vamos imaginar né, né, que, bom, eu tenho aqui, eu tenho telefone da Samsung, tá? Esse telefone da Samsung, ele funciona com processador Android. Vamos supor, né, que os senhores tenham aí né? IPhone, esse telefone da Apple, ele funciona com processador IOS. Basicamente, o o Android e o IOS, eles funcionam para a mesma coisa, e não nos cabe aqui entrar num juízo de valor se é melhor do que o outro porque essa não é a questão né, a questão é que funcionam basicamente pra mesma coisa, mas existe 1 dificuldade quando a gente coloca esses 2 processadores diferentes pra dialogar, né? Se eu ligo o meu celular da da da Samsung num computador da Mac, né, mesmo que a gente tenha os mesmos aplicativos, muitas vezes eles travam, existe 1 dificuldade nessa comunicação, e essa comunicação vem da questão de que se processam, processamos informações de formas diferentes. Diferente não é melhor, diferente não é pior, diferente é diferente, né? A gente precisa buscar estratégias de que essa comunicação ocorra de 1 forma mais mais tranquila, de 1 forma mais orgânica. 1 das alternativas que é pensar pessoas altixas trabalhando efetivamente na construção das avaliações do Enem pra garantir de alguma forma né o ter ao menos 1 1 maior chance de que as provas atendam a 1 forma de compreensão da pessoa autista. Né? Continuando, né, a a possibilidade em, como a gente está falando dos recursos, né, ajustar os ambientes pra minimizar estímulos sensoriais excessivos, e aqui a gente está falando desde aquele relógio né que fica fazendo o o tic tic tic ali pra mim por exemplo, que tenho a hipersensibilidade auditiva, mesmo esse som né, pode ser muito incômodo, nesse sentido o uso do, o o abafador né, ele é instrumento que garante acessibilidade pra que esses sons que são potencializados porque o meu cérebro não faz essa filtragem, ele possa se dedicar a a prestar atenção efetivamente no que deve ser naquele momento, ou seja, a prova né, a gente pode pensar também né, né em em pausas programadas, né talvez em salas de regulação sensorial, né, e que sejam pequenos intervalos de descanso que a pessoa possa fazer pra que ela possa retomar de forma plena a sua, dar continuidade à avaliação, não é? Isso já considerando o direito previsto na lei brasileira de inclusão, né, que já prevê entre suas estratégias né, né, o aumento do tempo de prova. A gente pode pensar que esse aumento de tempo de prova podese já perceber né esses espaços de pausa pra evitar essa sobrecarga e possível inadequação em relação à efetividade da realização atual, né? Aqui continuando, né, alternativas em formatos textuais e de organização das questões, vocês percebam né, existem muitas formas da gente fazer 1 ideia chegar tanto por texto quanto pelo diálogo quanto por imagens né, então quanto mais formas a gente possibilita trazer clareza para o documento né, mais a gente está por prever a constituição de romper as barreiras né. Vamos entender que a barreira comunicacional é 1 barreira importante também e que muitas vezes impede o acesso pleno quando a gente vai falar de de do universo da pessoa com deficiência né? Né? Outro exemplo que eu posso trazer aqui pra vocês, é como as pessoas com deficiência estão em desvantagens, porque não sei se, talvez vocês já já fizeram cursinho terceirão, mas eu lembro que quando eu fiz o terceiro ano, né, me preparava pra fazer o vestibular, os professores falavam assim, estudem nas provas anteriores, né estudem as provas anteriores, pra vocês entenderem o histórico e entenderem o formato, as provas como são feitas hoje né de modo geral, elas impedem por exemplo que 1 pessoa cega estude a prova anterior, né? A gente não tem provas de de formatos adaptados e variados que garantam que pessoas com a as as mais diversas deficiências e condições né, acessem e tenham esse direito de essa mesma estratégia né de estudar provas anteriores. Da mesma forma não temos provas em libras né, pra que as pessoas que hoje estão no no ensino médio, possam estudar essas provas anteriores pra quando chegar o seu momento de realização do vestibular, tenham mais tranquilidade em realizar essas avaliações né. Então aqui eu trouxe pra vocês né, conjunto de estratégias do ponto de vista prático né, mas que a gente tem que pensar também em relação à formação, né? A formação eu tenho pra mim que é o grande funil da sociedade brasileira porque nós temos algumas das legislações mais avançadas do mundo quando vai se trata da pessoa com deficiência, ou mesmo ações afirmativas em relação a pessoas pretas, pardas, né? E no entanto não há, não é dado condição formativa pra que a sociedade como todo se prepare pra compreender AAA diferença, não é? Então aqui a gente para além da diversidade, falamos da diferença que há entre nós e que constitui a a exuberância do gênero humano, né? Então temos sim que pensar em usando aqui 1 palavra terrível né que até porque por engano por, por mau hábito, é treinamento mas a gente deve pensar em formação né, sobre comunicação assertiva e estratégias para situações sensoriais extremas, né, sensibilização sobre direitos humanos e a perspectiva da neurodiversidade, né lembrando como o Davi mesmo falou, o autismo não é doença, não temos que ser tratados em relação a a isso, mas pra que tenhamos mais qualidade de vida, preocupação dos espaços né, mais 1 vez o uso de questões de acessibilidade tecnológica digital, com o uso de teclados alternativos, tablets né, digo pra vocês né, eu sou pesquisador da Unicamp, faço parte de grupo de pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, presido 1 a associação nacional de pessoas autistas não é? Majoritariamente somos pessoas autistas, é onde pertencem também alguns familiares que os acolhemos, não é? E e mesmo tendo currículo destacado, não é? Eu tenho 1 dificuldade imensa em amarrar o cadarço do meu tênis, em escrever em letra em letra de forros e perdão, em letra cursiva né, porque eu tenho 1 questão na motricidade fina né, que tem que dialogue com os desafios presentes no TE né, Então o uso de tecnologia facilita muito porque o fato de ter que escrever, né, a mão livre é desafio muito grande que se acumula né com o próprio desafio de 1 avaliação né e mais 1 vez suporte técnico especializado durante aplicação, benefícios esperados, redução de sobrecarga sensorial física, estamos aqui falando de qualidade de vida, aumento de confiança e redução de ansiedade, então vamos lembrar da questão da autoestima é 1 questão fundamental quando falamos de pessoas com deficientes, né, promoção da igualdade e maior inclusão no ambiente de avaliação, Ainda temos como barreiras dirigindo aqui já pro final, a o Enem deve ser 1 ferramenta que elimina barreiras promovendo a equidade, minimamente a equidade porque o ideal seria a nossa constituição fala de igualdade, não é? A gente utiliza o termo equidade deriva do do de 1 concepção jurídica, né mas a nossa constituição fala de igualdade não de equidade, né, e e tem aquela igualdade que exclui mas há também a possibilidade da igualdade que inclui, né, aplicar o modelo psicossocial que reforça o direito de todos educação inclusiva, não me refiro só a pessoas autistas, nós temos que ter isso no horizonte, a luta de é a luta de todos, especialmente hoje que se comemora o dia internacional da da pessoa com deficiência, devemos lembrar que todos os direitos da pessoa autista decorre dos direitos da pessoa com deficiência, né? Devemos estar juntos nesse trabalho, né, e transformar o exame em 1 experiência mais humana e acessível, não é? No sentido de se tornar 1 ferramenta fundamental pra 1 sociedade mais justa. Porque a partir do direito da educação, que muitas crianças hoje têm negado direito hoje né, sobre o pretexto de 1 1 1 supremacia, né de abordagens terapêuticas no âmbito da escola, ou do ensino segregado né, né, só há caminho para que 1 pessoa ou qualquer pessoa tenha 1 carreira acadêmica, 1 carreira profissional, e isso implica em independência, é ensino regular dentro da escola comum, né? A gente não pode abrir mão disso, e a gente também não pode abrir mão de garantir que as pessoas autistas estejam no universo da pedagogia escolar, na escola comum, a escola não é lugar de tratamento, não é espaço clínico, né? Isso é fundamental, tendo em vista que, pra gente chegar no Enem a gente precisa passar pela educação básica que tem sido invadida aí por abordagens médicas patologizantes. Agradeço imensamente e sigo à disposição.

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