Isabella Leal

Isabella Leal

Diretora - Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo - SINTRAJUD

Últimos Discursos

03 de dez, 18:36

COMISSÃO DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO

Transcrição automática

Eu tenho voo daqui a pouco eu tenho que

Ir para evento
03 de dez, 18:06

COMISSÃO DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO

Transcrição automática

Oi gente boa tarde, meu nome é Isabela. Eu queria saudar as pessoas da mesa, o Edilson, a Amália, o Afonso, a Layla, a Marlize, a Luiza e agradecer à Sâmia e à Luciana, a Luciene Cavalcante pela iniciativa. Eu sou 1 mulher branca, tenho cabelos loiros no ombro, estou com brinco prata, sou 1 servidora com deficiência, eu entrei no serviço público através de cota, né? Como a a Sami disse no início, a gente, o centrajud é o sindicato do judiciário federal, né? Eu sou servidora da Justiça do Trabalho de São Paulo. A gente a gente, está bem 1 necessidade crescente de discutir sobre os casos de, de capacitismo dentro do judiciário. Apesar de a gente achar, ah o judiciário ele é o grande, ele deveria salvar guardar os direitos do das pessoas com deficiência, não é bem assim que acontece, né? Eu comecei a a atuar nessa área da pessoa com deficiência, primeiro porque eu demorei pra me entender como 1 pessoa com deficiência, né? Eu só fui me entender como 1 pessoa com deficiência quando eu quando eu pensei em prestar concurso público, então eu já tinha 32, 33 anos. Então assim, foi longo caminho. EAE eu, e aí, eu a gente a gente começou, eu comecei a atuar quando eu sofri capacitismo pelo TST, né, que é o Tribunal Superior do Trabalho, o Glauber inclusive ele fez essa denúncia em plenário, né? Se nós somos nós somos concursando, que passamos do serviço público pelas cotas, nós fomos chamados pra fazer perícia, e quando era pra nos quando era pra pra nós sermos empossados, o TST simplesmente encerrou o concurso, ele deixou de chamar apenas os servidores com deficiência, nós éramos uns 15 que já tínhamos passados em perícia, né? Então foi a partir daí que eu vi a importância da gente começar a lutar. Então eu tive que sofrer na pele pra entender a importância da gente precisar, se unir, né? Da gente precisar discutir isso. E a partir daí, eu eu me tornei dirigente sindical, de dos maior de dos maiores sindicatos do Judiciário, a gente começou a gente montou núcleo de pessoas com, servidores e servidoras com deficiência no Sintrajude, a gente já tem pessoas que vinham tratando disso há mais tempo dentro do Judiciário, mas esse movimento que a gente fez e as falas que a gente vem fazendo, a gente vem trazendo outros sindicatos do poder judiciário pra atuar né, contra o capacitismo né? E aí, E0E0 Sintrajude ele vem fazendo 1 luta muito forte contra o capacitismo dentro do serviço público. Além desse caso do TST que eu acabei de citar, a gente também já teve moção aqui pela Sami e pelo Glauber, de situações de juiz federal do TRF, né que ele simplesmente discriminava colega, que porque ele é deficiente auditivo, e ele começou a perseguir o o servidor, e aí a gente, e hoje ele não, e esse juiz hoje ele trabalha normalmente dentro do do TRF, né? E a gente já conseguiu moções, e foi o processo contra ele foi arquivado recentemente nos no CNJ. Então, essa luta no no no judiciário, ela ocorre também, não só no serviço público. E, 1 questão que precisa ser regularizada em todos os anos do serviço público que eu acabei de perceber aqui que não é só no judiciário, é a questão da perícia biopsicossocial. Eu ingressei no judiciário como servidora com deficiência, mas agora que eu fui requerer o meu teletrabalho, eu tive que passar por toda a perícia de novo. Tive que comprovar que eu sou pessoa com deficiência, eu tive que fazer perícia com assistente social, com psicólogo, Então eu tive que passar por todo o processo. E quando são pessoas que eu vejo com deficiências que são que são adquiridas após, ou reconhecidas após o ingresso do serviço público, é muito pior, que vem acontecendo no caso dos autistas né? As pessoas que estão dentro do espectro autista, elas estão tendo muito mais dificuldades pra ser reconhecidas como pessoas com deficiência, passando por perícias muito mais rigorosas, e tudo isso tem fundo previdenciário, porque se você reconhece 1 deficiência da pessoa, ela passa a ter os direitos das pessoas com deficiência pra fins de aposentadoria, né ela pode aposentar mais cedo dependendo do grau da deficiência dela. Então, no fundo tudo tem a ver com economia de dinheiro, as nossas deficiência, as nossas deficiências elas, a gente vem suportando humilhações como a colega disse, tudo por fim econômico, pra economicidade do previdenciária, né? E eu só, e aí, e aí eu esqueci de falar 1 coisa, depois do capacitismo que o TST, promoveu, ele agora recentemente ele aprovou 1 norma que todos os concursos do serviço público, ligados ao TRT ao TRT né, tem a cota de 10 por 100 pra pra pessoas com deficiência. Tem 1 norma e os concursos que saíram agora já têm 10 por 100. Mas isso era 1 minoria né? E isso não apaga o que ele fez, anteriormente. E aí o que que a gente precisa fazer? A gente precisa regularizar as perícias biopsicossociais. No nosso caso, que é do judiciário, a gente precisa fazer 1 regulamentação junto ao CNJ, né porque toda vez, cada tribunal regula a sua a sua perícia, e aí é dificultado a depender do tribunal. E 1 outra coisa que precisa ser feito é a são as lotações, né? Como você faz às vezes concurso público, no TRT 2 e você pode ser lotado em vários lugares, às vezes o que vem acontecendo e que já são relatos de colegas, é que a gente tem, pessoas com deficiência visual por exemplo, que já estão acostumados num a morar numa determinada cidade, elas têm que mudar mesmo tendo a vaga naquele determinado lugar. E aí a pessoa tem que se adaptar totalmente àquilo, às vezes não consegue se adaptar, e às vezes ela é bueja de ingressar no serviço público por conta disso. E hoje no Judiciário, apesar das causas serem 5 por 100, no judiciário federal hoje, servidores são menos de 3 por 100 do do quadro funcional, como a estrutura nisso é menor ainda, né? E o que que a gente precisa, E0E0 que que e o qual que é o papel do sindicato nisso? Eu costumo falar que os sindicatos eles dão voz pras pessoas. Eu utilizo a minha voz enquanto dirigente sindical pra falar da da da do capacitismo que servidores com deficiência sofrem. Eu até há pouco tempo atrás eu não tinha essa voz, mas a partir do momento que eu passei a ter essa voz, eu comecei a utilizar. E aí não é só dever da pessoa com deficiência fazer essa luta, as pessoas sem deficiência elas têm o dever de lutar contra isso também, assim como os homens têm que lutar contra o machismo, os brancos têm que lutar contra o racismo, então é o dever da sociedade lutar pra que as pessoas com deficiência alcancem os lugares porque nós somos capazes, a gente só precisa ter os meios adequados pra exercer as nossas atividades né? E as políticas públicas pras pessoas com deficiência, elas normalmente são tratadas como assistencialismo. E a gente não quer favor, a gente quer, a gente quer que ter condições de trabalhar, nós nós são nós, se a gente tiver os meios adequados, a gente consegue trabalhar em qualquer atividade, né? Então as pessoas com deficiência elas precisam apenas ter os meios necessários para trabalhar. E, no caso do serviço público por exemplo, a gente tem, a gente ainda tem 1 estabilidade, mas quando vai pro serviço privado, a gente vê que as pessoas são as pessoas com deficiência normalmente elas são colocadas em trabalhos menores que ganham menos, elas são inviabilizadas, né elas são colocadas num, não que seja trabalho ruim, mas elas são sempre colocadas por exemplo em estoque, em lugar que elas não são vistas pelo público, né então a gente tem que lutar com isso também. E aí, E o que que a e aí a gente vem fazendo essa luta, pra melhorar. E alguma das coisas que o sindicato vem fazendo no caso, a gente conseguiu, que o, tinha projeto de lei, que era de 2017, que já tinha sido arquivado, mostrei várias vezes, ele é de autoria do do senador Romário, ele já tinha sido arquivado, e esse e esse PL ele estabelece cotas no serviço público para cargos de chefia e gestão de pessoas com deficiência, porque nós somos capazes de exercer qualquer atividade, mas às vezes 1 pessoa que tem 1 deficiência grave ela não é considerada pra esses casos de, pra esses casos de digestão. Então a gente conseguiu com que o Alcolumbre ele, desse a designação da relatoria para Mara Gabriele, pra senadora Mara Gabriele. A gente conseguiu isso no início do ano, a gente cercou ao Colombo aqui no corredor e pediu pra ele designar a a senadora Mara Gabrilli como essa relatora. E aí, ontem saiu parecer da senadora para que a gente, para a aprovação desse PL. Então a gente precisa que que as pessoas, com e sem deficiência, lutem para aprovação desse PL, também, porque senão ele vai, vai ser mais direito que a gente não vai conseguir, né? Então a gente precisa fortalecer os, a gente precisa, nós servidores com deficiência e sem deficiência a gente precisa fortalecer essa luta, a gente precisa se unir. Eu vou, só pra fazer fechamento, outro dia a gente teve no sindicato 1 eleição pra diretoria de base, e teve colega que é que está dentro desse núcleo de servidores e servidores com deficiência, que ele é 1 pessoa com deficiência, e ele falou que ele se sentiu sozinho no Judiciário. A posse foi na sextafeira, na sextafeira ele virou, ele falou comigo na hora que ele estava tomando posse, ele falou assim, eu só vim aqui, eu só vim tomar, eu só concorri pra diretoria de base do sindicato, porque eu me senti representado pelo nosso núcleo de pessoas com deficiência, então, eu me senti acolhido e vim fazer essa luta também. Então é muito importante que a gente traga essas pessoas pra terem voz e pra trabalhar também né? Então a gente precisa se unir e nós estamos nos unindo e a gente está em busca de direito e a gente não vai retroceder, a gente vai avançar na busca da da dos nossos direitos, e a gente não vai aceitar a retirada de direito nenhum. Era só isso gente, muito obrigada.

Ir para evento