Tiago Figueiredo

Tiago Figueiredo

Médico Psiquiatra

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04 de dez, 19:11

COMISSÃO DE SAÚDE

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Bom, primeiramente eu gostaria de agradecer o convite cumprimentar a todos da comissão de saúde da câmara da câmara e cumprimentar ao deputado Eduardo da fonte. E agradecer pela oportunidade tá nesse momento que eu acredito que sejam momentos como esse que constroem a história, né? A história. Seja de de algo que hoje a gente reconhece como diagnóstico, seja a história do Brasil, né da nossa evolução aí social, e como sociedade, que eu acho que esse já é conceito aí diferente então, antes de trazer aqui as minhas contribuições eu sou psiquiatra, e a minha toda a minha formação e sub especialidade, tem sido na área do neurodesenvolvimento, né? Então hoje, eu trabalho todos os dias com pessoas com autismo, em várias faixas de idade e, sem dúvida nenhuma essa é 1 oportunidade muito valiosa, e pra quem está perto ali sabe, qual é a importância da gente discutir essas medidas né de de de, saúde pública e de políticas públicas, que possam sem dúvida nenhuma fazer total diferença na vida dessas pessoas e no nosso trabalho também, né? Então eu vou trazer na verdade aqui as minhas contribuições vão ser de alguns dados que eu acredito que possam contribuir aí até porque a gente já, nós já tivemos algumas falas muito valiosas e, que já trouxeram dados aí que são suficientes pra mostrar que a gente já passou do momento de pensar diferente, né da da gente pensar na inclusão de forma diferente. Então, do ponto de vista médico, 1 das coisas que justifica muito a gente discutir medidas de saúde pública ou de política pública, é quando a gente fala de prevalência, né? A gente não tem estudos aqui no Brasil que tragam dados robustos o suficiente pra gente ter panorama da prevalência do autismo no Brasil, mas se a gente pega aí alguns dados seja de estudos americanos asiáticos, a gente vê que é 1 prevalência muito considerável, e que a gente precisa, nós da saúde, precisamos estar capacitado, é 1 obrigatoriedade, né, tanto de reconhecer como de conduzir ali numa primeira instância. E 1 das coisas aqui que eu queria chamar atenção é que, hoje a gente tem dados que já são muito elevados de outros países, e que com certeza se a gente fosse fazer 1 prevalência aqui no Brasil, a gente teria prevalências que são maiores. Não à toa, a gente tem, países em desenvolvimento, condições socioeconômicas em desenvolvimento como dos principais fatores de risco que levam aos transtornos do neurodesenvolvimento, né? Quando a gente está falando do autismo, a gente está falando de algo que afeta ali o desenvolvimento cerebral, e que sem dúvida nenhuma, as as estratégias de prevenção, elas precisam estar focadas desde o momento da concepção, né? Então o autismo ele vai ali se desenvolver e implantar ali no cérebro essa conformação artística desde o período intrauterino. Então se a gente tem 1 sociedade que ainda carece de maior assistência prénatal, de maior conscientização ali pra desenvolvimento saudável daquele bebê, sem dúvida nenhuma, a gente tem aí e está num país em que, tem grandes chances de ter prevalências maiores, então a gente precisa de políticas públicas que olhem pra isso, né? E quando a gente está falando de tudo o que afeta o desenvolvimento cerebral, a gente está falando de 1 tendência a que isso persista na vida do indivíduo. Ele nasce com aquilo e aquilo vai fazer parte de todo o processo desenvolvimental, né? Desde a infância até a vida adulta até AAA vida adulta avançada aí ou período em que a gente tem a velhice, e que não à toa hoje a gente tem gerações que foram perdidas de oportunidade de ter diagnóstico, que hoje talvez a gente estranha 1 pessoa com 50 anos, 60 anos, ter diagnóstico do autismo, mas isso não é à toa, né aquilo apesar de se modificar, persiste que a gente precisa entender essas modificações pra trazer 1 inclusão que seja mais efetiva em todos os níveis sociais, né? Então 1 das coisas aqui que eu queria já trazer pra gente refletir sobre a empregabilidade, primeiro e esse é o grande ponto que nós sentimos falta das políticas públicas quando a gente está falando aí da perspectiva médica, é de olhar individualizado, ali dentro da própria legislação, né? 1 das coisas que a gente briga na neurodiversidade ou na neurodivergência, é que a gente não consegue ter 1 boa efetividade se a gente tem 1 única regra pra todo mundo, porque se a gente tem cérebros que são diferentes, é claro que aquela regra não vai se adequar pra determinados indivíduos, e que se a gente pegar esse grupo populacional que não se encaixa ele é grupo representativo, né? E aí é onde a gente precisa garantir essa equidade. Mas dentro desses próprios grupos como é o caso do autismo, a gente tem 1 condição que 1 das características principais dela é a grande heterogeneidade. Então quando a gente está falando de condições como autismo, o TDAH, seja a deficiência intelectual qualquer condição que afete ali o neurodesenvolvimento, a palavrinha chave é a individualização, né, é a gente entender quais são os pontos de força e de vulnerabilidade desse indivíduo, porque senão mesmo as políticas de inclusão e e adaptação gente tem hoje por exemplo os níveis de suporte. Então o meu trabalho como médico e o trabalho de 1 equipe de saúde, é ajudar a gente a individualizar e personalizar aquele cuidado em saúde. O que que aquele indivíduo precisa? E aí essa ideia da gente falar do a da da criança que cresce, do autismo na vida adulta, primeiro, a gente tem ali 1 fase da do t jovem em que, o grande ponto que pega pra quem tem o transtorno do neurodesenvolvimento é a aquisição da autonomia plena, e que sem dúvida nenhuma isso passa pela conquista de do domínio ocupacional, do domínio de trabalho, né? E que muitas vezes a gente recebe e dá o diagnóstico naquele indivíduo que já é adulto que já passou por todas as fases da escola, e que o grande ponto dele hoje é se inserir ali no mercado de trabalho. Ele não vem necessariamente por isso, mas ele vem porque está deprimido porque ele acha que ele não vai conseguir nenhum trabalho, ele está ansioso porque toda vez que ele precisa passar por 1 entrevista de emprego, ele traz nível de estresse muito elevado e aí é onde você já tem condições que são resultantes desse processo, e quando você vai ver, tem ali 1 condição que afeta o neurodesenvolvimento desde sempre. O porquê que a gente tem nível, o porquê que existe tanto baixa empregabilidade ali no autismo? Hoje a sociedade está diferente, né? Quando a gente tem ali processo seletivo de recrutamento nas empresas e a gente vai pegar hoje alguns estudos que já foram investigar o que que esses recrutadores estão buscando, a maioria busca habilidades comunicativas, né? Habilidade de autonomia, de criatividade, de inovação e que muitas vezes, não é ali o forte daquele indivíduo, né? Muitas vezes é indivíduo que vai ser brilhante em determinados níveis de raciocínio, mas nas habilidades comunicativas não vai ser o forte dele. Então muitas vezes dentro de 1 dinâmica de grupo, dentro de 1 entrevista em que o indivíduo está focando nas habilidades comunicativas, aquilo já vai ser desvantajoso, aquilo já vai causar 1 ansiedade muito grande, que o indivíduo sabe que não é o ponto forte dele, né? Então 1 das coisas que a gente já precisa refletir aqui primeiro é, será que essa parametrização do recrutamento ela está adequada? Até porque a gente vai ter muitos indivíduos que, o funcionamento de maneira geral, ele está minimamente preservado. É claro que pra aquele que tem nível 3 de suporte, o que a gente vai precisar considerar é a oportunidade de integrálo em algo que seja mais adaptado, do ponto de vista empresarial, né? Por outro lado, a gente tem aquele indivíduo que tem nível de suporte, em que o que ele quer muitas vezes é mostrar as suas capacidades que muitas vezes inclusive são superiores à média, mas a aplicação disso fica mais difícil, né? A aplicação ali no dia a dia ou alguns elementos que funcionam pra maioria pra aquele indivíduo não funciona isso vai entrar em ambiente de trabalho rotina de trabalho, que vai atrapalhar ali o fato daquele indivíduo colocar pra fora a sua capacidade. E 1 das coisas que eu queria ressaltar aqui que eu acho que o Marcelo trouxe que é muito importante que nós da área de saúde vivenciamos muito, é que muitas das políticas que a gente tem hoje, elas simplesmente visam em oportunizar a chegada, mas não a manutenção, né? E aí todos nós aqui sabemos, que o trabalho é algo muito importante pra gente. É algo que está relacionado com a nossa autoestima, com a nossa realização pessoal, com a nossa felicidade de maneira geral. E isso não é diferente pro indivíduo que tem autismo. Muitas vezes ele não quer ali só a oportunidade da chegada, mas sim da manutenção. E aí é onde a gente precisa também trazer, alguns elementos que obriguem a sociedade a a estar sofisticando conhecimento é através da informação que a gente vai ter ali 1 atuação, muito mais efetiva por parte de quem faz essa oportunidade de emprego, né? Então, eu acho que dos pontos aqui que eu queria destacar também é, além da individualização, além da personalização que nós como profissionais de saúde temos 1 responsabilidade nisso, de trazer essa individualização, de ajudar esse indivíduo a reconhecer quais são os pontos fortes, quais são os pontos de vulnerabilidade, fortalecer esses pontos fortes pra pra aplicar ali no dia a dia dele, é a gente entender também que a gente tem 1 missão com a manutenção desse trabalho, né? A gente tem ali AAA missão de trazer elementos de 1 qualidade de trabalho que faça indivíduo se sentir engajado, desafiado e feliz com o que ele faz, né? Então não é só a gente, adaptar e oportunizar de 1 maneira que seja quase que como 1 cota, e sim a gente poder pensar de 1 maneira diferente, pra que a gente possa estrategicamente alocar os melhores recursos daquele indivíduo no melhor lugar e no lugar no no lugar mais adequado, né? É aí onde está o ponto. Então, hoje a gente tem alguns dados e aí a gente tem outras falas aí já falando da importância de desde precocemente a gente ter programas que capacitem mercado de trabalho, mas que esses programas eles ajudam também, o próprio indivíduo com autismo a identificar, no que que ele é bom, no que que ele faz bem, onde é que está a vulnerabilidade dele. Agora, isso não é simplesmente ali a garantia de 1 efetividade de sucesso no no momento que ele vai se inserir no mercado de trabalho. Sim, a gente precisa ter programas de treinamento especializado, a saúde precisa avançar muito nesse sentido porque infelizmente é 1 raridade ainda pra gente, a gente ter programas de saúde, que estejam focados nessa aquisição plena da autonomia principalmente na vida adulta, mas a gente não consegue sucesso 100 por 100 se a gente não tiver ali também a garantia de direitos, que o que a gente precisa mudar é a estratégia de alocação e manutenção, né? Então o grande ponto aqui do que eu queria deixar é isso. É que a nossa medida aqui social como todo todos nós como agentes de diferentes áreas, vai ser em entendermos qual quais são as limitações e quais são os pontos de força, e estrategicamente a gente poder utilizar aquilo da melhor maneira inclusive pra que, ofereça pra aquele indivíduo não só a oportunidade de emprego, mas de ele ter e atingir 1 realização pessoal e aquilo contribuir pra sua felicidade na manutenção do trabalho, né? Então, não é só a gente focar aqui na oportunidade de emprego como 1 caridade porque não é o que muitos não é o que eles querem. Muitas vezes eles querem algo adequado e minimamente ali adaptado, de 1 maneira que possa proporcionar mais ainda 1 realização pessoal, e 1 contribuição pra manutenção do bemestar e da felicidade de cada Tá? Então era isso que eu queria falar pra vocês, estou à disposição também pra contribuir como médico como especialista nessa área, né que estuda o desenvolvimento mais 1 vez parabenizar aí ao deputado Eduardo da Fonte, e que isso sirva de inspiração né pra outros membros que fazem a diferença social porque nós que estamos de perto e enfrentamos juntos com esses indivíduos sabemos do quão valioso é ter pessoas que, entendam essa necessidade de modificar aí a sociedade. Obrigado.

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