Mônica Vieira

Mônica Vieira

Diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico - Fiocruz

Últimos Discursos

05 de dez, 11:58

COMISSÃO DE SAÚDE

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Também agradeço sim essa oportunidade desse encontro e ressaltar como a gente amadureceu o campus. Se durante tanto tempo a gente ficou tentando identificar os diagnósticos que precisavam ser feitos eu acho que hoje a gente já tem essa, esse movimento né feito e a preocupação maior é com como né? É como então a gente vai dar conta, de projetos que sejam mais do que projetos do que que estrutura e do que que e como sustentar, esse movimento. Eu acho que é isso. Agradecer de novo e me despedir. Obrigada.

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05 de dez, 10:46

COMISSÃO DE SAÚDE

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A todos. Eu agradeço o convite, feito a escola politécnica de saúde Joaquim Venâncio, 1 unidade técnico científica da Fiocruz, que atua no campo da qualificação de trabalhadores técnicos da saúde, desde a formação técnica integrada no ensino médio, até a pósgraduação em educação profissional em saúde pra participar dessa conversa sobre temática tão importante no campo do trabalho da educação da saúde. Eu parabenizo a iniciativa. Cumprimento todos aqui presentes, aos que nos assistem, e também trago o abraço da nossa diretora, Ana Maria Corvo. Eu inicialmente estaria aí, mas fui testada positiva pra covid, cancelei minha passagem, por isso a participação virtual. Faço parte da equipe do observatório dos técnicos em saúde, desde 2000, tendo participado também da secretaria técnica da rede de escolas técnicas do SUS, denominada então, RedSUS, no início da sua criação no âmbito do profile. Então falo desse lugar de atua no campo por muito tempo denominado de recursos humanos em saúde, e que acompanhou sua complexificação e a criação da secretaria de gestão do trabalho e da educação na saúde, que ampliou as condições de entendimento e enfrentamento dos seus grandes desafios, a partir da sua reconfiguração como campo de gestão do trabalho e da educação à saúde. Esse campo do trabalho e educação à saúde é estruturalmente atravessado por questões que configuram o processo produtivo no capitalismo contemporâneo, constituindo constituído por problemas crônicos e desafios agudos, como constatava Jair Nilson Paim em 1994. Com a criação da Ceget percebese que os trabalhadores precisam estar situados em lugar central, quando pensamos na qualidade do cuidado prestado no SUS e a educação permanente em saúde se confirmou como dispositivo central adquirindo tal centralidade pela possibilidade estratégica e estruturante na organização e consolidação do SUS. Assim, estamos todos aqui hoje porque compartilhamos da importância de dar materialidade à conhecida afirmação de que cabe ao SUS a ordenação da formação de seus trabalhadores e seguimos na construção desse lugar, de crescente complexidade que trata de mais de 3100000 trabalhadores de saúde segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, disponíveis no CNIS, Centro de Informações da CED, Ministério da Saúde, sendo que mais de 84 por 100 desses trabalhadores atuam no SUS. Quase metade de trabalhadores de nível superior e metade de trabalhadores técnicos. A maior parte desses trabalhadores no entanto, cerca de 80 por 100 são formados no setor privado para atuação o SUS. E quando chamamos atenção pra essa contradição, queremos destacar algumas questões. Que princípios éticopolíticos orientam a formação realizada no setor privado? 1 formação privada é compatível com atendimento de interesses públicos, não mercantis, na perspectiva do direito à saúde? Com o SUS público universal? Que compreensão de saúde pauta essa formação? Saúde como direito universal, na perspectiva da determinação social do processo saúde e doença? Da clínica ampliada? Do enfrentamento das desigualdades, da integridade? Ou saúde como mercadoria? Nesse sentido aqui na escola politécnica, a partir do entendimento da centralidade do trabalho, na constituição de sujeitos, nos aproximamos da noção de qualificação como 1 relação social, que exige articular as dimensões da formação, da regulação e da inserção profissional. Assim, tornase possível assumir o importante papel das escolas de formação públicas na saúde, como referência nesse processo de ordenação da formação dos trabalhadores do SUS. A investigação, a iniciação científica, a formação e a intervenção compõem modo de conhecer e atuar no campo da gestão do trabalho e da educação na saúde e de entender o papel dessas escolas públicas do SUS e no SUS. Hoje, nos encontramos diante de grandes e novos desafios, associados às transformações do mundo do trabalho e da vida, à incorporação de questões como o etarismo, o capacitismo, o racismo, que afetam o trabalho em saúde nos trazem novas indagações e exigem novas respostas para as questões de saúde no mundo, necessidade de novos perfis profissionais e modos de produzir o cuidado. Registro ainda o colapso climático, que existe exige 1 urgente ampliação da nossa capacidade de integração de instituições, ações, trabalhadores, usuários e interlocutores, diante da necessidade de intensa revisão do nosso modo de produzir a existência, e as nossas chances de futuro no planeta. A formação pública de trabalhadores de saúde deve ser priorizada nesse processo. Esperamos que nesse momento saibamos priorizar ações que fortaleçam a formação pública, de trabalhadores da saúde e ações integradas que permitam cada vez mais, maior organicidade na construção do campo da gestão do trabalho e da educação da saúde. O vigor da criação de iniciativas e estratégias nesse campo, precisa ser acompanhado de ações de monitoramento e sustentação de propostas estruturantes. A quarta conferência nacional de gestão do trabalho da educação na saúde acontece, daqui a alguns dias, após 18 anos da terceira realizada em 2006. Eu estava lá, e posso afirmar que seguimos no processo de compreensão da centralidade do trabalho como construção social, e por isso a relevância das escolas públicas na efetivação da ordenação da formação dos trabalhadores do SUS. O trabalho em crise precisa orientar a formação dos trabalhadores do SUS, a reflexão teórica, a construção de políticas e dispositivos de transformação das práticas. Obrigada.

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