
Alguns pontos que eu ouvi aqui no no debate que eu acho que são importantes. Primeiro, nós somos realmente eficientes dentro da porteira, e temos 1 grande ineficiência fora. E essa não não exige 1 inovação tecnológica, muito avançada, ou seja, basta 1 organização interna nossa que a gente consegue minimizar esses pontos tranquilamente. Então eu acho que, por exemplo, quando a gente fala em termos de embalagens, rastreabilidade, não são inovações tecnológicas que não estão ao nosso acesso. São coisas que a gente pode fazer facilmente com 1 boa gestão e organização. Então a questão logística é muito bom. E a questão do preço, essa é a central, porque aí talvez pegando o seu ponto na questão do faturamento, falando pouco de fome, esses dados da fome eu acho que são muito controverso. Tá? Mas eu acho o seguinte, a maior política de redistribuição de renda que a gente pode ter no nosso país, é reduzir o preço dos alimentos. Então da década de 70 até hoje, com o investimento em pesquisa e tudo, nós conseguimos praticamente reduzir o custo da cesta básica no orçamento familiar em 75 por 100. Então, com 1 boa organização dos mercados atacadistas de abastecimento de alimento, acho que a gente pode sim, pegar nessa tecla. Então se acho que se faltou isso, eu refrizio, eu acho que a questão do preço é muito importante e encerro aqui. Muito obrigado. Ok obrigado José Eustáquio, pergunta ao senhor Márcio Milan e ao Tercision Mineto tem também 1 ponderação final? Sim,
E a todos, é com extremo prazer que eu estou aqui, né, e agradeço aqui o deputado Heitor Chul, em nome de todas as pessoas aqui presente. Eu sou, pesquisador, economista e matemático. E eu acho que, sem números, é difícil da gente situar qualquer tipo de diagnóstico ou de situação que a gente queira estudar ou pensar políticas públicas, tá? Quando eu estava me formando na na faculdade de economia, eu participei de encontro, né em Diamantina, e a primeira mesa com a qual eu me deparei, dos colegas que estava junto comigo era o Altivo Cunha. Então o Altivo é 1 1 pessoa que eu estimo bastante, Eu acho que é conhecedor da área. Pena que eu tive pouco tempo de me preparar pra aqui, mas eu trouxe alguns números que eu acho que a gente vai discutir ao longo desse pouco tempo que eu tenho aqui pra pra falar. Aqui em Brasília, né, o agricultor ele fica distante do que acontece na esplanada. E na parte de números, eu posso afirmar que lá no IPEA, representando hoje, né, a presidência do IPEA aqui, Eu sou elo dentro desse dessa discussão e desse debate. Os mercados atacadistas, né, de abastecimento de alimentos, é elo importante dentro dessa cadeia como todo. Então, em primeiro lugar, o setor agropecuário brasileiro representa terço do produto interno bruto. Praticamente 20 por 100 da população é ocupada no país. E 50 por 100 das exportações. Bom, por que que eu estou falando exportações? Porque lá na finais da década de 60, início do dos anos 70, o país vivenciou momento que é parecido com todas as discussões que a gente verifica hoje em dia, né? A economia crescia a taxa de 2 dígitos e havia 1 grande discussão se a produção agropecuária iria crescer num ritmo suficiente pra não ter desabastecimento no mercado interno. Naquele momento, haviam 2 grupos, que discutia que a produção deveria crescer via reforma agrária, e outro que discutia que a produção deveria crescer consciência e tecnologia. Eu não preciso dizer, a Embrapa foi criada em dezembro de 1972, E depois da criação da Embrapa, houve progresso da pesquisa que facilitou o aumento da produtividade no campo, e gerou excedente produtivo muito grande. Na verdade, foi 1 aventura produtiva que o Brasil passou. Por que que eu estou falando isso? Meus pares economistas, quando eu estudava lá na década de 90, nenhum achava que a agricultura era setor importante, e que gerava processo de desenvolvimento econômico. Os manuais de economia mostravam o seguinte, que o setor agropecuário, ele, pra país se desenvolver, você desenvolveria primeiro agricultura, depois passaria pra indústria e depois pro serviço. E até hoje a gente escuta esse tipo de debate na sociedade, como por exemplo, a gente quando a gente escuta desindustrialização da economia é de forma pejorativa ao setor agropecuário. Os nossos estudos mostram que o setor agropecuário ele cresceu ao longo de todas essas 5 décadas, foi justamente porque ele foi capaz de unir não só a produção, como também a indústria e o serviço. Ou seja, essa ideia de que o desenvolvimento acontece por etapas, e que o setor agrícola é setor marginal ao desenvolvimento econômico, não é verdade. O que que acontece? Gerouse grande excedente produtivo, e esse excedente produtivo tem 2 destinações. Mercado externo, ou mercado doméstico? O mercado externo, a gente sabe, o Brasil exporta muito. Dos estudos que nós fizemos recentemente, mostra que o fato do país exportar muito, não prejudica a oferta de alimentos no mercado doméstico. Pelo contrário, o consumo per capita de alimentos até aumenta quando você aumenta as exportações. Então veja, eu estou falando, por exemplo, a gente fala muito em agricultura familiar. Mais de 90 por 100 dos estabelecimentos agropecuários hoje no país, são geridos por famílias. Então não temos dúvida que grande parte dessa produção vai, que vai para o mercado doméstico, também vão passar pelos mercados atacadista. Então, diante dessa importância, diante da importância da produção, da distribuição, Muito se fala na exportação, mas pouco se tem de dados voltados para o entendimento desse mercado doméstico. Este ano, é ano importante, porque a gente tem que colocar na LOA, a previsão de estatísticas que possam ser mensuradas no senso agropecuário. E perguntas relativas ao setor pode ser incluída, só que o orçamento tem que ser especificado este ano para o piloto do senso agropecuário ser realizado em 2025. E, se tudo der certo, você tem o piloto em 2025 e o senso agropecuário vai ser realizado em 2026. Eu não sei, viu, deputado, como que tá essa questão relativa ao senso agropecuário. Mas, se o senhor tiver possibilidade, eu acho que isso é muito importante para o futuro das estatísticas pensando o setor. Eu sei que foi formado grupo pra discussão de quais perguntas seriam incluídas ou não, mas eu acho que é necessário que tenha pessoas que entendam o setor que possa também incluir esse tipo de questionamento pra entendimento do setor. Sem informação, dificilmente a gente não entende o diagnóstico. E aí é o seguinte, quando a gente pega o Brasil, 18000000 de toneladas são comercializadas dentro dos mercados atacadistas. 20 produtos representam 8000000 de toneladas. Desses 20 produtos, a gente pode incluir tomate, banana, laranja, vários outros. Praticamente de população ocupada é 12 milhões de pessoas. Se a gente sabe que a população ocupada no agronegócio como todo é de 28000000, segundo o CEPEA. E, se a gente entende, de acordo com o USDA, que a cada emprego gerado num mercado de abastecimento atacadista, a gente gera mais 3 empregos indiretos, a gente está falando algo em torno de 17 por 100 dessa população ocupada, ou seja, 4.8 milhões de pessoas. Então eu acho que é setor estratégico, é elo que une o agricultor de lado, com a o consumidor do outro, e país continental como o Brasil, grande produtor e exportador, tem que pensar estrategicamente seu mercado interno, tá? E, se isso for feito de forma adequada, você abre possibilidades pra crescimento em outros setores. É, praticamente, né, 400000 hectares estão relacionados com essa distribuição de produtos, tá? No Brasil, representa praticamente 0.5 por 100 do PIB. Pra comparativo com o mercado espanhol, os mercados atacadistas de alimentos representam 0.5 por 100 do PIB, ou seja, nós temos espaço de crescimento muito grande, tá? Dentro desse setor, dentro da economia brasileira. E pra se ter 1 ideia, enquanto o mercado brasileiro movimenta 18000000 de toneladas, a Espanha, que é país muito menor, movimenta 8.9 milhões de toneladas. Eu acho que essa temática ela discute a questão de renda, a questão de emprego, a questão segurança alimentar e redução de pobreza e desperdício de alimentos. Então acho que é elo importante que vão discutir essas 4 ou 5 variáveis que são chaves dentro desse processo. A gente precisaria ter estatísticas pra cada 1 pra poder mensurar qual é o diagnóstico do nosso setor. Recentemente, no IPEA, eu venho fazendo trabalho sobre segurança alimentar. E a questão da segurança alimentar, ela pode ser analisada tanto da ótica da oferta, quanto da ótica da demanda. Na ótica da demanda, a gente tem questões de nutrição, e questões de pobreza. Enfim, eu eu coloco aqui esses números, embora eu não tenha feito nenhum trabalho, se for possível e eu puder ajudar, eu me comprometo a estar aprofundando esses esses números, talvez num num novo senso agropecuário, e fico aqui à disposição e eu coloco, eu sou amigo do setor agropecuário, sou amigo de todas as pessoas que entendem a importância dessa desse segmento dentro do processo de desenvolvimento econômico. E ao contrário da maioria dos economistas que não entendem o setor, eu acho que a gente tem que ter novo, 1 nova perspectiva de entendimento. E só pra finalizar, na pandemia, eu participei do Ministério da Agricultura junto com a ministra Tereza Cristina, e eu lembro, se não fosse, né, toda a estrutura organizada em torno do setor agropecuário, e aí, os mercados atacadistas de abastecimento de alimentos, foram centrais dentro desse processo, realmente, tá? Então, encerro aqui as minhas considerações e agradeço pelo convite. Muito obrigado José Eustáquio do IPEA.
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