
Eu peço desculpa por proceder. Vamos. Eu topo. Vai. O deputado Raymond. Já que você me deu esse privilégio de falar por último, primeiro agradecer à equipe que dá... da comissão e a presidência, que infelizmente não pôde estar, mas especialmente o deputado Reimundo. E também agradecer ao Roberto Vicentim, que é da assessoria do PT, da bancada do PT. que é uma pessoa que corre atrás das coisas aqui para a gente. Mas eu queria, antes de tudo, fazer um convite, que amanhã nós estamos convidando a todas as pessoas que estão aqui, todos os companheiros e companheiras, parentes, e amigos, pesquisadores, vítimas, todos, que amanhã nós vamos continuar esse debate lá na UNB. Tem um seminário organizado pela professora Regina Quelle, que está ali no fundo, ela é meio tímida. certo Cadê a gente na tua amiga? Está lá, entendeu? Ela é tímida, mas é aquele tipo de gente que faz muito e fala pouco. Então, isso é muito bom. Ela organizou e todos estão convidados e nós estaremos lá. Porque algumas dessas ideias, como a Flora, como o Neto, alguém sugeriram algumas ideias. Então, nós temos que ver se a gente consegue. É bom que se diga que o Ministério Público estará lá também, especialmente o do trabalho. Eu lamento que o Ministério Público Federal não tenha tido, marcado presença aqui, embora eu tenha conversado com o... Ah, o do Marcos. Mas você foi nomeado pelo Nicolau? Não, não sei... É, mas ele... É porque eu tinha conversado com o doutor Nicolau, E nós estabelecemos um convite direto a ele, não por depreciação, mas pelo cargo que ele ocupa. E ele falou assim, não, vai se nomear, mas por isso que eu pensei que você tinha sido indicado. Mas não quer dizer nada que ele está representando de qualquer jeito o que tem de melhor no Ministério Público Federal. Então, amanhã... Até mais. porque a luta não para. É isso aí. Vamos lá.
Bem, uma boa noite, né? para todos, todas as pessoas que estão aqui Os parentes. e companheiros e companheiras de luta. É... O tema aqui é o seguinte. Houve um tal de justiça e transição no Brasil. houve a Comissão de Anistia, houve a Comissão para reconhecer os mortos e desaparecidos, e houve a Comissão Nacional da Verdade. Agora é gozado. Todas essas comissões tinham a pretensão de revelar a verdade. Você entendeu? E... O problema todo é que, depois de tanto tempo, nós vemos que elas não conseguiram revelar toda a verdade. Nós não estamos falando que os fizeram, não fizeram bons serviços não. Nós estamos falando que o serviço está incompleto. Certo? Obrigado. E outra coisa, a verdade, quando fica faltando, ela começa a ficar meio... Difícil de a gente aceitar. Certo. Eu... Eu queria falar para vocês o seguinte: a Comissão Nacional da Verdade, foi a última comissão, a gente tinha a pretensão de que ela fizesse um balanço bem mais geral Então, corrigir-se os defeitos das outras atividades, outras comissões. Mas como é que pode... para você analisar a ditadura militar, que o período da comissão, aliás, esse período da comissão nacional, vai de 46 a 88. Muito largo. mas ainda que seja só o período da ditadura, Como é que a comissão nacional não reconheceu um indigno sequer? Não assassinaram, não torturaram, não estupraram, não destruíram, como diz o companheiro aqui? Não só as vidas, mas a cultura... Os direitos, seja na memória. Um indígena. um indigno sequer, Sendo que essa própria comissão, num relatório que não é o relatório oficial, que é o tal do grupo de trabalho, que Honradamente fizeram seu serviço. A crítica não é essa. Eles nominaram 8.350 indígenas de 10 povos que foram examinados. Não de todos os povos. Seja Deus. Então, eles sabiam que, nesse período, que era objeto da sua obrigação de fazer, eles tinham conhecimento 18.350 em Dígana. E não reconheceu nenhum... Então, prevaricaram. falharam na sua história. Segunda questão. A Comissão Especial de Mordes Desaparecidos políticos, ela reconheceu 375, coisas do tipo. Não tem um indígena sequer. Não é isso? Então, aqui para nós, você quer fazer passar a limpo passado? Você quer rever a história? Isso é uma missão tão grave que... Eu diria o seguinte: isso não pode continuar. Isso é uma vergonha. É uma vergonha Terceiro Sabe? Na comissão da anistia, que é a única que ainda está vigindo, onde nós podemos recorrer administrativamente, quer dizer, qualquer um de nós pode pedir anistia, Obrigado. Eu mesmo fui anistiado, o Rui foi, e outras pessoas foram anistiadas. porque foram... o Saulo, meu companheiro Saulo. nós somos, porque nós somos perseguidos? Nós fomos torturados, nós fomos presos Você entendeu? E essas barbaridades que você contou sobre as suas famílias também aconteceram com as nossas? Você entendeu? e eu não vou reproduzir aqui porque não é meu objeto da fala, E... Então, É muito gozado o seguinte, quer dizer, a comissão da anistia tem uma dificuldade enorme para reconhecer um indígena como um anistiado. A Comissão Nacional de Anistia é para reconhecer aqueles que foram perseguidos politicamente pela ditadura. E, às vezes, tem muita gente que julga lá, sentindo, não, mas a luta indígena não era política, quer dizer... Quer dizer, a luta do camponês não é política, a luta do operário é político, não é isso? E os operários, por ter feito greve, eles foram anistiados. Você foi anistiado, não foi, Salfi? Sofiro operário. Zofensiado. Eu era bancário, eu fui anunciado. Entende como é? Agora o cidadão que era lá No. que estava tranquilo lá no seu... no seu território, Né? na sua terra indígena, passa a estrada, e vou fazer derivados, ou ou ou ou ou ou caçador, tem de tudo, garimpeiro, diabo a quatro, você já deu, vai lá, estupra, mata, assassina, E faz lá, como fizeram lá na 319... Eles fizeram, lançaram de helicóptero não só bomba, bomba de napalm, bomba para matar, eles lançaram um panfleto falando para os indígenas, que eram os companheiros que estavam lá, os parentes, falando assim, rendam-se, porque vocês são terroristas. bem uso Os indígenas daquela época, hoje provavelmente todos aqui já têm noção mais das coisas, mas aqueles lá, eles ficaram provavelmente ficaram abismados, por que que estão me chamando de terrorista, não estou entendendo. Mas o fato dele não entender não impediu que ele fosse torturado, assassinado e morto. Então, isso é responsabilidade do Estado, e a responsabilidade do Estado ele fez enquanto política de Estado. Nós vimos essa discussão antes, a própria... é procuradora, Sandélie falou isso, Não? Então, a responsabilidade do Estado, e só fez, e o fez, porque o Estado daquela época entendia que a resistência indígena, a resistência camponesa, assim como operária, era como se fosse um atentado contra o Estado. o Estado ditatorial. porque eles entendiam que qualquer coisa que fizesse que não fosse de acordo com o que eles pensavam era subversivo, era terrorista. era gente que atentava. Então, agora, quando você vai na comissão de anistia, você vai nas entidades que eles criaram e fala: "Então, me reconhece?" Não, não reconhece. Quer dizer, você torturar, matar, massacrar, você reconhece que nós estávamos fazendo luta contra o Estado. Agora, quando a gente vai pedir anistia, vai pedir reparação, você não reconhece. Então, não podemos aceitar isso. Segunda coisa que é mais própria ao tema, é conexo. esses verdadeiramente conectam, não aquela coisa dos torturadores que anistiaram, se auto-anistiaram. Obrigado. no relatório Eu trabalhei, ajudei, o neto, no GT de sindicato de trabalhadores, eu no GT de camponeses, você entendeu? Às vezes as pessoas falam assim, pô, você mexeu com camponeses? Isso é uma questão de opção política, não era porque eu sou camponesa. É uma questão de estar convencido de que precisa reparar esses erros históricos. Pois bem, Lá tem uma coisa muito legal, muito boa, em que eu bato palma, tiro o meu chapéu e reconheço o mérito da Comissão Nacional da Verdade, quando ele põe a lista dos agentes do Estado, desde o torturador. Lá em cima, o chefe do comandão, que era o presidente da República, culpado ilegalmente. Se já deu. Os generais, até o sujeito que estava nos torturando no doicote, o que eles descobriram. Isso está correto, porque era a forma de você falar assim, porque sempre que falava que torturava, o cara que estava lá em cima falava assim, foi um soldadinho lá que deu uma pancada nele, não é nada disso, era política de Estado aquilo. Você entendeu? Pois bem, eu acelero agora para falar o seguinte... Quer dizer... Você nominou até o cara que ocupava a Presidenta da República, mas você não tem nenhuma nominata. entre os relatórios oficiais de uma empresa. que assassinou, assassinou lá na Cleba, em Sitapá, Que a Josapá, o banco que era dos gerros do Juscelino Kubitschek, infelizmente... Você entendeu? Hein? É nada. O Denasa, que aqui tem um prédio, Denasa, até eles pediram a Neymar para fazer o prédio, até aí. Aliás, o povo não sabe dizer isso, porque necessariamente não quer dizer que tem culpa por isso. Sim, mas não tem. Ô Rui, não tem uma empresa culpabilizada. É, ele era jornalista, sabe disso. Então, o cara que ia lá no DOI-CODE, né? que é tipo o cara lá daquele negócio da gás, né? O que? O Bolli, que foi justiçado pela organização da qual eu fiz parte, Seja deu. A Eliane foi lá e falou, esse é torturador. Esse assassino. Foi por isso que nós fomos lá e justiçamos ele. financiador, e ele em uma safra, todos esses empresários não tem um nome nada, está falando deles. E quando você faz as responsabilidades da Paraná-Panema, da Aracluz, que até hoje está lá massacrando os povos indígenas, a Cobrasma, a CNS, DOCAS, a Imbratel, Petrobras, que vergonha, Petrobras, a Folha de São Paulo, Itaipu, toda lista que está aí, que o pessoal nosso, dos pesquisadores, está o Neto, está o Sebastião Neto, o Gilberto, com a Parapanema e outros, Quer dizer, nós vamos engolir essa história de que o coronel nós podemos nominar, agora aquele que estava lá financiando e que ia lá ficar sadicamente olhando a tortura das nossas companheiras, quer dizer que nós vamos engolir essa como se fosse história? Isso é verdadeira? Então, E tem mais... O último. Nós gostaríamos que esses caras fossem criminalizados judicialmente, você entendeu? E criminalmente, penalmente, ou seja, eles são também culpados pelos crimes praticados pela ditadura. E outro, eles danaram, como danaram os povos, as culturas, os bens, os camponeses, eles danaram, eles têm corrupções, porque podia falar que não tem nada. Não, eles são ricos, eles se enriqueceram com a tortura, se enriqueceram com a exploração, eles se enriqueceram com os danos ambientais, com a exploração dos povos indígenas. Então, nós queremos reparação, inclusive, eles reparem, não é só Estado, não. Nós queremos reparação da comissão de anistia para os povos indígenas. reparação dos empresários, das empresas. E é muito legal a gente saber que tem... gente no Ministério Público do Trabalho. do Ministério Público Federal, que seja um parceiro nisso. Sabe por quê? Porque nós sozinhos não vamos contar essa não. Porque eles têm escondido isso. E eu queria ultimamente falar assim, Reimão, Padre Raimond e aqui o Rui, e estava aqui o padre. o culto, você entendeu? E outros que não estiveram aqui não sabemos que são aliados nossos. Nós precisamos desses aliados. Sabe por quê? Porque... A gente faz no ATL, faz aí... o barulho, entendeu? Depois, não tem consequência? O que é isso? Nós queríamos saber se tem consequência ou não. E eu não vou falar o que o padre... Rezende vai falar que ele vai crescer. Como é que nós queremos a consequência? Nós queremos indenizações, reparações. E queremos somente que respeite a memória. daqueles que eles torturaram, assassinaram. Essa é a verdade histórica que nós queremos. Muito obrigado.
A Comissão Camponesa da Verdade denuncia a exclusão histórica e a negligência da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão de Anistia no reconhecimento das violações e crimes cometidos contra camponeses, indígenas e suas lideranças. Com base em dados detalhados, o órgão defende a necessidade de reparação integral, isonomia nos critérios de reconhecimento de vítimas do Estado e a correção da narrativa oficial, que ignorou a dimensão da violência e da guerra travada no campo durante a ditadura.
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