Avanços e desafios na inclusão
A sessão solene realizada nesta sexta-feira foi dedicada a celebrar a trajetória da Lei de Libras, reconhecendo o impacto da Língua Brasileira de Sinais na conquista de direitos fundamentais para a comunidade surda no Brasil . O clima no plenário foi de valorização da história da legislação, que é vista como um marco essencial para assegurar cidadania a milhares de brasileiros.
Apesar da celebração, deputados e convidados que representam entidades da sociedade civil e instituições de ensino fizeram um alerta importante: a lei sozinha não basta. O debate deixou claro que, mesmo após anos de vigência da norma, ainda há uma distância considerável entre o que está no papel e a realidade vivida pelos surdos. As maiores dificuldades foram apontadas em áreas cruciais como a educação, o acesso à saúde e a entrada no disputado mercado de trabalho.
O papel dos intérpretes
Um dos pontos centrais da conversa girou em torno do trabalho dos tradutores e intérpretes de Libras. O plenário reconheceu que esses profissionais são a ponte necessária para a comunicação e a quebra de barreiras no cotidiano. Sem a valorização e o reconhecimento institucional adequado desses profissionais, o acesso a serviços públicos de qualidade fica comprometido.
Lideranças da categoria aproveitaram o espaço para dialogar com os parlamentares sobre o Estatuto dos Tradutores. O tema envolve discussões técnicas que buscam melhorar a qualidade dos serviços de interpretação oferecidos em todo o país. O objetivo é garantir que a tradução seja precisa, profissional e constante, evitando que falhas na interpretação prejudiquem a participação social e política das pessoas surdas em debates nacionais.
Educação e políticas de estado
A relevância da educação bilíngue, que integra Libras e Português como línguas de instrução, foi defendida como pilar básico para o desenvolvimento pessoal e acadêmico. Representantes do Instituto Nacional de Educação de Surdos lembraram que o aprendizado efetivo passa pela criação de um ambiente escolar que entenda a cultura e a necessidade específica de cada aluno.
O recado final deixado pelos participantes aos parlamentares foi de que a acessibilidade não pode ser vista como um favor ou uma ação pontual. Ela precisa ser encarada como uma política de Estado contínua. Para os presentes, é urgente que o poder público avance na criação de políticas transversais, ou seja, que atinjam todos os setores do governo de forma coordenada. Somente assim, disseram os especialistas, será possível garantir que a comunidade surda tenha plena participação social, ocupando espaços de fala e de decisão em todos os âmbitos da vida nacional, deixando para trás o histórico de exclusão e silenciamento.