COMISSÃO DE EDUCAÇÃO
Sobre o Evento
Reconhecimento das educadoras infantis como professoras em reunião da Comissão de Educação.
Deputada
Ai gente, agora momentos finais hein? Vamos, estamos aqui né já? Eu quero listar aqui alguns encaminhamentos, que a gente vai fazer pro nosso plano de lutas. Então, caminhamento número nós vamos enviar ofícios a todos os senadores e senadoras que fazem parte da comissão de educação, apresentando o movimento somos todas professoras, apresentando a nossa luta e a nossa pauta. Nós também vamos visitar pessoalmente esses senadores em seus gabinetes é 0.2 nós vamos marcar 1 reunião com o presidente da comissão de educação do Senado e com a vicepresidente o presidente é o senador Flávio Arms e a vice a professora Senadora Dorinha vamos conversar com os 2 é todas as denúncias que foram aqui relatadas as questões dos municípios, nós também vamos encaminhar aos órgãos competentes, ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e também vamos encaminhar para o Ministério da Educação, para o MEC. Nós também vamos sair daqui com calendário de encontros regionalizados Então vamos organizar o encontro no estado de São Paulo o encontro no estado do Rio de Janeiro o encontro no estado de Minas Gerais aí tem o Rio Grande do Sul aqui também presente, certo? E Goiás, é isso? São esses os estados aqui presentes. Vamos marcar esses encontros pra fortalecer a luta nos territórios, Identificando e tendendo cada município, cada legislação vamos fazer isso para o ano que vem. Vamos também pedir junto com os senadores, junto com o senador Randolfe também, que junto os o senador Randolfe ele é o líder do governo no congresso. Eu sou a vicelíder do governo no congresso. Então junto com ele, junto com os outros senadores vamos pedir 1 audiência pública lá no senado com essa temática pra também dar visibilidade e trazer conhecimento da nossa luta. E também vamos fazer mobilizações nas redes, nas redes sociais. Então esses são os encaminhamentos iniciais que a gente vai sair aqui dessa audiência pública quero dizer que no meu entendimento Olha eu fui professor educação infantil eu fiz magistério depois eu fui fazer pedagogia depois eu fui fazer direito faculdade de direito. No meu entendimento, não existe no Brasil nenhum outro profissional que seja formado, habilitado para estar presente dentro da sala de aula, o tempo todo que não o professor. Só esse profissional da educação, dentre todos os profissionais que estão ali listados, ele está diretamente ligado à à sala de aula. Você até pode ter mais de professor, professor que seja professor, que vai estar ali junto com outros professores. Mas é professor, a ser parte do princípio que todos são professores. E aí você pode reorganizar o seu sistema conforme a história da de luta e de vivências daquele território daquela rede de ensino, mas são professores. Os demais profissionais, eles ficam, eles ficam de apoio da secretaria, do pátio, do portão, aí eles vêm também pra sala de aula em alguns momentos e depois eles saem. Para estar em sala de aula, seja para estar com as nossas crianças com deficiência, seja para estar junto, educando, são professores. É disso que se trata essa luta. E a gente nunca pode esquecer que essa situação de 1 parente naturalidade, normalidade com relação com que as pessoas olham pra nossa função, pro nosso trabalho nas creches e diga que não é professor, ela está baseada numa função, numa estrutura machista na nossa sociedade, que vê o trabalho do cuidado, vê o trabalho que é realizado com as mulheres, com as crianças pequenas de 1 forma pejorativa e exploratória. Não tem outra justificativa, é porque não somos mulheres, somos a maioria naquele ambiente então, como no tempo absurdo, tenebroso da escravidão onde as pessoas foram raptadas do seu continente, trazidas à força pra cá, o Brasil foi o país que mais traficou pessoas na história do planeta. O Rio de Janeiro foi o grande porto onde essas pessoas entraram pelo Brasil. A gente tinha amas de leite, vocês lembram disso? É isso. Aí é 1 continuidade dessa exploração, e é isso que está por trás, dessa aparente normalização. Eu fico pensando, a gente que está na educação aí é, a M Pikler, quem que já ouviu falar da M Pikler aqui? É é 1 educadora assim como a Montessori, assim como o Paulo Freire, aí as pessoas ficam falando dessa da das concepções que são fundamentais que são importantes e não querem olhar, para o mínimo, para o elementar, para o básico que é aquela pessoa que está ali, que está num estado de exploração, de submissão, de invisibilidade e de negação de direitos, e querem que aquela pessoa faça trabalho, ainda fique resignada, que ela não pode reclamar. É é de 1 é de 1 violência tão grande contra as nossas, contra a educação, contra as nossas crianças, contra as nossas mulheres, é assim é absurda essa situação. Não quer olhar para o básico. O Brasil não pode mais seguir negando que existem violações gravíssimas de direitos de no chão das creches. Não dá pra dizer e que a gente está avançando na educação infantil com mais crianças nas creches apesar de termos mais de 3000000 de bebês e crianças fora da creche do nosso país, acima a custas da exploração daquela mão de obra. Isso não é avanço, isso é exploração. E a gente está num tempo tão difícil, visto o que aconteceu ontem aqui com aquele ataque terrorista, que a gente precisa começar a nomear as coisas cada vez mais pelos nome que elas são. É 1 exploração, é ilegal, não tem justificativa nenhuma. A não ser essa naturalização que vê o trabalho da de 1 mulher, que são somos a maioria na educação infantil, como algo normal de ser explorado, que isso não causa indignação, isso não causa revolta nas pessoas. Então, e aí também tem essa questão da da questão orçamentária, que é verdade sim em muitos municípios, que a gente precisa de mais recursos. Mas gente, volto a dizer, nona economia do mundo, caminhando pra oitava. Brasil tem muito dinheiro, só não está indo pra quem precisa, pra quem produz, porque somos nós que produzimos a riqueza desse país. São os trabalhadores que produzem a riqueza desse país. Então não tem justificativa, a gente tem luta, luta pra disputar com a casa grande pra que o dinheiro chegue pra gente. É disso que se trata. E eu estou muito feliz de estar aqui, porque eu estou olhando assim pro plenário gente, EEE é só está gente aqui né, na câmara. E por e está está silêncio, não sei se vocês perceberam que não é assim, só que vocês já vieram aqui em outros momentos, isso aqui é é, e e mas esse silêncio ele fala tanto, ele fala tanto da da nossa emoção de ter conseguido chegar até aqui, da desse atentado não ter parado a nossa luta, da gente ter conseguido reafirmar a democracia fazendo 1 1 audiência pública tão pujante, com mais de 100 pessoas aqui, e olhando pra vocês, que vocês hoje estão sentadas nas cadeiras que os deputados e as deputadas sentam, federais, vocês falaram do microfone que a gente fala. E hoje eu olho aqui pra esse plenário, que é formado por maioria de mulheres, maioria, muitas mulheres negras que estão aqui, com a cara do nosso povo, com a cara da nossa escola, com a cara da nossa gente. Vocês não sabem como está bonito o plenário, vocês não sabem como vocês ficaram bonitas sentadas aí. É verdade. É emocionante, é emocionante. E e quero responder também essa outra balela, ai não tem dinheiro. Aí a outra a outra justificativa é assim. Ai, porque a gente tem nível médio e nível superior né? Tal das carreiras, não sei o que, não sei o que lá. Vamos, vamos, vamos voltar pra história né gente? Vamos voltar pra história da educação brasileira, vamos voltar pra história da nossa da da nossa legislação. A carreira da educação não pode seguir os mesmos parâmetros que as demais carreiras, até porque, o curso que eu fiz lá atrás, bastante tempo atrás, de magistério, que é de nível médio, até hoje ele é válido. E eu estou habilitada pelo estado brasileiro para ser professor educação infantil e ensino fundamental nas primeiras séries. E ninguém vai tirar isso de mim, e nenhum prefeito vai poder falar que eu não posso prestar esse concurso, porque já tem decisão judicial sobre isso. Então não dá pra usar essa régua das outras carreiras que se organizam dessa forma para a nossa. A nossa é diferente. A nossa história é diferente. Nós somos o primeiro direito social da constituição. Nós somos. Nós conseguimos com muita luta 25 por 100, está aqui na constituição que vocês receberam. Mais que há saúde, sabe por quê? Porque muita gente lutou, e morreu pra que a gente pudesse ter 1 escola pública do jeito que a gente tem hoje, porque eles não queriam. A Casa Grande nunca quis, nada nunca nos foi dado, sempre foi luta. E é por isso que a gente está vivendo isso agora. O fato da gente ter esse revés, de estar sofrendo 1 1 caos implacável nesses estados que eu falei, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul também, é porque é bem essa perspectiva da história, e da verdade da história. Nada nos foi dado, tanto no no nos foi dado, que quando a gente tem momentos de crise, eles vão lá e retiram os nossos direitos, que é isso que eles estão fazendo. Então, é muito pedagógico, eu quero agradecer cada pessoa que se esforçou pra estar aqui, isso daqui olha, está gravado, na em todas as redes da nossa da da câmara federal, isso daqui reverbera, quero agradecer mais 1 vez o presidente Arthur Lira, por ter permitido que a gente conseguisse fazer a nossa reunião, também todo mundo da comissão de educação que ficaram com a gente aqui, nesse dia atípico, que a gente está, muito obrigada. E e agradecer a vocês por vocês não desistirem gente, não desistam. Vai ter muita muita muita oposição do lado de lá, eles ouvir, mas o que a gente precisa é ter foco, é ter estratégia, é reconhecer isso que vocês falaram, isso que a Nazaré falou, de dar as mãos, podem dar as mãos mesmo, pode dar, olha pra sua colega do lado, GG, tardia da GG, ainda sofreu acidente. Essas pessoas que a gente caminha junto, essas pessoas elas nos fortalecem. E são com elas que a gente vai vencendo, porque é duro mesmo, é difícil mesmo gente, não vai ser fácil, não vai ser fácil, mas é só assim que a gente avança. E pra terminar mesmo, eu quero recitar aqui 1 música, vocês sabem que eu eu estou numa fase do pavão misterioso, mas não vou de pavão misterioso hoje. Hoje eu vou 1 outra do Ivan Lins, Que eu, não vou cantar porque né? Mas vou recitar, não, não tem condição. Olha, não, não. Eu canto mal, não, olha. Daquilo que eu sei, nem tudo me deu clareza, nem tudo foi permitido, nem tudo me deu certeza. Daquilo que eu sei, nem tudo foi proibido, nem tudo me foi possível, nem tudo foi concebido. Não fechei os olhos, não tatei os ouvidos. Cheirei, toquei, provei. Ah eu usei todos os sentidos. Só não lavei as mãos, e é por isso que eu me sinto cada vez mais limpo. É assim que a gente vai seguir, é na união, é nos movimentando, é estando juntos, e é não desistindo. Porque a gente não desiste daquilo que é importante pra gente. A gente não desiste dos nossos sonhos, de futuro melhor, de planeta mais digno pros nossos filhos. A gente não tem essa opção de desistir, a gente tem a opção de seguir em frente e lutar até a vitória. Então muito obrigada pela confiança, pelo trabalho compartilhado, e vamos juntas somos todas professores. A nossa luta é todo dia, educação não é mercadoria. Nossa luta é todo dia. Educação não é. Isso aí, olha, somos todas professoras. Então em nome dessa comissão, sem chorar, olha só gente, sem chorar, quero agradecer a participação dos convidados que nos honraram com suas exposições e esclarecimentos. Agradeço também a todos que participaram, acompanharam também de modo online, e nada mais havendo a tratar. Declaro encerrada essa presente audiência pública, e vamos tirar várias fotos agora pra fazer o nosso registro que a gente merece né? Obrigada gente.




