COMISSÃO DE SAÚDE

25 nov. 2024 11:11 às 14:51

Sobre o Evento

Comissão de Saúde aborda cenário da oncologia no Brasil, com participação de diversos especialistas e representantes de instituições.

Status
Concluído
ID: 74918Total: 60 discursos
#4
Radio-Oncologista - Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) e Hospital DF Star Alisson Borges
Alisson Borges

Radio-Oncologista - Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) e Hospital DF Star

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Essa comissão como o senhor muito bem falou o deputado Wellington, o senhor deputado Foletto, deputada Silvia, tem vestido a bandeira da radioterapia a gente invariavelmente vem aqui a Brasília né encontrar com os senhores e e eu fico muito feliz de estar aqui. Agradecer também a Vari que me apoiou pra estar aqui nessa nessa apresentação, esses são meus conflitos de interesse, e o foco é a gente falar pouquinho de tentar linkar diagnóstico precoce e acesso à radioterapia e determinadas tratamentos oncológicos. Ninguém tem dúvida do que a nossa população está envelhecendo, isso vai trazer o quê? Aumento exponencial do número de diagnóstico e consequentemente de tratamento oncológico pra esses pacientes pra população brasileira como todo, e quando a gente olha né, falando em detecção precoce eu fico muito feliz de vocês estarem aqui porque sempre que a gente fala em detecção precoce diagnóstico a bandeira do Outubro Rosa a bandeira de campanhas de organizações como a de vocês fazem muita diferença em conscientizar a população a importância de buscar o diagnóstico precoce ou a própria prevenção no caso, e eu resgatando pouquinho o tubo rosa eu vou focar muito nisso porque eu acho que é exemplo muito ideal do como a falta de acesso vai impactar em toda essa cadeia, né isso aqui é 1 reportagem mídia leiga várias n reportagens por todo o Brasil a gente vê né daqui o número excessivo de pacientes mulheres que estão na fila aguardando mamografia por exemplo, E quando a gente olha né e aí eu trouxe esse dado do do do do do do ministério da saúde aqui do distrito federal, quando a gente olha e o Fernando falou muito bem, a gente vai ver que o impacto da mamografia não é muito a questão da máquina, apesar da gente ter 1 gama de pacientes aguardando os exames de detecção precoce, a gente vai ver que quando a gente vai olhar o cenário de de equipamento disponível, não parece ser ele o gargalo. E aí aqui eu vejo né, a gente vai olhar de 1 maneira geral, que a população do Distrito Federal ela precisava em média 136000 pessoas precisariam estar fazendo mamografia anualmente. E olha o que a gente realizou antes da pandemia a gente realizava 7000, focando em Distrito Federal. Agora a gente realizou em 2023, 19964 mamografias. Então cerca de 50000 mulheres deixaram de fazer exame. Só que hoje no Distrito Federal a gente tem em torno de 13 equipamentos dedicados à mamografia. Equipamento vamos pegar performance normal faz em média uns 20 exames por dia. Então a gente conseguiria dar 60000 exames, se esses pacientes chegassem à mamografia aqui no Distrito Federal. Praticamente a gente fecharia o número, apenas aí com os equipamentos que estão aqui disponíveis. E 1 das coisas que acontece, o Fernando já até mostrou muito bem, né e vai refletir no nosso número nessa baixa, rastreio que a gente tem, e 1 das coisas que acontecem é, a dificuldade do acesso a essas pacientes aos serviços que têm mamografia, seja dificuldade por conta logística, né então como o Fernando bem mencionou, pacientes principalmente de estados maiores vão ter dificuldade aí grandes centros, transporte público, acesso, gerência de fila, gerência de agendamento tudo isso acontece a ineficiência nossa em fazer os agendamentos adequados, mas tem 1 outra coisa que é muito importante, que é o próprio também conhecimento do médico que está atendendo essa população de indicar corretamente o protocolo correto ou protocolo correto ou o protocolo ideal de se fazer o rastreio. Esse é estudo muito interessante Fernando foi publicado agora no na revista do Einstein, que pegou população de São Paulo então população médica de São Paulo que atende os pacientes em PSF, UBS, e separou ali entre médicos da família ou ginecologistas que fazem esse atendimento primário às populações da cidade mais rica do país. E o que é que eles viram? Que cerca de terço dos profissionais que estão atendendo esses pacientes, não têm a ideia do protocolo correto que eles devem usar como rastreio. Então ou seja, eles não têm conhecimento em quem indicar a mamografia de rastreio. Por exemplo, e aí cai no que o Fernando muito bem falou indica para pacientes de 30 anos, não indica para pacientes de 52 indica ultrassom e veja mamografia então, a gente vê que existe uns umas certo ainda descasamento entre os próprios conhecimentos dos profissionais em relação aos protocolos vou dar exemplo também o nosso próprio protocolo do ministério da saúde é diferente do protocolo que a sociedade brasileira de nossologia recomenda. Então existem essas essas questões que atrapalha pouco a esse acesso, né? E quando a gente vai ver, e aí é importante, né? Esse é dado da sociedade americana de oncologia. Então quando a gente olha, a taxa de sobrevida e todo mundo aqui sabe disso, quando eu descubro essa doença dessa paciente num estádio inicial, o estádio por exemplo, eu vou ter 99 por 100 de chance de cura em 5 anos ou seja a chance dessa paciente está sem doença em 5 anos vai ser 99 por 100. Quando eu já pego essa paciente com doença avançada metastática, 30 e por 100 de chance dela estar vivo em 5 anos. Então esse é dado muito impactante, porque a gente vai deixar de curar 1 série de pacientes talvez com 1 ineficiência nossa em fazer gestão dessas pacientes lá no rastreio. E aí eu vou mais além vou pegar exemplo então além da gente ter 1 diminuição na chance de cura dessas pacientes, ao fazer diagnóstico mais tardio, eu vou dar impacto na cadeia toda, por exemplo, se eu pego 1 paciente com o estádio inicial deputado estádio vai ter 1 doença localizada na mama axila negativa provavelmente essa mulher vai para 1 cirurgia conservadora, dia de internação, ou a gente tem excelentes serviços que hoje dão alta no mesmo dia fazem cirurgias até em hospital dia. Essa paciente então não vai consumir gasto cirúrgico de OPME pro SUS, ela não vai consumir internação, ela não vai consumir UTI, e eu vou deixar essa cadeia pouco mais tranquila. Ela vai para tratamento sistêmico doutor Girade está aí depois pode até falar melhor, se ela for receptor hormonal positivo 1 doença inicial ela vai provavelmente para tratamento hormonal. Ela vai seguir aí com 5 anos com o comprimido que ela vai pegar, chega chega seja, pode ser lá no UBS, pode receber em casa, mas ela vai usar tratamento domiciliar de baixíssimo custo, 100 130 reais. E ela vai para 1 radioterapia. E se a gente tiver tecnologia e eu vou mostrar pra essa radioterapia, como o senhor muito bem mencionou, se a gente faz hoje 1 radioterapia no setor privado, essa paciente vai fazer o tratamento em 5 sessões. Porque? Porque o equipamento tem 1 qualidade, 1 hora a gente vai mostrar, tem 1 localização, 1 precisão maior, eu consigo fazer o que a gente chama de hipofracionamento. Aumentou a dose por fração, reduz o tempo total de de acesso a esse de tempo total de tratamento, isso melhora o acesso dela, porque muitas vezes eu quando trabalhava em barretos, a gente recebia pacientes do Brasil todo, e você tirar paciente pra ficar 20 25 dias fora do seu domicílio é muito difícil. Então tem até estudo muito interessante deputado americano, vamos pensar na ação mais rica do mundo, que 30 por 100 dos pacientes principalmente dos estados centrais não fazem radioterapia por dificuldade de acesso, então isso é importante. E aí quando eu for pra 1 doença localmente avançada, o que vai acontecer? Essa paciente ou ela vai para 1 quimioterapia neoadjuvante, ou ela vai para 1 cirurgia radical, vai usar o PME, vai precisar de reconstrução, voltar ao hospital outras vezes, vai fazer tratamento sistêmico, porque a radioterapia aqui se a gente for pensar num serviço de qualidade mediana vai fazer em 15 sessões, ou seja eu tripliquei o tempo de tratamento na rádio. Imagina o quantos novos pacientes eu podia estar fazendo nessa mesma máquina, porque eu estou ocupando máquina porque a minha qualidade do tratamento ela é inferior. E aí aqui são dados que só para chamar atenção, que câncer de mama por exemplo é o nosso maior volume de tratamento no SUS. Então se eu conseguir técnicas que, tenha diagnóstico precoce e reduzam o tempo total de tratamento, talvez eu não precisaria de tantas máquinas novas. O investimento seria menor como o senhor falou em qualidade de radioterapia. E eu poderia estar apenas brigando para substituir aquelas máquinas mais antigas que é o novo Persus que, que o senhor está está muito bem por dentro. Então tecnologia e acesso à à diagnóstico elas vão andar junto, então o que a gente já falou, equipamentos mais modernos vão trazer menos sessões de rádio, mais hipofracionamento, menos toxicidade então isso impacta bastante. Aqui é só detalhe geral eu sei que eu estourei meu tempo, mas só pra gente é importante a gente mencionar, como é que está a distribuição hoje das máquinas de radioterapia pelo nosso país né? Esse é trabalho muito importante da nossa sociedade chamado RT 20 30, e que mostra panorama de cobertura de radioterapia. E a gente hoje tem em torno de 409 máquinas ali são é o que a gente tem hoje instalado no Brasil. Dessas, 409 máquinas a gente vai ver que a grande parte delas, tem mais de 20 anos, ou seja são máquinas muito antigas. E aí a gente não está nem falando de máquina que a gente trata do próprio programa de expansão, a gente não está falando de cobaltoterapia, que são equipamentos extremamente difíceis de manejar, além de tudo, geram muito mais efeito colateral no nosso paciente. E quando a gente vai falar de alta tecnologia como o rádio cirurgia por exemplo, olha o número de de máquinas que estão disponíveis para o SUS. Então assim, a gente tem 1 realidade muito diferente hoje do que a gente tem na medicina privada e na medicina pública, O que impacta necessariamente no nosso, no nosso na nossa qualidade e no próprio acesso à paciente então eu saio de tratamentos tecnológicos como esse, e vou para pacientes tratamentos como esse, né que é tratamento 2 d, baseado em raiox em que a gente teoricamente não vê o coração não vê o pulmão. E tem muitos lugares infelizmente na nossa nação que estão pacientes recebendo esse tipo de tratamento, que é muito mais tóxico para o paciente. Isso vai gerar muito mais efeito colateral, né então são várias reportagens, só que a gente sabe que a gente tem qualidade pra oferecer coisa melhor. E aí detalhe importante, diagnosticar essa doença de maneira tardia vai causar 1 cascata de eventos, na toxicidade na lesão e no custo que o nosso governo vai desperdiçar em tratamento. E o que acontece? Hoje a gente vê por cenário em que a gente diagnostica doença muito avançada, custo gasto extremamente alto nos não alto do ponto de vista desse dinheiro está sendo direcionado de maneira intencional né, mas ele é forçado a direcionar parte grande parte do investimento para o tratamento sistêmico. Então a gente gasta hoje em torno de 2800000000 em tratamento sistêmico, porque as doenças são avançadas, o paciente é metastático então ele vai fazer quimioterapia, imunoterapia, drogas alfa por muito tempo. Quando a gente vê o gasto em cirurgia oncológica e radioterapia que normalmente são tratamentos mais pra doenças iniciais, ele está praticamente estagnado. E como o senhor muito bem mencionou, a gente hoje gasta 600000000 apenas com raterapia. Ainda há 7 anos atrás a gente gastava 432000000 e a radioterapia tem detalhe muito importante que é basicamente o a inflação dela atrelada ao dólar. Os equipamentos normalmente são em dólar, a manutenção é atrelada em dólar. Então a gente hoje não consegue avançar no investimento em radioterapia porque a gente precisa tratar 1 doença muito avançada que vai consumir muito mais recurso em outras esferas, isso é detalhe importante. Então, como a gente mesmo mencionou, né, a gente tem 1 série de outras além da mama de programas de rastreio importante, que também seguindo essa mesma lógica podem impactar bastante na nossa na nossa qualidade de tratamento e talvez em melhorar as nossas alocações de recurso. Outro exemplo que eu gosto de falar é câncer de pulmão, a gente sabe que o câncer de pulmão é tratamento que cirurgicamente ele é curável quando detectado no início, diferente até da mama a gente não tem tanta mídia e e visibilidade no câncer de pulmão, mas existem já protocolos muito bem estabelecidos de rastreio pra doença inicial, e a doença inicial quando ela é operada ela tem 1 chance de cura muito alta. Só que a a cirurgia vai impactar muitas vezes em quê? Disponibilidade de leito, acesso ao paciente e à condição clínica do paciente aguentar 1 cirurgia. E hoje a gente sabe que com as cirurgias robóticas que infelizmente são pouquíssimos serviços que tem no SUS, o paciente poderia até ser beneficiado mas a grande parte desses pacientes não vão ser operados. E aí eles vão pra radioterapia. Se eu uso 1 radioterapia convencional, isso é muito importante, eu praticamente vou condenar esse cara à morte. Porque com a radioterapia convencional e quimioterapia eu vou sair de 1 chance de cura de 90 por 100 para em torno de 30, além de gastar mais de fazer o paciente ficar mais tempo, eu vou impactar bastante na chance de sobrevida desse paciente. E quando a gente usa equipamentos como esse né, que a gente vai ter como o senhor mencionou, radioterapia guiada por imagem, mesa robótica, modulação de feixe, eu consigo fazer o que a gente chama de radiocirurgia, que é tratamento ambulatorial, o paciente vai ao hospital faz de 3 a 5 sessões e tem 1 chance de cura muito semelhante ao processo cirúrgico. Sem precisar internar, indo muito menos vezes ao hospital e consequentemente tendo 1 chance de cura maior, né? Então como conclusão acho que o diagnóstico precoce deputado, ele tem que ser 1 política de estado, a gente tem que fazer algo duradouro independente do tipo de governo que a gente tiver, a gente tem que colocar regras assim como fez o Reino Unido, existem as políticas muito claras do que que a gente tem que fazer, a restrutração da oncologia e radioterapia ela é fundamental, acho que todo mundo aqui vai falar, a gente vai ter opinião do da oncologia também, mas na radioterapia essas novas soluções que chegam não é só questão de de tecnologia, muitas elas não, elas mudam o nosso tratamento, elas mudam nossa qualidade de vida do paciente, elas diminuem o risco de eventos adversos desse paciente, e também principalmente eles vão diminuir o número de sessões e consequentemente vai aumentar a oferta sem precisar por exemplo trocar a máquina. Financiamento do setor ele é extremamente importante aí a gente tem que pensar também que esse financiamento não é só na aquisição que é importante, mas também na forma de custeio dessas operações como eu falei, a gente vê que o gasto em radioterapia ele ele foi muito pequeno ao ao longo do tempo, diferente do que a gente teve de dólar, de inflação, et cétera. E muitas vezes o investimento em tecnologia através de parcerias até público privadas que é o que a gente tem feito né? De apoiar com tratamentos aí que seja com instituições filantrópicas ou própria instituições privadas, aqui em Brasília é exemplo né o governo ele acaba ajudando instituições privadas pra ter acesso a essas tecnologias, mas eu acho que esse seria caminho. Desculpa pelo tempo, mas era importante e agradeço vocês mais 1 vez obrigado.

25 de nov, 14:33