COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL

28 nov. 2024 11:12 às 13:51

Sobre o Evento

Comissão discute desafios da heteroidentificação com diversos participantes, incluindo deputados e representantes de ONGs.

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Transcrição automática

Bom boa tarde, os presentes, me identificando aqui, eu sou pardo, tenho 44 anos, e isso tenho metro e 63, sou baixinho, e assim como a mãe do Marcos também disse que ele era preto bonito, a minha mãe também fala a mesma coisa, né? Mãe é mãe. Então primeiramente eu gostaria de saudar, né? A todos presentes e especial a vossa excelência deputado Hélio Lopes. Agradecêlo pela luta incansável que o senhor carrega nas costas contra todos aqueles que tentam aparelhar o Estado pela via do pretenso combate ao racismo. E dizer que eu, tomo a liberdade de alcunhalos todos aqueles que lhe chamam de capitão do mato, outros adjetivos vexatórios, de agiotas raciais. Eu chamo eles de agiotas raciais porque eles são pessoas que utilizam o expediente do racismo pra poder aparelhar o estado. Então, dito isso, o importante e inadiável debate sobre as bancas de heteroidentificação, ele precisa ser iniciado com a sobre a seguinte pergunta, quem é capaz de definir racialmente o outro em país altamente miscigenado como o Brasil? E a resposta pra essa pergunta, vai esbarrar num fato, de que há muitas décadas o movimento negro brasileiro, ele aceitou a premissa de sociólogo chamado Horaci Nogueira, que afirma que o Brasil diferente dos Estados Unidos, é país que o preconceito ele não é de origem, ou seja, não é pautado numa questão de 1 gota de sangue, e sim é o preconceito de marca, por aquilo que você vê, que o que está visualmente manifesto nas relações cotidianas. O que quer dizer que aquele que possui o fenótipo negro sofre mais por isso do que os que sofrem mais por isso, né, do que os brancos, e numa gradação menos do que os negros retinos. E aí, o que que acontece? Através de ímpeto supremacista que se observa na sociedade hoje contemporânea, os movimentos negros têm excluído sistematicamente os mestiços das vagas reservadas para as para cotas raciais, os definindo de maneira arbitrária como não negros, já que nós estamos num país que não está levando em consideração a questão da cota da da de 1 gota de sangue, da ascendência, como no Estados Unidos. E aí eles ao fazerem isso, reacende a própria celeuma, que é tornado 1 questão chave que deve orientar esse debate, ou seja, quem é capaz de definir racialmente o outro em país altamente miscigenado como o Brasil. Para responder essa questão, eu convido os presentes a refletir sobre 2 tristes episódios em que pessoas foram arbitrariamente definidas pelos por esses supremacistas negros. O primeiro ocorre no ano de 2018, quando a cantora Fabiana Cozza, foi impedida de representar a sambista dona Ivone Lara num musical, numa peça teatral, sob forte acusação de que essa cantora ela não era suficientemente negra para representar a sambista. Em nota, E0E tem detalhe, que a própria dona Ivone Lara queria que a Fabiana Cozza interpretasse o papel dela, ou seja, esses supremacistas negros tomaram a frente inclusive da própria protagonista da história. E em nota, quando a Fabiana Kosa foi diante de tanta pressão, ela diz o seguinte, renuncio por ter dormido negra numa terçafeira e numa quarta após o anúncio do meu nome como protagonista do musical, acordar branca aos olhos de tantos irmãos. Então você vê que há 1 exclusão sistematicamente de pessoas menos retintas, trazendo a a à tona o debate do colorismo que não é matéria aqui agora pro meu, pra minha explanação. E o outro, o outro episódio triste na nossa história, ele data de novembro de 2024, sim agora, quando a professora universitária Marilena Chauí, foi catalogada entre os professores negros da USP, quando socialmente a mesma sempre foi identificada como branca, o que causou espanto e indignação popular. Então em todas as páginas das redes sociais, e em grande parte da mídia, não dessa mídia mas da mídia alternativa, a gente tem 1 grande indignação e muitas análises em relação a isso, ou seja, sobre a seletividade em que os juízes da raça nesse país, determinam quem é ou quem não é negro. Em todos esses casos, os militantes institucionalizados eles se contradizem com as orientações dos órgãos, pelo qual eles produzem as estatísticas que justificam as políticas por eles reivindicadas, e fazem isso violando o princípio básico da autoidentificação. E aí eu introduzo a seguinte questão, se durante o censo do IBGE, vamos refletir aqui, se durante o censo do IBGE, o recenseador for orientado a a identificar a corraça dos indivíduos, qual será a cor do Brasil? Ou seja, o poder de identificação, a da de heteroidentificação, ele não está nem por dentro do próprio órgão que produz as estatísticas no nosso país. Então, você já percebe que o quão arbitrário é identificar o outro já que, pela própria orientação do maior órgão de de de geografia estatística que temos no nosso país, é de que a pessoa diga aquilo que é, aquilo com a qual se identifica. Então diante de todo o exposto, eu finalizo a minha fala, alertando que os riscos do crivo arbitrário dos militantes racialistas, que hoje ocupam posições fundamentais no estado, orbitam entre 3 grandes eixos. Facilitação para a doutrinação ideológica sobre a batuta dos movimentos negros, 2 custos exorbitantes ao ao nosso erário, dadas todas a a logística para manter as políticas públicas que surgem a partir de necessidades inventadas por eles, e 3, facilitação para fraudes e para o corporativismo nos setores públicos baseados na nas identificações ideológicas. Por essas e por outras, eu retorno, eu volto a dizer, diga não aos agiotas raciais, muito obrigado aí aos presentes e ao vosso excelentíssimo deputado Hélio Lopes.

28 de nov, 14:31