COMISSÃO DE MINAS E ENERGIA

12 dez. 2024 07:06 às 09:36

Sobre o Evento

Comissão de Minas e Energia discute matriz energética ideal para o Brasil até 2050, com participação de diversos especialistas e representantes do setor.

Status
Concluído
ID: 75107Total: 31 discursos
#4
Transcrição automática

Bom dia, gostaria de agradecer o convite pra anel falar nessa audiência pública. Eu sou Ludmilla Lima, sou superintendente de concessões, permissões e autorizações do serviço de energia elétrica na ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica. Quando a gente fala de matriz elétrica brasileira, o primeiro slide que a gente gosta de apresentar, é o panorama atual do Brasil, que é ser 1 matriz hoje já renovável e limpa. Então nesse cenário de discussão, de transição energética, de descarbonização, a gente precisa ter muito orgulho da nossa matriz elétrica. Então hoje o Brasil é 85 por 100 renovável, e isso é número muito importante considerando a média mundial, que a gente está falando de 26 por 100. Então a matriz elétrica brasileira, ela é historicamente renovável, em que pese a gente já verifique mudanças na divisão e na forma como a matriz hoje, ela está ela é composta. Então quando a gente pega cenário de 20 anos, então a gente tem 2000 e a matriz renovável mas muito consolidada nas hidrelétricas. Em 2024, a gente vê que a matriz ela permanece renovável, mas agora com 1 participação de outras fontes limpas, e aí a gente percebe a entrada principalmente da fonte eólica e solar. E aqui é pouquinho dessa evolução, né então a gente percebe que a matriz elétrica brasileira, ela foi desenvolvida ela cresceu o setor elétrico brasileiro ele cresceu baseado muito na exploração hidrotérmica, as grandes usinas hidrelétricas e as usinas termoelétricas, e hoje a gente percebe a diversificação da matriz elétrica brasileira. Então a gente percebe é algo muito importante né, é a não dependência de 1 ou 2 fontes né mas é você ter 1 matriz elétrica diversificada. Em relação a perspectivas futuras, então a gente percebe que era 1 matriz muito voltada na fonte hidrelétrica né e hoje com entrada de novas fontes, e aqui é o que a gente tem hoje em termos de perspectivas futuras para a fonte hídrica. Então a gente tem ainda potencial a ser desenvolvido, em que pese a gente perceba 1 diminuição do interesse e do desenvolvimento da fonte hidrelétrica como perspectiva futura. E quais são os desafios dessa fonte hidrelétrica? A gente tem percebido o desafio em termos de licenciamento ambiental, remuneração dos diversos serviços que a fonte hidrelétrica ela traz pro sistema, a competitividade com outras fontes, e em 1 certa medida até o excesso de oferta então a gente vê grande número de outorgas sendo emitidas, a própria competição pelo uso do recurso hídrico, então a hidrelétrica ela ela enfrenta competição por outros usuários do recurso hídrico, e 1 questão de relação com a comunidade né então a gente vê 1 grande discussão, quando se fala no desenvolvimento de usinas hidrelétricas, 1 grande preocupação da sociedade e 1 necessidade de melhorar essa comunicação. E como tem sido o desenvolvimento então se a gente tem percebido 1 retração do desenvolvimento do potencial hidrelétrica, como que a matriz tem crescido ao longo dos últimos anos? Então a gente percebe avanço significativo na potência outorgada de novas usinas, a de novas usinas, a partir de 2022 e 2023, e qual é essa nova potência que está sendo outorgada? Ela é essencialmente vinda de fonte solar e eólica, a a gente está falando de 97 por 100 das outorgas emitidas foram de fonte solar e eólica, ela está concentrada na região nordeste, e ela visa nas, praticamente 100 por 100 ao atendimento ao mercado livre. E o que que isso muda no nosso cenário futuro quando a gente fala de 1 matriz elétrica para os próximos anos? Então aquela matriz que era muito dependente né dos recursos elétricos e termoelétricos, ela passa a ter 1 mudança significativa se a gente considerar que toda essa geração solar e eólica, ela vai entrar em operação. Então a gente percebe por exemplo que essa faixa cinza, que são usinas solar que estão em implantação, se ela se viabilizar e entrar em operação, ela passa a ser a principal fonte da nossa matriz elétrica. Isso aqui, por que que a gente fala tanto de diversificação e dessa mudança da matriz? Porque quando a gente fala da do tema dessa audiência pública a matriz que a gente quer pra 2050, a gente quer isso, 1 diversificação e tratar complementariedade das fontes. E por que que isso é importante, essa complementariedade? Porque a operação do sistema elétrico brasileiro, nesse cenário, dessas diversidade de fontes, e principalmente entrada de fontes que têm variabilidade como a solar e eólica, a gente precisa entender os desafios dessa operação. Então a fonte solar e eólica ela tem a variabilidade natural dessa fonte, e o sistema precisa ter estabilidade pra receber e permitir que essa fonte continue a desenvolver. Como se dá estabilidade? Por meio de baterias. E quando a gente fala de baterias a gente está falando da bateria química, aquela tradicional que a gente tem, visualmente, mas a gente também tem que falar, dos reservatórios de usinas hidrelétricas que é 1 grande bateria que usa água como estoque de energia, ou eventualmente, não desejável, a gente pode precisar da bateria em termos de combustível, que é por meio da geração termoelétrica. E quando a gente fala dessa diversidade e da mudança da matriz, eu gosto de trazer esse gráfico que mostra que há muito tempo o Brasil não constrói bateria hidráulica. Então a última grande usina hidrelétrica implantada, que tinha capacidade de reservação foi da década de 90, a usina de Serra da Mesa, então já tem algumas décadas que o Brasil não trabalha na sua bateria em forma de água. E quais são os desafios da regulação? A gente tem o desenvolvimento de usinas híbridas que tenta capturar essa complementariedade entre as fontes, a gente tem a discussão das usinas eólicas offshore, a gente tem a discussão dessas formas de armazenamento por meio de baterias, aí quando eu falo bateria amplo senso, a gente tem a entrada do hidrogênio de baixo carbono, a gente tem a necessidade de discutir que o nosso sistema precisa tratar dos serviços auxiliares que essa prestação de serviço que mantém a operação e essa de a estabilidade do sistema elétrico brasileiro, e a gente quando fala de matriz elétrica a gente precisa discutir questões de acesso e de expansão da geração e da transmissão. E esse aqui é o grande desafio que a gente tem aí pro futuro né? Eventos climáticos cada vez mais extremos, que afetam a geração, a transmissão e a distribuição, então o cenário de discussão de matriz, de expansão da transmissão, de operação do sistema de distribuição, tem que considerar o cenário que a gente vive hoje, em que a gente vai enfrentar cada vez mais cenários em que a gente tem eventos climáticos extremos. E também o novo papel do consumidor. Então por muito tempo o setor elétrico ele era muito categorizado em 3 segmentos, geração, transmissão, distribuição, e hoje a gente vê o setor elétrico muito mais diversificado muito mais complexo. Nesse novo modelo o consumidor tem papel fundamental e protagonista, ele é consumidor mas ele também é gerador de energia, ele tem hoje o consumidor tem hoje em sua casa, 1 casa muito mais eletrificada, então a gente está falando do aumento pela de demanda por energia, e é nesse cenário que a gente tem que pensar 1 matriz elétrica brasileira para as próximas décadas. E onde a gente quer chegar? A gente quer energia abundante, mas a gente também quer energia renovável. A gente quer manter essa matriz limpa, que hoje é de pelo menos 85 por 100. Mas a gente também quer sistema estável, capaz de absorver toda essa geração renovável. A gente quer 1 das redes, 1 rede capaz de absorver e enfrentar eventos climáticos extremos. A gente quer o desenvolvimento de novas tecnologias, nós não podemos e não devemos ser barreira para a entrada de novas tecnologias, Esse é o grande catalisador de outras fontes né? Então quando a gente fala de olic it solar, hoje ela é o grande catalisador do desenvolvimento de baterias. Quando a gente fala de olic offshore, ela pode ser grande catalisador por exemplo do hidrogênio verde, que é grande 1 grande carga concentrada que vai demandar 1 demanda grande de energia. E a gente tem que pensar todo esse cenário de expansão da geração, a necessária expansão da transmissão, sem perder de vista que a gente tem que olhar pro consumidor, que é quem vai pagar toda essa conta. Então a gente quer manter tarifas justas, e modernas e moderadas. E, esse cenário todo é de sustentabilidade, né então a matriz é renovável, queremos que seja renovável, e pensando sempre nesse cenário de sustentabilidade. Acabei, obrigada.

12 de dez, 10:30