COMISSÃO DA AMAZÔNIA E DOS POVOS ORIGINÁRIOS E TRADICIONAIS

10 fev. 2026 14:38 às 17:01

Sobre o Evento

A reunião da comissão formalizou ritos administrativos e promoveu o reconhecimento institucional da Ministra Sônia Guajajara por meio de moção de aplausos.

Status
Concluído
ID: 80992Total: 38 discursos
#14
Participante Alessandra
Alessandra

Participante

Transcrição automática

Oi, Katsuato. Boa tarde. Boa tarde. Deputada. Me chamo Alessandra Corapi Munduruku, sou liderança do povo Munduruku, principalmente ali no Médio Tapajós. Estamos aqui desde quando saiu o decreto 12.600, quando o presidente Lula assinou. A gente já via a preocupação, quando se privatiza o rio, é dar o nosso rio a grandes empresas que não conhecem a nossa realidade no território. Eu venho acompanhando muita luta de alguns parentes, as falas de alguns... parente também, é o sofrimento quando o rio é privatizado, quando o rio é dado. E a gente fica muito nessa pergunta, quantos rios têm que morrer para as pessoas acreditarem? Quantas pessoas só vão acreditar quando se perde uma vida, se perde um rio, se perde uma floresta? E a privatização do rio é a morte da cultura, é a morte da língua, é a morte dos saberes tradicionais, com o ensinamento que a gente dá como uma mãe. A nossa região é uma região de garimpo. Quando a draga começa a mexer no fundo do rio para tirar o ouro, ele começa a sujar bastante o rio. É um rio preservado. E com essa dragagem, ela vai aumentar a dragagem e vai sujar os rios. E são... 3 mil tiradas do leito, do fundo do rio, para colocar nas nascentes. essas areias, os barros pedrais para passar as bargaças. Ou seja, o interesse internacional, como a Cordo do Mercosul, o Arco Norte também é interessante para eles, e também as ferrovias que estão vindo para os leilões internacionais. que pode acontecer. Então, a luta não é só dos povos indígenas do Tapajós. O decreto já vem falando do rio Madeira, do rio Tocantins, mas tem vários rios também que são afluentes, como o rio Juruema, o rio Telespires e vários outros rios também. que eles estão usando, mapeando, para passar mais bargaço. Eu sou do município de Itaitu, mas reconheço muito bem a realidade da minha região. E a gente, quando faz uma rota, quando a gente viaja de barco, quantas pessoas vão sofrer, vão ser expulsas do seu lugar para dar espaço para o tal desenvolvimento que não tem envolvimento nem com as crianças, nem com a cultura, nem com os saberes, nem com os tradicionais, pós-tradicionais, ele pode ser expulso. É dizer bem claro, doutora Juliana, mesmo que o Lula assinou o decreto, revogue esse decreto 12.600, porque é um decreto de morte, é um decreto que vai matar a gente, que vai matar a nossa vida, o nosso vida... tradicional. Então, eu sinto muito isso na pele, já com meus parentes sofrendo, próprias mulheres mundurucu, a organização, ela já doa cadeira de roda por conta das crianças que já nascem com o problema do mercúrio. Então, o mercúrio está adormecido no rio há mais de décadas de 60, que a Itúva já mexe com garimpo, e aí o mercúrio está guardado no fundo e, com a mexida, os peixes vão sendo contaminados e o povo da população que consome peixe também vai começar a ser contaminado pelo mercúrio. Obrigado.

10 de fev, 15:13