CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS
Sobre o Evento
O evento debateu estratégias para fomentar o empreendedorismo e a inclusão financeira nas periferias, enfatizando o papel do microcrédito orientado, das fintechs e de parcerias entre setor público, privado e academia. Foram abordados desafios como a desigualdade de gênero, o combate ao crédito predatório e a necessidade de flexibilização legislativa para promover um desenvolvimento socioeconômico sustentável e resiliente nas comunidades.
Chefe de Departamento de Operações de Canais Digitais - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES
Bom dia a todos, obrigada pelo convite, em nome aqui do BNDES, senhoras deputadas, senhores deputados, demais autoridades, colegas, participantes dessa audiência pública, é muito bom estar aqui para falar sobre economia, empreendedorismo, inclusão financeira nas favelas. mais de 12 mil favelas e comunidades urbanas, onde vivem aproximadamente mais de 16 milhões de pessoas, 16 milhões de brasileiros, equivalendo a 8% da população. Então realmente é um contingente muito alto, se as favelas fossem um estado, eles seriam o terceiro estado mais populoso do país. e de fato é fundamental né que as instituições né sou aqui de um banco de desenvolvimento né não poderia ser diferente que as instituições olhem essas comunidades esses territórios é não apenas como problemas mas como potência né eu acho que de fato tem ali uma potencialidade tem ali uma economia extremamente dinâmica, que muitas vezes não entra nas estatísticas tradicionais. Os estudos indicam que existem aproximadamente 5 milhões de empreendedores que vivem nas favelas brasileiras e muitas das vezes o empreendedorismo não é nem uma escolha, é uma estratégia mesmo de sobrevivência, de vida fundamental para a geração de renda e de sobrevivência econômica. eles têm ali uma vocação muito voltada à alimentação, à bebida, à beleza estética, moda vestuário, pequenos serviços, comércios locais, enfim, negócios aí de pequena escala, muitas vezes familiares, muitas vezes liderados por mulheres, mães solos, chefes de família. enfim, que tem uma importância realmente grande para o dinamismo local desses territórios. Grande parte dessas empreendedoras, desses empreendedores trabalham sozinhos ou com poucos colaboradores, e muitas vezes as contratações acontecem dentro da própria comunidade, então há também um papel de geração de emprego e renda desses pequenos negócios dentro de suas próprias localidades. ele realmente possui um papel essencial na geração de renda local e na dinamização da economia periférica. Outra informação bem relevante é que esses negócios começam muitas vezes com um capital muito pequeno, iniciando ali a atividade na faixa de um salário mínimo de investimento inicial, muitas vezes não é dinheiro obtido, a gente vai falar disso, do acesso ao crédito, que é um dos temas. ser obtido via sistema financeiro, via sistema bancário, são economias pessoais ou é um apoio da família, E esse é um dos principais, é uma das principais questões para essa economia, é o acesso ao crédito, é um dos principais desafios. E dentro desses obstáculos, certamente a ausência de garantias tradicionais é um fator, a ausência de dados, com histórico bancário limitado, isso se traduz e muitas das vezes custos financeiros muito elevados e as próprias instituições financeiras. elas apresentam a dificuldade para estarem presencialmente nessas comunidades. Então, muitos desses empreendedores acabam realmente recorrendo a recursos próprios ou informais, o que limita a sua capacidade de investir, de crescer, de gerar mais emprego. E aqui a gente pode entender uma espécie de paradoxo da nossa economia, porque existe uma enorme capacidade empreendedora nas periferias, mas obviamente com barreiras estruturais que impedem que esse potencial se transforme em desenvolvimento econômico. E como eu já falei, é impossível a gente falar de empreendedorismo nas periferias sem destacar o protagonismo das mulheres, que representam uma parcela muito significativa, liderando esses empreendimentos, e são chefes de família, conciliam o empreendedorismo com o cuidado com os filhos, com a família, enfim. Então de fato acho que é um destaque aqui, a relevância do empreendedorismo feminino nesse contexto. enfim senhores, promover a inclusão financeira nas periferias é uma medida para promover a autonomia financeira feminina, debate-se muito sobre isso, a gente está aí às vésperas do Dia da Mulher, então, dentro das instituições, dentro aqui da nossa instituição, é um debate não só do dia 8 de março, mas um debate aí contínuo. Então, de fato, promover a inclusão financeira nesses territórios não é apenas uma política social, mas é uma estratégia de desenvolvimento econômico para o país. Quando a gente amplia o acesso ao crédito, a capacitação, vou já falar um pouco disso, e a instrumentos financeiros adequados, a gente permite que milhares de pequenos negócios ampliem sua produção, aumentem sua renda, gerem empregos locais e fortaleçam a economia das comunidades. E é nesse contexto que entra o papel financeiro. de instituições públicas de desenvolvimento, como é o caso do BNDES, que eu tenho a honra de estar representando aqui nessa sessão de audiência pública, e aí no contexto aqui do banco, eu queria destacar duas iniciativas que nós desempenhamos aqui, uma delas já há bastante tempo, que é um dos nossos produtos, que é o BNDES microcrédito, que é um produto de crédito em que a concessão, ela não se dá ali livremente, né, ela se dá dentro de um contexto de uma orientação, financeira e isso faz toda a diferença porque de fato a gente está falando aqui é a de um grande contingente de empreendedores que muitas das vezes tem baixa escolaridade, tem ali uma questão mesmo com a educação formal, que sai educação de negócios, então é realmente muito relevante a temática da orientação, da educação. para que esse crédito seja tomado com consciência e ele seja realmente um crédito benéfico, e não um veneno que vai acabar trazendo uma complicação para esses empreendedores. Então, é um produto que a gente já oferta ao mercado há mais de 20 anos, através de outros bancos, através de outros parceiros. conectadas aqui com o BNDES e essas OSCIPs na conta fazem esse trabalho de concessão do crédito com orientação, acompanhando o empreendedor para que o recurso realmente seja empregado de uma forma positiva para esses negócios. E uma outra iniciativa que nós vimos desempenhando desde 2024 é o BNDES Periferias. que é um programa que ele nasce de um novo posicionamento estratégico mesmo do BNDES, de um olhar mais estruturado para essas comunidades, para esses territórios periféricos, reconhecendo esse potencial. Esse programa foi concebido não aqui dentro dos nossos escritórios, ou de Brasília, ou aqui do Rio de Janeiro, teve todo um processo de escuta dentro das comunidades para entender como é que esse recurso poderia chegar da forma mais estruturada e efetiva nesses locais. Então, esse programa é estruturado em três grandes eixos, o eixo de capacitação e de capital semente, de capital empreendedor, a gente está falando aqui de recursos não reembolsáveis, então é o famoso fundo perdido, e o banco realmente empregou uma parcela de mais de 115 milhões já, numa gama de 20 projetos espalhados pelo Brasil, de norte a sul, com foco também em melhorar as instituições que tem essa legitimidade nesses territórios. Porque, como instituição nacional, a gente precisa pensar como chegar na ponta, como chegar na ponta com efetividade. Então, a gente tem que sempre pensar aqui nos nossos canais. E aí, nesse caso, canais legítimos que já atuem na... conheçam ali os empreendedores, que conheçam ali a realidade, eles têm muito mais capacidade de conduzir, de orientar, de levar esses empreendedores realmente a um sucesso ali dos seus negócios. Então, é um projeto realmente que revela, né, uma nova vertente aqui que o banco vem abraçando de 2024 para cá e a gente espera que esse programa realmente renda muitos bons frutos, tá? Por fim, senhores, tem uma outra iniciativa nossa, que toca no ponto do acesso ao crédito, que são os nossos fundos garantidores. O país conta com alguns fundos garantidores, o FGO, por exemplo, que o Banco do Brasil... faz a gestão, nós aqui BNDES fazemos a gestão de três fundos, o FGIPA, que é o FGI tradicional, juntamente com o SEBRAE. E aí uma iniciativa também que merece o destaque é a alteração legal que foi feita recentemente para o FGIPAC, para possibilitar que esse fundo fosse possível ali de ser utilizado em operações de informais, né, então, isso realmente é também mais uma iniciativa nesse sentido, porque com os fundos garantidores a gente entende que o apetite, principalmente dos próprios bancos, ele aumenta em relação a determinados públicos, públicos mais carentes, públicos sem garantia, e a gente vai estar tacando aqui num elo central, né, num ponto central, realmente do acesso ao crédito, que é a capacidade de garantir esse crédito. Então a gente espera também aí que nos próximos anos as operações de microcrédito aumentem bastante, em virtude aqui dessa remodelagem dos nossos produtos, desse nosso olhar mais customizado, direcionado e sensível para as periferias, e acreditamos aqui como banco de desenvolvimento que realmente, né, periferia aqui são potências, né, são potências não só culturais, mas principalmente econômicas que devem ser aqui valorizadas, né, e aproveitadas da melhor forma possível. Finalizo aqui a minha fala, me coloco aqui à disposição, mais uma vez agradeço, em nome do BNDES o espaço, e gostaria de saudar também os os demais especialistas, né, professor Lauro, inclusive é nosso mentor, né, aqui nesse redesenho de políticas públicas, então saudar a todos os senhores e aos colegas aqui, painelistas. *Você*




