CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS
Sobre o Evento
O evento debateu estratégias para fomentar o empreendedorismo e a inclusão financeira nas periferias, enfatizando o papel do microcrédito orientado, das fintechs e de parcerias entre setor público, privado e academia. Foram abordados desafios como a desigualdade de gênero, o combate ao crédito predatório e a necessidade de flexibilização legislativa para promover um desenvolvimento socioeconômico sustentável e resiliente nas comunidades.
Professor - Fundação Getúlio Vargas
Um convite, uma oportunidade para a gente falar de trabalhos que... um grupo de pessoas que inclui, inclusive, o professor Eduardo Dirich, que está aqui também, vem fazendo há muitos anos dentro desse tema. Nós temos pesquisado esses assuntos, então é sempre legal a oportunidade, oportunidades como essa de poder debater. Nós temos sempre a preocupação no que a gente faz em discutir questões e soluções que têm um impacto direto na vida das pessoas, dos modelos de negócios, das políticas públicas. nós queremos fazer sempre Esse é o nosso objetivo, essa ligação com o que está acontecendo na vida real das pessoas e das políticas. Eu acho que por tudo que já foi falado aqui, a apresentação do Sérgio, da Camila, inicialmente, o desafio, e quem estuda esse assunto já vim anotar há muito tempo, não é a falta de atividade local, nas comunidades, nas favelas. Isso já acontece há muito tempo, existe uma infinidade de estudos mostrando isso, são milhões e milhões, bilhões de reais... que representam esse fluxo de atividade intensa que acontece nos níveis locais. O problema é a falta de instrumentos financeiros para apoiar O... o desenvolvimento dessas atividades e a continuidade dessas atividades de maneira sustentável. Então, Essa é a questão, identificar esse desafio de falta de instrumentos e não ausência de atividade em si. Se vocês me permitem, eu estou ciente do meu tempo e vou ser bastante rápido aqui, eu acho que para a gente traçar um caminho é bom saber onde é que nós estamos, então eu me permito aqui durante dois a três minutos, fazer uma breve contextualização para, de novo, nós sabemos razoavelmente onde estamos para que nós possamos traçar o caminho para onde nós queremos chegar. É... o Esse painel fala de inclusão financeira e esse termo inclusão financeira está muito associado ao microcrédito. Tanto é verdade que isso estava na fala anterior, o Cero estava na fala da Camila também. É dentro dessa ideia de que o crédito para o microempreendedor poderia ser uma forma de promoção, de combate à pobreza e combate às desigualdades. Isso, na verdade, tem muitas décadas. Então, o que nós hoje chamamos de inclusão financeira remonta muito à história do microcrédito e das microfinanças que começou lá atrás. Provavelmente várias pessoas que estão aqui, se acompanham esse tema, já ouviram falar de uma instituição que se chama Gramin, lá em Bangladesh, o fundador do Grameen, que foi o Mohamed Yunus, ganhou o prêmio Nobel lá da Paz no início dos anos 2000, 2005, 2006 e o ano de 2005 foi o ano internacional do microcrédito. No Brasil o maior exemplo dessas de políticas envolvendo o microcrédito e do espaço que o microcrédito ocupou dentro da agenda, foi, tem sido... historicamente o Banco do Nordeste. Ah... Agora, o... Como é que do microcrétimo nós chegamos à inclusão financeira para nós sabermos muito bem onde é que nós estamos? Bom, o tempo passa... Lembrando que a gente está falando aí de um microcrédito que começa lá há algumas décadas para trás, que acontece no Brasil e que várias instituições se desenvolvem e começam a oferecê-lo sob diferentes formas, grande destaque para o Banco do Nordeste. Só que tem uma questão muito simples. Os dados mostraram que As instituições ditas alternativas de microcântese, e somente a atuação dessas instituições, e aqui não estou falando só de Brasil, não dava conta do recado. Ou seja, se o sistema financeiro como um todo não desempenhasse um papel... esse buraco da ausência de instrumentos financeiros que suportem essas atividades econômicas que acontecem nas comunidades, no mundo todo, inclusive aqui no Brasil, é... ele não seria suficiente. A partir dessa constatação, e certamente também a partir da constatação que havia oportunidades de negócio, dentro dessas comunidades, porque como nós já dissemos e como os outros apresentadores falaram também existe uma atividade econômica pujante nessas localidades nas periferias e se tratava mais de oferecer instrumentos financeiros adequados. Então dessa combinação de que instituições Alternativas de microcréditos não eram suficientes e mais oportunidades... de explorar esse ambiente econômico pujante, fez com que o engajamento das instituições financeiras tradicionais fosse mais intenso, e isso deu origem ao que hoje nós estamos aqui nesse painel chamando de inclusão financeira. é Dessa ideia. Se nós adiantarmos aqui o filme um pouco, com as novas tecnologias... É... essa inclusão financeira foi acrescentar acrescentou-se a palavra digital e hoje em dia quando nós estudamos esse assunto no mundo se fala em basicamente inclusão financeira digital. Na verdade, inclusão financeira e mesmo microfinanças sempre andaram de mãos dadas com tecnologia. A tecnologia é entendida aqui como um conjunto de atividades, um conjunto de modelos de negócios e não somente como apetrechos tecnológicos por si só. Isso é um conjunto de atividades. É... tem a ver com um conceito que é muito utilizado de tecnologia social, de inovação social etc. Agora se nós Adiantarmos, tendo em vista esse breve panorama, se nós adiantarmos e pensarmos no Brasil de hoje, o retrato da inclusão financeira no Brasil hoje é dado, a meu ver... Bela... combinação de duas coisas que aconteceram recentemente. Uma... Delas tem a ver com a atuação, justamente do que eu dizia, das novas tecnologias, com a incorporação dessas novas tecnologias e dos novos modelos de negócio. E aqui, sendo bastante concreto, para que todo mundo entenda bem, a gente está falando das fintechs, a gente está falando dos bancos digitais, a gente está falando do PIX, por exemplo. Então esse conjunto de inovações que só se materializou, diga-se de passagem, e aqui vem o meu segundo elemento importante para a gente entender, só se materializou no Brasil a partir de um movimento, de um conjunto de mudanças regulatórias que podem retroceder aqui bastante. A gente, nos nossos estudos, costuma... colocar alguns marcos, como por exemplo... o marco de 2013, com a lei 12.865, que instituiu as instituições de pagamento. criou oficialmente as instituições de pagamento e que, na verdade, abriu a avenida para a atuação de outras instituições como as fintechs que nós conhecemos hoje. Então, esse... Esse é o retrato do Brasil... da inclusão financeira no Brasil de hoje mostra a combinação, os contornos da inclusão financeira no Brasil são muito dados por esses dois fenômenos, de um lado esses novos atores... cuja entrada foi propiciada a partir de movimentos regulatórios importantes sobretudo com a liderança do Banco Central. Um aumento muito forte de concorrência. Hoje a gente não consegue... nem há 20, 25 anos era muito fácil imaginar quem eram as instituições que ofereciam serviços financeiros no Brasil. Hoje em dia eu duvido que uma pessoa seja capaz de citar de cabeça... 10, 15% número total de instituições que estão oferecendo serviços financeiros, o mercado mudou muito. Grande aumento de acesso de serviços financeiros, mas aqui temos os problemas. problemas que eu acho que essa comissão precisa e certamente se debruça para endereçar. Eu destacaria duas coisas aqui interrelacionadas. A primeira delas tem a ver com a proliferação de produtos de crédito de péssima qualidade ou de baixa qualidade, para dizer o mínimo. Associado a isso, nós temos um problema de superendividamento que afeta... Não somente. as pessoas das comunidades, mas as pessoas de baixa renda de maneira geral. Então esse é um problema. O grande desafio, portanto, hoje, é como é que nós melhoramos a qualidade do crédito sendo ofertado. O Brasil vive um outro momento, um momento em que o acesso a serviços de crédito, de novo, por conta das coisas que eu mencionei anteriormente, ele aumentou bastante. Não obstante... Os problemas continuam, porque esse crédito... tem sido um crédito de baixa qualidade, o que tem puxado Essa... Inclusão financeira os resultados dessa inclusão financeira para baixo, a ponto de nós podemos até dizer que em algumas situações A inclusão financeira pode ser contraproducente, ou seja, ao invés de ela trazer um bem rico, acabar causando efeitos negativos para a população de maneira geral, como através do superendividamento. Claro que isso se liga umbilicalmente aqui ao tema de hoje, parece que eu estou falando de um outro tipo de crédito, não... o crédito que tem a ver Um... o objeto aqui sendo debatido, mas não, na verdade eu quero argumentar aqui que uma maneira Uma maneira de melhorar. Esse cenário é justamente através do aumento da oferta deste crédito de alta qualidade. E aqui eu destacaria, já adiantei, o que fazer, né? Então, dentro dessa lógica, diante desse problema... desse contexto que eu tracei do atual momento dessa inclusão financeira que deu lugar ao microcrédito, que substituiu o termo microcrédito, o microcrédito ficou colocado embaixo do guarda-chuva da reclusão financeira, outros serviços financeiros são importantes, como o PIX também ressaltou a importância dos pagamentos, mas nós estamos diante desse momento importante. em que a qualidade do que está sendo oferecido, mesmo com tantos atores... a mais, mesmo com o aumento da concorrência, ela é bastante... Voltando então, o que nós podemos fazer? Algumas... Claro que eu vou citar muito rapidamente... E aí Certamente a como estava na fala das pessoas, tanto da Camila como do Sérgio, o aumento do microcrédito produtivo, em particular do microcrédito produtivo orientado, é uma forma de mudar esse mix de crédito, na direção de um crédito de maior qualidade. Então esse mix de crédito hoje está muito na direção de crédito para consumo de péssima qualidade, não somente crédito predatório e ruim, mas nós temos visto inclusive créditos que envolvem fraudes, Ou seja, tem um espaço muito grande para melhora... e isso pode vir através da expansão do microcredo produtivo, é impossível imaginar essa melhoria sem um aprimoramento do aparato regulatório, sem um... um fortalecimento do mecanismo de proteção do consumidor, justamente este consumidor que atua em diversas pontas e que é o empreendedor que vai tomar o microcrédito nas comunidades nas economias locais e que pode... acabar sendo prejudicado por esses produtos de baixa qualidade. Então essa combinação... eu diria do que fazer aqui. O como fazer, claro que é mais complexo, o que fazer me parece bastante óbvio, até porque nessa sugestão que eu dei, é uma sugestão que não envolve, inclusive, uma alteração tão grande do, digamos assim, do do modus operandi do próprio mercado, a gente está falando de ofertar um produto de alta qualidade, e eu vejo aqui no como fazer a atuação Ah a importância crucial da atuação dos bancos públicos e das agências de fomento das instituições públicas de maneira geral, em... conexão, com as políticas públicas. Nós temos visto várias iniciativas aí, e parece que o que falta um pouco dentro dessas iniciativas é um pouco mais de coordenação, para que os objetivos sejam alcançados. Como nós observamos as iniciativas de microcrédito, várias delas exitosas, nós vemos que tem um problema de escala. A escala continua bastante reduzida, em que pese o efeito positivo, mas a grande desafio fica sendo a escala e aí o papel fundamental justamente das políticas de governo, das políticas de Estado e da atuação dos bancos públicos e demais instituições, com as agências de fomento. Aqui é fundamental também resgatar o papel das chamadas instituições híbridas, O que são instituições híbridas? São instituições... que oferecem que atuam em serviços financeiros que têm um objetivo de um objetivo de se manter de maneira sustentável ao longo do tempo, com a produção de resultados que permitam a continuidade das suas atividades, mas são instituições que não visam necessariamente lucro, ou que não têm um lucro como... e a distribuição de lucro como um objetivo fundamental. E aqui o exemplo concreto são as OSCIPs, são as organizações, são os bancos comunitários, É... e outros tipos de organização de desenvolvimento social que muitas vezes... E como... já estava aqui na apresentação da Camila, fazem parcerias com os bancos públicos, porque são essas instituições que muitas vezes têm o conhecimento da ponta, o conhecimento local, e essas parcerias são fundamentais para juntar conhecimento local com funding e recursos capazes de expandir esses bons modelos, esse crédito bom que eu estou chamando aqui, em oposição a esse crédito ruim, tem proliferado infelizmente no nosso Brasil. Eu destacaria também que os bancos, as instituições privadas, os bancos privados, há bons modelos já em vigor. Mas esses modelos em geral são aqueles que têm um pouco mais de o que a gente chama em finanças, lembrando aqui do meu chapéu de professor de finanças, é um capital mais paciente, são modelos que estão... procurando, mesmo dentro de iniciativas privadas, 100% privadas, aliar a promoção do desenvolvimento com a geração de resultado através do que se chama de um capital mais paciente. várias instituições têm feito isso e para finalizar eu destaco a importância de modelos híbridos, de modelos do tipo blended finance, me parece esse um modelo que ainda não foi testado, oficialmente no Brasil, no Blended Finance existe uma combinação de recursos públicos e recursos privados e isso pode ser uma maneira de ampliar a atuação das instituições que querem oferecer esse crédito bom, esse crédito de qualidade. Nós estamos precisando expandir no Brasil o microcrédito e não o crédito micro, esse último tem sido de péssima qualidade. Muitíssimo obrigado pela oportunidade. Obrigado.




