COMISSÃO DE MINAS E ENERGIA
Sobre o Evento
A audiência debateu a crise no setor elétrico causada pelo desperdício de energia renovável (*curtailment*) e pela falta de infraestrutura de transmissão. Especialistas e parlamentares destacaram a insegurança jurídica, prejuízos bilionários e a necessidade de estabilidade regulatória. As propostas centrais incluem o aumento do consumo industrial, o aprimoramento do planejamento do sistema, o compartilhamento equitativo de riscos e custos, e a expansão urgente da rede de transmissão, visando eficiência operacional e proteção ao consumidor final.
Especialista de Análise da Operação - Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)
Obrigado pelo convite para estar aqui hoje, é sempre um prazer estar aqui. estar aqui na casa, compartilhar o Esse tópico é sempre muito especial, é uma discussão que a gente vem fazendo dia a dia lá no Operador. Então, vou trazer aqui algum material para trazer luz aqui, algumas informações sobre o curteirment, que vem sendo discutidas e até... Agradeço o meu antecessor, o colega do Instituto Acende, que trouxe muitos materiais que eu já ia trazer aqui. Então, vamos... Só complementar aqui o que o colega já trouxe. Bom, então, começar aqui com essa figura... que basicamente traz a expansão da geração no Brasil nos últimos 25 anos. E a gente tem algumas informações bastante relevantes aqui. A primeira delas, como alguns colegas já comentaram, é com relação à estagnação da expansão da geração hidráulica. A gente vê praticamente a partir de 2016, a nossa capacidade instalada hidráulica está praticamente a mesma, né? E o outro ponto de destaque é a expansão vertiginosa que vem acontecendo basicamente desde 2020 e muito concentrada aqui nas fontes renováveis, eólica, solar e fotovoltaica. E aí tem um outro ponto de destaque aqui, a inclinação dessa curva da expansão. Então, desde o início dos tempos, a expansão da geração no Brasil era basicamente conduzida pelas instituições setoriais, fazendo os estudos de expansão da geração. E o que a gente vê nos anos mais recentes, principalmente no início da eólica, em meados de 2014, em frente à eólica fotovoltaica, é que a gente passou a ter uma expansão da geração, inicialmente conduzido por migração de consumidores do mercado cativo para o livre, E aí o que isso implica é que a gente não tem carga nova. Então, a gente tem uma expansão da geração para atender carga que está sendo migrada do atendimento pela distribuidora para ser atendido pelo mercado livre. e acaba causando descompasso. Ou mesmo também para a autoprodução. Então, grandes consumidores instalando plantas de grande capacidade para entrar no regime de autoprodução, e isso leva a esse crescimento mais vertiginoso da expansão. E, mais recentemente, com a redução de preço das placas, a gente tem essa expansão intensa da MMGD. E aí, dando um zoom dos últimos seis anos, de 2020 a 2025, a gente pode ver aqui que a expansão da geração renovável cresceu praticamente 71 gigawatts, então em torno de 30% ao ano, enquanto a nossa carga média cresceu 16, em torno de 3,5% ao ano. Então a gente já vê aí um grande descompasso entre geração e carga, e aí o mesmo acontece na transmissão, que também não cresce com toda essa velocidade. E essa Esse crescimento aqui, principalmente de solar, acaba gerando um excedente, principalmente no período diurno entre 9 e 16 horas. E aí, dando um enfoque ali, o que muitos colegas já falaram, que é a MMGD, essa curva aqui é bastante curiosa. Então, em vermelho, a gente tem aqui o crescimento da capacidade instalada em MMGD. Então, no final de 2025, a gente já estava em torno dos 45 GW, e essas curvas tracejadas aqui, são as projeções de expansão oficiais do setor elétrico. Então, a gente vê que elas foram evoluindo aqui, mas os nossos consumidores brasileiros sempre surpreenderam as nossas projeções oficiais. Então, a projeção mais atual, lá do PDE 2035, olhando para 2030, está aí na casa dos 70 gigawatts, mas, considerando que a gente tem sido surpreendido, pode ser que esse número chegue a ficar ainda maior. 30 giga em 5 anos e a carga tem crescido em torno de dois, três médios ao longo do ano. um crescimento de 30 GB de só MMGD e um crescimento talvez de 10 GW médios nos próximos cinco anos. E aí uma curva curiosa aqui, para mostrar o que acontece com a MGD. Então, acima aqui a gente tem duas curvas, uma de carga, que seria essa em preta fixa, e a azul seria o que a gente tem em MGD. Então, o fato é, na nossa residência, de forma simplificada, a gente consome energia o dia todo. Por outro lado, a gente instala a placa solar e a gente só tem sal disponível em parte do dia, 12 horas, às vezes menos, considerando o pico. Então, qual é o intuito do consumidor que instala o MMGD na sua casa? É igualar as duas áreas da curva aqui. Então, a curva em preto tem que ficar igual à curva em verde, que é da geração. E aí, para fazer isso, o que normalmente acontece é que a capacidade instalada de placa solar que a gente instala em casa em torno de quatro a seis vezes o nosso consumo instantâneo. Então, o que ocorre? No pico do sol ali, em torno de 11 até as 13 da tarde, o consumidor que tem o MGD atende a sua carga e de outros cinco consumidores. Então, isso acaba que... influencia na redução da carga que vai ser atendida pela geração despachada, que a gente vai ver logo mais, é um dos principais fatores para um Impactam no curteio, gente. Bom, então, entrando no detalhe aqui do curto eimente em si, agradeço ao colega do Instituto Ascende que já trouxe os conceitos, mas o curto eimente acontece por, basicamente, dois motivos principais. Ou não passa na transmissão, porque a gente não tem capacidade de escoamento, ou a gente não tem carga para alocar toda essa geração de energia. E aí, a resolução 1030 da ANEL, conceituou esse corte por razões elétricas, que não cabem na transmissão, em duas classificações. Então, uma seria a confiabilidade elétrica, que o INS entende que isso ocorre, quando a gente tem a rede de transmissão completa. Todos os ativos de transmissão estão disponíveis, todas as linhas de transformadores estão disponíveis. Nesse caso, a resolução estabelece que não há ressarcimento para o gerador quando isso ocorre. E tem um outro cenário, que é a rede de transmissão está incompleta. Então, a gente tem ativos indisponíveis na rede. A gente tem linhas indisponíveis, tem transformadores indisponíveis. E essa indisponibilidade dá causa a alguma limitação no escoamento da geração. E aí, nesse caso, a resolução 1.030 da ANEL estabelece que há compensação para esse gerador. Então, esse é o nosso cenário atual. E aí, a gente teve, mais recentemente, no final do ano passado, a Lei 15.269, que estabeleceu esse pagamento retroativo, de 1º de setembro de 2023, até a data da publicação da lei, o ressarcimento para os casos de restrições motivados por confiabilidade. Bom, então, vamos lá. Então, só uma visão aqui de como que acontece e por que acontece o curteio. Então, vemos alguns exemplos aqui do Dia dos Pais, que foi muito... colocado na mídia, eu trouxe um exemplo diferente aqui, que é a evolução do balanço de carga no dia do Ano Novo. Então, 1º de janeiro de 1924, 1925, desculpe, 24, 25, 26, e a gente vê como que vem progredindo essa carga que é atendida pela micro, mini geração distribuída, que é a parte parcela em roxo aqui. Então, em 24 a gente já vê que ela é representativa, vem aumentando cada vez mais, e isso acaba ocupando o espaço na carga ali, que é atendido pelas demais fontes, obviamente. E aí o que ocorre é, nesse momento que a gente tem uma parcela muito considerável sendo atendida por micro e minigeração distribuída, as demais fontes precisam reduzir para fechar o balanço, o cargo e a geração, que tem que ser sempre o mesmo a todo instante. E até respondendo a um ponto que o deputado Paulo trouxe, como é que funciona esse impacto para as hidráulicas e térmicas? Então o que ocorre é muito parecido com a eólica fotovoltaica. uma parcela enorme da carga sendo atendida por micro e mini geração distribuída. Então, nesse período do dia, a gente tem que reduzir todas as fontes, inclusive as hidráulicas. Então, se a gente vê em azul aqui a curva da geração hidráulica, ela basicamente acompanha a micro e mini geração distribuída. Então, de madrugada e no final da tarde, ela está elevada. Quando a gente está no período diurno, a gente tem que colocar a hidráulica lá no chão. Então, esse montante aqui da casa, entre 25 e 30 gigawatts, colocar a geração hidráulica. Isso acontece praticamente todos os dias, então a gente acaba tendo uma geração minimizada hidráulica no período diurno, e a gente maximiza no número. nos outros períodos, para fazer o atendimento à carne. Qual é mais cara aí? a mais cara normalmente é a geração térmica. Aqui no caso, nesses períodos, por que a gente está gerando praticamente 8 GW de térmica, se a gente está num dia de carga reduzida? Então parte disso aqui é a nossa geração nucleares, então Angra 1 e 2, em princípio, nunca desligam, não ficam na base ali, isso dá em torno de 2 GW. E a gente tem dentro dessa térmica aqui uma parcela considerável também, que é a geração à biomassa, que tem o seu custo bastante reduzido também. E a gente tem outro fator. pergunta. A gente vê muito




