COMISSÃO DE MINAS E ENERGIA
Sobre o Evento
A audiência debateu a crise no setor elétrico causada pelo desperdício de energia renovável (*curtailment*) e pela falta de infraestrutura de transmissão. Especialistas e parlamentares destacaram a insegurança jurídica, prejuízos bilionários e a necessidade de estabilidade regulatória. As propostas centrais incluem o aumento do consumo industrial, o aprimoramento do planejamento do sistema, o compartilhamento equitativo de riscos e custos, e a expansão urgente da rede de transmissão, visando eficiência operacional e proteção ao consumidor final.
Especialista de Análise da Operação - Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)
Boa pergunta. Isso explica até o motivo do porquê a gente fez o LR Cap ontem. E a questão é isso aqui. A ponta de carga se dá ali entre 19 e 20 horas. A maior parte dessa geração renovável que a gente tem de larga escala, que é basicamente a MGD e também a solar centralizada, ela não gera nesse período. Então, para atender a carga, que é a maior do dia, nesse período de pico aqui, que é às 20 horas, a gente tem que ter outras fontes. Esse que é o problema. E aí para atender esse período aqui, principalmente no período seco, então pega setembro, outubro, em que as vazões estão baixas, a gente não tem água disponível, a gente precisa de geração termoelétrica. E aí muitas vezes essa geração termoelétrica para atender ponta acaba agravando o curtemente, dado que muitas dessas termoelétricas não conseguem partir e desligar, em duas, três horas. Então, para eu conseguir uma térmica para atender o sistema às 20 horas, muitas vezes eu tenho que manter ela ligada por sete dias, por cinco dias. Você pode usar aqui, por favor. Obrigado. Obrigado. Obrigado. Bom, então, esse está meio abafado, mas vamos lá. Obrigado. Obrigado. Obrigado. Obrigado. Então, fazer o atendimento à ponta, para garantir que a gente feche o balanço mesmo nesse momento de pico de carga. Obrigado. Obrigado. Bom, então está aqui uma outra figura aqui, que eu também agradeço ao colega do Instituto Ascende, já trouxe uma figura bem parecida, que traz o histórico do curteio no Brasil. Então, como a gente consegue ver, basicamente, em 2021 até meados de 2023, esses valores estão em percentual do potencial de geração das fontes eólicos e fotovoltaicas. Então, até meados de 2023, praticamente era insignificante esse resultado, a ordem de 1%. Legenda por Sônia Ruberti Então a gente tem três grandes marcos que a gente consegue ver nesse... essa figura. Então a gente tem um Um primeiro... descasamento em relação ao histórico que é setembro, agosto e setembro de 2023, que é justamente quando a gente teve aquele grande blackout no Brasil, no dia 15, em que como fruto dessa grande ocorrência A gente acabou identificando que a representação, principalmente das usinas eólicas fotovoltaicas, nos modelos matemáticos que o INS usa para estudar o sistema, estudar a segurança do sistema, eles estavam incompatíveis com a realidade. E aí... Dado esse fato que foi constatado, foi necessário refazer todos os estudos de segurança do sistema, e isso levou a uma revisão dos limites de segurança, e a revisão no sentido de reduzir os limites. E aí os novos limites passaram a representar. representar o real desempenho dessas usinas no sistema, trazendo ali uma segurança. Até que isso fosse feito, em torno de algumas semanas até um mês, foi de fato tomada a medida conservadora, que é botar os limites lá no chão, e aí isso provocou ali, de fato, um problema. um corteio mais elevado, mas em meados de setembro já foi voltado a patamares ali. próximos ao que era antes, mas mais reduzidos. E aí, a partir de 2024, esse descompasso entre o crescimento da geração e o crescimento da transmissão passou a ser mais... representativo, então a gente vê ali nessa figura a elevação das barrinhas em roxo, ali em 2024, né? Então elas são bastante elevadas, isso significa que o principal motivador das restrições em 2024... foram de natureza elétrica com rede completa, que é não ter direito a ressarcimento. Aí, final de 2024, teve uma série de obras relevantes ali que entraram na operação, principalmente ali na interligação entre os Estados de Minas Gerais e Bahia, reforçando ali a capacidade de escoamento do Nordeste para o Sudeste, e aí, em 2025, O que passou a ser mais evidente foi essa penetração intensa da micro e mini geração distribuída. Então a gente passa a ver que a partir de 25, o tamanho das barrinhas em verde, que representam os cortes para a zona energética, em geral são bem maiores do que os roxos. E isso é natural, é consequência direta da expansão da micro e mini geração distribuída. E os estudos prospectivos de 26 em diante mostram que a tendência é que a rede de transmissão se resolva, a gente tem várias obras previstas para serem integradas, mas a micro e mini geração distribuída, em princípio, vai continuar crescendo vertiginosamente. Isso vai levar a um aumento cada vez maior das restrições por razão energética. Então, algumas ações proativas que o operador vem tomando para reduzir o curto-emite, mas diria que a maioria delas são de ordem incremental, de fato não vão reduzir de forma drástica. Então, algumas delas são o aumento de capacidade de transmissão no Nordeste, a implementação de sistemas de espacidade de proteção, os síncronos, que são os falos, para também melhorar algumas capacidades de escoamento. A gente tem os debates sobre o ordenamento da... das restrições, e isso em curso ali na CP45 da ANEL, que já teve três fases, está na fase de fechamento com a diretora Agnes. Então, no ano passado teve o GT Curtainment ali, conduzido pelo Ministério, várias ações ali, vários relatórios produzidos, e aí, nesse âmbito, foram divulgadas pelo INS duas notas técnicas, foram bastante discutidas no setor, uma sobre o diagnóstico do Curtainment e outra sobre os critérios que o INS adota, e aí nessa busca sempre de transparência para mostrar como é que a gente vem atuando nesse processo. e algumas projeções sobre o assunto. Então, a gente viu que 23 e 24 teve um aumento expressivo de restrições de natureza elétrica, 25 a natureza energética já se mostrou mais proeminente, E a projeção para os anos futuros é que as restrições de ordem energética vão ser vão ser o novo normal, vão ser um... estão no sistema agora de forma estrutural, estão fazendo até um balanço de 2025, Apenas três dias de todo o ano de 2025, em que não houve nenhuma necessidade de corte. de geração renovável. Em todos os outros houve pelo menos 1 megawatt de restrição em geração eólico fotovoltaica e a maior parte dela de razão energética. Bom, então, por fim, acho que as soluções estruturais aqui para o... para redução do curtem, a gente são de natureza de fato regulatória, a gente passa por ajuste de tarifa, como muitos colegas já mencionaram, E... os sinais de preço adequados, e aí, de natureza mais técnica aqui, a gente já chegou a enfrentar alguns casos como os colegas trouxeram no dia dos pais, em que a gente chegou em uma situação que não era nem uma questão econômica, chegou em uma questão de segurança elétrica, de fato, em um cenário em que não teria mais onde... Como reduzir geração centralizada, já que estava tudo no mínimo. Então, ampliar aspectos... para que o INS possa ter gestão sobre fontes que hoje a gente não tem, como a geração que hoje está na distribuição, e até mesmo lá na frente, como já foi até discutido aqui um pouco, entrar na restrição física da MMGD, que hoje a gente não tem capacidade física de fazer, mas acho que, dada a expansão, em algum momento pode ser que isso venha a ser necessário. Obrigado, deputado. Obrigada.




