COMISSÃO ESPECIAL SOBRE ALTERAÇÃO NO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO (PL 8085/14)
Sobre o Evento
A Comissão Especial debateu a modernização do Código de Trânsito Brasileiro, com foco na reforma da formação de condutores e na adoção da filosofia de Visão Zero. Os participantes enfatizaram a necessidade de priorizar a percepção de risco e o comportamento seguro em detrimento de modelos puramente burocráticos.
Diretor de Comunicação da Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego - ABRAPSIT - Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego - ABRAPSIT
e peço desculpas pela falha da internet, nós tivemos uma tarde de chuvas muito fortes aqui em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, hoje, o que acabou gerando uma instabilidade aqui na nossa conexão. Agradeço, em nome da AbrapCity, a oportunidade de estarmos aqui nesse espaço para falarmos um pouco sobre... as questões da psicologia e como ela pode auxiliar na educação para o trânsito no processo de formação. Primeiramente, a gente precisa observar que as pessoas são no trânsito como elas são na vida. Então, se nós temos problemas de violência doméstica, bullying, violência nas escolas, entre vizinhos, nós também temos isso no trânsito. A gente não pode perder de vista que essa questão é importantíssima para nós. E, muitas vezes, as pessoas ainda observam a avaliação psicológica as pessoas de estarem ao volante, e o fato é que nós estamos falando de uma ciência que tem uma questão toda desenvolvida para essa atuação, com instrumentos, com profissionais, e que vem a cada tempo evoluindo nessa questão de diagnosticar os fatores cognitivos, emocionais e comportamentais, para que nós tenhamos um ambiente que represente vida, o trânsito que represente vida e não a morte. Então é importante que a gente observe que o sistema precisa evoluir. Então quando a gente fala de visão zero, quando a gente fala de uma modificação, é preciso que se modifique as vias, os veículos, sistema que ele é colaborativo, ou seja, onde todos têm as suas responsabilidades. Então, é importante a gente observar, principalmente essa questão da desatenção, que Nós temos um problema grande da desatenção, da direção distraída com o uso do telefone celular, que é um problema hoje nas escolas, nas empresas, nos lares, em todos os lugares e também no trânsito. Então, esse é um fator, inclusive, nossa legislação está bastante antiga, já há 10 anos. Há 10 anos atrás, nós fazíamos outro tipo de uso de telefone celular, inclusive no trânsito, para as questões do uso de aplicativos, de GPS, enfim. A nossa legislação hoje é bem precária nesse sentido. do sistema, né, e a própria Organização Mundial de Saúde é categórica nos afirmar que a maior parte dos sinistros são previsíveis e são evitáveis, então é nesse sentido que a gente visa trabalhar. Então, os pilares da psicologia do trânsito nesse trabalho, ele vem com a perícia psicológica, ou seja, com esse diagnóstico cognitivo, emocional, na formação, na construção do comportamento seguro com aqueles indivíduos que precisam aprender sobre o comportamento, sobre percepção de risco. na educação para o trânsito, na formação da cultura da segurança viária, nos outros ambientes, no ambiente da escola, mas também nos outros ambientes sociais fora da escola, e nas questões de saúde mental, justamente com esse mapeamento e a mitigação do estresse. que nós precisamos também efetivamente desenvolver essas ações para que a gente consiga que a psicologia dê toda a resposta para a sociedade que ela pode. Então, todas as questões de atenção, de memória, de inteligência, de juiz, de tomada de decisão que são trabalhadas na avaliação, assim como a impulsividade, a agressividade, as questões da personalidade, e nós sabemos a crise de saúde mental que nós temos hoje no país, no trânsito também, ou seja, isso afeta a qualidade dos nossos participantes do trânsito, e a educação é justamente essa possibilidade que nós temos, ou seja, de que as pessoas conheçam os comportamentos adequados diante das situações do trânsito, e não só a legislação, não só as placas, mas que elas saibam o que fazer. O nosso saudoso professor René Rosestrata, um dos grandes psicólogos do trânsito que nós tivemos aí no Brasil e na América Latina, por não saber ser pedestre, por não saber ser condutor, por não saber ser ciclista, né, então a educação para o trânsito de uma forma mais ampla e com os condutores isso se maximiza justamente por estarem numa atividade de risco, né, que deve ser exclusiva, ou seja, não se pode fazer outra coisa enquanto se dirige, que é uma das grandes problemáticas que a gente tem hoje, dessas distrações todas, comportamento de direção distraída, já falamos da questão do celular, então é preciso que se trabalhe nessa formação massissamente a percepção de risco, o comportamento adequado, ou seja, para que as pessoas entendam, não só as questões éticas e cidadãs que nós temos como necessidade na sociedade brasileira de uma forma geral, ou seja, fazendo a integração da psicologia na formação de condutores, nas empresas, em espaços sociais, falando de uma educação que seja ampliada e social para que a gente dê conta desse problema, porque isso não é mais só uma problemática dos órgãos de trânsito, está aí o Pena Trânsito que nos mostra isso, ou seja, quando a gente fala de visão zero, nós estamos falando da sociedade de uma maneira geral, enfrentando a questão dos sinistros de trânsito e dos óbitos, e vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde também aponta que a maior parte das mortes no trânsito desenvolvimento como é o nosso. Então, isso faz com que a situação seja ainda mais importante para nós, para que a gente tome isso com bastante cuidado. Então, quando a gente olha a baixa tolerância à frustração que nós temos hoje, em decorrência do nosso próprio modo de organização social, a busca por sensações, as questões da agressividade que existe em vários campos e também no trânsito, além das questões de fadiga, de exaustão emocional, de quadros que estão se instalando, de ansiedade e depressão, entre os países que mais têm casos de ansiedade e depressão são pessoas que estão conduzindo. Então, por isso, a avaliação, não só na primeira habilitação, mas periódica para todos os condutores, não só para os profissionais, como já acontece desde 2001, mas para todos aqueles quando vão renovar. E também a dos infratores é fundamental para que a gente consiga observar o que está sendo feito no comportamento no trânsito, que está gerando as infrações, os comportamentos agressivos que estão sendo expressos. Então é importante que a gente observe o que coloca as pessoas nessa vulnerabilidade ao volante. as pessoas sabem muito pouco sobre os efeitos de privação de sono na atenção, na memória, no processamento de informação, então isso são informações de psicoeducação e saúde que precisam chegar para esses condutores, que precisam chegar para o motorista comum e também para o motorista profissional, as questões ligadas à agressividade, ao estresse e à própria dificuldade que se tem de estar no trânsito como um ambiente estressante, que muitas vezes é a gota d'água de uma pessoa que está em uma grande sobrecarga e que acaba explodindo, como nós temos visto aí, infelizmente, no Brasil, agressões, mortes em decorrência de brigas de trânsito, que também acontece, ou seja, isso é um sinal para nós de como o trânsito está se tornando um ambiente cada vez mais menos de colaboração, um ambiente menos democrático e menos seguro. Então, é importante que a gente observe a evolução dessa visão tradicional da psicologia para o trânsito, porque nós temos hoje, ou seja, com a psicologia do trânsito, que pode levar à prevenção de risco, saúde mental ao longo da vida e que precisa fazer por meio das avaliações, como bem disse o doutor Ricardo, esse cuidado. A parte integrante de uma questão ampliada, que através das entrevistas devolutivas e dessas várias avaliações, trabalhar com as pessoas que são avaliadas, explicando essas questões importantes sobre a cognição, sobre a saúde mental, ou seja, para que a gente efetivamente tenha um cidadão que seja ativo, essas situações dos sinistros graves e dos sinistros fatais, né? E fazer essa integração das políticas públicas de saúde, né? De planejamento, de mobilidade humana, de educação, de forma a resolver, né? O que nós temos nesse ecossistema da mobilidade humana, né? E da mobilidade segura. Ou seja, a perícia atuando como esse filtro inicial, a formação construindo a base técnica e emocional necessária para os condutores, a educação continuada nos diferentes locais, moldando essa... cultura de respeito e de segurança viária a longo prazo. E friso novamente, falar sobre psicoeducação, falar sobre questões emocionais. Isso é importante, como nós lidamos com as situações que são colocadas para nós e como nós protagonizamos no ambiente do trânsito e fora dele. E, por último, a saúde mental, ou seja, principalmente depois da pandemia, a gente viu o quanto as pessoas estão mais preocupadas com a saúde mental. mais com isso para um trânsito em que a gente tenha esse controle da agressividade, em que a gente tenha... essa presença da psicologia maciça, ou seja, retirar o psicólogo de qualquer uma dessas etapas é quebrar a engrenagem da segurança viária. É fundamental que a gente observe a saúde mental, a saúde física, como bem disse o doutor Ricardo, e que a gente tenha esse cuidado longitudinal com a saúde. Então, quando a gente fala... dessa rede de segurança invisível, nós estamos falando de uma psicologia do trânsito, que não é o obstáculo que impede as pessoas de dirigirem, mas é uma ciência complexa que garante que ele e todos ao seu redor voltem para casa em segurança. Ou seja, é a gente construir um espaço de um trânsito que seja um cenário de sobrevivência muito mais... transformando num espaço de convivência muito mais do que num cenário de sobrevivência. E, infelizmente, quando a gente vê a questão da renovação automática, quando a gente vê essa ligação que foi feita de uma forma simplista entre a questão das infrações e a saúde dos condutores, isso nos preocupa e muito. Então, estamos à disposição para o diálogo, para colaborar com tudo aquilo que for necessário. Esses aí são os nossos endereços de Instagram, da Abrapsit, abrapsit.br e o Trânsito e Saúde. exposição para as perguntas com aquilo que nós possamos colaborar. Muito obrigado, presidente.




