CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS

26 mar. 2026 10:07 às 12:02

Sobre o Evento

O Centro de Estudos e Debates Estratégicos realizou audiência para discutir a inclusão digital e produtiva de populações vulneráveis em favelas e comunidades periféricas. O debate abordou o papel da tecnologia, da inteligência artificial e da humanização de algoritmos na geração de renda e na melhoria das condições de trabalho para moradores dessas regiões e motoristas de aplicativos.

Status
Concluído
ID: 81110Total: 39 discursos
#27
Diretor executivo e de comunicação - Federação Brasileira de Motoristas de Aplicativos - FEMBRAPP Denis Moura
Denis Moura

Diretor executivo e de comunicação - Federação Brasileira de Motoristas de Aplicativos - FEMBRAPP

Transcrição automática

Respondendo inicialmente ao que o Augusto perguntou em relação a dados, essas coisas, a gente não consegue ter acesso a dados, né? Como eu tinha dito, não porque são... omitidos pelas plataformas, mas que realmente são dados dos negócios das plataformas. Elas não podem sair abrindo os dados delas porque tem as concorrências. A gente tem só o sentimento, só tem a sensação em relação a algumas coisas, mas a gente propõe, eu acho que a gente tem que aproveitar essas oportunidades para colocar sempre propostas. Eu conversei isso, inclusive, com o relator da PL152, o deputado Augusto Coutinho. A gente acha que, assim, o governo, para ele ter acesso a esses dados, esses dados serem realmente verdadeiros, ele poderia tranquilamente ter um aplicativo que poderia funcionar como um cadastro nacional de motoristas de aplicativo ou de prestadores de serviço por aplicativo. Quer dizer, não é para criar uma barreira de impedimento. fazer um cadastro online, você tira a carteira de identidade online. É você fazer um cadastro. Eu quero ser motorista de aplicativo, antes de eu ser motorista de aplicativo, eu me apresento para o governo. Então eu vou ser motorista de aplicativo, rodo pela plataforma Uber 99 e Indrive, ou eu sou entregador do iFood, ou eu sou... Porque aí o governo começa a saber quem é essa pessoa, de onde ela sai, para onde ela vem, quanto que ela ganha. Começa a conhecer essa pessoa, porque o governo não conhece essa pessoa. E sem contar que socialmente algumas pessoas têm orgulho de falar que é motorista de aplicativo, como eu tenho, com má tranquilidade, e outras omitem. Entendeu? Então, assim, e por não ter uma fiscalização, talvez, nem citam no seu imposto de renda, não citam, apesar que as plataformas mandam os lucros lá que a gente teve de rendimento. Mas, assim, isso era um caminho básico e hoje já existem aplicativos acessórios aos que a gente usa, eu citei alguns, mas eu esqueci de citar, tem aplicativos que dão suporte. Por exemplo, quando a corrida pisca na minha tela, ela pisca por alguns poucos segundos muitas vezes com um passageiro dentro do carro, porque ela pode piscar no meio de uma outra corrida, na frente do aplicativo de transporte, de locomoção, na hora que eu vou fazer uma curva. Então é muito rápido. Então tem aplicativos que gravam aquela tela, E aí, depois que a gente encerrar aquela corrida, você vai lá no aplicativo e vai olhar. Isso acaba gerando alguns cancelamentos. quando o endereço do destino não é favorável, quanto o valor ofertado pela plataforma para aquela corrida é desfavorável. Então é mais um tipo de aplicativo, eu posso citar dois aqui, o Rebu e o Guigo, são aplicativos que dão esse suporte para o motorista. Você programa nele quanto você quer ganhar por tempo, quanto você quer ganhar por minuto, quanto você aceita ganhar... por KM. porque as plataformas não utilizam a métrica que seria a mais óbvia, que a nossa despesa é KM, elas deveriam usar a métrica do quilômetro rodado e do tempo. A gente gasta tempo e quilômetro. Mas elas usam uma métrica que a gente não tem acesso a ela. A gente não sabe exatamente qual é essa métrica. Então, para cada corrida, para cada motorista, é uma taxa que se cobra, para cada passageiro, é uma tarifa que se cobra. É um jogo, é como se você vendesse um imóvel e o corretor mandasse mais do que o proprietário, do que do comprador. Eu ganho uma comissão sobre o seu trabalho, sobre o seu imóvel, mas eu escolho o preço do seu trabalho. pagar, eu escolho quanto eu vou te dar e vou dizer pra você quanto que é a minha comissão depois que você fizer o trabalho. Depois que eu vender o seu imóvel. Então, assim, a gente fica às escuras. Então, você tem que aceitar a corrida. O ideal é que você tenha um aplicativo de suporte. Depois que acaba a libra, você vai lá. Olha, ela está gravada lá na sua galeria de fotos. E essa corrida aqui é para um lugar de risco. Não, não vou. Então você volta lá e cancela. Ah, essa corrida aqui, o valor não está contento. Vou lá e cancela. Então, assim, a gente trabalha muito às escuras. Mas se o governo tivesse uma maneira de saber quem é esse motorista e essas estatísticas que estão sendo na mão do governo, não haveria, por exemplo, já entrando em responder uma outra questão... também falando sobre dados, foi levantado, se não me engano, pelo Dionísio. que os dados também são sempre muito ofertados pelas plataformas, Eu não digo que sejam dados falsos, mas sejam dados talvez verdadeiros, mas que são sedutores em relação... ao quanto elas são benevolentes com tudo aquilo que elas oferecem. Só que quando a gente fez uma CPI em São Paulo, e eu participei ativamente dessa CPI em São Paulo, na cidade de São Paulo, a gente conseguiu pegar uma série de dados importantes ali, a gente percebeu, por exemplo, que tinham mais de 500 mil motoristas cadastrados em São Paulo, na época, para rodar na cidade de São Paulo. Só que esses motoristas, dos mais de 500 mil, a gente teve que tirar um critério para saber quantos realmente rodavam por aplicativo, porque esse número ia caindo. Porque se a gente entender que alguém vive de aplicativo, ele tem que ter pelo menos, sei lá, 10 corridas na semana, 15, etc. Ele não vive de aplicativo, ele liga o aplicativo para sair do trabalho, já que está no engarrafamento... ganhar um dinheirinho. Esse cara não é profissional. Ele não tem noção, ele está assumindo responsabilidades legais profissionalmente, se transportando a outra pessoa, porque ele é responsável pelo que ele está fazendo. Mas ele pensa que, suavemente, ele está só ganhando um trocadinho, ele não está dando uma carona, ele está fazendo uma prestação de serviço. E aí, quando a gente foi enxugando esses dados, de 500 mil, você cai para 110 mil, 120 mil, considerando que o cara fez algumas corridas em três meses. Então esse número enxuga muito na ponta. quando realmente é real. E quando você tem o governo tomando consciência de quem é esse motorista, se realmente ele roda, que não é problema nenhum o indivíduo complementar a renda com o aplicativo... Não é problema nenhum complementar a renda com a moto. com a entrega, não é problema nenhum. Então, assim, quando o governo tem esse conhecimento, as ações são mais específicas. Uma outra, falando em relação à segurança, Você perguntou em relação à questão das comunidades. O dado que ele falou, que o André trouxe, eu achei importantíssimo. 35% das corridas começam, acabam em comunidade. Bate muito com a sensação que a gente tem em relação a cancelamentos. Porque se o local é uma área de risco, Eu não vou lá. Para que eu vou lá? Eu vou me arriscar? Eu posso ir para outro lugar. Então, tem muito cancelamento. Lógico que se eu moro naquela comunidade, eu só conheço o bairro do Meia, Eu moro no Mér. Qualquer comunidade do Mér, eu entro e saio tranquilamente, porque eu sou nascido e criado ali, eu estou com 56 anos, eu moro ali só há 50 e poucos anos. Eu fui para lá com 6 anos de idade. Então, assim... É o Anto, mas se eu não conheço aquela... Se o motorista não conhece aquela região, já não vai. Então ele vai provocar um cancelamento. Então, assim, esses dados só vão ser realmente sensíveis e levados de maneira mais factível para o governo quando o governo tiver um tipo de acesso. O aplicativo que eu acho que o governo poderia ter de cadastro para motoristas, eu acho que a única exigência que ele poderia fazer é manter esse aplicativo ativo no seu celular. Por quê? Existem umas ferramentas chamadas ferramentas do MicroDodge que eles conseguem visualizar o que os outros aplicativos estão fazendo. São as ferramentas de acessibilidade. Que é o que esses aplicativos de suporte usam para poder verificar a tarifa, ver se a tarifa está contenta, se não está. Seria uma maneira de ter uma fiscalização ativa... em tempo real, do trabalho por aplicativo. Porque hoje não existe, hoje o olhar do governo, eu vejo que o governo tem um olhar preocupado, hoje a gente sabe que a importância de recolher um INSS que não estava sendo recolhido, apesar de da Lei 13.640 determinar que tinha que ser, mas a gente sabe disso tudo e não existe nenhuma maneira de fiscalizar nada disso. E hoje, com tecnologia, você fiscaliza isso. Então, se eu, Denis Moura, me cadastro num aplicativo do governo, e esse aplicativo está no meu celular enquanto eu estou trabalhando por aplicativo, Esse aplicativo tem como visualizar as ações que eu estou fazendo, as ações que a plataforma está fazendo. Aí os dados são reais e a gente não fica dependendo de sensações que os motoristas ou as entidades que representam os motoristas têm, ou dependendo de dados que os aplicativos podem ou não divulgar, porque eles realmente são dados sensíveis. Entendeu? Eu acho que tinha mais uma pergunta aí no meio. Ah, sim, a questão do acesso às comunidades. Então, E... O motorista não gosta de entrar na comunidade por várias questões. Não só a questão geográfica, de andar dentro de uma comunidade com um veículo, é muito ruim. As ruas são estreitas, você não consegue, as ruas você não conhece. Não vai ter o número identificado, não vai ter o nome de rua, não vai nada. Você tem que seguir o mapinha e ir até lá. Então, isso é muito precário, entendeu? Então, o motorista realmente não gosta. Na entrada da comunidade, ok, eu brinco até com meus passageiros, eu falo, ah, eu só vou até a portaria. A portaria são os meninos que, eu digo, estão com a vassoura, na verdade, estão de fuzil na mão. embarca, dali pra frente eu não entro. Entendeu? Então, assim, você tem que ter um jogo de cintura, mas realmente impede, porque o morador de comunidade, se ele pedir dentro da comunidade, dificilmente ele vai ter alguém que vai buscar ele lá dentro, a não ser que a pessoa conheça muito aquele local. Então, é um impedimento. E para os motoristas que moram em comunidade, tem um outro problema. Porque se eu moro no... Vou dar um exemplo do Rio de Janeiro, estou citando sempre a minha cidade, porque o deputado é de lá. Se eu moro ali, em Vila Isabel, no Morro do Macaco, você não vai pegar um passageiro no Morro São João do Lado, que são inimigos ferrenhos há mais de 10 anos, mais de 15 anos. E são vizinhos. Você não pode sair do... porque o cara vai saber que você é daquele morro, ele vê você ali todo dia, ele vai ver o carro parado na subida da comunidade. Então tem impedimento. A segurança acaba sendo um impedimento para o negócio, para a geração de renda. Por isso que eu insisto na sugestão de ter as áreas de embarque e desembarque na entrada da comunidade. Eu acho que isso aí seria áreas que eu me refiro virtuais. A cerquinha ali, dentro da comunidade, o indivíduo já não pode pedir, porque às vezes ele acha que é conveniente pedir. E eu sei que talvez para uma questão de mobilidade, uma senhora com uma certa idade, uma gestante, uma pessoa com dificuldade de mobilidade, vai ter dificuldade, mas essa dificuldade é inerente ao dia a dia dela, infelizmente. por estar dentro de uma comunidade. Bom, acho que eu respondi todas aí, numa leva só, se tiver mais alguma, estou à disposição. E aí

26 de mar, 11:28