Denis Moura

Denis Moura

Diretor executivo e de comunicação - Federação Brasileira de Motoristas de Aplicativos - FEMBRAPP

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26 de mar, 11:57

CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS

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So, Before I finish here, I'll just conclude the question of the research. It's already done, as platforms do. From 2014 to today I've answered more than 10 researches, I've never seen any results of them. Eh... The feeling of the motorists today is not to trust with the platforms, but it's bad. I trust a certain part by my life and proximity, but the mass of motorists don't have this same confidence. So, the majority doesn't respond to the research. Unfortunately. And we don't see the data of this research. Do you see results? Yes. I can't be all over the way to say that there were no betters, there were many betters. from the beginning, I'm watching this story from the beginning to today, it's a lot, but it's a lot of chão to walk. Well, I thank you for the opportunity the committee is giving us a pleasure to talk about this topic. I live this 24 hours a day, as a professional, as a professional, as a social worker, because it is not a remunerated in the Federation. So, to me, it's very good to bring it up and bring suggestions. As suggestions that I'm bringing, I can't have a certain point, they're talking about the conversation, they're talking about the conversation, in meetings that we have with associations, in the Federation and with motorists. So these are always looking for a better exit. Okay? Thank you for the opportunity. Thank you. Well, thank you.

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26 de mar, 11:45

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André, eu concordo com tudo que você falou. Eu acho que realmente não discriminar é muito complicado, porque... Você tem uma linha, que você não pode discriminar as pessoas. Não dar acesso ao aplicativo, eu acho terrível, né? É uma questão de opção. Então, assim, existe uma maneira... razoável para a gente controlar essa questão, que é deixar para o motorista ou o entregador, ou o indivíduo que trabalha com moto, fazendo também transporte, que a escolha seja somente dele. eu posso ou não ir a uma comunidade ou uma rua que eu considero perigosa. Então, não me puna se eu cancelar. Não me puna se eu não aceitar essa corrida. E a gente sabe que há punições. Tem aplicativo e se você negar cinco corridas, ele te bloqueia cinco dias. Se você bloqueou, porque imagina, você está numa região 3 horas da manhã, a corrida vai cair 5 vezes para você, é aquela mesma corrida que você negou. Na quinta vez você está bloqueado em cinco dias. Diz, pega o seu carro, vai para casa e não gera renda durante cinco dias. Isso é uma prática comum. Não são todos aplicativos, mas tem aplicativo que faz isso. Então, assim, que a gente, no termo popular, já é como um termo de gancho, né? Deu um gancho no motorista. Ele está pendurado lá que ele não pode rodar. Então, se você tem a liberdade de escolha, E do mesmo jeito que o indivíduo tem a liberdade de pedir dentro de uma comunidade, ele tem que saber que alguém pode aceitar ou não. A gente não pode transferir para o motorista... a responsabilidade, ou para o prestador do serviço, a responsabilidade de cumprir uma missão social quando ele está ali para gerar uma renda para ele e para a família dele. Ele não está ali para fazer uma ação social para a comunidade. Concordo que a empresa também não deveria estar, ela também tem que visar o lucro dela. Então ela tem que permitir a escolha. Porque senão eu vou sair como motorista, eu entro na comunidade. Recentemente aconteceu, inclusive, comigo. Aí você bate com o carro porque o indivíduo vem de moto do teu lado, joga a moto em cima de você, manda tu parar porque você passou por uma barreira e não percebeu a barreira. Só que eu estava numa rua em Jacarepaguá, que, pô, rua asfaltada, com uma pontezinha, com pôs de gasolina, e eu vi a foto do condomínio. No outro aplicativo, lá para me saber se eu ia ou não, era um condomínio de prédio. Só que o caminho a taró passava por uma barreira de um traficante. Eu não vi, eu não parei. O sujeito jogou a moto em cima de mim, bateu no meu carro e falou, pô, tu não vai parar não, coroa? A nossa vivência, pô, desculpa, foi mal, não vi, você saiu ileso. Se é uma pessoa emocionada, apavorada, corre, toma um dinheiro nas costas, vira... notícia de jornal. Então, é uma escolha. Eu escolhi aceitar aquela corrida, escolhi errado, inclusive eu fiz um mapeamento da região, eu tenho para mim, daquela região específica, e todas as três vezes, nesses muitos anos de aplicativo que eu tomei um susto, foram sempre na mesma região. Então, ali eu vou com muito cuidado. Então, eu mapei as ruas, que eu já tomei um susto, eu já mapei as ruas que as coisas são complicadas, e eu, particularmente, não vou. Preço disso. Minha taxa de aceitação vai caindo, caindo, caindo, minha taxa de cancelamento vai caindo, me obriga a aceitar corridas para levantar essa taxa, que muitas vezes não são rentáveis para mim. Mas eu aceito para recuperar minha taxa, porque se ela baixar muito... Eu sou cancelado. Eu sou banido, eu sou bloqueado. Então não me tirou o direito de escolha, o algoritmo não está sendo humanizado, ele está me obrigando a fazer uma prestação de serviço em troca de geração de renda, sem pensar na minha segurança. Então, é só liberar, é só deixar. O motorista escolhe. Se ele não tem um atrativo para ir ali, Não vá, cadastre o motorista naquela região. E a questão do CEP, para o passageiro não tem impedimento, para o motorista não tem impedimento, mas os cadastros das plataformas são muito falhos. Eu estou desde 2014, nunca perguntaram se eu já me mudei daquela época para cá, e eu não me lembro se eu botei o endereço quando eu me cadastrei. O passageiro se cadastra, eu mesmo já transportei o Mickey Mouse e o Darth Vader, porque o passageiro se cadastra e bota um apelido. E a gente é obrigado a pegar a letra C, a letra C. O cara que tem o apelido de Mickey, Mouse, lá, e não tem o nome da pessoa, você não sabe quem você está indo buscar. Então, assim, se os cadastros fossem um pouco mais rigorosos, no sentido de trazer e visar a segurança... Eu acho que seria muito mais fácil. Acho que seria muito menos impeditivo. Obrigado. Obrigado.

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26 de mar, 11:28

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Respondendo inicialmente ao que o Augusto perguntou em relação a dados, essas coisas, a gente não consegue ter acesso a dados, né? Como eu tinha dito, não porque são... omitidos pelas plataformas, mas que realmente são dados dos negócios das plataformas. Elas não podem sair abrindo os dados delas porque tem as concorrências. A gente tem só o sentimento, só tem a sensação em relação a algumas coisas, mas a gente propõe, eu acho que a gente tem que aproveitar essas oportunidades para colocar sempre propostas. Eu conversei isso, inclusive, com o relator da PL152, o deputado Augusto Coutinho. A gente acha que, assim, o governo, para ele ter acesso a esses dados, esses dados serem realmente verdadeiros, ele poderia tranquilamente ter um aplicativo que poderia funcionar como um cadastro nacional de motoristas de aplicativo ou de prestadores de serviço por aplicativo. Quer dizer, não é para criar uma barreira de impedimento. fazer um cadastro online, você tira a carteira de identidade online. É você fazer um cadastro. Eu quero ser motorista de aplicativo, antes de eu ser motorista de aplicativo, eu me apresento para o governo. Então eu vou ser motorista de aplicativo, rodo pela plataforma Uber 99 e Indrive, ou eu sou entregador do iFood, ou eu sou... Porque aí o governo começa a saber quem é essa pessoa, de onde ela sai, para onde ela vem, quanto que ela ganha. Começa a conhecer essa pessoa, porque o governo não conhece essa pessoa. E sem contar que socialmente algumas pessoas têm orgulho de falar que é motorista de aplicativo, como eu tenho, com má tranquilidade, e outras omitem. Entendeu? Então, assim, e por não ter uma fiscalização, talvez, nem citam no seu imposto de renda, não citam, apesar que as plataformas mandam os lucros lá que a gente teve de rendimento. Mas, assim, isso era um caminho básico e hoje já existem aplicativos acessórios aos que a gente usa, eu citei alguns, mas eu esqueci de citar, tem aplicativos que dão suporte. Por exemplo, quando a corrida pisca na minha tela, ela pisca por alguns poucos segundos muitas vezes com um passageiro dentro do carro, porque ela pode piscar no meio de uma outra corrida, na frente do aplicativo de transporte, de locomoção, na hora que eu vou fazer uma curva. Então é muito rápido. Então tem aplicativos que gravam aquela tela, E aí, depois que a gente encerrar aquela corrida, você vai lá no aplicativo e vai olhar. Isso acaba gerando alguns cancelamentos. quando o endereço do destino não é favorável, quanto o valor ofertado pela plataforma para aquela corrida é desfavorável. Então é mais um tipo de aplicativo, eu posso citar dois aqui, o Rebu e o Guigo, são aplicativos que dão esse suporte para o motorista. Você programa nele quanto você quer ganhar por tempo, quanto você quer ganhar por minuto, quanto você aceita ganhar... por KM. porque as plataformas não utilizam a métrica que seria a mais óbvia, que a nossa despesa é KM, elas deveriam usar a métrica do quilômetro rodado e do tempo. A gente gasta tempo e quilômetro. Mas elas usam uma métrica que a gente não tem acesso a ela. A gente não sabe exatamente qual é essa métrica. Então, para cada corrida, para cada motorista, é uma taxa que se cobra, para cada passageiro, é uma tarifa que se cobra. É um jogo, é como se você vendesse um imóvel e o corretor mandasse mais do que o proprietário, do que do comprador. Eu ganho uma comissão sobre o seu trabalho, sobre o seu imóvel, mas eu escolho o preço do seu trabalho. pagar, eu escolho quanto eu vou te dar e vou dizer pra você quanto que é a minha comissão depois que você fizer o trabalho. Depois que eu vender o seu imóvel. Então, assim, a gente fica às escuras. Então, você tem que aceitar a corrida. O ideal é que você tenha um aplicativo de suporte. Depois que acaba a libra, você vai lá. Olha, ela está gravada lá na sua galeria de fotos. E essa corrida aqui é para um lugar de risco. Não, não vou. Então você volta lá e cancela. Ah, essa corrida aqui, o valor não está contento. Vou lá e cancela. Então, assim, a gente trabalha muito às escuras. Mas se o governo tivesse uma maneira de saber quem é esse motorista e essas estatísticas que estão sendo na mão do governo, não haveria, por exemplo, já entrando em responder uma outra questão... também falando sobre dados, foi levantado, se não me engano, pelo Dionísio. que os dados também são sempre muito ofertados pelas plataformas, Eu não digo que sejam dados falsos, mas sejam dados talvez verdadeiros, mas que são sedutores em relação... ao quanto elas são benevolentes com tudo aquilo que elas oferecem. Só que quando a gente fez uma CPI em São Paulo, e eu participei ativamente dessa CPI em São Paulo, na cidade de São Paulo, a gente conseguiu pegar uma série de dados importantes ali, a gente percebeu, por exemplo, que tinham mais de 500 mil motoristas cadastrados em São Paulo, na época, para rodar na cidade de São Paulo. Só que esses motoristas, dos mais de 500 mil, a gente teve que tirar um critério para saber quantos realmente rodavam por aplicativo, porque esse número ia caindo. Porque se a gente entender que alguém vive de aplicativo, ele tem que ter pelo menos, sei lá, 10 corridas na semana, 15, etc. Ele não vive de aplicativo, ele liga o aplicativo para sair do trabalho, já que está no engarrafamento... ganhar um dinheirinho. Esse cara não é profissional. Ele não tem noção, ele está assumindo responsabilidades legais profissionalmente, se transportando a outra pessoa, porque ele é responsável pelo que ele está fazendo. Mas ele pensa que, suavemente, ele está só ganhando um trocadinho, ele não está dando uma carona, ele está fazendo uma prestação de serviço. E aí, quando a gente foi enxugando esses dados, de 500 mil, você cai para 110 mil, 120 mil, considerando que o cara fez algumas corridas em três meses. Então esse número enxuga muito na ponta. quando realmente é real. E quando você tem o governo tomando consciência de quem é esse motorista, se realmente ele roda, que não é problema nenhum o indivíduo complementar a renda com o aplicativo... Não é problema nenhum complementar a renda com a moto. com a entrega, não é problema nenhum. Então, assim, quando o governo tem esse conhecimento, as ações são mais específicas. Uma outra, falando em relação à segurança, Você perguntou em relação à questão das comunidades. O dado que ele falou, que o André trouxe, eu achei importantíssimo. 35% das corridas começam, acabam em comunidade. Bate muito com a sensação que a gente tem em relação a cancelamentos. Porque se o local é uma área de risco, Eu não vou lá. Para que eu vou lá? Eu vou me arriscar? Eu posso ir para outro lugar. Então, tem muito cancelamento. Lógico que se eu moro naquela comunidade, eu só conheço o bairro do Meia, Eu moro no Mér. Qualquer comunidade do Mér, eu entro e saio tranquilamente, porque eu sou nascido e criado ali, eu estou com 56 anos, eu moro ali só há 50 e poucos anos. Eu fui para lá com 6 anos de idade. Então, assim... É o Anto, mas se eu não conheço aquela... Se o motorista não conhece aquela região, já não vai. Então ele vai provocar um cancelamento. Então, assim, esses dados só vão ser realmente sensíveis e levados de maneira mais factível para o governo quando o governo tiver um tipo de acesso. O aplicativo que eu acho que o governo poderia ter de cadastro para motoristas, eu acho que a única exigência que ele poderia fazer é manter esse aplicativo ativo no seu celular. Por quê? Existem umas ferramentas chamadas ferramentas do MicroDodge que eles conseguem visualizar o que os outros aplicativos estão fazendo. São as ferramentas de acessibilidade. Que é o que esses aplicativos de suporte usam para poder verificar a tarifa, ver se a tarifa está contenta, se não está. Seria uma maneira de ter uma fiscalização ativa... em tempo real, do trabalho por aplicativo. Porque hoje não existe, hoje o olhar do governo, eu vejo que o governo tem um olhar preocupado, hoje a gente sabe que a importância de recolher um INSS que não estava sendo recolhido, apesar de da Lei 13.640 determinar que tinha que ser, mas a gente sabe disso tudo e não existe nenhuma maneira de fiscalizar nada disso. E hoje, com tecnologia, você fiscaliza isso. Então, se eu, Denis Moura, me cadastro num aplicativo do governo, e esse aplicativo está no meu celular enquanto eu estou trabalhando por aplicativo, Esse aplicativo tem como visualizar as ações que eu estou fazendo, as ações que a plataforma está fazendo. Aí os dados são reais e a gente não fica dependendo de sensações que os motoristas ou as entidades que representam os motoristas têm, ou dependendo de dados que os aplicativos podem ou não divulgar, porque eles realmente são dados sensíveis. Entendeu? Eu acho que tinha mais uma pergunta aí no meio. Ah, sim, a questão do acesso às comunidades. Então, E... O motorista não gosta de entrar na comunidade por várias questões. Não só a questão geográfica, de andar dentro de uma comunidade com um veículo, é muito ruim. As ruas são estreitas, você não consegue, as ruas você não conhece. Não vai ter o número identificado, não vai ter o nome de rua, não vai nada. Você tem que seguir o mapinha e ir até lá. Então, isso é muito precário, entendeu? Então, o motorista realmente não gosta. Na entrada da comunidade, ok, eu brinco até com meus passageiros, eu falo, ah, eu só vou até a portaria. A portaria são os meninos que, eu digo, estão com a vassoura, na verdade, estão de fuzil na mão. embarca, dali pra frente eu não entro. Entendeu? Então, assim, você tem que ter um jogo de cintura, mas realmente impede, porque o morador de comunidade, se ele pedir dentro da comunidade, dificilmente ele vai ter alguém que vai buscar ele lá dentro, a não ser que a pessoa conheça muito aquele local. Então, é um impedimento. E para os motoristas que moram em comunidade, tem um outro problema. Porque se eu moro no... Vou dar um exemplo do Rio de Janeiro, estou citando sempre a minha cidade, porque o deputado é de lá. Se eu moro ali, em Vila Isabel, no Morro do Macaco, você não vai pegar um passageiro no Morro São João do Lado, que são inimigos ferrenhos há mais de 10 anos, mais de 15 anos. E são vizinhos. Você não pode sair do... porque o cara vai saber que você é daquele morro, ele vê você ali todo dia, ele vai ver o carro parado na subida da comunidade. Então tem impedimento. A segurança acaba sendo um impedimento para o negócio, para a geração de renda. Por isso que eu insisto na sugestão de ter as áreas de embarque e desembarque na entrada da comunidade. Eu acho que isso aí seria áreas que eu me refiro virtuais. A cerquinha ali, dentro da comunidade, o indivíduo já não pode pedir, porque às vezes ele acha que é conveniente pedir. E eu sei que talvez para uma questão de mobilidade, uma senhora com uma certa idade, uma gestante, uma pessoa com dificuldade de mobilidade, vai ter dificuldade, mas essa dificuldade é inerente ao dia a dia dela, infelizmente. por estar dentro de uma comunidade. Bom, acho que eu respondi todas aí, numa leva só, se tiver mais alguma, estou à disposição. E aí

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26 de mar, 10:44

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Bom, alguns aqui já me conhecem. O André, nosso velho conhecido aí que está na... na outra ponta do nosso trabalho, ajudando a gente bastante com as plataformas. Vamos lá. Bom, eu represento a FEMBRAP. é a Federação de Motoristas por Aplicativo do Brasil... É importante falar um pouco da origem dela. Ela nasce na época da Lei 13.640, que tentava não regulamentar a categoria, sem acabar com a categoria de motorista de aplicativo logo lá no início. Na época ela foi proposta por um deputado que criava uma série de entraves e aí com a ajuda das plataformas, mais especificamente na época da Uber da 99. Obrigado. E da Cabify, ainda existia a Cabify. Elas ajudavam os motoristas a virem para Brasília para conversar com os deputados, para explicar o quanto era importante a geração de renda através dos aplicativos de mobilidade. Bom, nessa época nasceram as associações, já tinham nascido um pouco antes, em 2015, no Rio de Janeiro, foi a primeira do Brasil, a UMPRJ. a qual eu fundei, e depois nessa época que todos os motoristas do Brasil se encontravam em Brasília, a gente viu a necessidade de fazer outras associações... E, posteriormente, uma federação, que é a FEMBRAP. Ela atua em todo o território nacional, a gente participa em audiências, a gente faz aconselhamento para associações. sempre numa luta por melhores condições. E, graças a Deus, na primeira luta que nós tivemos, na Lei 13.640, nós saímos vitoriosos, conseguimos e estamos aqui até hoje. Na época, era uma luta... com parceria com as empresas de aplicativos. O tema muito interessante para mim, deputado, porque eu também sou do Rio de Janeiro, né? E nasci numa comunidade, em Anchieta. E considero meu pai um grande vitorioso, que na época, para tirar a gente de uma comunidade, ele deu instrução. Minha irmã estudou no Colégio Paraíba, em Ricardo de Albuquerque, é uma médica muito conceituada. Eu fiz faculdade, trabalho como motorista de aplicativo hoje, porque eu venho do transporte executivo, falo dois idiomas, estudei, e tudo isso com educação, com ensino e com aprendizado. Isso vem oriundo de conhecimento, e hoje o conhecimento chega muito mais fácil através de um celular, através de uma tecnologia. Então, o tema, para mim, é extremamente fascinante. envolve parte do meu sentido de vida. A atuação dos aplicativos hoje, relacionando as comunidades, aos motoristas que vêm oriundos de comunidade, não são poucos, são muitos, é muito importante. A gente tem uma luta muito grande em relação a melhores ganhos, melhores condições, porque a gente tem uma preocupação, que é saber que a gente é ingerido por algoritmos. Alguém programa o algoritmo para criar lucros para as empresas, levando muitas vezes o profissional à exaustão, levando ele ao risco, porque o algoritmo não tem um sentimento. Então, a nossa principal preocupação é humanizar essa relação. No que tange à questão das comunidades, a gente percebe claramente, que existem aí algumas barreiras e que a tecnologia não consegue ainda, mas caminha para isso, é extrapolar essas barreiras. A gente hoje tem um apoio tecnológico aí para romper fronteiras, para atravessar cidades inteiras, para atravessar países através de aplicativos de mobilidade e também de aplicativo de geolocalização, no caso do Waze, no caso do Google Maps, que são ferramentas acessórias ao nosso trabalho. Mas, assim, a gente não consegue romper barreiras. Por exemplo, a gente tem o problema da segurança na nossa cidade de Rio de Janeiro, Que... É bem complicado quando, por exemplo, uma corrida chama para a gente dentro de uma comunidade. E a gente sabe que a gente não pode entrar, ou se a gente entrar, a gente está correndo um sério risco. E eu vou lhe falar que... Falo bastante do Rio de Janeiro, que é onde eu rodo, onde eu vivo. Mas, assim, que não conheço nenhum motorista que não tem uma história triste por ter passado por uma situação dessa, porque você está ali trabalhando, concentrado no aplicativo, e quando você vê a comunidade que não é mais dentro de um morro, ela se espalha por todo o bairro. Você se vê numa situação com um fuzil na cara, uma pistola na cara, quando não, a gente tem várias e várias notícias de sequestros de motoristas e mortos. A gente não vem aqui só fazer uma explanação sobre essa questão da tecnologia no ganho. A gente aproveita a oportunidade para dar uma sugestão também. Eu acho que seria muito interessante fazer o que já é feito em duas comunidades do Rio de Janeiro, que é a Rocinha e o Morro do Cantagalo. que é meio que um acordo velado ali entre as lideranças da comunidade, vamos chamar de lideranças, ou os supostos donos das comunidades, e os motoristas de aplicativo. A gente deixa na entrada como se fosse uma área de embarque e desembarque. Eu acho que isso aí traz muita conectividade para o morador, que tem a possibilidade de sair dali com segurança. E para o motorista que deixa no local seguro. Nessas duas comunidades isso acontece. A gente já sabe, e tem uma integração muito importante, porque a gente deixa, por exemplo, no Cantagalo, o passageiro na entrada da comunidade. e da comunidade, ao visitar a comunidade, a entrada na comunidade, ele tem que usar o mototáxi da comunidade. Então, você gera renda para a comunidade, quer dizer, existe ali uma... um acerto social, digamos assim, entre motoristas e organizadores daquela comunidade, ou lideranças daquela comunidade. Mas isso não se espalha para as outras, talvez a tecnologia pudesse ajudar. E eu não falo de obra estrutural de um ponto de apoio ali ou de uma área de embarque de embarque. Basta os aplicativos marcarem como aquele ponto ali na entrada das comunidades, e marcarem que só pode pedir corrida dali, são as cercas eletrônicas através dos aplicativos. das comunidades porque muitas vezes cria uma série de animosidades. Quando você é obrigado a... Por força da imposição e do algoritmo, você tem que entrar numa determinada comunidade. Voltando a falar da geração de renda e dos aplicativos, é muito interessante porque a gente viu o quanto os aplicativos são importantes, não só os aplicativos que a gente usa... diretamente para gerar renda que seria, vou citar os nomes aqui, Uber 99, InDrive, tem mais de 600 aplicativos já no Brasil, interior e afora, alguns que já estão tomando um vulto maior, Urbano Norte, e por aí vai. Mas não só esses aplicativos, a gente usa os aplicativos e acessórios, por exemplo, Como eu citei, a gente tem o Google e o Waze para poder fazer o mapa até o local. A gente usa o RadarBoot, que é um aplicativo que informa onde tem especificamente os radares. Muitas vezes os radares mudam de lugar, tem atualizações. Esse aplicativo informa. A gente passa a ter as redes sociais como o grande mural, o grande informativo dos motoristas, porque tudo vai parar na rede social, então é um outro aplicativo. A gente usa o WhatsApp, que também é um outro aplicativo, também é uma tecnologia para a gente fundamental, porque toda a comunicação de motoristas, de aplicativos, entregadores e tudo mais é pelo WhatsApp. Então são mais de 400, 500 grupos que se organizam em cada região para poder se comunicar e a nível nacional e a nível mundial. Eu tenho grupos que eu participo, tem motoristas da Europa, de Portugal, da Espanha, aqui da América do Sul. Então, assim, os aplicativos realmente fazem com que a gente gere renda, fazem com que a gente... tenha conectividade, tenha comunicação e traga evolução social para todo mundo. Mas a gente tem como eu disse, romper algumas barreiras. E a barreira da segurança é uma delas, e a barreira do ganho. dos ganhos através da humanização dos algoritmos para evitar a exploração, porque senão vira uma máquina de moegente. A gente costuma dizer que o indivíduo entra muito iludido para o... trabalhar por um determinado aplicativo, seja ele qual for, a gente vê aí uma série de questões com entregadores, seja com transporte por aplicativo, seja até por aplicativos como o próprio TikTok, que é um aplicativo de geração de renda, como o próprio YouTube, se você não seguir aquelas regras tão rigorosas que os algoritmos determinam para aceitar as metas, Você gera uma renda, mas você não gera uma profissão, quer dizer, você fica ali num período muito temporário. Eu me considero um dinossauro, eu entrei na Uber em 2014, fui um dos primeiros motoristas a entrar e estou rodando até hoje. Mas a maioria dos meus colegas daquela época já não rodam, já não conseguiram aguentar tanto. para uma série de fatores, que é essa produtividade através do algoritmo. Então, se houvesse um pouco mais de humanização, e eu sei que é um grande desafio, porque lida com massas, para você levar benefício a grandes massas, você tem que necessariamente usar os algoritmos. E a nossa batalha, e eu acho que vai ser uma batalha muito longa ainda, é buscar humanização, para essa relação. É uma relação que favorece o motorista, as pessoas realmente geram renda, mas geram, se iludem muito. Hoje, um motorista de aplicativo investe, em média, de 60 a 80, às vezes, 100 mil reais para ter um carro. E esses 100 mil reais, ou esses 80 mil reais, viram o dobro desse valor, porque ele não tem condição para comprar um carro à vista. ele vai comprar esse carro financiado. E, no final da história, a gente vê em 2023 o IBGE apresentando um estudo que 25% do que a gente faz bruto é lucro, o resto tudo é despesa. E não existe uma educação financeira através dos aplicativos para que esse motorista entenda isso. Então, assim, imagina a seguinte realidade hoje. e tem, como disse, muitos colegas de comunidade, O cenário de profissionais começou assim: quando eu entrei, 2014, as plataformas buscavam os motoristas no transporte executivo. Posteriormente, Elas passaram a buscar os motoristas no desemprego, no período que o Brasil estava, aumentou muita quantidade de desempregados. Era comum a gente ver um dentista dirigindo um carro de aplicativo. Depois ela entrou, e hoje acho que é o momento que ela tem mais pessoas de baixa renda trabalhando, rodando, ela entrou não nos desempregados, mas naqueles que estão insatisfeitos com seus empregos. E também baixou muito a idade desse profissional. Hoje a maioria são jovens, não são homens de meia idade para cima. O jovem tem um emprego que ele ganha um salário, um salário e meio, trabalha na jornada de seis, sete dias por semana, folga um. E aí, não tem nenhum carrinho para rodar, muitas vezes se tem, é um carrinho muito velho, muito caidinho. Se ele pega aquele carrinho velho, ou aquela motinha que ele tem, ele vende. Junta mais um pouquinho, dá uma entrada, ele compra um veículo em 60 vezes... esse veículo financiado, ele começa a rodar com esse veículo, ele dá um jeito de ser demitido no emprego dele, ele tem cinco meses de auxílio-desemprego, E... Nada impede que ele rode, que ele gere renda com aquilo, hoje, atualmente. E não existe um cruzamento de informação, porque se ele arrumasse um outro emprego, ele não poderia receber o auxílio de desemprego. Então, ele tem uma garantia de cinco meses. Nesses cinco meses, o status social dele faz um upgrade, porque ele não tinha uma conta de banco, ele passa a ter uma conta. A maioria dos aplicativos oferece uma conta bancária. Junto também vem empréstimos, cartão e tudo mais, coisa que ele não tinha. Ele movimenta financeiramente num banco, seis mil reais em média por mês, cinco a seis mil reais. Só que o lucro é 25%. Ele está ganhando praticamente a mesma coisa que ele ganhava. E ele não percebe isso. Com um cartãozinho de crédito com 6, 7 mil reais na conta todo mês... ele começa a gastar esse dinheiro. O nosso trabalho é repleto de imprevistos, né? É... Você sai na rua, é um pneu que fura, é um carro que bate, é um assalto, é uma coisa qualquer, que sempre tem previsto. Você fica 10, 12 horas na rua, você está... propício a milhões de imprevistos. Nesses imprevistos, no primeiro, ele acha que é azar, No segundo, ele acha que é olho gordo do vizinho do lado, que agora ele tem um carro e tem uma condição melhor. No terceiro, ele está desesperado. No quarto, ele está comprometendo todos os cartões de crédito da família inteira. para poder bancar aquela despesa para gerar aquela renda, No quinto, ele sai daquele carro, que ele já perdeu o carro para a financeira, vai para o carro alugado, até que ele já está trabalhando 15 horas por dia, 16 horas por dia, ele já está trabalhando 7 dias por semana, ele voltou a perder a qualidade de vida que ele tanto desejava que ele teve por um período, sem perceber que ele fez só parte de uma engrenagem que mói um ser humano. Afinal de tudo, é moer um ser humano. Se ele tivesse uma educação financeira, se ele tivesse uma consciência que a lucratividade dele, dita pelo IBGE, e eu acredito, participei muito de um próximo desse estudo, 25% somente... Ele saberia que ele pesaria, que olha, entre eu ter um salário, um salário e meio... Fundo de garantia, férias e todos os meus direitos garantidos. e trabalhar para alguma coisa que me aumenta, é um risco muito grande, me dá uma probabilidade de perda maior ainda. Para ganhar praticamente a mesma coisa... Eu acho melhor eu ficar no meu emprego ou procurar um emprego melhor, ou estudar dentro do que eu faço para melhorar no que eu faço. Então a gente tem que ter esse cuidado, porque esses algoritmos, eles levam a gente para um caminho que mõe gente. Ele ajuda por um momento? Ajuda. Dessa leva de pessoas que entram, a gente não tem as estatísticas, porque os dados de controle de quem entra e quem sai são dos aplicativos, não são dos motoristas e não são divulgados. são considerados informações sensíveis para as plataformas, esses dados e essas pessoas que saem, eu sei porque me procuram na associação, me procuram na federação, sempre saem com problemas. sempre saem banidos indevidamente, sempre saem banidos sem a menor satisfação, sempre saem... às vezes até devidamente são banidos. Aconteceu o caso de um rapaz me relatar o que ele tinha feito, que foi um gesto de homofobia, E ele falou, mas eu não fiz nada, porque ele não foi orientado o que não fazer. Porque ele era de uma geração que era normal ser homofóbico, fazer uma brincadeira de mau gosto, e que hoje em dia não cabe mais, a gente evoluiu como sociedade. Então, assim, não há treinamento, não há informação, não há nada, há sedução. Uma sedução para um ganho que realmente acontece, mas que ele não perdura. Para piorar a situação... é um estímulo muito grande das mentorias, dos ensinamentos de motoristas para motoristas. Alguns motoristas percebem claramente que a dificuldade de gerar renda desses motoristas é latente, que eles querem ganhar mais, então eles começam a divulgar publicamente seus ganhos. É assustador o indivíduo falar, olha, eu não consigo entender como é que um motorista de aplicativo não faz mil reais no dia. Eu consigo entender, porque eu rodo de verdade, eu rodo inclusive vários dias por semana, eu consigo entender. O cara que faz isso, aí o cara mostra um slip de ganho na internet, fala uma fala bonita, no final ele vende uma mentoria, ele vende uma rifa, ele vende alguma coisa, quer dizer, ele não está ganhando dinheiro com o aplicativo, ele está ganhando dinheiro com a rifa, com a mentoria, ele está ganhando dinheiro com os vídeos que são monetizados, Entendeu? E... faz com que mais motoristas tentem continuar, tentem perdurar e aumentem o sofrimento futuramente. Lógico que nem todos são mal-sucedidos, alguns são bem-sucedidos. Eu só não tenho um dado estatístico para apresentar para vocês de quem são os bem-sucedidos e quem são os mal-sucedidos, porque, como eu disse, esses dados não são abertos para a gente. Mas a gente tem a sensação, por ouvir os motoristas, por ajudar os motoristas o tempo todo, que mais motoristas saem mal-sucedidos atualmente do que bem-sucedidos. Isso é lamentável enxergar isso, porque eu acho que uma profissão nobre, eu acho que é... ligar pontos, de levar pessoas do ponto A ao ponto B, utilizando a tecnologia é fantástico. Então, como eu volto a dizer, e para finalizar, a nossa busca e a nossa luta É constante por humanizar esses aplicativos, humanizar esses algoritmos. Tá bom? Basicamente é isso que eu teria a trazer. Obrigado. Muito obrigado, Dani.

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