COMISSÃO ESPECIAL SOBRE ALTERAÇÃO NO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO (PL 8085/14)
Sobre o Evento
A Comissão Especial debateu propostas de alteração no Código de Trânsito Brasileiro, focando na formação de condutores e na rigidez dos exames médicos e toxicológicos. Especialistas alertaram para os riscos à segurança viária caso haja flexibilização excessiva na renovação da Carteira Nacional de Habilitação.
Especialista em Psicologia de tráfego
em relação ao exame toxicológico, caso ele não detecte alguma coisa, se o exame psicológico é capaz de detectar. Eu acho assim, eu sei que existe muita dúvida, inclusive da população, quanto dos... dos deputados em relação a qualquer tipo de exame que a gente possa fazer. Eu também teria dúvidas em relação a exames que eu não entendo. A gente está falando de perícia. A perícia, o que ela vai gerar? Ela não vai gerar um diagnóstico. Dentro do resultado de uma perícia, você não vai determinar que uma pessoa é X ou Y. Ela vai gerar indicadores. E esses indicadores são os instrumentos que a gente tem para trabalhar, para determinar se a pessoa tem uma maior ou menor probabilidade de envolvimento em acidente de trânsito. Já emendando com a pergunta em relação a traços de personalidade, agressividade, por exemplo, isso é um dos fatores que a própria resolução do Conselho de Psicologia determina como sendo restritivo ao acesso à habilitação. Então, quando indicado num teste de personalidade... que o avaliado tem a tendência a uma agressividade aumentada, ele fica restrito ao acesso a CNH. Por quê? Porque o que isso pode causar no trânsito? Eu acho assim, e eu até concordo, eu estava ouvindo a fala do deputado Áureo, discordando de alguns pontos, isso não significa que eu concorde com esses pontos, mas eu concordo com o fato dele discordar, porque é assim que se cria conhecimento. A gente não cria conhecimento com todo mundo concordando com a mesma coisa, porque a gente para por ali. Todo mundo concorda, a gente se interrompe e não avança. Tem que discordar. Eu quero que ele discorde. Eu quero que ele pergunte, eu quero que ele questione, porque a gente precisa poder responder. Se a gente não conseguir responder, para que serve? Não vai servir para nada. Todo mundo tem que ser capaz de conseguir entender o porquê que está ali. O problema é que a sociedade não entende e, de uma maneira geral, o governo... incita a sociedade a continuar não entendendo. O condutor acha que pelo fato de ele saber dirigir, que é saber conduzir um veículo. Isso é uma coisa. Agora, ter capacidade para isso, psicológica, física, aí é outra. Porque se saber dirigir fosse suficiente... a gente não teria acidente de trânsito. Porque todo mundo que está dirigindo é porque sabe dirigir. Mesmo assim, a gente tem causas, tem acidentes. E esse acidente tem uma causa. Tá? então os testes psicológicos eles são instrumentos padronizados, Eles foram desenvolvidos através de estudos muito criteriosos, uma coisa que eu jamais teria a capacidade de ser é psicometrista, é desenvolver um teste psicológico, mas eu confio que o instrumento, quando ele me dá um indicador, um indicador de alguma característica que pode trazer um prejuízo para o trânsito essa pessoa nesse momento Nesse momento, ela está restrita ao acesso à habilitação. E quando a gente fala de agressividade, eu acho importante a gente ressaltar alguns pontos que às vezes ficam confusos. A gente às vezes entende a agressividade como, por exemplo, violência. Uma pessoa agressiva é a que necessariamente ela é violenta. Eu vou trazer um fato, eu não sou de Piracicaba, mas eu atuo lá. Piracicaba é a cidade com maior índice de acidentes de trânsito com mortes. em todo o estado de São Paulo no ano de 2024 e no ano de 2025. Dois anos seguidos. a cidade que mais morreu em todo o estado de São Paulo e tem um tem uma um comportamento que é muito comum você observar para quem não é de lá é só ir lá que você vai notar várias coisas e aí você vai entender porque a gente tá nessa posição mas por exemplo o condutor ele tá lá dirigindo, sei lá, a 40 por hora. o carro chega do lado dele e começa a acelerar. Ele começa a acelerar porque ele não quer dar passagem. Se ele vê o pedestre pisando na faixa, Eu venho aqui de Uber. Cara, o Uber só faltou dar um RL com o carro para frear para o pedestre atravessar. Se fosse em Piracicaba, ele jogava o carro em cima do pedestre na calçada, já para não correr o risco dele tentar atravessar na frente dele. Isso é um indicador de agressividade, não pela violência. A agressividade... Ela é uma característica que também está relacionada, por exemplo, à competição. Então, quando eu entendo que um motorista pode tomar a minha frente... chegar no semáforo passar o semáforo e eu não é como se fosse um processo inconsciente a tendência que o acelere isso pode gerar o que uma disputa Uma disputa não à toa que a gente vê o quê? Vou pegar um outro exemplo. a gente tem a tendência, no senso comum, A entender, por exemplo, quando a gente vê uma mulher dentro de um acidente de trânsito. Olha lá, era porque era mulher A causa do acidente é ser mulher. não é a causa do acidente nessa mulher uma mulher está envolvida no acidente de trânsito mas a causa não é Ser mulher. Existe uma causa para isso, não o sexo feminino. Isso é uma cultura, isso é um padrão de pensamento totalmente disfuncional. Porque o seguro de carro é mais barato para quem? Homem ou mulher? Perfil do sexo masculino ou feminino? Feminino. E por que no sexo feminino, aí eu estou fazendo essa análise. A gente tem uma incidência menor de acidente de trânsito, por exemplo, em relação à parte comportamental. Se a gente for pensar em avaliação psicológica, a gente tem que também... separar essas coisas a parte comportamental e emocional do indivíduo e as funções cognitivas dele. E se a gente pegar as duas... Você pode entrar em qualquer pesquisa para causa de acidente de trânsito, ou você vai cair na comportamental... ou você vai cair na cognitiva. Você não vai sair disso. Então não tem como você não ter uma avaliação psicológica num país como o Brasil. Não dá para comparar o Brasil com outro. Nossa, nos Estados Unidos, porra, nos Estados Unidos é diferente. No México é diferente. Lá é o carro, você não compra um Renault Kwid com 100 mil reais. Até valores fica complicado a gente fazer essas comparações. Mas no comportamento do brasileiro é assim. É assim, a mulher tem um indicador de agressividade... comparado ao homem muito menor. Muito menor. Isso é um fator biológico. A testosterona média da mulher é menor do que no sexo masculino. Então, a testosterona é um hormônio que converte em agressividade. Então, a tendência de uma mulher ser agressiva é menor... do que um homem ser agressivo. Quando você gera um score que os dois resultados dão o mesmo valor... Se no caso do sexo masculino ele está numa média de agressividade, ou seja, normal a agressividade desse cara... Esse mesmo valor para uma mulher vai dar alto, não é esperado. Eu vi um vídeo esses dias de um acidente de trânsito com duas mulheres, elas bateram uma... Não dá para ver o que elas falam, né? Mas o fim do acidente é uma abraçando a outra... indo embora cada um para o seu canto. Se fosse no caso, a gente sabe o que aconteceria se isso fosse no perfil masculino. Em média, Em média. A gente sabe o que aconteceria numa situação dessa. Nunca teria um abraço. Nunca teria um abraço, seria um soco antes de perguntar. Quem está errado? Então, eu não consigo enxergar, sendo que a gente tem. Aí eu volto para aquele gráfico. A gente não pode descartar a ciência em ponto nenhum. Não tem como. Quem estudou não tem como ignorar esses fatos e não ficar irritado. E ficar irritado. Que uma pessoa faça um método de trabalho que você tenha que atuar dessa maneira. Quais são as... 90% das causas de acidentes de transição humanas. Onde você vai avaliar isso? Na prática? Não tem como. Então, o exame psicológico, sim. Eu acho que ele é fundamental, inclusive, ele dá mais subsídios... Para entender o quê? se uma pessoa está mais propensa ou não a se envolver em um acidente de trânsito. Obrigado, Osmar.




