COMISSÃO DE CULTURA
Sobre o Evento
A Comissão de Cultura realizou audiência pública para debater a criação do Dia Nacional das Mulheres no Setor Marítimo. O evento focou na importância de ampliar a representatividade feminina em espaços historicamente masculinos, discutindo desafios de igualdade, segurança e o reconhecimento profissional dessas trabalhadoras.
SECRETÁRIA DE ECONOMIA DO MAR DA CTB-RJ
Aqui é o contrário, vermelho é o toque. É verdade. Bom, Jandira, nossa querida deputada, boa tarde a todas e a todos. Queria agradecer a sensibilidade e o compromisso em acolher esse nosso pleito, que é tão significativo para nós mulheres. Cumprimentar também as demais parlamentares, representantes das entidades, né? A Lilian, que a gente, como ela já comentou, estamos sempre juntas no trabalho que é sempre tão importante para o setor. em especial as trabalhadoras e trabalhadoras do setor marítimo. Também cumprimento a Lorena, minha colega, que estamos nessa mesma... É... O Sindimar procurou a deputada Jandira como pedido de apoio para instituir essa data comemorativa, porque achamos que é preciso dar mais visibilidade à atividade marítima e incentivar a participação feminina nesse setor. Essa proposta carrega um simbolismo importante, mas vai muito além dele. Além de reconhecimento e visibilidade, ele trata de orientar uma direção segura para o nosso futuro. O setor marítimo, meus amigos, ele é responsável e estratégico para o desenvolvimento do país. Ele sustenta boa parte da cadeia de sofrimentos essenciais, movimenta quase todo o comércio exterior e tem um papel central na garantia da soberania nacional. Um tema que é tão caro pra gente nesse momento, né, Jandira? E esse setor, ao longo da história, ele sempre foi estruturado com base na participação masculina. A presença das mulheres por muito tempo foi proibida, desencorajada e, quando se tornou possível, enfrentou um preconceito e uma resistência gigantesca por boa parte mais conservadora da sociedade. Por muito tempo, inclusive, existia a ideia de que Mulher a Bordo dava azar, né, Lorena? Pois é, meus amigos, o pessoal achava que mulher a bordo dava azar. Obrigado. É verdade. E tem apenas um quarto de século, 25 anos, que nós mulheres passamos a ocupar de forma mais significativa. postos de trabalho a bordo. Já tínhamos outras mulheres a bordo, claro, mas em número muito menor Jandira sabe bem disso, mas de forma mais significativa tem apenas 25 anos, é muito recente. E hoje, quando vemos mulheres atuando como oficiais de náutica, oficiais de máquinas, eletricistas, comandantes, chefes de máquinas, pesquisadoras, profissionais da indústria naval, trabalhadoras portuárias, especialistas em energia offshore, docentes marítimas e lideranças sindicais, é uma coisa muito nova e muito gratificante para a gente. Mas, apesar desse avanço, a gente sabe que tem muito a fazer ainda. Os dados da Organização Marítima Internacional, que é a instituição que a Lília acabou de citar, e Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes, a ITF, indicam que as mulheres representam menos de 2% da força de trabalho global. Isso é muito, é ínfimo, é muito pouco. No Brasil, a gente tem cerca de 15%. É um número bastante maior, mas ainda assim muito pequeno. E por isso a gente enfrenta desafios estruturais e comportamentais. E essa luta por respeito, não raro, temos que combater, inclusive, o assédio. Instituir esse dia, o Dia Nacional das Mulheres do Setor Marítimo, é reconhecer essa trajetória e, ao mesmo tempo, lançar luz sobre esses desafios. É uma parte muito importante. É afirmar que o Brasil entende que a diversidade não é apenas um valor social, mas um ativo estratégico para o nosso desenvolvimento em condições justas. Os ambientes que respeitam a diversidade são mais inovadores, a gente sabe disso, são mais seguros e mais eficientes também. Tem estudos, inúmeros estudos internacionais que associam a diversidade a melhores resultados organizacionais e maior capacidade de adaptação em setores complexos. E quer um setor mais complexo que o setor marítimo? Difícil, né? Tem alguns, mas é um setor bem complexo. O dia 18 de maio foi adotado pela Comunidade Marítima Internacional como o Dia das Mulheres no Setor. E o Brasil, nesse sentido, vai se posicionar de forma coerente com os compromissos globais na promoção da equidade de gênero com esse alinhamento. E mais do que isso... Fortalece uma imagem institucional e demonstra maturidade institucional a tratar o tema como política pública. Mas é importante destacar que uma data por si só não transforma as realidades, não muda a vida da marítima que está lá a bordo ou trabalhando com um navio. Ele precisa ser acompanhado de ações concretas. Eu trago aqui algumas reflexões que eu considero fundamentais. Precisamos avançar na formação e no acesso, garantir que mais mulheres ingressem nas carreiras marítimas. E para isso precisamos que a profissão e as condições de trabalho sejam atrativas. para que novas gerações, que outras gerações, novas gerações se interessem pela profissão, e isso nos leva ao próximo ponto dessa... dessa trajetória, olhar para a permanência. Essa permanência envolve desde infraestrutura adequada a bordo, porque Não sei se alguns de vocês já souberam, mas, por um tempo, não tinha nem condições de infraestrutura adequada para mulheres a bordo. Só tinha homem. Então, muitas embarcações tiveram que ser adaptadas para não se receber. Até políticas que considerem, por exemplo, a maternidade, o ciclo de carreira e o desenvolvimento profissional contínuo. Lembrando que temos aqui, né, Jandira, nessa casa há muito tempo, um PL que trata sobre o tema e aguarda a apreciação. Precisamos também enfrentar questões culturais. Ambientes historicamente masculinos exigem mudanças intencionais, que passam por formação de lideranças, combate a práticas discriminatórias e promoção de uma cultura de respeito. E precisamos, sobretudo, garantir que essas mulheres não apenas ocupem espaços, mas que possam crescer, liderar e influenciar os rumos do setor. Ao longo da minha trajetória no setor marítimo e também na atuação do sindical, eu tive a oportunidade de acompanhar de perto esses avanços e também... Mais ainda, os desafios. O que eu vejo é muito claro. Temos mulheres extremamente qualificadas, comprometidas, resilientes, mas também vemos barreiras que ainda precisam ser enfrentadas e superadas. E é justamente por isso que esse projeto é tão importante. Ele dá um sinal, Jandir. Ele mostra para a sociedade e para as instituições, e principalmente para as novas gerações, que o setor marítimo também é um espaço para mulheres. Ele inspira jovens que muitas vezes nem consideram a carreira porque não se veem representadas. profissão, né? Ela reconhece também as que vieram antes de nós, que abriram caminhos, muitas vezes enfrentando condições muito difíceis. E ele cria um momento todos os anos para a gente parar e refletir, avaliar o que avançou, mas principalmente renovar os nossos compromissos com o que está por vir. Celebrar o Dia Nacional das Mulheres no Setor Marítimo. É não somente prestar uma homenagem, é mudar a forma como o setor é visto, é ampliar o olhar sobre quem pode estar ali, é reafirmar que esse espaço também nos pertence. E mais que isso, é contribuir para um setor marítimo mais justo, mais diverso e mais adequado para os desafios que temos pela frente. Eu quero encerrar aqui, reforçando o meu agradecimento à deputada Jandira Feghali pela condução desse tema e por abrir esse espaço de diálogo que para a gente é tão importante e tão caro, tá, Jandira? de um compromisso contínuo com a transformação, porque quando a gente amplia a participação das mulheres, a gente está não somente corrigindo... uma desigualdade histórica. A gente está fortalecendo todo o setor, independente dele. Muito obrigada. Obrigado.



