CÂMARA DOS DEPUTADOS - OUTROS EVENTOS
Sobre o Evento
O evento marcou a abertura da primeira turma de 2026 do programa Estágio Visita da Câmara dos Deputados. A solenidade promoveu a integração entre jovens e o Poder Legislativo, contando com a participação de representantes de entidades setoriais que destacaram a importância da educação e do engajamento democrático.
Secretária da Mulher
Pode passar para o próximo slide? A gente vai entrar nisso com mais detalhe, quando a gente definir os tipos de democracia, as possibilidades que nós temos, tendo em vista essas diferentes formas de representação. Só queria trazer um ponto que eu acho bem relevante das duas falas, tanto de Alexia quanto Caroline, que o lobby, gente, apesar do nome ter uma conotação ambígua no Brasil, é uma atividade regulamentada em vários lugares, e a gente... está fazendo lobby o tempo inteiro né a gente enquanto coletivos né e aí isso me traz que o O que é o lobby? Defender interesses específicos de segmentos específicos da sociedade. Então, quando eu estou falando de lobby, eu não estou falando do interesse geral, nacional, do povo brasileiro, essa abstração imensa, porque o povo brasileiro são 210 milhões de pessoas absolutamente diferentes. A gente tem o maior índice de Gini, para os economistas que adoram falar do índice de Gini, que é o quê? diferença econômica entre segmentos populacionais. Então, aqui no Brasil é o maior, ou seja, nós temos a maior desigualdade econômica do mundo. Acho que tinha uma época que estava atrás de... estava na frente de Serra Leoa. Enfim. Só tinha mais desigualdade em Serra Leoa, mas depois voltou a ser o primeiro. É muito louco a gente pensar em falar no interesse do povo brasileiro, no singular pensando o tamanho da nossa desigualdade, que não é só econômica, ela é social, cultural, ela é, enfim, de vários fatores, racial, etc., etc. étnica, etc. Então, vejam... E aí eu acho que complica, porque muito desta abstração do conceito de representação que nós trazemos, ele está ancorado numa visão de que eu... indivíduo e uma pessoa, Cristiane, servidora pública, federal, professora, jornalista, mulher, heteroafetiva... Tenho determinado interesse. Então, eu quero alguém que me represente e lute pela educação, que tenha liberdade de imprensa, que tenha disseminação de informação, eu quero a regulação das plataformas, etc. Mas a representação não se faz indivíduo para indivíduo. Não é o meu voto solitário que elege parlamentar. É o quê? É o voto de uma comunidade. Então, essa frustração que a Alexia traz, ela está ancorada numa visão de que o representante, ele tem que concordar comigo, indivíduo, cidadão, cidadã, em tudo. O que é impossível. É. teórica e pragmaticamente impossível. A gente não concorda nem com o irmão, a irmã da gente. A gente não concorda com o pai, com a mãe, quer dizer, com os primos, o pessoal da mesma família, que tem a mesma experiência de vida ali, mais ou menos a mesma classe social, etc. A gente não concorda com os nossos amigos, nossos colegas de escola que cresceram com a gente. que vem do mesmo bairro, tem a mesma cor, tem o mesmo... A gente não concorda em tudo. Então, como é que eu quero que um indivíduo representante eleito... por um milhão de pessoas, no caso de São Paulo, mas pode ser 15 mil pessoas, no caso de Roraima, concordem com tudo que eu defendo. É uma impossibilidade epistemológica. Para quem é da filosofia, do direito, não tem como. E o que acontece? A construção da representação é coletiva. Nós estamos falando de grupos que elegem. São sempre grupos. Então, não é o interesse de um indivíduo só. Bom, a menos que você seja o Elon Musk, né? Aí você tem tanto recurso que você substitui países na decisão, né? Mas não é a decisão de um indivíduo. É a decisão de um grupo. E o grupo vai ter essas ambiguidades em algum momento. Obrigado. E aí nós temos, a partir dessas visões, diferentes tipos de democracia. Você pode ter o que os autores vão chamar de democracia representativa, modelo liberal, definido nos moldes como a gente conhece hoje aí nos séculos 18, 19, se a gente pensar, né, Revolução Francesa, se a gente pensar Revolução não é meio uma revolução, uma guerra civil norte-americana, mas... processos de independência na América, nas Américas, em relação às colônias europeias, se você pensar em processos de descolonização na África, então, ao longo dos séculos... 17, 18, 19, nós vamos chegar a um modelo que se expande no século XX. que fica, vamos dizer assim, conhecido, em alguns momentos do século XX, ele vira hegemônico, ou seja, maior parte das sociedades, dos países adotam esse modelo, que é o quê? Vamos ter alguma forma de eleição daqueles que vão governar ou representar as pessoas no parlamento. que vão tomar as decisões. E aí tem muito no nosso modelo do que foi definido pelos, vamos dizer assim, pelos... o termo que eles gostam de usar, depois nós é que estamos em busca de pai, são os pais fundadores estadunidenses, que o pessoal do direito estuda, o pessoal da ciência política estuda, Abraham Lincoln, George Washington, Madison, Alexander Hamilton, etc. Mas tem também muito do que a Revolução Francesa traz. Tem também muito do direito italiano, que aí já tem uma origem mais antiga, lá em Roma. Então, assim, a gente foi fazendo uma mistura... para chegarmos nesse sistema que é eleger quem vai nos apresentar. E a ideia por trás da eleição, ah, professora, mas por que uma eleição, não um sorteio? Porque no sorteio pode ir qualquer um. Na eleição, não. Na eleição... irão os melhores. "Pô, eu tô tendo a oportunidade de eleger, eu vou eleger alguém que eu acho que é pior do que eu pra fazer aquilo ali?" Não, né? Até porque pior que está, não fica. Então, sempre pode ficar. Mas, voltando, sem nos dispersarmos. Vejam, o princípio por trás da eleição é que nós escolheremos os mais capacitados. os mais preparados para nos representarem, aqueles que nós achamos que têm mais condições de... realizar essas tarefas, que nós não temos... Condição... Primeiro, porque não temos tempo de ficar indo em todas as reuniões, assistindo todas as sessões, debates e mandando a nossa contribuição. a maioria das pessoas não vai nem na reunião do próprio condomínio. Quanto mais assistir os debates e mandar comentários no YouTube, nas sessões do plenário do Senado, da Câmara, da Assembleia Legislativa, da Câmara de Vereadores da sua cidade, quer dizer, só aí você já tem quatro parlamentos para você opinar. Não teria como, né? Então, a gente elege alguém que Vai fazer só isso. Vai ser um político profissional. um representante profissional. Mas eu poderia pensar num esquema em que todos os cidadãos dessem sua opinião em todas as questões. Nossa, por que não faz a democracia direta? Por que não vota pelo YouTube, pelo Instagram? Faz uma enquete. Inclusive nós tivemos já casos de parlamentares que iniciaram seus mandatos assim, né? Não sei se vocês conhecem o senador Cajuru, os primeiros seis meses do mandato passado dele foram assim, ele botava todas as votações que ia ter, ele colocava no Facebook. Na época era Facebook, né? Um negócio antigo, vocês nem sabem o que é, mas é uma rede social que existia e saibam que existe. Ele colocava lá, voto sim ou voto contra? Só que isso começou a criar uma série de problemas para ele, porque aí o partido diz assim, não, mas para isso, você não pode votar contra isso aqui. Você é desse partido, nossa posição é essa. Ah, mas meus seguidores, que nem são os eleitores, são seguidores, né? Disseram que eu não posso votar. Obrigado. O problema é seu, mas se você votar, você é expulso do partido. E aí, isso durou seis meses, esse experimento, e ele tirou as enquetes do Facebook, porque viu que era mais complexo do que simplesmente colocar as enquetes no Facebook. Mas seria uma possibilidade, com ajustes, de democracia direta. Pensem lá na delegação, a Assembleia dizendo, ó, você vai votar sim, então eu consulto. Claro que em situações bem específicas, os parlamentares fazem isso, né? Meio que jogam para a opinião pública para sentir se os eleitores deles estão... a fim ou não daquilo. E aí as redes sociais são um grande termômetro. Então vamos jogar aqui escala 6 por 1, quem é a favor aqui. Aí vai lá, a Atlas faz pesquisa, 75% da população brasileira é a favor de acabar com a escala 6 por 1. Vamos acabar com a escala 6x1? Não sabemos, mas... O colega lá de trás, que eu entrei por outra via, não sei nem se a tua pergunta tinha a ver com isso. Bom dia, me chamo Ninan, sou de Segipte.




