CÂMARA DOS DEPUTADOS - OUTROS EVENTOS

5 mai. 2026 08:30 às 11:45

Sobre o Evento

O evento marcou a abertura da primeira turma de 2026 do programa Estágio Visita da Câmara dos Deputados. A solenidade promoveu a integração entre jovens e o Poder Legislativo, contando com a participação de representantes de entidades setoriais que destacaram a importância da educação e do engajamento democrático.

Status
Concluído
ID: 81696Total: 30 discursos
#20
Secretária da Mulher Cristiane Brum Bernardes
Cristiane Brum Bernardes

Secretária da Mulher

Transcrição automática

Acho que é um ponto importante que você traz, a questão dos partidos, porque os partidos, né, gente, são uma... Aí alguém vai dizer assim, nossa, mas para que partido? Tem esse papo também, né? Para que partido? Vamos acabar com esses partidos, esses partidos não significam nada, é só um bando de blá blá blá blá blá blá blá blá. veja Se a gente quisesse se eleger individualmente, né? Obrigado. Que tipo de recursos nós teríamos que ter para conseguir nos elegermos a qualquer coisa, sozinhos, assim, por nossa... livre espontânea vontade. Qual é o primeiro recurso que precisaríamos ter? Dinheiro. Então, aí você já eliminou. Quer dizer, o Elon Musk pode se candidatar? Pode. Ele pode fazer o que ele quiser, né? Ele está construindo um foguete para ir para Marte. É ilimitado. Mas nós aqui, nós, quem de nós teria recurso para bancar uma eleição que fosse de vereador nos municípios de onde a gente vem, onde a gente nasceu? E uma coisa. Quem financiaria? Ah, quero sair candidata. Não funciona assim. Por quê? Porque a candidatura, porque a representação não são questões individuais. elas são construções coletivas, você tem que ter apoio. Você tem que ter voto. Você pode até se candidatar, pagar uma campanha, mas você vai ter voto Basta entrar no horário eleitoral gratuito e fazer santinho, ou pagar lá. Agora a gente paga para entrar no WhatsApp. É só de uma época antiga, de uma época que tinha santinho em papel. Eu sou do século passado, me desculpe. Mas, assim, basta pagar para o Instagram lá e... Para o Facebook, ainda existe, os pais de vocês estão no Facebook, sorry. para promover a minha candidatura? Eu vou me eleger? Então, percebam. Os partidos existem por uma necessidade. de organização coletiva. E depois tem uma outra coisa, assim... Obrigado. Quem de nós aqui já parou para pensar sobre o Código de Processo Civil? Obrigado. Levanta a mão quem já parou para pensar, quem já analisou, estudou. Um, dois, três, quatro. Cinco. Numa turma... da elite brasileira universitária... Desculpa se não tinham dito isso para vocês. Vocês são a elite do Brasil. Vocês estão naquele segmento pequeno que chega ao ensino superior, mas ainda que chega ao ensino superior em um curso de direito, e que vão se formar, serão operadores do direito, 4! Metade da turma aqui está no direito. Se nem estudante de direito não parou para pensar no código comercial, sou eu que vou saber o que importa no código comercial. Que mudança que o código comercial pode trazer para a minha vida? Percebem? Tem questões que são ultra específicas. A gente nunca parou pra pensar nelas. "Ah, todo mundo aqui tem uma posição, uma opinião sobre aborto. Isso eu estou certa, é uma questão que atravessa, né? Sobre casamento homoafetivo, talvez." todo mundo, todos nós aqui tenhamos uma opinião. Mas e garimpo nas terras indígenas? Hum? E direitos reprodutivos e educação sexual nas escolas. São questões que têm tecnicalidades para as quais nós não... Às vezes, a gente não parou para pensar naquilo. Por quê? Porque eu não sou professora, eu não trabalho com crianças. Então, eu nunca parei para pensar por que tem que ter educação sexual nas escolas. Não, isso aí é ideologia de gênero. Mas se você vai falar com as professoras de ensino fundamental, de ensino médio... que estão nas escolas públicas, lá na ponta, elas vão dizer: "Poxa, mas precisa". A gente encaminha um monte de caso de abuso sexual quando a gente dá essa aula, quando a gente explica para eles, dá aquela musiquinha: "não toca aqui, não toca ali, só o papai". Entendeu? É preciso. E aí, é para isso que a gente elege alguém que tenha mais condição de se debruçar sobre esses assuntos. E se eu tiver uma ideia de democracia deliberativa... Eu vou pensar nesse espaço aqui que isso aqui é um espaço de comissão, E a comissão parlamentar, ela... presta, ela serve, ela existe especificamente para isso, para agregar pessoas parlamentares que têm interesses em determinados assuntos, então, quem é professora geralmente vai lá para a comissão de educação. Quem é ex-reitor e tal, quem é produtor rural, vai para a Comissão de Agricultura. Os indígenas agora vão lá para a Comissão de Minorias, mas também vão para a Comissão de Agricultura, porque tem a ver com como é que as reservas vão se montar economicamente, a exploração das terras e tal. Então, vejam... As comissões vão agrupando... especialistas, que têm mais condição de discutir essas questões. Então, na Constituição e Justiça, vai ter um monte de... advogado, juiz, etc., constitucionalistas, que vão analisar, de comércio e... Comércio exterior, vai ter o pessoal lá que pensa relações internacionais e relações econômicas, vai ter o pessoal de economia, mas vai ter o pessoal que estuda lá o código comercial também, para ver como é... Percebem? Essas pessoas, em conjunto, debatendo, elas podem chegar numa decisão que é muito melhor do que aquela decisão que uma delas sozinha pensaria lá a partir do seu background. Então, o conceito de democracia deliberativa, ele demanda também que o representante tenha algum... Nível de autonomia. Por quê? Porque a decisão vai se fazer na discussão da Assembleia. Então, eu estou pensando que aqui os iguais, os parlamentares que foram eleitos, que todos representam com as suas expertise, eles vão agregar. Então, vai ter uma parlamentar indígena que vai trazer a visão dos povos indígenas, vai dizer, não, mas olha só, tem essa situação lá na reserva tal, tá acontecendo isso, então o garimpo prejudica, aí vai vir um outro, pô, mas o garimpo é uma fonte de renda, como é que a gente vai fazer? Tem as terras raras, tem que explorar. vamos construir uma decisão melhor informada. Esse é o pressuposto teórico do negócio. É a razão pela qual a coisa foi montada assim. Então, a gente tem comissões técnicas. Na prática, isso acontece sempre? Isso acontece às vezes? Isso não está acontecendo? Aí são essas questões que a gente tem que perceber. Agora, se eu não entendo que esse é o funcionamento, eu acho que qualquer decisão do parlamentar contrária, por exemplo, uma mudança de opinião, é sempre uma incoerência, é sempre uma traição. Mas pode não ser. Ele pode realmente ter sido convencido pelo colega, que é especialista em código comercial, por exemplo, que o voto dele tem que ser assim. E aí ele vai explicar porque ele não sabia disso e a gente quando votou nele nem imaginava que o código comercial ia entrar em discussão. E isso aí a gente pode jogar na escala 6 por 1. Ou o fim da escala 6 por 1. Vamos começar pelo fim, dessa vez. Quais são as questões técnicas envolvidas? Então, vai lá os economistas e tal, aí tem os economistas... Da Unicamp, aí tem os economistas da USP, aí tem... Estou brincando, mas é porque tem essa divisão. Diga... Tinha mais alguém aqui que queria falar? Não. Você que tinha levantado a mão, né? Então, peraí, o nosso amigo economista levantou antes de ti, mas ele vai se apresentar.

05 de mai, 11:05