CÂMARA DOS DEPUTADOS - OUTROS EVENTOS
Sobre o Evento
O evento marcou a abertura da primeira turma de 2026 do programa Estágio Visita da Câmara dos Deputados. A solenidade promoveu a integração entre jovens e o Poder Legislativo, contando com a participação de representantes de entidades setoriais que destacaram a importância da educação e do engajamento democrático.
Secretária da Mulher
Jander, a tua fala bacana, a tua experiência, porque eu acho que tem isso, né gente? As comunidades minoritárias, minoritárias politicamente, que eu quero dizer, aqueles segmentos populacionais que são historicamente, têm sido historicamente excluídos, da representação institucional, ou seja, que tem mais dificuldade de se candidatar, a cargos que têm mais dificuldade de acessar os espaços de poder, né? seja na universidade, seja os parlamentos, como os indígenas, como as mulheres, como a comunidade brasileira, LGBTQIA+, enfim... Todas as comunidades minoritárias que sofrem algum tipo de opressão, elas têm uma noção muito mais clara de comunidade. Poderia pensar, né? nos quilombolas, por exemplo, que vivem em comunidade, por quê? Porque foram perseguidos, quer dizer, não tinha como o cara, sendo um escravo fugido ou uma pessoa preta, recém-liberta, viver sozinho. E ainda hoje as comunidades quilombolas, as comunidades indígenas mostram essa força do coletivo, que é um negócio que a nossa organização social contemporânea, ela... ela bagunça, ela tira a força desses coletivos. Então, você tem aí um enfraquecimento dos movimentos sociais, de alguma forma, quer dizer, movimento estudantil. que já foi muito mais, né? Quer dizer, todo mundo queria entrar no DA, quando eu entrei na universidade. A gente queria ir para o DA, a gente queria entrar no DCE, a gente queria fazer parte, se candidatar. Hoje, eu não sei quantos dos estudantes que trabalham, que têm... e eu trabalhava nessa época, mas, enfim, era meio louca. Mas... As pessoas gostavam de participar, as pessoas queriam se filiar a partidos, etc. Queriam estar sindicalizadas, achavam importante associações profissionais e tal... Hoje você vê um esvaziamento dessas esferas coletivas. Então, para a construção dos interesses coletivos, porque os interesses não são individuais, eles estão permeados pela nossa sociabilidade. Então, assim, eu preciso de mais um salário, de um salário melhor. Isso não acontece na nossa cabeça, assim, do dia para a noite, não é assim. Obrigado. Quer dizer, se você passou por necessidades econômicas ao longo da sua vida, isso é uma vivência que te leva a determinadas... posições ideológicas também. E o enfraquecimento dessas organizações comuns, dessa construção comum de objetivos para a comunidade, não... para mim, indivíduo deste lugar específico, ou às vezes um indivíduo desenraizado, né? um indivíduo que paira, que poderia morar em qualquer lugar, que tem os interesses dispersos, não estão mais conectados ao... a região geográfica, Complica demais a discussão. E aí a gente não pode pensar, não pode, porque todo o avanço que nós tivemos no século XVII, XVIII, XIX com o liberalismo, que foi um avanço, tremendo, né? Se a gente pensar em termos de liberdades individuais, direitos civis, quer dizer, o Estado não pode mais chegar e matar seus cidadãos. Isso é do liberalismo, isso está na nossa Constituição. Mas o Estado mata um monte de cidadãos o tempo inteiro nas nossas comunidades periféricas. todos os estados deste país. É um desvio. É uma disfunção, isso não poderia acontecer. Mas veja, isso são avanços que o liberalismo, enquanto movimento intelectual, enquanto movimento político, nos trouxe. Obrigado. Mas aí você vai ter que Falar do que é o neoliberalismo, de como essa atomização, essa individualidade levada ao extremo, ela acaba enfraquecendo os laços sociais e a construção de objetivos e demandas, interesses comuns. É interessante porque você vai ter menos... organizações da sociedade, do que nós costumamos chamar sociedade civil, e mais organizações econômicas atuando. Você vai ter mais lobby, menos advocacy. Porque as pessoas vão se organizar coletivamente somente quando for um... quando elas forem obrigadas pelo mercado, vamos dizer assim. Então, eu quero a regulamentação da profissão de nutricionista, de fisioterapeuta. Aí você tem uma galera aqui. na Câmara, mas... no resto das discussões você não tem essa participação coletiva importante, relevante, muitas pessoas aqui presentes fisicamente, fazendo pressão para que os parlamentares votem alguma coisa. Isso também é um reflexo do nosso tempo, são os dilemas da nossa organização social e econômica. Segunda. E temos ainda um conceito de democracia participativa, que é uma coisa bem mais recente, do século XX. Por quê, gente? Porque a gente está falando de uma democracia, democracia contemporânea, não estou falando da dos gregos, Lembrando o texto clássico do Benjamin Constant, o Benjamin Constant francês, não o brasileiro, que tem o mesmo nome, mas também tem um texto interessante, mas não é dele que eu estou falando. Que é o seguinte, nós temos regimes que incorporaram segmentos que antes nunca tinham sido incorporados nas decisões políticas. Se a gente pensar: a própria democracia grega, na qual nós já falamos, mas se a gente pensar Todos os regimes absolutistas, todos os regimes monárquicos que nós tivemos até o século XX. 17, 18. Você só vai ter, por exemplo, o voto como direito universal, o sufrágio universal, no século XIX. E no século XX, ele demorou muito para ser implantado. No Brasil, nós só chegamos ao sufrágio universal em 1988. Não tem 40 anos que nós temos sufragem universal no nosso país. Por quê? Porque até 1988, os analfabetos não podiam votar. Até 1934... As mulheres não podiam votar. Até 1891, você tinha que ter renda. Comprovar um determinado nível de renda para votar. Então, assim. Vejam como era pouca gente para conversa. Ah, era tão bom, os discursos parlamentares eram ótimos, todo mundo se entendia. Claro, né? Todo mundo tinha o mesmo interesse, era todo mundo do mesmo clube de golfe. Por que eles iam brigar? Por que ia ter conflito? Por que que a Dac era quebra-pauro? Só dá conflito quando você tem... Heterogeneidade. Quando você tem diferentes segmentos populacionais tentando chegar... ao espaço de poder. Aí você vai ter conflito. Você vai ter quebra-pau. Por quê? Porque são interesses Não é que são apenas diferentes. O problema é que, às vezes, são interesses contrários, né? Um ganha e o outro perde. E aí vai ter briga, não tem como não ter briga. Se eu vou perder, Então, quer dizer, né? Obrigado. Obrigado. O conflito que nós percebemos hoje nos regimes contemporâneos também se deve à incorporação de parcelas que eram excluídas da democracia. Então, vejam, o conflito por si só, ele não é ruim. para a democracia. Se nós tivermos um parlamento em que todos concordam, é muito provável que nós não tenhamos uma democracia. Vamos pensar no maior parlamento do mundo. Qual é o maior parlamento do mundo, que tem mais de 3 mil representantes? o parlamento chinês. 3 mil representantes de um partido. Que maravilha, todo mundo se entende, que delícia, né? Não que eles se entendam todos, né? Mas eles não brigam no parlamento, eles brigam nas assembleias do partido. né? Mas é um regime democrático? Hum, né? Um regime de partido único que você não tem opção? Não é democrático. Mas você tem... Parlamento, E você tem consenso. Então, o problema não é o conflito especificamente, o problema é o Quais são os termos que limitam o conflito? Eu posso ver os demais como adversários políticos. mas eu não posso vê-los como inimigos. E aí eu voltei lá para o Carl Schmitt. O povo do direito gostou, porque todo mundo leu o Carl Schmitt, né? Lera. Não leram? Pois. Vamos ler o Carl Schmitt. teórico do início do século XX, que depois lá os nazistas Puxaram ele, a teorização dele, que era o quê? Basicamente, ele tá falando: "Ah, política é um negócio que tem amigo e inimigo". Ele está defendendo isso. A gente está falando, a gente está relendo ele para dizer que se eu tratar o outro como inimigo, aí eu tenho mais recentemente Chantal Mulf, outros teóricos da democracia, Nancy Fraser e tal, se eu ver o cara como inimigo, eu posso pensar que ele tem que ser aniquilado. Inimigo não tem direito de existir. Percebem? Então, eu não posso, na política, falar em inimigos, eu posso falar em adversários, dos quais eu ganharei as eleições. Nas regras que estão estipuladas, mas eu posso perder também. E eu não ganhei nessa, eu me preparo melhor para a próxima, vou de novo, me candidato de novo, faço caravana, volto de novo, faço propaganda. organizo lá minhas comunidades. Puxa o povo lá da Maré e vem de novo, me organiza. Esse é o jogo democrático. Tem conflito o tempo todo. Mas não tem guerra, porque a democracia é o regime... que foi criado para evitar a guerra, o conflito aberto, a guerra civil ou a guerra com outros... Territórios. Não são palavras minhas, tá? São palavras do Winston Churchill. primeiro-ministro britânico, quando eles derrotaram o Hitler, enfim. na Segunda Guerra Mundial. Então a gente ainda não inventou nada melhor. Então, vamos acabar com tudo, vamos acabar com os partidos. Tudo bem, a gente tem 35 partidos no Brasil. Era 35 até a última contagem, não sei se já tem mais algum que entrou, mas eram 35. Ou em vias disse. A gente sabe o que todos esses partidos defendem? E olha que eu sou professora de ciência política Trabalho no parlamento. Eu não sei. Eu duvido que algum cidadão brasileiro saiba. Tá, talvez a Carmen Lúcia saiba, que foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O que eles defendem? Qual é o estatuto? Qual é o lado dele? Quer dizer, a gente tem 35 segmentos, facções, como chamavam... facções é uma palavra complexa, mas é o termo que os pais fundadores usam, tá? O Hamilton, galera, eles estavam falando de facções. Hoje é um termo... complicado na nossa discussão, tem outro sentido, enfim, mas... segmentos, vamos falar partes do todo, partidos, um pedaço. Uma fatia da população. Nós temos 35 segmentos identificáveis que são diretamente representados pelos partidos brasileiros. Não. Porque a gente tem partido que representa mais de um segmento, tem vários segmentos ali envolvidos. E tem partidos que... É difícil perceber qual é o segmento que está sendo representado. Talvez exista, mas talvez seja muito pequeno, talvez se expressem mal, não se comuniquem bem, pode ser. Obrigado. Mas, em teoria, os partidos são um atalho cognitivo. E esse é o nosso problema. A gente não consegue usar os partidos como atalho cognitivo, ou pelo menos assim, muito poucos partidos a gente consegue usar como atalho cognitivo. As pessoas usam o PT como atalho cognitivo, que é talvez o único partido de massa, no conceito de partidos de massa e tal, lá do século XX, que a gente... já teve, assim, próximo disso. Elas usam, elas sabem mais ou menos que o PT vai ser, quem é do PT vai ser mais ou menos a favor disso e contra aquilo. mais ou menos, isso já foi mais claro, E vem se diluindo ao longo do tempo. Então, as pessoas têm alguma clareza em relação ao PSOL. Elas têm alguma clareza em relação agora ao PL. Elas sabem mais ou menos que o PL tende a ir para esse lado, o pessoal tende a ir para aquele. Então, elas meio que localizam assim, está esse de um lado, está esse do outro. Isso serve como um atalho. para o eleitor. Ah, eu estou mais para cá, eu estou mais para lá. Não, eu estou bem no meio, então não me serve nenhum desses. Mas e os outros 33? E os outros 30? Então aonde? Mais para cá ou mais para lá? no estado lá no Ceará, está mais para lá, mas se for no Rio Grande do Sul, está mais para cá. Se for lá no Sergipe, né? Do Ninan está mais para lá, mas aí chega no Mato Grosso, caiu para cá. Então, a gente ainda tem essa descentralização... das lideranças regionais. Fica muito complicado. para o eleitor usar o partido na principal função que o partido talvez servisse, que é localizar os candidatos, dizer que os candidatos desse partido estão mais ou menos... concordo aí uns 80% com eles. Então, eu vou escolher um aqui da lista que tenha mais a ver, que seja mais parecido comigo. Não consigo fazer isso nos partidos. Brasileiros. Aliás, não consigo fazer isso em vários partidos. Não é só pelo número, porque, por exemplo, nos Estados Unidos, os eleitores estão com essa mesma dificuldade. A diferença está tão pouca entre democratas e republicanos que eles não conseguem mais localizar. E isso explica por que as pessoas não confiam, por que elas falam que não representam, por que elas não vão votar. Então, nos países que não têm voto obrigatório, uma abstenção recorde, porque elas não sabem mais o que o Partido Trabalhista Britânico vai defender, não sabem se vai ter diferença do Partido Liberal, Conservador, elas não sabem se o Partido Podemos na Espanha vai defender. a democracia direta, etc., né? E aí entra no Parlamento e todos vão se organizar como... cabe dentro do parlamento, né? por meio de representantes eleitos, etc. Então, veja, será que a nossa saída é a inteligência artificial? Obrigado. Obrigado. Talvez possamos utilizar a inteligência artificial, enquanto eleitor, para tentar ler, para tentar mapear, sei lá. Agora, eu acho bem complexa essa proposta de você colocar uma inteligência artificial que ela vai... mais do que decidir, ela vai... Porque o problema não é a decisão, o problema é a... É o desenho. da proposta. Obrigado. Porque às vezes a questão não é de sim ou não. Obrigado. Você é a favor do aborto? Eu vou dizer. Não! Como assim, a favor do aborto? Acho que as pessoas têm que fazer... Usar aborto como método de concepção? Não. Nem pra mim, nem pra ninguém. Mas você é a favor da legalização do aborto? Sim. Eu acho que as pessoas não têm que ser criminalizadas por isso, se elas fizerem no momento de desespero, de necessidade. A pergunta não é formulada assim. Então, depende, a minha resposta também depende de como a pergunta é formulada. Então, você vai colocar uma inteligência artificial a desenhar a proposta? que o verbo no particípio interfere se deverá ter indiferença crucial para poderar E aí é o povo do direito que gosta. Obrigado. Eu acho bem complicado, para não mencionar o caso de que as inteligências artificiais são construídas por humanos. a partir de critérios que são definidos por esses humanos. Porque o algoritmo, ele é... ele funciona automaticamente, mas ele não é criado automaticamente. Quer dizer, a gente já tem um processo de acúmulo humano para a construção de algoritmos. E a gente sabe, reconhecimento facial, todas as os problemas que cria, enfim. A gente sabe que quando põe uma foto no algoritmo, ele branqueia todo mundo. Quem é pardo no Brasil fica... absurdamente branco, é uma coisa incrível. Pede para ele melhorar uma foto e vai imediatamente te branquear É um fato. Façam essa... Quer dizer, põe alguém negro e peça para melhorar a foto. Ele vai branquear a pessoa. Então, assim, é complicado. Acho mínima, para não dizer nada, impossível, eu digo complicado. Quem sabe daqui a alguns anos, mas hoje acho impossível. bem desfavorável para nós. Gente, eu não vou conseguir até o fim, para variar, Passa a próxima aí, só para eles terem uma noção. Olha aí, não cheguei nem no papel do legislativo, mas a gente vai ter que concluir, porque vocês vão precisar almoçar mais cedo. Mas antes de concluir, eu abro para alguém que tenha mais algum comentário. Angústia, se for leve, porque angústia pesada não resolveremos. Eu posso indicar aqui um número para você, da minha psiquiatra, porque estamos angustiados. Fala, por favor.




