CONSELHO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR

19 mai. 2026 15:21 às 16:59

Sobre o Evento

19/05/2026 - Apreciação de parecer e instauração de processos

Status
Concluído
ID: 82007Total: 36 discursos
#18
Transcrição Oficial

Obrigado, Sr. Presidente. Extrai-se do relatório que me é recomendada a suspensão de 3 meses. É recomendada, no voto, a suspensão de 3 meses do meu mandato, o que, é claro, somado aos outros 2 — de simplesmente estar na Mesa —, vai implicar 5 meses de suspensão, o que implica o desfazimento total do meu Gabinete. Ainda que não aconteça a desoneração, todos os meus colaboradores vão ficar desempregados por 5 meses — 5 meses! —, o que mostra uma tremenda desarrazoabilidade. É extremamente desrazoável. Paralelo a isso, é importante ressaltar que isso também vai implicar o meu despejo do apartamento funcional. Então, vou ter que fazer toda a mudança. Percebam o peso da pena em relação ao fato. Ora, é verdade que eu fiz uma crítica muito dura ao Presidente desta Casa. É verdade que, no teor do material audiovisual que se encontra presente neste arrazoado, há sim uma crítica muito dura, mas volto a repetir, volto a repetir: ninguém desta Casa, nem o representante — e não houve testemunha de acusação —, presenciou o referido fato. É apenas o vídeo. Inclusive, o elemento utilizado para indeferir todas as minhas testemunhas decorreu do fato de essas testemunhas não estarem presentes, em decorrência do fato. Ora, se para servir como testemunha se exige a presença no evento, causa-me uma dúvida: por que não há necessidade, para se confirmar o evento, de não ter nem uma testemunha sequer? Paralelo a isso, é importante ressaltar que é fato notório nesta Casa, em especial nesta Comissão, que jamais, jamais eu faltei com o zelo no trato com os colegas ou com o respeito com esta Comissão, com a instituição, com os servidores e com a Presidência. É fato notório que eu sempre utilizei de altíssima técnica processual e principalmente, principalmente, respeito com os meus pares. Ocorre que — e era isto que eu pretendia demonstrar na minha defesa, com o rol de testemunhas que eu elenquei — nós estamos vivenciando um Estado de exceção, nós estamos vivenciando uma sucessão de absurdos indizíveis, desde o primeiro dia do nosso mandato. Pessoas sendo condenadas a penas absurdas, em condições subumanas, sem sequer individualização do fato... Repito: a maioria das pessoas que foram condenadas, assim o foram sem sequer saber por que estão sendo condenadas. A que elas estão respondendo? Qual o fato que coloca essas pessoas numa situação de fato típico? Porque não há sequer individualização do fato. Nós temos uma mãe de cinco filhos que foi condenada a quase 17 anos porque estava no gramado da Esplanada. Nós temos a Débora do Batom condenada a mais de 14 anos porque riscou de batom uma estátua. Isso é muito, mas muito mais antiético do que qualquer fato que possa ser descrito aqui. E, veja, os colegas desta Casa sabem que, desde o primeiro dia após a prisão dessas pessoas, eu me dirigi pessoalmente à Colmeia, me dirigi pessoalmente à Papuda e vi in loco esses absurdos ao longo de mais de 2 anos, suplicando, implorando, fazendo tudo que estava ao meu alcance,

19 de mai, 15:51