REUNIÃO CONJUNTA

11 jun. 2026 10:48 às 13:07

Sobre o Evento

A reunião conjunta discutiu denúncias graves de violações de direitos humanos e violência policial contra trabalhadores ambulantes e artesãos em São Paulo. Representantes da categoria exigiram justiça, maior regulação do setor e o fim de práticas discriminatórias como racismo e xenofobia no ambiente de trabalho.

#6
Representante - União Africana Global / Federação Alkeebulan Mariana Bintu Bah
Mariana Bintu Bah

Representante - União Africana Global / Federação Alkeebulan

Transcrição Oficial

Bom dia. Eu sou Mariama Bintu Bah, eu sou atriz, eu sou liderança comunitária. Moro no Brasil há 12 anos. A minha imigração para a América Latina tem 20 anos. Cresci aqui, na imigração formal e informal. Morei no Rio de Janeiro 9 anos e estou morando aqui em São Paulo há quase 2 anos. Eu sou uma pessoa muito emocionada por falar do tema de que eu estou falando aqui, porque eu nunca escondi a minha vontade de falar de cultura. Então, hoje eu gostaria que esta audiência fosse sobre cultura, ou integração, ou a valorização das mãos de obra que nós temos dentro do Brasil. E falar dos ambulantes, como a gente fala... Eu sou uma jovem africana, eu sou da Gâmbia. Meus pais são do Senegal. E eu sou pan-africanista a partir do aprendizado do que é o preto fora da África. Eu aprendi a ser mais preta fora da África, porque foi aqui que eu aprendi que eu era preta. Aqui que eu fui chamada de negra, perdi meu nome. Falando de hoje, da audiência pública sobre ambulantes, eu quero falar da perspectiva do imigrante. O que nos leva às ruas para empreender? E como uma representante hoje da União Africana, Al-Kebulan, como jovens que têm vontade de unificação da nossa luta tanto da África, o continente, como da diáspora, quando a gente se depara aqui com as circunstâncias, há um aprendizado muito duro sobre a presença da cultura africana, mas, ao mesmo tempo, a desvalorização, a criminalização dos corpos pretos dentro do território latino-americano em que eu cresci, como disse, no Peru e em outros lugares. Falando de ambulantes, como exemplo de uma jovem dentre milhões de jovens, eu falo mais de sete idiomas. A maioria deles são idiomas coloniais, dos que nos colonizaram. Então, como eles são reconhecidos como idiomas, eu os falo. E falo idiomas locais, como uma mulher fulani. Falo mandinka, wolof e outros idiomas que a gente escreve, embora o mundo negue. O dia de hoje é muito importante. Eu agradeço enormemente à Luana. Eu sempre digo que, apesar de morar aqui, eu sempre tive medo de Parlamentar, eu tive medo de político, porque até hoje é uma luta de que a gente fala muito, quando você não vê a presença dos imigrantes: "Ah, estamos usando para fazer politicagem". E eu tenho certeza de que tem muita gente que faz isso, mas também tem gente que se compromete. A partir de quando eu conheci a Luana, eu fui quebrando isso, no mandato de Suplicy eu vi também — a Larissa está aqui. O Fórum das Fronteiras Cruzadas, a partir da morte, quando a gente está falando... Hoje estamos falando de Ngange Mbaye, mas para mim é uma lista que vai crescendo, é uma lista que para mim começou no Rio de Janeiro, quando eu vi uma das piores cenas da minha vida, não por mim, mas por meu povo, quando a vida de uma das lideranças mais promissoras foi interrompida: Marielle Franco. Para nós, como jovens, era uma inspiração com que sonhamos um dia, como filhos de pobres: a gente vai parar no mesmo lugar, para combater os donos das fazendas, como o sonho de Malcolm X, de todos os nossos grandes líderes.

11 de jun, 11:14