
A gente está, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, a gente está montando, nós temos representantes nefropediátricas na nossa diretoria, e elas estão montando um documento que vai ser liberado pela sociedade para realmente guiar políticas públicas voltadas para essa população. Mas o que eu posso lhe adiantar é que as causas são um pouco diferentes. Às vezes as crianças já nascem com um defeito renal, às vezes nascem sem o rim, às vezes tem alguma outra síndrome que faz ter a doença renal. Então, as causas são um pouco diferentes. tratamento é um pouco diferente e quando a gente fala em substituição renal o transplante é o ideal para essas crianças então quanto antes elas tiverem aptas a fazer o transplante melhor porque elas têm retardo de crescimento atrapalha todo o desenvolvimento da criança então é realmente muito triste quando isso acontece com as crianças, o tratamento de substituição, seria na sequência, primeiro o transplante e segundo a diálise peritoneal. Então, a gente tendo essa carência de diálise peritoneal no nosso país, está prejudicando principalmente as nossas crianças. Então, por isso que é tão importante essas novas luzes que apareceram aí, a gente tem muita esperança que vá... Ajudar essas famílias, essas crianças a terem um futuro e não estarem condenadas a nem mesmo poder fazer um transplante. Obrigado. Muito obrigado, viu?
Muito obrigada pelo convite para estar participando aqui. Obrigada por vestir a nossa camisa. Me traz muita felicidade. A gente vê que mais pessoas estão... se engajando nesse movimento que realmente precisa de muito envolvimento, né, legislativa, do executivo e da sociedade civil também. Eu queria lembrar aqui também das crianças que também são vítimas dessa doença, né, e muitas crianças, eu fiquei sabendo que aí em volta do país, não tem acesso a diálise peritonial, que é a diálise ideal nessa fase da infância. E muitas crianças acabam tendo que fazer hemodiálise e são condenadas, né, Porque quando elas perdem as veias, por conta da hemodiálise, elas não podem transplantar. Então, elas são literalmente condenadas à morte em vários lugares do Brasil pela falta de acesso. a diália espiritual. Eu ouvi esse relato ontem em Porto Alegre, eu estava em uma reunião com associados da Sociedade Brasileira de Nefrologia, a gente ouviu relatos... tristíssimos, não só crianças sendo condenadas, mas também adultos, porque a diálise não é uma coisa simples, envolve preservação de veias, envolve várias complicações como anemia, como doença óssea, então, realmente é uma pauta muito ampla e quanto mais ajuda a gente tiver, melhor, melhor para essas pessoas que estão sofrendo, a gente tenta falar em nome delas, Por mais que sejamos uma associação de nefrologistas, a gente também tenta falar pelos nossos pacientes que, infelizmente, ou estão fazendo hemodiálise ou estão... percorrendo quilômetros de distância para poder fazer seu tratamento e quando realmente tem um tempo livre eles estão passando mal por conta do tratamento. Então, por isso que a gente quer realmente frear esse processo, esse aumento da necessidade da terapia renal substitutiva com mais prevenção, com mais diagnóstico precoce. Então, agradeço o senhor novamente.
Boa tarde, cumprimento a mesa em nome do deputado Wellington Prado. Obrigada pela oportunidade de a gente estar falando sobre esse tema tão caro, tão importante, não só para a saúde pública, para os pacientes, mas para os cofres públicos também. E muito obrigada a todos os presentes. Então, eu vou falar um pouquinho... sobre a mudança do curso da doença renal. Qual seria a solução para a crise humanitária da diálise no Brasil? Bom, então, no ano passado, em fevereiro do ano passado, a Organização Mundial de Saúde fez um documento incluindo a doença renal crônica como uma doença de HIV. é importância mundial e que requer atenção. E no documento eles colocam que, reconhecendo que aproximadamente 674 milhões de pessoas vivem com doença renal crônica no mundo, correspondendo a 9% da população global, e preocupados que a doença renal crônica é uma das causas de morte que mais cresce no mundo inteiro e está projetada para se tornar a quinta principal causa de morte. até 2050, com aumento projetado de 33% na mortalidade padronizada por idade e um aumento de 28% nos anos de vida, ajustados por incapacidade, se nenhuma ação for tomada. Então, se a gente está falando de 2050, A gente precisa agir agora. Se não agirmos agora, a gente vai ver isso acontecer e vai ser uma situação insustentável, considerando a quantidade de pessoas que estão desenvolvendo doença renal crônica e o grande impacto, tanto econômico, para os cofres públicos e também para o meio ambiente, que é o tema também da nossa campanha do Dia Mundial do RIM. Estou vendo que o senhor está com a camiseta aí em cima. Então, é cuidar de pessoas e cuidar do planeta. A geração de lixo pela hemodiálise, principalmente, é imensa. Então, o impacto ambiental é insustentável. Bom, então aqui só mostrando novamente o que a Organização Mundial de Saúde já tinha mostrado. o Póinterém. É no vermelhinho? Não dá para apontar, né? Então, um aumento de 41% desde 2013, projetado para ser a quinta causa de morte ali em 2040. Aproximadamente, a gente estima que uma entre cada 10 pessoas tem algum grau de doença renal e não sabe. A doença é silenciosa nos estágios iniciais, que são os estágios onde a gente consegue reverter. para a doença se manifestar. A gente precisa identificar antes e agir antes. Bom, aí, novamente, o estudo, né? A causa no mundo será a quinta causa de morte, passando, inclusive, do diabetes, só perdendo como causa de morte para ali, como vocês estão vendo, para o AVC e para a doença isquêmica coronária, tá? E ali, em quinto lugar, a doença renal crônica, mas na América Latina vai ser a quarta causa. Como eu falei, a hora de agir é agora. E aí Inclusive, é muito importante, já que a gente está nessa comissão, a gente frisar, enfatizar que, inclusive, a doença renal crônica vai superar em mortalidade cânceres, como o câncer de pulmão e o câncer de mama, como vocês podem ver nas setas. Então, a gente já tem tanta abordagem de prevenção para o câncer, por que a gente não está agindo da mesma maneira com a diálise? E aí vocês podem ver aí, na linha verde, a probabilidade de sobrevivência, como ela vai diminuindo ao longo do tempo em que as pessoas estão em terapia dialítica. Inclusive, as pessoas sobrevivem menos em diálise do que pessoas com cânceres, como, por exemplo, o câncer de mama e o câncer coloretal. A diálise mata mais que muitos cânceres. Obrigado. Obrigado. Obrigado. E aí Bom, mas se a gente tem a diálise, se a gente tem o transplante, por que a situação está tão catastrófica? Bom... Porque a expectativa de vida em pessoas em terapia de substituição renal é muito menor do que pessoas fora. Então, aqui vocês podem ver na setinha, pessoas jovens, olha só a expectativa de vida. O cinza, a bolinha cinza, é a população geral. A em rosinha é a população em diálise. Então, a expectativa é de 40 anos a menos de 40. para mulheres e 35 anos a menos para homens jovens. A gente está falando de pessoas entre 20 e 24 anos. Então, uma situação trágica. Obrigado. E aí a gente sempre tem que se perguntar: "E se fosse seu pai? Se fosse sua mãe?" E se fosse seu filho? Porque a gente acha que isso nunca vai acontecer com a gente. Mas, dada essa prevalência... horrorosa, Isso vai, eventualmente, acabar afetando nossos familiares, ou até mesmo a nós mesmos. E aí Então, vamos lá. O câncer novamente. A gente sabe que o envelhecimento é um fator de risco muito importante para o câncer. Então, à medida que o tempo vai passando, a idade vai aumentando, a mortalidade vai subindo, especialmente ali a partir dos 60 anos. Para a doença renal crônica, é a mesma coisa. Pessoas mais velhas, mais idosas, estão tendo maior incidência dessa doença e maior mortalidade. ser. A idade, a gente sabe que é um fator que não é modificável. Então, o que se faz para evitar que mais pessoas desenvolvam câncer? O que é feito é prevenção. A gente faz o diagnóstico precoce e, de preferência, dá esse diagnóstico antes que a doença se espalhe, se torne mais grave. Sendo que a diálise, que a doença renal crônica tem esse mesmo perfil... A gente precisa falar em prevenção. Não tem como a gente não falar em prevenção, tendo em vista que não tem recurso financeiro, para a gente bancar a diálise para toda essa população que eu estou falando para vocês. Então, a gente precisa mudar alguns paradigmas. Obrigado. Bom, a gente já tem tratamentos disponíveis no SUS... que reduzem o risco de perder os rins de falência renal. Aqui, eu estou dando o exemplo desse medicamento aqui, que é a DAPA-glifosina, que já foi incorporada. Pacientes pegam gratuitamente, pelo menos aqui no DF, pacientes com mais de 60 anos, têm acesso muito fácil, muito amplo a essa medicação. E olha o tanto de tempo que essas pessoas ganham de vida, considerando somente essa medicação. Olha a diferença. Ela viveu 26 anos a menos de quem usou essa medicação. E a gente está partindo lá em cima, olha lá no círculo, de uma taxa de filtração normal. Essas pessoas não tinham ainda redução da filtração. O que elas tinham? Perda de proteína na urina, que a maioria das vezes não é diagnosticada. As principais causas de doença renal crônica são hipertensão e diabetes. A gente já tem vários programas amplos do Ministério da Saúde que justamente tratam essas doenças. Por que que está aumentando tanto? Então, provavelmente, não estão sendo eficazes ou não estão verificando fatores de risco modificáveis antes que eles avancem. Então, aqui, por exemplo, como eu falei para vocês, essas pessoas tinham só perda de albumina na urina com função renal normal. Mas olha lá embaixo, aquele 20 ali, a pessoa já está com o rim funcionando só 20%. considerando que 100 seria o normal, eles estão filtrando só 20%. Mesmo assim, essas pessoas ainda ganharam dois anos fora de diálise. Ou seja, mesmo em estágios avançados, a medicação muda, muda a trajetória da doença. Então, esse é o atual cenário que a gente tem, né? Em torno de 172.500 pacientes em diálise. Só um minuto. que eu chamo esses pacientes de sortudos. São 172.500 sortudos no Brasil, porque não tem vaga para todo mundo. A gente sabe que a situação hoje é pessoas... presas em hospitais sem ter uma vaga de diálise, então não podem receber alta. Então, a gente tem esse número muito subestimado. Além do mais, tem uma diferença regional absurda. A prevalência de pacientes em diálise Eu peço só mais alguns minutinhos. A prevalência de pacientes em diálise no Sudeste, por exemplo, é muito maior que no Norte. Lá tem menos doença renal? Claro que não. Lá tem menos vaga. Então, essas pessoas, infelizmente, não estão tendo a sorte de conseguir esse tratamento. E como eu falei para vocês, a gente já tem tratamentos que revertem essa situação. A gente tem, inclusive, disponíveis no SUS, dois deles. Os dois primeiros pilares, a gente tem disponíveis no SUS. O terceiro pilar, infelizmente, nesse ano, não foi incorporado. Uma grande tristeza para nós, mas não foi incorporada uma outra medicação que, agindo junto das outras, também retarda muito a progressão da doença renal. Então, hoje a gente tem quatro medicamentos, fora mudança do estilo de vida... E... Alguns medicamentos têm efeitos adversos, como por exemplo, o Captopril, o Losartan. Se utilizado junto com a Finerenona, a gente consegue controlar os efeitos colaterais com esse outro medicamento que já foi incorporado pelo Ministério da Saúde no ano passado. Então, uma das principais complicações, doença cardiovascular, AVC, infarto. Então, a gente está falando de tudo junto aqui. Aqui é um gráfico que mostra quanto mais vermelho, maior o risco das pessoas terem morte por todas as causas. Morte por causa cardiovascular, AVC, infarto, lesão renal aguda e perda dos rins indo para a diálise. Então, vocês estão vendo aqui, o G é o quanto o rim filtra. O A é quanto ele perde de proteína. Quanto mais proteína o rim perde, pior. Quanto mais perde função, pior. Então, a gente tem que olhar as duas coisas. Infelizmente, na atenção primária, não é coletado esse exame de albuminúria na urina, como deveria ser feito. Então, é muito importante que a gente coloque tudo junto no mesmo pacote de prevenção de diabetes, de hipertensão, esse exame de albuminúria que os médicos entendam na atenção primária, o quanto isso pode mudar completamente o paradigma da doença renal crônica. Só para vocês terem uma ideia, ali onde está circuladinho 103, vocês estão vendo? É um paciente que tem uma taxa de filtração acima de 60, é até razoável, mas ele tem muita perda de albumina. Se você ver na vertical, mais de 1 grama, mais de 1.000, seria uma perda muito grande de proteína. O que acontece? Essa pessoa tem 103 tickets. A mais. De passaporte para diálise. Então, esse gráfico aqui mostra o risco de perder os índices, mas a gente tem gráficos semelhantes de risco de infarto, de risco de AVC, de risco de morte por todas as causas. Então, veja quantos tickets as pessoas ganham de passaporte para essas complicações, se nada é feito. Então, as conclusões que a gente traz aqui hoje para a comissão. A doença renal crônica é um problema de saúde pública em nível mundial, por conta do seu risco de falência renal, morte prematura, doença cardiovascular, infarto e derrame. As novas terapias que mudam o curso da doença renal crônica têm surgido, mas elas precisam ser instituídas a tempo, antes que a doença evolua para um estágio mais grave. e a mortalidade é levada para vocês. É um tratamento caro, A mortalidade é elevadíssima e ele é insustentável do ponto de vista econômico e de meio ambiente, conforme vocês estão vendo na camiseta da nossa campanha do Dia Mundial do RIM. E, como conclusão, eu trago também que insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa... e esperar resultados diferentes. Dessa maneira, a gente não vai resolver o problema da crise humanitária, mais pessoas vão continuar morrendo, Brasil afora. A gente não pode contar com essa solução de diálise. A gente tem que agir antes, como a gente faz com o câncer. Muito obrigada. Obrigada.
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