Maria da Graça Silveira Gomes da Costa

Maria da Graça Silveira Gomes da Costa

Professora de Psicologia - Universidade Federal do sul da Bahia - UFSB

Últimos Discursos

24 de mar, 19:19

CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS

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Eu gostaria de agradecer essa casa, ao CEDES, por nos... como me receber agradecer ao debate que que desenvolvemos hoje, a produção do Ricardo, da Dandara. E as trocas que a gente pôde fazer, o tanto que eu aprendi, é uma honra poder participar desse momento, uma honra... participar dessa mesa, né, E eu acho que é necessário que a gente siga avançando essas discussões das políticas públicas, pensadas a partir do chão dos territórios, que sejam formuladas a partir da vida das pessoas que estejam aqui, a juventude esteja aqui no centro, fazendo essas proposições, então eu saldo muito a presença do Caio, do Ítalo, né? que fazem que fizeram suas considerações, né, trouxeram sua realidade, né, a diversidade dessas realidades, né? e que a gente siga aprimorando os debates em direção à educação, e a políticas públicas de saúde, de assistência social, comprometidas com a luta antirracista, com a luta anti-LGBT fóbica, pela vida das mulheres, e da luta pela autodeterminação e defesa dos territórios, sobretudo dos territórios ancestrais. que seguem nos ensinando tanto sobre cuidado coletivo sobre antirracismo, sobre outras formas de pensar saúde, de pensar projetos de mundo e de sociedade. É isso, muito obrigada. Obrigado.

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24 de mar, 17:55

CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS

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Boa tarde, boa tarde a todas as pessoas. Gostaria de iniciar a saudão da mesa, aos sedes, aos consultores e consultoras legislativas, né, Diana, a todas as pessoas presentes, em especial a deputada Dandara, né, que é relatora do estudo, que está presidindo a presente sessão. Gostaria de dizer também que é uma grande honra poder trocar experiências e... compartilhar um pouco com os debatedores e debatedoras nesse tema que nos foi proposto hoje, que trata desses eixos que são, esse eixo que é essencial para a efetivação do Plano Nacional de Juventude, e é um prazer também poder falar, escutar Maria Páscoa Sarmento, Maria Helena Zamora, né? Porque também de alguma forma acho que muitas das coisas que eu trouxe de contribuição confluem com aquilo que elas trouxeram, então eu vou passar algumas coisas, porque elas já trouxeram de maneira brilhante, né? professora, como moradora do território do extremo sul da Bahia, que é um território pataxó, quilombola, campesino, cercado de monoculturas de eucalipto, da especulação imobiliária, é um território que hoje vive conflitos, muito conflitos fundiários, assim, por território, na defesa do território, de forma muito contundente, é o território que eu trago alguma dessas experiências né como educadora também como muitos anos que fui trabalhadora do SUS né E aí a partir dessas experiências que vou tentar contribuir para o debate hoje né Então, para pensar o tema da saúde mental em articulação com a questão da juventude, é importante a gente entender que o que a gente nomeia como sofrimento psíquico, mais do que o nosso entendimento biomédico, ele se refere, como já foi posto aqui antes, como expressões sociais, históricas e culturais que atravessam cada território, cada cultura, cada população de forma muito simples. de forma singular né e ele se estrutura também a partir de uma série desigualdades e iniquidades no no acesso à saúde nas formas de cuidar de na forma que as pessoas vivenciam seus processos de sofrimento né então como já foi colocado pela professora Maria Helena né não tem como a gente falar de um sujeito universal ou no caso que a gente está falando aqui de uma juventude universal, e eu acho que ela já trouxe essa contribuição, né, quando ela fala sobre as juventudes no plural, e sobre a importância da gente pensar a partir dessa perspectiva interseccional para pensar a constituição dos processos de saúde e doença, e também para pensar os processos de cuidado, né, culturalmente sensíveis, como a professora já elencou, né. ativismo que a gente vem desenvolvendo, né, coletivamente, especialmente junto a territórios indígenas, quilombolas e campesinos, né, ligados ao movimento dos trabalhadores sem terra, coletivos de assentamentos rurais, né, no extremo sul da Bahia, né, a partir da, sobretudo, na educação do campo e na educação escolar indígena, né, que tem chamado atenção para a gente sobre alguns aspectos do que a juventude dessas populações, do que essas juventudes, né, nesse território tem trazido para a gente pensar, né. produzido pela Covid-19, no aumento do consumo de telas, e isso tem aparecido de forma muito contundente, tanto nos diálogos com as comunidades, com as lideranças, com as famílias, com a escola e com a juventude, e que essa relação com as redes evidencia algumas coisas que estão de maneira geral na sociedade, Então, uma coisa que a gente percebe de forma muito forte é o peso das normas de gênero que tem impactado sobre a maneira, sobretudo jovens mulheres e jovens LGBT, a dificuldade do diálogo com as famílias, com a escola, lidar com a diversidade de orientação sexual, com a dissidência de gênero. E aí a gente tem como um dos impactos também desse processo, das questões de gênero, o aumento da violência sexual, o impacto disso na saúde mental, a naturalização de certas relações de violência sexual e de gênero, sobretudo com jovens meninas da faixa de 15 a 18 anos, sem apoio profissional, sem apoio da escola ou da família. A gente percebe também o uso abusivo de álcool e outras drogas em territórios rurais, em comunidades tradicionais, e que isso tenha relação com o aumento da violência nesses territórios. E também as grandes barreiras e dificuldades de acesso ao serviço para a saúde, E aí, né, é... Diante desse cenário, que eu acho que a professora Maria Helena já trouxe alguns dados mais gerais, a partir de uma perspectiva interseccional de raça e de gênero, para falar um pouco sobre o que é esse cenário das discussões sobre o adoecimento e a saúde mental da juventude no Brasil, eu gostaria de focar, na verdade, minha contribuição em dois pontos que eu considero centrais para esse debate. que eu considero é a urgência da gente retomar as discussões de um plano nacional da educação que seja eficaz no combate à misoginia e à LGBTfobia, e a gente sabe que a gente vem vivenciando desde os anos 2000 um... um avanço de ofensivas antigênero na educação né então é importante que a gente retome o processo de educação da educação em diálogo com esse com da saúde em diálogo com a educação né é sobretudo quando a gente olha para os dados sobre violência contra a mulher né no Brasil que só cresce né 13 a cada 10 mulheres já sofreram agressão né o Brasil é hoje um dos países, líderes mundial no que se refere ao feminicídio, e também a violência LGBTfóbica. Então, no último Atlas da Violência, publicado em 2025, mostra que a LGBTfobia, os casos de violência LGBTfóbica cresceram mil por cento nos últimos dez anos. trans, né, sobretudo de mulheres, de mulheres trans e de travestis, né, então a gente sabe que isso, ainda que a gente não tenha, né, um relatório nacional, né, solidificado sobre a saúde da população trans no Brasil, né, a gente tem algumas pesquisas feitas pela Antra, por exemplo, que mostra que mulheres trans e travestis pretas, periféricas, empobrecidas, continuam sendo o principal alvo das violências de gênero e transfemicídio, né, e que se expressam são em altas prevalências de depressão, ansiedade, transtornos fóbicos e ansiosos em geral. E a gente vê também um aumento para populações, um aumento dos casos de violência em comunidades, em mulheres, jovens mulheres de comunidades tradicionais. O ano passado saiu um estudo que foi desenvolvido por Clóvis Alves, vanzinac, né, que aponta para um crescimento de 500% no caso de homicídios de mulheres e adolescentes indígenas do Brasil entre 13 de 2022, né? E aí, uma das questões que nos fazem, né, que esses dados trazem a reflexão, né, é como é que esses dados sobre violência, falando especificamente sobre violência em comunidades indígenas, né, apontam para a gente como esses casos de violência são resultados de violações contra os territórios, contra os povos, né, que incluem mudanças profundas, né, no contato da sociedade envolvida, a sociedade não indígena, com o confinamento dessas populações que têm vivenciado, e eu acho que a professora Maria Páscoa trouxe muito isso, quando elas não têm o seu direito às suas terras amacadas, no caso da população quilombola, na população indígena, quando elas não têm o direito reconhecido a essa terra. E esses dados, eles também seguem o aumento dos dados sobre violência contra a população indígena em geral. E aí a gente sabe que a violência é um dos fatores centrais do agravo à saúde mental, né? Sendo muito comum esses relatos de violência sexual e de gênero, né? dentro de casa, na escola, a propagação de discursos de ódio na internet, o uso antiético, racista, misógino da inteligência artificial, e aí eu acho que o ECA digital representa um grande avanço no sentido da regulação do uso da internet no Brasil. da minha contribuição, uma coisa que eu gostaria também, né, outro ponto que eu acho central e eu acho que a professora Maria Páscoa já trouxe, né, mas eu acho que é muito importante enfatizar, né, é que para pensar, sobretudo as populações, pensar a saúde das populações do campo, da floresta, das águas, né, não tem como a gente não pensar sobre a defesa dos territórios, né. essas comunidades tenham seu... tem as questões de saúde mental muito atravessadas pelos conflitos socioambientais que estão presentes nesses territórios. E hoje na Bahia, por exemplo, o território Pataxó, multiplicam-se casos de prisões de lideranças indígenas e assassinatos de pataxós, em sua maioria jovens. como Samuel, Tataxó, Nauir, Gustavo, Vitor, Braz, mortos de 2023 para cá devido à criminalização das retomadas indígenas, né? Então, a não demarcação dos territórios aumenta a insegurança, a privatização das águas, matas, florestas e permite a entrada de facções criminosas nos territórios ancestrais. Então, as dimensões é importantíssimo, que a gente compreenda as dimensões de saúde, terra e sagrado, indissociáveis para esses povos, e que nos convocam a ampliar a atuação profissional e as políticas públicas nesse sentido. Era essa contribuição que eu queria dar hoje, muito obrigada. Obrigado.

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